domingo, 25 de novembro de 2018

Force 3


Banda de Heavy Metal inglesa bem pouco conhecida de geral.

Warrior of Light (1988)

01 - Heartbeat
02 - Trouble on the Streets
03 - Wondering
04 - Golgotha (He is Risen)
05 - See the Light
06 - Miracles
07 - Don't Give Up
08 - Warrior of Light






A obscura banda de Stockport durou bem pouco (infelizmente), mas tempo suficiente para mandar esse petardo metálico, formado por Charlie Wilson (guitarra e vocais, ex-100% Proff), Andy Jackson (bateria e vocais) e G.B. Bennett. Numa pegada que remete a bandas como Iron Maiden, Saxon e Diamond Head (NWOBHM, obviamente), faziam um som que até hoje me faz lamentar bastante o sumiço deles da cena de forma tão precoce. Músicas como "Trouble on the Streets" e "Heartbeat", além da faixa-título, já traziam a proposta da banda, além da mensagem de serem guerreiros da Luz Celestial. "Golgotha" e "Miracles" direcionam a Cristo sem rodeios.

Apesar de obscura, chegaram a aparecer na compilação "The Axeman" da Pure Metal em 1988 com a faixa-título, que também ganhou uma espetacular versão cover power metal da banda Treasure Seeker anos depois.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Siloam



Fantástica banda de hard rock/AOR do Canadá, me remete logo ao Skid Row e ao Firehouse em vários momentos. Seu nome é baseado no Poço de Siloé (Siloam em Inglês) mencionado na Bíblia em João 9.

OBS: Existiu uma banda Siloam anterior a essa, participante do Jesus Movement. Falarei sobre essa em outro post.

Sweet Destiny (1991)

01 - Here I Am Again
02 - Miss Lazzy
03 - Child of Time
04 - Chemical King (Big Fight)
05 - Eastern Skies
06 - Deceiver
07 - After the Fire
08 - Lethal Lady
09 - Sweet Destiny
10 - Decent Souls


O estilo glam nessa época estava no auge, e Siloam traz isso com muita propriedade. Não a toa está citado nos 100 maiores discos de rock/metal da Heaven's Metal Magazine. A sonoridade Skid Row notória e o vocal é um absurdo de lindo. "Lethal Lady" é a mais pesada do disco e eu simplesmente amo essa canção, bem como a faixa-título, que me remete logo à Bon Jovi.


Dying to Live (1995)

01 - Apathy
02 - Daddy's Little Girl
03 - Dying to Live
04 - Pain Inside
05 - Home Comin'
06 - Brand New Man
07 - Tender Heart
08 - My Pal Judas
09 - Lost in the Rain
10 - Welcome to Despair
11 - Pain Inside


Estranhamente demorei um tempo absurdo para ouvir esse disco (na verdade, acredite, eu nem sabia da existência desse até esse ano, 2018! kkkkkkkk). E como perdi tempo sem ouvir esse... seguindo os passos de Firehouse, Siloam chutou todas as tendências da época de bandas de hard rock seculares (e até mesmo cristãs, não é mesmo Bride, Guardian, Holy Soldier e Whitecross?) de sair do hard rock pra fazer um bagulho "alternativo/grunge/sombriozinho" blá blá bla... e seguiu a risca o som clássico deles. Aliás, nem diria tão a risca, porque esse disco é bem mais pesado. Calma, não vira nenhum speed metal, kkkkk, mas sim, tá na linha do hard'n'heavy, estilo Great White e Dokken. Irado demais. Tem faixas que fazem o baixo tocar com tudo (My Pal Judas) e um lado meio blues (Pain Inside).


CRock (1996)

01 - Somewhere I'll Be Free
02 - Mandy
03 - Tell Me World
04 - Dignity
05 - Rose Among The Thorns
06 - Get It Right
07 - Dreamer's Pie
08 - Zero
09 - Hey Man
10 - Pharisaical Friend
11 - In the Ghetto

Constância no hard rock. Em meados dos anos 1990 isso era quase um absurdo, uma banda de hard rock que continuasse a executar esse som, com raras exceções. Ponha os grandes hard rockers da Siloam nessa conta. Seguindo uma linha até mais funk'o'metal, na linha de bandas como Extreme, Siloam continuou fiel às raízes do seu som, e faz um ótimo disco aqui também, embora não tão memorável como os anteriores. Uma lástima ter sido o último dessa banda. "In the Ghetto" é um cover de Elvis Presley.





sábado, 17 de novembro de 2018

Resgate



Se existe uma banda que representa bem o rock cristão brasileiro é a banda Resgate. Sua formação clássica permanece imutável desde 1989: Zé Bruno (Vocal/Guitarra), Jorge Bruno (Bateria), Hamilton Gomes (Guitarra) e Marcelo Bassa (Baixo). Apesar das mudanças de sonoridade e, em dado momento da carreira, a abertura mais ampla de sua linguagem do rock gospel para o Novo Movimento, a ideia do nome "Resgate" permanece a mesma: resgatar vidas através da mensagem advinda do puro rock'n'roll. Uma outra curiosidade: Os quatro são pastores, originalmente bispos da Renascer em Cristo, atualmente usando apenas o título de pastores na Igreja A Casa da Rocha, coordenada por eles.


Vida, Jesus & Rock 'n Roll (1991)
1 - Ainda Há Tempo
2 - Mestre
3 - Eu Passei
4 - Quem é Ele?
5 - Amor Perfeito
6 - Paralelo
7 - Ele Vem
8 - Rock da Vovó
9 - Sem Deus


O começo da banda foi bem curioso, pois a ideia inicial era ser uma banda na linha do Hard Rock e Heavy Metal clássico, e é possível ver traços de bandas como Deep Purple, Whitesnake e Van Halen, já na música de abertura "Ainda Há Tempo", "Ele Vem" (que ganhou um videoclip pouco pretencioso à época), "Paralelo", "Eu Passei", "Quem é Ele?" ou a antológica "Rock da Vovó". A mensagem é claramente cristã, sem nenhuma dúvida, a música "Mestre" (a mais curta e leve do álbum) deixa isso bem claro ao falar da mensagem da salvação na cruz, e por aí vai, com temáticas como o amor de Cristo (Amor Perfeito), a volta de Cristo (Ele Vem), a diferença entre a vida sem Deus e a com Deus (Paralelo, Sem Deus) e a transformação advinda da conversão (Eu Passei, Rock da Vovó). A produção do Edson Guidetti com Rick Bonadio é bem simples e direta, remetendo às bandas dos anos 1980. O disco foi lançado originalmente de forma independente em 1990, e a banda na primeira tiragem teve de vender de mão em mão (e também trocar manualmente um erro de grafia na música "Eu Passei", que ficou com o nome "Eu Parei). Em 1991 a Gospel Records relançou dentro de seu cast em formato LP e K7 (salvo engano em CD também, mas é bem difícil achar). Em 1999 numa comemoração pelos dez anos da gravadora relançaram sete dos seus primeiros títulos no formato Série Ouro, e esse foi um dos contemplados. Esse formato é mais fácil ainda de se encontrar em sebos. Eu possuo esse e também o formato LP. Atualmente, desde 2014 é possível encontrar em formato digital, bem como toda discografia da banda.


Novos Rumos (1993)

01 - Daniel
02 - Novos Rumos
03 - Consciência
04 - Controle
05 - Florzinha
06 - A Paz
07 - Leve Fardo
08 - Mistérios
09 - Todo Som
RELANÇAMENTO EM CD
10 - Quem é Ele?
                                                   11 - Paralelo
                                                   12 - Rock da Vovó
                                                   13 - Ele Vem

Seguindo uma linha mais hard rock e com vocais mais firmes e graves que o álbum anterior (característica plena do Zé Bruno em toda sua carreira aposteriori), Novos Rumos apresenta um Resgate bem mais seguro do som que faziam, com letras mais bem trabalhadas, como a épica "Daniel" inspirada na vida do profeta Bíblico, "Consciência" falando da necessidade da confiança exclusiva em Deus (tema que se prolonga na faixa seguinte, "Controle"), e o primeiro som deles falando sobre a verdadeira paz (A Paz), tema que voltaria anos depois. Mesmo em meio a esse som mais direto e cru, cortesia da produção genial de Edson Guidetti e Rick Bonadio, ainda teve espaço pra balada acústica "Todo Som" (que até hoje é cantada em diversas igrejas), também a bela "Leve Fardo" com um andamento mais calmo e letra doce, e também um lado mais humorístico na versão speed metal de "Florzinha", uma canção infantil cristã, com a participação de Brother Simion (à época na banda Katsbarnea) na gaita.

O disco teve duas versões: em LP, com a capa que aparece nesse post, e em CD, que além de um rearranjo de posição do nome da banda e do disco mais centralizados, ainda vinha com quatro faixas do álbum "Vida, Jesus e Rock'n Roll". A escolha dessas quatro foi totalmente aleatória, não seguindo a ordem das faixas no LP original, além de que eu senti falta da simples "Mestre", mas de resto as quatro foram bem selecionadas.

Rhimena Abécia fez uma versão para "Todo Som" em seu único álbum solo, "Olhe Para o Céu".


On the Rock (1995)

01 - Doutores da Lei
02 - Acusador
03 - Abrir os Olhos
04 - Papo de Lóki
05 - 5:50 AM
06 - Tempo
07 - Príncipe
08 - Tá Aberto Lá? Só Pra Saber!
09 - Sobre a Rocha
10 - Fogo
11 - Solidão
                                                       12 - Vida
                                                       13 - Palavras
                                                       14 - He'll Come Again


Sem dúvidas se você deu de cara com um fã da Resgate antigo, provavelmente ouvirá dele "On the Rock é O MELHOR DISCO da banda." Alguns mais empolgados dirão até "é o último bom". Exageros a parte, eu também considero esse disco a magnum opus da banda. Sai Edson Guidetti e Rick Bonadio, entra Paulo Anhaia, produtor mais afeito ao som do rock pesado. Não a toa esse é também o disco mais hard rock da banda, flertando diversas vezes com o heavy metal clássico. A voz do Zé está clara e agressiva, até mesmo na balada imortal "5:50 AM" (pros leigos, leia-se "Dez Pras Seis"), e a produção do disco deixou umas ideias muito iradas. Na transição de 5:50 AM pra "Tempo" ouve-se claramente um relógio tocando no final daquela e badalando no início dessa. A faixa de transição "Tá Aberto Lá? Só Pra Saber!" termina abruptamente da fala do baterista Jorge pra pancadaria de "Sobre a Rocha", podendo pegar ouvidos desprevenidos de surpresa. O lado humorístico da banda está presente nessa e nas faixas "Papo de Lóki" e "Fogo", o heavy mais instigado em "Acusador", os hards mais elaborados de "Tempo", "Solidão" e "Doutores da Lei" levaram essas músicas a ganharem várias regravações por parte da banda ao longo dos anos em shows ao vivo gravados por eles. Já as baladas "5:50 AM" e "Palavras" também ficaram marcadas na história da banda, sendo lembradas até hoje (e também tendo recebido suas devidas regravações ao longo dos anos). "He'll Come Again" foi a primeira entrada da banda em letras em inglês, nesse caso uma versão para "Ele Vem" do primeiro álbum.

A produção, como já dito, é fantástica, as fotos mostram o momento da banda - todos, exceto o Jorge, cabeludos ao extremo (curiosamente na gravação do clipe de "Solidão" eles haviam cortado os cabelos, salvo engano nesse período eles haviam sido ordenados pastores) -, mas a diagramação da capa ficou um tanto que estranha. A cor roxa ficou bastante berrante, nem bandas de glam metal mais sleazes bizarronas da cena de Los Angeles usavam esse tipo de cor. De toda forma, por ser um clássico atemporal da banda, esse detalhe promovido pelo Wagner Maradona (ex-Oficina G3) acaba sendo ignorado e o foco na foto dos músicos numa estação de trem acaba valendo mais a pena. Em 2015, foi considerado, por vários historiadores, músicos e jornalistas, como o 21º maior álbum da música cristã brasileira, em uma publicação dirigida pelo Super Gospel. Mais tarde, foi eleito pelo mesmo portal o 4º melhor álbum da década de 1990. Daí se tira a importância absurda que esse disco teve para a cena do rock cristão brasileiro. Lamentavelmente para os fãs do rock mais "pauleira" esse foi o último em muitos anos que a banda fez nessa linha.





Resgate (1997)

01 - Liberdade
02 - Pouco Importa
03 - E Daí?
04 - O Jantar
05 - Terceiro Dia
06 - Antes
07 - No One
08 - Em Todo Lugar/"Life is" (faixa oculta)





Na contramão dos álbuns anteriores, "Resgate" foge dos anos 1970/80 e se lança nos anos 1960, seguindo a linha de bandas como Oasis e Blur, o chamado britpop. Normalmente mudanças de sonoridade tão abruptas são mal vistas e sempre há aqueles que dirão que a banda "se vendeu". Nesse caso, se houve uma "venda" da banda, não consigo enxergar tanto, haja vista que apesar do Britpop estar no auge àquele tempo, as influências nesse disco vão de mais longe, dos Beatles e dos Rolling Stones por exemplo. Isso torna a banda muito mais completa do que as contemporâneas que tentavam seguir o som britânico e não o faziam com efetividade.

Sendo assim, esse disco é extremamente vintage, uma ideia que a banda continuaria a seguir ao longo dos anos. No encarte fotos dos tempos dos pais e avós da banda e fotos deles ainda crianças dão o clima de retorno a tempos bem antigos, e essa era a ideia da banda. A produção do Paulo Anhaia conseguiu colocar os quatro dentro dessa imersão ao antigo de maneira impressionante (isso quando se pensa que a "masterização" foi feita na cozinha da mãe do produtor - extremamente crua a produção, sem dúvidas, lembrando alguns discos do Larry Norman e do Randy Stonehill).

Liricamente, esse disco foi um dos que fugia os padrões das letras gospel, sendo portanto o início da transformação da banda nesse sentido. Músicas como "E Daí?" (uma descrição da vida humana e da busca tola pela aparência), "Liberdade", "Pouco Importa", "O Jantar", "Antes", todas com letras mais pensativas, não tão diretamente "góspeis",  à exceção da faixa final "Em Todo Lugar", que ainda assim não fala diretamente o nome de Deus, embora deixe claros seus atributos, inspirada em Salmos 139. Essa foi a faixa mais famosa do disco, ganhando um clipe gravado em Londres (onde mais você imaginaria? Até por Abbey Road eles passam no clipe! Mais Beatlemaniaco impossível). "No One" é uma faixa em inglês bem trabalhada, na época letras em inglês na música "gospel" eram cantadas de maneira meio capenga, mas aqui Zé fala de maneira bem fluente. Ah, ainda tem uma faixa oculta que nunca teve um nome oficial (aqui chamei de "Life Is"), mas sua melodia curiosamente lembra "Os Dez Leprosos" de um disco que só sairia muitos anos depois, "Eu Continuo de Pé". Em 2015 foi eleito pelo Supergospel como o 50º mais importante disco da música gospel, além de depois ser considerado o 6º melhor disco da década de 1990.


Praise (2000)

01 - Te Vejo
02 - Infinitamente Mais
03 - Ao Rei
04 - Restauração
05 - Nada me Faltará
06 - Sol do Meio-dia
07 - Sete Dias
08 - Suficiente Pra Mim
09 - Minha Rocha
10 - O Nome da Paz


Três anos sem nenhum lançamento, chegaram até a especular que a banda havia encerrado a carreira. A possibilidade não era de todo inacreditável: à época, só os irmãos Bruno continuavam em São Paulo, como bispos de áreas diferentes do estado, Marcelo era bispo primaz da Renascer de Rio de Janeiro e Hamilton passara a Bahia (dois anos depois iria pra Pernambuco). Mas para provar que estavam vivos e bem, em 2000 chegava esse que foi o disco que me iniciou na banda.

Seguindo um rumo oposto ao disco anterior, que vinha com letras mais filosóficas e menos "diretas", esse disco, que foi eleito o 19º melhor disco da década de 2000 pela Supergospel, trazia letras (em sua maioria compostas pelo Zé Bruno) com cunho de louvor e adoração, lembrando os três trabalhos do Petra voltados nesse sentido (logo outras bandas seguiriam essa linha também). A produção de Paulo Anhaia junto com Rick Bonadio tornou o álbum muito agradável de ouvir e reouvir, com a inclusão de um Hammond tocado por Roberto Pacciello e mais vocais de apoio de Faty, Priscila Maciel e Daniel Quirino, que ampliou o clima mais "praise" do disco. Minhas faixas prediletas da banda constam desse disco: "Infinitamente Mais", "Sol do Meio-Dia", "Restauração" (a mais pesada do disco, escrita junto com Estevam Hernandes, líder da Renascer em Cristo) e "O Nome da Paz" (escrita em conjunto com Sônia Hernandes, lembro-me de em 2013 ter cantado essa canção com a The Ransom no aniversário de Hamilton Gomes na antiga sede da Renascer Pernambuco). Mas todas as faixas são geniais, tanto que são figuras fáceis em discos e DVDs ao vivo da banda.




Acústico (CD e DVD, 2001)

01 - Rock da Vovó
02 - Acusador
03 - Antes
04 - Daniel
05 - Infinitamente Mais
06 - Água Viva
07 - Em Todo Lugar
08 - O Jantar
09 - O Nome da Paz
10 - Solidão
                                                      11 - 5:50 AM
                                                      12 - Palavras
                                                      13 - Ele Vem
                                                      14 - Lucifeia


Lembro-me de uma entrevista da banda na Revista Gospel 02 à época que me tornou muito fã deles, ao falarem da demora por lançarem um disco ao vivo. A verdade é que eles temiam pela qualidade do som gravado ao vivo. Um temor que se desfez nesse acústico. Seguindo a tendência Acústico MTV da época já seguida por diversas bandas de rock e até outros estilos dentro do gospel à época (Catedral, Oficina G3, Fruto Sagrado, Katsbarnea e Livre Arbítrio, além do Petra, Tourniquet e da Resurrection Band no exterior), o Resgate gravou essa belezinha na Renascer Copan em São Paulo e o resultado foi fantástico. Reedições belíssimas de velhos sucessos, além das novas "Água Viva" e "Lucifeia" (uma música curiosa que fala acerca da beleza exterior), tornaram esse disco um sucesso absoluto da banda.

Foi relançado em 2014 para formato digital com várias alterações acerca de menções à antiga igreja Renascer em Cristo, devido às polêmicas envolvendo a saída deles do ministério. Nada que desabone nem a conduta da banda, nem diminua o brilho do disco em si.



Eu Continuo de Pé (2002)


01 - A Resposta
02 - Os Dez Leprosos
03 - A Voz do Deserto
04 - Era uma vez um Cego
05 - Amor
06 - Gratidão
07 - Pra Todos os Efeitos
08 - Puro Amor
09 - Jamais
10 - Nome Sobre Todo Nome


Mesmo bandas fantásticas como a Resgate têm seus momentos de baixo teor criativo. E "Eu Continuo de Pé" é sem dúvidas o disco menor celebrado da banda. Depois de três álbuns de hard rock, um mais britpop com letras bem diferenciadas, um disco com linguagem mais louvor e adoração e um acústico, esse disco meio que ficou pelo caminho, ainda que tentando seguir os passos do último disco de estúdio, o "Praise". Não é um disco ruim, e tem bons momentos sem dúvidas, como "A Resposta", "Amor" e "Pra Todos os Efeitos", mas não chega a empolgar como os outros álbuns da discografia. O trabalho de produção ficou muito bom, como se espera do mestre Paulo Anhaia - nesse que seria seu álbum de despedida em anos da banda. O tecladista e também produtor Dudu Borges (ex-Patmus) começaria sua jornada com a banda - chegando inclusive a ser efetivado como quinto membro por vários anos. Nesse ponto sua inclusão foi extremamente positiva, pois é inegável que o trabalho de arranjos do disco ficou fantástico, a despeito do "mais do mesmo" que é notado no trabalho. A arte de capa e fotografia segue a tendência retrô vintage do "Resgate" de 1997, inclusive a arte do CD em si tem a forma de um LP, o que dá esse toque antiquado (outra banda que fez algum parecido antes tinha sido a Praise Machine em seu primeiro álbum, "O Toque"). Nesse ponto, um trabalho subestimado, mas nem tanto.




15 Anos (2004)

CD:
  1. Água Viva
  2. E daí?
  3. Sete Dias
  4. O Nome da Paz
  5. Pra Todos os Efeitos
  6. Infinitamente Mais
  7. 5:50 AM
  8. Sol do Meio Dia
  9. A Resposta
  10. Restauração
  11. Em Todo o Lugar
  12. Tempo
  13. Daniel
  14. Lucifeia
  15. Todo Som
  16. O Rio
  17. Mais Longe
  18. O Meu Lugar
DVD:

  1. Água Viva
  2. Tempo
  3. O Jantar
  4. Sete Dias
  5. O Nome da Paz
  6. Pra Todos os Efeitos
  7. Solidão
  8. Infinitamente Mais
  9. 5:50 AM
  10. Sol do Meio Dia
  11. Florzinha
  12. A Resposta
  13. Restauração
  14. Em Todo o Lugar
  15. E daí?
  16. Daniel
  17. Lucifeia
  18. Todo Som

    (Faixas ocultas: O Rio, Mais Longe, O Meu Lugar) + três videoclipes

Apesar da má fase de "Eu Continuo de Pé", a banda teve fôlego para dois anos depois mandar esse que pra mim é o melhor show deles. Fizeram a versão definitiva para faixas como "Água Viva", "Todo Som" e "Lucifeia" (que até então só conheciam versões acústicas). Todas as regravações ficaram muito boas, em especial com o acompanhamento do teclado de Dudu Borges, que inaugurava sua estadia na banda oficialmente como produtor (e já praticamente o quinto membro da banda). Até a divertidíssima "Florzinha" apareceu por aqui, com um back-vocal a lá Mamonas Assassinas ou Nazaritos. As faixas novas (O Rio, Mais Longe, O Meu Lugar) foram muito bem nas rádios na época, e "Meu Lugar" ganhou um videoclipe que até hoje é o de maior sucesso da banda.

No DVD há uma diferença de ordem das músicas e também três músicas que não constam no CD (O Jantar, Solidão e Florzinha), o que torna sobre certos aspectos o DVD muito mais completo. Aliás, no DVD também constam depoimentos, making-of do clipe de "O Meu Lugar", vídeos raros da banda, entre outros elementos que tornam esse um item essencial demais para qualquer fã da banda.


Até Eu Envelhecer (2005)

01 - Meus Pés
02 - Passo a Passo
03 - Astronauta
04 - Te Encontrar
05 - Eu Vou Chegar Lá
06 - A Gente
07 - O Médico e o Monstro
08 - Teu Sinal
09 - A Saída
10 - Apocalipse Now
11 - O Perdido e o Sentido


Resgate é uma banda famosa pelo estilo vintage que assumiram sem medo dentro da música rock cristã brasileira. Poucas conseguiram levar isso a um nível tão autêntico como eles. E esse disco segue essa ideia, entretanto sem medo de inserir alguns elementos mais "atuais". A presença de Dudu Borges, agora efetivamente membro da banda, ajudou a fundir os elementos beatle-esque da banda com alguns efeitos eletrônicos, que podem ser vistos na space-rock "Astronauta" por exemplo. Em questão de temática esse disco é misto, e isso acaba pesando negativamente. Algumas letras, como "Astronauta", "O Médico e o Monstro" (que ganhou um videoclipe muito divertido e louco) e "O Perdido e o Sentido" são fabulosas, ao passo que "Eu Vou Chegar Lá", "Meus Pés" e "A Gente" contém muitos elementos bem neopentecostais mesmo (talvez a época mais "teologia da prosperidade" da banda, infelizmente). Até mesmo um trecho de pregação do Estevam Hernandes consta em "Meus Pés", ao passo que "A Gente", embora seja um apanhado interessante e divertido de experiências da banda ao longo dos anos, têm elementos que são impossíveis de passar em branco e ignorar o quão desnecessários são. Não a toa são músicas que a banda ou parou de tocar ou mudou drasticamente a letra tempos depois.

"Apocalipse Now" é uma regravação fantástica da canção da banda Katsbarnea na versão da letra original, e um dos pontos altos desse disco, bem como as já citadas "Astronauta", "O Médico e o Monstro" e "O Perdido e o Sentido", além das belíssimas "Passo a Passo" e "Te Encontrar". O trabalho de capa e fotos novamente cai no vintage, com diversos objetos retratados nas fotos que alguns nem eu como historiador soube identificar (risos). Fantástica produção de Dudu Borges. No geral, um disco um bocado melhor do que o antecessor de estúdio, e já apontando, ainda que de leve, o caminho que a banda tomaria num futuro não muito distante.



Até eu Envelhecer Ao Vivo (2008)

  1. "Meus pés"
  2. "Terceiro dia"
  3. "O Rio"
  4. "Passo a Passo"
  5. "O Nome da Paz"
  6. "Astronauta"
  7. "O Meu Lugar"
  8. "Rock da Vovó"
  9. "5:50 AM"
  10. "O Médico e o Monstro"
  11. "Palavras"
  12. "O Perdido e o Sentido"
  13. "Te Encontrar"
  14. "A Gente"
  15. "Restauração"
  16. "Apocalipse Now"
  17. "Leve e Momentânea"   

Terceiro álbum ao vivo da banda e último disco lançado pela Gospel Records e como membros da Renascer em Cristo. Esse disco tem um apanhado de canções do álbum homônimo de estúdio e mais alguns outros sucessos da banda, tocadas no antigo Tom Brasil, atual HSBC Brasil no dia 10 de julho de 2006, mas só saiu em fevereiro de 2008, quase dois anos de atraso, um indicativo da crise que a gravadora e a igreja sofriam (não a toa, pouco depois a gravadora ia se apagar até o fim em 2010). O show em si é muito legal, e as versões das músicas ficaram muito boas. A última faixa, "Leve e Momentânea", originalmente foi tocada por eles no álbum "Renascer Praise 10", finalmente ganhando uma versão própria da banda. Uma despedida e tanto da sua jornada na Gospel Records.



Ainda Não é O Último (2010)

01 - A Hora do Brasil
02 - Depois de Tudo
03 - Outra Vez
04 - Genérica
05 - Neófito
06 - Jack, Joe & Nancy In The Mall
07 - O Vesúvio
08 - Tudo Certo
09 - Transformers
10 - Una Vuelta Más
11 - A Terapia
                                                      12 - Vou Me Lembrar


RGT-2010. Primeiro disco do selo Sony Gospel, a banda inaugurou não só essa repartição da gravadora como rompeu seus próprios padrões líricos. Com músicas que falavam de temáticas bem curiosas como sobre a política esquerdista no poder do Brasil à época (A Hora do Brasil) e a pouca criatividade  e imitação pobre da cultura nacional e falta de compromisso das igrejas e bandas gospel (Genérica, Neófito), foi um completo rompimento com a linguagem "gospel" e uma guinada para o Novo Movimento. A sonoridade da banda aqui foi pro lado mais pop/rock e indie rock, mas com variações geniais, como um jogral em "A Hora do Brasil", um quase espanhol em "Una Vuelta Más", instrumentos únicos em "A Terapia" e "Jack, Joe & Nancy In The Mall" (faixa essa com um "inglês" fake divertidíssimo com uma mensagem antidrogas e um videoclipe feito em Londres fantástico). Foi eleito o 95º melhor disco da música cristã pela Supergospel em 2015. Foi também o álbum de despedida de Dudu Borges, mas o mais elaborado feito por ele como produtor e membro da banda. Essa mudança da banda que viria a seguir foi genial, necessária e objetiva, e muito proclamada por eles em entrevistas à época e posteriores. Reflexo da saída deles da Renascer? Talvez sim, mas foi uma ótima virada de chave.


Pretérito Imperfeito, Mais que Perfeito (2011)


01 - Rock da Vovó
02 - Ele Vem
03 - Daniel
04 - Todo Som
05 - Acusador
06 - 5:50 AM
07 - Palavras
08 - Liberdade
09 - Em Todo Lugar
10 - Restauração
11 - Infinitamente Mais
12 - Nome da Paz
13 - Lucifeia
14 - Água Viva
15 - Para Todos os Efeitos
16 - O Rio
17 - O Meu Lugar
18 - Passo a Passo
19 - Astronauta
20 - Assim Caminha a Humanidade? (inédita)

Em comemoração aos 20 anos de banda, enfim uma coletânea de melhores sucessos do quarteto mais criativo e constante do rock cristão brasileiro. A escolha de músicas foi de todos os discos lançados pela finada Gospel Records (exceto o álbum "Até eu Envelhecer Ao Vivo") e mais uma inédita, "Assim Caminha a Humanidade?" que ficara de fora do álbum "Ainda Não é o Último". No encarte algumas avaliações sobre essas canções, a história de cada uma e de cada disco, nos inserindo no universo criativo da banda. Curiosamente do álbum "Eu Continuo de Pé" somente a badalada "Para Todos os Efeitos" apareceu, numa constatação que a própria banda fez no comentário da faixa em questão sobre a qualidade inferior desse trabalho ante os outros. Ótima arte de capa! A versão que eu tenho é, entretanto, uma package de papelão - eu tenho um certo trauma desse formato...



Este Lado Para Cima (2012)

01 - Eu Estou Aqui
02 - Eu Só Preciso Acreditar
03 - Errando e Aprendendo
04 - O Que Não Precisa
05 - Em Nome de Quem?
06 - Fora do Sistema
07 - Eles Precisam Saber
08 - Inocente
09 - Sempre Tem Uma Assim
10 - Este Lado Para Cima
11 - Quem Sou Eu?
                                                      12 - Recomeçar / Este Lado Para Cima (rotação correta - ou não)

De volta ao básico, a banda volta a ser um quarteto, Paulo Anhaia volta à produção, o som volta ao estilo cru do início da carreira, mais hard rock/AOR (a exceção das baladas "Inocente", "Fora do Sistema" e "Recomeçar" e da folk "Errando e Aprendendo"), o experimentalismo da banda se uniu ao som clássico e original, forjando um dos álbuns mais pesados do pop/rock cristão da época. As letras são numa linha de um disco conceitual, com críticas diretas ao modo de vida apregoado pelas igrejas neopentecostais (alguém aí falou "Renascer em Cristo"?). Faixas como "Errando e Aprendendo", "O Que Não Precisa", "Fora do Sistema" e o hino "Eles Precisam Saber" são verdadeiras "tapas na cara" da sociedade gospel/neopentecostal narcisista e pouco cristã. Esse clima ferrenho chegou a respingar até mesmo na fraca qualidade repetitiva de vários grupos ditos cristãos contemporâneos e também aos prêmios como o Troféu Promessas, críticas estas que levaram a banda a ser banida da premiação pra sempre.

A produção do Paulo Anhaia está animal, além da simplicidade da capa, com pouca elementação vintage, mais preocupada em zoar com o "Este Lado Para Cima" do título, com quase todas as fotos invertidas. Até a faixa-título foi totalmente invertida, de forma até engraçada, pois lembra aquele povo que caça mensagens subliminares em discos por aí afora.


Aos Vivos (2013)

  1. "Eu Estou Aqui"
  2. "Depois de Tudo"
  3. "O que não Precisa"
  4. "Restauração"
  5. "A Hora do Brasil"
  6. "Infinitamente Mais"
  7. "Vou me Lembrar"
  8. "Em Todo Lugar"
  9. "Jack, Joe and Nancy in the Mall"
  10. "Errando e Aprendendo"
  11. "Palavras"
  12. "Pra todos os Efeitos"
  13. "Sete Dias"
  14. "Medley (O Nome da Paz/Quebrantado)"
  15. "Daniel"
  16. "A Gente"
  17. "Fora do Sistema"
  18. "Eu só Preciso Acreditar"
  19. "Eles Precisam Saber"
  20. "Todo Som"
  21. "5:50 AM"
  22. "Rock da Vovó"

Quarto álbum ao vivo da banda, esse lançado somente no formato DVD, Aos Vivos mostra uma banda muito madura e de qualidade. O material em sua maioria é composto de músicas dos dois discos de estúdio anteriores, alguns sucessos de outros álbuns e mais um medley com a canção "Quebrantado" de Vineyard. Fantástico é pouco pra definir esse show.

Algumas curiosidades desse álbum: Nessa versão a música "A Gente" foi extremamente reduzida, removendo referências à antiga igreja da banda. Outra curiosidade, essa um tanto quanto triste, é que o disco teria a participação de Juninho Afram (Oficina G3) no solo de guitarra de "Eles Precisam Saber" (aliás também era planejado sua participação na versão de estúdio), mas a questão da gravadora MK Music com quem Juninho era ainda contratado impediu esse feito, uma lástima e que também indica o tamanho do abismo que o chamado comércio gospel chegou ao ponto de existirem essas picuinhas dentro do cenário. Lamentável. Ao menos a banda deu seu recado ao comentar sobre a Declaração de Direitos da Humanidade, que o homem tem o direito de saber da existência de Deus, ainda que ele rejeite esse conhecimento, ele tem esse direito.




25 Anos (2015)

  1. "Leve Fardo"
  2. "Depois de Tudo"
  3. "Ninguém vai Saber"
  4. "5:50 AM"
  5. "Ao Rei"
  6. "A Terapia"
  7. "Sempre Tem Uma Assim"
  8. "Doutores da Lei"
  9. "Vou me Lembrar"
  10. "Amor"
  11. "All You Need Is Love"
  12. "Luz"
  13. "Ele"
  14. "Amigo de Deus"

Quinto álbum ao vivo da banda, gravado em 2014 em comemoração aos 25 anos da banda. Um apanhado de músicas nunca dantes gravadas ao vivo, mais algumas inéditas ("Ninguém Vai Saber", "Luz", "Ele") e versões para "All You Need is Love" dos Beatles e "Amigo de Deus" de Adhemar de Campos - esse inclusive participa da gravação, juntamente com os irmãos Carlos e Paulo Anhaia. A qualidade é inquestionável e é um disco que se revela necessário. Os arranjos de "Doutores da Lei" com o teclado de André Matos e a participação da Orquestra Musitá ficaram fantásticos, com a orquestração deixando o som perfeito! Liricamente as inéditas continuam traçando a ideia de letras mais pensativas e geniais, uma proposta que vale a pena dar a mão e apoiar a banda na empreitada. Resgate RULES!



Ao Vivo na Kiss FM (2016)

01 - Doutores da Lei
02 - A Hora do Brasil
03 - Depois de Tudo
04 - Infinitamente Mais
05 - O que Não Precisa
06 - Ninguém Vai Saber
07 - 5:50 AM
08 - Eu Estou Aqui
09 - Luz



Álbum que faz parte do projeto da Rádio Kiss FM, é o sexto ao vivo da banda e o TERCEIRO SEGUIDO. Por isso, diferente dos outros, achei esse um tanto quanto desnecessário. Apesar do formato de gravação via videoconferência/transmissão ao vivo dia 20/09/2016, eu achei particularmente um pouco demais. Pra uma banda que não curtia ao vivos, digamos que eles estavam já exagerando ao meu ver. Mas é um disco bem gravado, só curto demais (nove músicas apenas).



No Seu Quintal (2017)

01 - História
02 - Ainda Vou
03 - No Seu Quintal
04 - Te Explicar
05 - Por que Você Não Sai?
06 - Despertar o Sol (part. Jorge Camargo)
07 - Lágrimas
08 - O Solitário
09 - Turn! Turn! Turn!
10 - Na Equação


O mais folk dos álbuns da banda, com um flerte com a MPB (na faixa "Despertar o Sol") e também do rock psicodélico e progressivo. Essa é a conclusão de "No Seu Quintal". Maduro, lindo, é um dos discos mais criativos e corajosos da atualidade na música cristã brasileira. O disco foi basicamente produzido por Lucca Bruno, filho de Zé Bruno e sobrinho de Jorge Bruno, com a ajuda de Rodrigo Guess. Originalmente era pra ser um disco ao vivo acústico que chegou a ser apresentado em 2016 (O SÉTIMO DA HISTÓRIA DA BANDA E QUARTO SEGUIDO! Ainda bem que não rolou, mesmo que fosse tudo inédita, kkkkkkkkk). A desistência foi pela qualidade sonora da gravação, e assim eles decidiram retrabalhar em estúdio, o que se revelou uma decisão acertadíssima.

A qualidade musical é inquestionável, com um quê também de nostalgia, em faixas como "Ainda Vou", que me lembraram logo do trabalho da banda Hibernia. O cover para "Turn! Turn! Turn!" de Pete Seeger ficou muito bem trabalhado. Confesso inclusive que nem conhecia o artista até esse cover, e a letra baseada em Eclesiastes 3 (lugar que também foi usado pela banda anteriormente para compor a faixa "Tempo" do "On the Rock") encaixaram bem com as ideias da banda (essa música anteriormente já havia recebido um cover de Larry Norman e também era muito cantada pela Amy Grant, entre outros artistas). A faixa título faz uma pequena homenagem a "My Sweet Lord" de George Harrison no canto de fundo de "aleluuuuuuuuia!". Referências aos anos 1960 e 1970 abundam nesse disco, algo maravilhoso de se ouvir.

No aguardo pelo que ainda virá, sei que será bom, se assim Deus permitir e eles poderem continuar a servir a missão de Cristo, como eles mesmo dizem, "até eu envelhecer e te encontrar".


Outras aparições da banda:

- Clip "Uma Onda de Calor" (1992)
- Renascer Praise I (1993), II (1995), III (1996) e X (2003)
- Vinde - Atitude e Solidariedade (coletânea, faixa "Fé e Obras", 1994)
- Faixa de abertura do SOS da Vida (2000)
- Fé e Obras (coletânea, faixa "Fé e Obras", 2001)
- Código C - Por Todos os Lados (faixa "Homens" - 2002)
- Marcelo Aguiar - Coração de Adorador (faixa "Ele Venceu" - 2005)
- Igreja Batista Koinonia (Show Bootleg, 2015)
- Mensagens Devocionais (disco de mensagens, 2016)
- Pontes (Show Bootleg, 2017)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Especial Dia dos Namorados

Sim, os brutos também amam!


Hoje no blog o post é especial para os/as fãs de rock cristão apaixonados. Separei algumas que eu curto muito, mas lembrando que é uma lista minha, não são apenas essas, têm muitas mais, mostrando que amor entre homem e mulher e fé em Deus andam juntos desde a criação do mundo!




Se você esperava "I Believe in You", se enganou (até porque essa música não é romântica). Ou "Lady", se enganou também (essa já tá mais manjada que tudo). Então, mandei essa que é uma das mais fantásticas canções românticas do metal cristão ever.



Holy Soldier deveria ter feito tanto sucesso (ou mais) que o Stryper, com seu metal melódico e os vocais fantásticos de Steven Patrick. E essa canção é uma enorme prova disso.



Essa canção do Virtud foi uma das primeiras de rock cristão românticas que eu ouvi em minha vida. Muito fera.



Tourniquet é mais famosa pelas músicas mais pesadonas, na linha do thrash/doom metal e recentemente até mesmo um pouco de metalcore. Mas houve uma época em que eles se arriscaram no hard rock. Não deu lá muito certo, mas rendeu uma canção de amor fantástica.



A mais famosa banda de rock cristão brasileira não costuma fazer canções românticas. Mas essa foi uma baita (e bela) exceção, recomendadíssima.



Catedral ficou famosa como uma das primeiras bandas de rock cristão brasileiro a fazer canções de amor. E essa aqui é uma das mais fantásticas, sem sombra de dúvidas.



Simples e bela, "Sinfonia de Amor em Ré Maior" é provavelmente a primeira canção romântica escrita por Estevam Hernandes, em parceria com o Brother Simion.



Música romântica para casados. É, casados mesmo, tem uma letra bem... "polêmica", por conter elementos que são bem a cara de Cantares de Salomão.



Já parou pra imaginar death metal romântico? Pois é, Pantokrator fez o EP "Song of Songs" totalmente baseado no livro de Cantares de Salomão.



Pop/Rock entra na lista? Por que não? Essa é a mais bela que eu já vi o Novo Som cantar. Vale muito a pena.



Outro pop/rock de prima, Raízes é fantástica, infelizmente ficou pouco conhecida. Mas vale muito a pena você ouvir.



Essa canção do Kim... fantástica!



Resgate fez uma versão lindíssima dos Beatles nessa canção, uma exceção à regra dessa banda no que tange a letras românticas - ainda que nesse caso um cover dos bons.



Precursor do Novo Movimento, Henrique Cerqueira mandou muito bem na época do Pimentas do Reino com essa canção.



Amantes de indie music e seguidores do Eu Escolhi Esperar, essa canção é perfeita pra vocês.



A voz de Lorena Chaves é fantástica, e seu estilo entre o indie e a MPB tornaram essa canção uma de suas melhores (afora a letra maravilhosa).



Bandas cristãs serem trilhas sonoras de filmes hollywoodianos é pra poucos. Sixpence conseguiu essa proeza fantástica com essa canção simples e romântica ao extremo.



E houve uma época que a rainha da CCM americana decidiu fazer carreira "secular". "Baby Baby" foi seu maior triunfo sem sombra de dúvidas.



Outra canção que entrou em uma trilha sonora, mostra o maior êxito da carreira secular de Leslie (Sam) Phillips.



Essa canção do Fruto Sagrado embala até hoje meu relacionamento. Espero que embale o de vocês!



Cover irado de Marvin Gaye, recomendo muito essa banda pouco conhecida pela geral.



E pra fechar... ok, essa não é lá "romântica", mas é uma baita música falando da importância do casamento para uma vida a dois saudável!


Espero que curtam (a dois se possível) essa pequena lista, e que Deus abençoe o relacionamento de vocês. E caso ainda estejam sem ninguém, não temam, tudo tem seu tempo e Deus fará o melhor em sua vida. God bless!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Origem do rock cristão e subgêneros - Parte II

Como prometido no post anterior... hora de continuar o serviço, e nesse post da série vou tentar traçar um pouco das origens do punk cristão e do heavy metal cristão.


PUNK E NEW WAVE


Normalmente o punk é lembrado por ser por muitos o "som do anticristo e da anarquia" (uma visível influência de "Anarcky in U.K." dos Sex Pistols e John Lydon cantando "I am the antichrist!"), mas o que poucos devem imaginar é que o cristianismo poderia ser cantarolado pelas diversas vertentes desses subgêneros. Aliás, imaginar que bandas como U2 e Pixies seriam influenciadas por Larry Norman parece pra muitos inacreditável, quiçá impossível. Mas é real, e é perceptível em letras de ambas bandas, em especial os primeiros álbuns da U2 e o "Doolittle" da Pixies com sua temática obscura e apocalíptica. E ambos líderes das bandas, Bono Vox e Black Francis, declararam-se fãs de Larry. As letras por vezes controversas do pai do rock cristão, como "The Great American Novel" (sobre a hipocrisia política americana) por exemplo podem ter tido um impacto em diversos artistas de meados dos anos 70 e início dos 80 que acabaram por formar o som punk e a new wave/pós punk.

Falando de bandas declaradamente cristãs e de punk, provavelmente a precursora é a The Predators do Reino Unido. Surgidos em 1978, já faziam um som que fundia influências dos Ramones e do The Clash, com canções como "Plastic Surgeon", "Don't Burn the Cross" (contra o Ku Klux Klan) e "Nasty Video" (sobre a violência excessiva em filmes de terror - isso porque eles não eram dos anos 2000, imagina aí eles vendo "Jogos Mortais" xD), entre outras. Lançaram apenas três álbuns, "Predators" "Offense" e "Social Decay", este último causou polêmica pela capa - pelo motivo mais inacreditável possível: a capa é um desenho de uma mão normal apertando a mão de uma caveira. Acredite se quiser, por tão pouco esse disco chegou a ser banido de lojas cristãs à época... Outras precursoras da Grã-Bretanha incluam-se Crowd Control, The Graphics e The Magnetics, que com outras chegaram a participar de uma coletânea "Shots in the Dark", em 1981, a primeira coletânea de sons cristãos de punk, ska e new wave.


Outras bandas que foram construindo o cenário punk/new wave e alternativo no mundo cristão foram The Writz, Techno Twins/The Technos (todas projetos de um membro da Fish Co., na linha do synthpop/new wave), Altar Boys (punk), Lifesavors/Lifesavers Underground (pós punk/gótico), Idle Novell (gótico), Scaterd-Few (reggae punk/hardcore), One Bad Pig (punk e hardcore), Nobody Special (punk/alternative rock), The 77s (alternative), Squad Five-O (skapunk), The Lead (thrashcore), The Crucified (crossover), Vomitorial Corpulence (grindcore), Lust Control (thrashcore), Foco Nocivo (crust punk), Grammatrain (grunge) e Jesus Skins (Punk Oi!), entre muitas outras que surgiram nesse cenário, que continua firme e forte até os dias de hoje.


HEAVY METAL CRISTÃO


Muito antes de a indústria musical fabricar o termo "white metal", o heavy metal clássico já trazia letras no mínimo curiosas, como "Dream On" (Aerosmith), "Jesus" (Queen) e outras bandas de hard/protometal já falavam acerca de Deus e da fé cristã sem denegrir ou anular sua existência. Mas se queremos um atestado de que esse papo de que "metal é do diabo e sempre será" apregoado por muitos cristãos (e não-cristãos também, em especial os "tr00s from hell 666 'morte aos falsos posers uáiti' " da vida) é uma balela insensata, que tal pegarmos o atestado de validade com os chamados "pais do metal", os "cavaleiros do apocalipse"? Sim, estamos falando do Black Sabbath.

Pois é, chega a ser, para os leigos, um espanto saber que os membros da banda nunca se disseram satanistas, bruxos ou mesmo detratores da fé cristã. Aliás, a música que nomeou a banda "Black Sabbath" é feita no ponto de vista de um cristão, que ao se deparar com um ritual de magia negra, horrorizado clama a Deus para que o ajude e o tire daquele lugar (a banda de gothic metal Type O Negative chegou a fazer inclusive a fazer uma outra versão dessa música, "Black Sabbath (from the satanic perspective)", para enfatizar que a versão original de satânica não tem nada). Mesmo assim, o trítono (um intervalo entre alturas de duas notas musicais que possua exatamente três tons inteiros, uma dissonância tão complexa na música ocidental que levou a má fama na Idade Média de levar pessoas a terem contato com o diabo), e todo o visual em si da banda acabaram por afastar deles a credibilidade de qualquer cristão praticamente, que viram neles a "imagem do mal". Curioso que as cruzes que eles andavam nada de místico tinha, e sim apenas uma crença que teriam a proteção divina contra certas visões dos satanistas que a todo tempo os rodeavam em turnês.

Além de "Black Sabbath", músicas como "War Pigs", "After Forever", "Heaven and Hell", "Children of Grave", "Cardinal Sin", "TV Crimes", "Trashed", "Jerusalem", "Anno Mundi", "Symptom of the Universe" e "God is Dead?" possuem várias referências a fé cristã. Aliás, "After Forever" seria facilmente confundida com um "white metal" pros mais desavisados com toda certeza. Chegou a ser coverizada pelas bandas Stryper, Deliverance e Troglodyte Dawn (essa última reverteu a escrita do título - Forever After - e alterou as letras para dar uma perspectiva mais clara da fé) e chegou a nomear uma banda - não-cristã curiosamente - de gothic metal.




Indo pro lado cristão de facto da coisa, as origens do heavy metal cristão estão nas bandas REZ Band (ou Resurrection Band) (músicas como "Midnight Son" e "Military Man"), Jerusalem (Suécia) ("In His Majestic Service"), Barnabás ("Directory Assistance", "Destroy After Use", "Stormclouds" e outras), 100% Proff ("New Way for Livin'") e Messiah Prophet, essa última inclusive foi a que realmente se desconectou do hard rock e passou completamente pro heavy metal. Surgidos na Pennsylvania em 1979, eles provavelmente foram a primeira banda cristã a fazer heavy metal raiz. Lançaram infelizmente só 3 álbuns: "Rock the Flock" de 1984, "Master of the Metal" de 1986 e "Colours" de 1996, além de uma split tardia e póstuma com as seculares Powerlord e Maxx Warrior em 2003.




Em acompanhamento a esses precursores surgiriam diversas outras como Saint, Bloodgood, Barren Cross, Neon Cross, Philadelphia, Force 3, Creed (da Alemanha, não a de pós-grunge americana), Crossforce, Leviticus, Rosanna's Riders, Light Force, Gardian (futura Guardian), Matryx (futura Bride), Soldier, Stryken, entre muitas outras, e, claro, a que elevou o gênero ao patamar que lhe é devido, a mais afamada de todas as bandas cristãs de metal: Stryper.

Nascida como Roxx Regime em 1980, originalmente era uma banda não-cristã, até a conversão dos irmãos Michael (vocais e guitarra) e Robert Sweet (bateria) em 1983, na igreja do pastor Jimmy Swaggart (que ironicamente passaria a atacar a fé da banda constantemente anos mais tarde - e que seria apanhado em vários casos de prostituição que desmoralizaram seu ministério), e assim eles refizeram as letras da demo "The Yellow and Black Attack!", o que agradou a gravadora, que no entanto sugeriu uma troca de nome. Assim, inspirados nas listras que eles mesmos desenvolveram ao pintar roupas listradas brancas e pretas de amarelo nas faixas brancas, o nome "Stryper" (listras em inglês). Apesar da simplicidade do significado original, eles também deram outros significados, como "pisaduras" de Isaías 53:5 (referente ao sacrifício de Cristo), versículo que eles passaram a usar junto com a logo da banda, e também como sigla pra expressão "Salvation Through Redemption Yielding Peace, Encouragement and Righteousness" ("Salvação através da redenção que nos traz paz, encorajamento e correção").

O curioso é que a banda, embora tenha sido uma das maiores divulgadoras do heavy metal cristão em geral, a partir do segundo lançamento, "Soldiers Under Command" passaram a sair mais do som heavy metal tradicional, indo para um som mais hard rock/glam metal, que inclusive era o que mais rolava naquela década nos EUA, em especial na sua área, Califórnia. Num documentário recente sobre a época do glam hard rock californiano, Stryper e Barnabas são lembrados (inclusive a vocalista dessa última, NancyJo Mann, aparece nesse doc).

O visual agressivo e andrógino de glam chocou - e ainda choca com certeza - muitos cristãos conservadores, que logo torceram o nariz para a banda, que entretanto jamais negou sua fé, tendo inclusive elevado isso a níveis impressionantes em suas letras, como "Surrender", "Soldiers Under Command", "From Wrong to Right" (sobre bandas que cantam pro diabo mesmo sem nele crerem, sem saberem o perigo que estão correndo por isso), "Loud and Clear", "Reach Out", "To Hell With the Devil" (o hino mais famoso da banda - o álbum homônimo chegou a ser indicado ao Grammy!), "I Believe in You" (que chegou a virar trilha sonora da novela brasileira "O Salvador da Pátria" de 1989, da Rede Globo - sim, essa foi a primeira música cristã a tocar numa novela global), "Believe" (que virou "Ondas Violentas" por Paulinho Makuko), "Always There For You" (que virou "Sempre Vou Te Amar" da banda Raízes), "God", entre muitas outras que mostram que eles jamais negaram a fé, apesar de terem passado por momentos bem controversos no final dos anos 80/início dos 90, na época do polêmico álbum "Against the Law", álbum esse em que além deles mudarem seu visual para um mais sóbrio, as letras ficaram menos conectadas à fé deles, o que rendeu muitas acusações de que a banda tinha se desviado, etc e tal. Com esses problemas e também outros em 1992 a banda anunciou seu fim, e os membros seguiram seus rumos com outros projetos, como as carreiras solo dos irmãos Sweet, e bandas como DBeality, Subdux/Titanic, Final Axe, King James e Sin Dizzy.

Em 2000 uma esperança do retorno deles surgiu com a Stryper Expo 2000, gravada em vídeo inclusive, mas só em 2003 a banda efetivamente voltou, e continua até os dias de hoje, com diversos lançamentos desde seu retorno, e incrivelmente sempre melhores. Aliás, do "The Covering" de 2011 pra cá a banda tem retornado às origens, com uma mescla de heavy metal clássico com o hard rock que eles fizeram muito bem, e vários covers incríveis pra músicas como "Jesus is Just Allright" e "After Forever". Influenciaram diversas bandas do gênero, que se espalharam pelos EUA e pelo mundo, inclusive com hábitos como lançar bíblias do palco para a plateia (prática imitada inclusive pela brasileira Calvário, uma das precursoras da cena nacional de metal cristão).



Próximo post vamos falar das origens do gótico cristão e de vários subgêneros do metal cristão.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Origem do rock cristão e subgêneros - Parte I

Vou aqui delinear um resumo base da origem (ou possíveis origens) do rock cristão e outros subgêneros dentro do rock cristão. Espero que curtam e caso queiram sugerir correções/ampliações/sugestões, fiquem a vontade nos comentários!

PRELÚDIOS

Os sons negros a Cristo nos EUA nos séculos XVIII e XIX, os spirituals, foram a base de toda a cultura musical deles. Jazz, Blues, R&B (Ritmo and Blues), Gospel, Soul, Rock-a-Billy, todos foram originados dos cânticos negros. No caso do rock, houve o acréscimo do country, ritmo mais aparentado com os brancos protestantes de origem inglesa, e que também provém de sons tocados em igrejas, como o bluegrass.

O termo "rock and roll" costumeiramente é atribuído por muitos como uma gíria pra sexo fora do casamento. Na verdade, "rockin' and rolling" é um termo que primeiro apareceu numa música cristã de 1916 do quarteto masculino The Camp Meeting Jubilee. A frase "We've been rockin' an' rolling in your arms / Rockin' and rolling in your arms / In the arms of Moses" ("Nós estamos agitando e rolando em seus braços / Agitando e rolando em seus braços / Nos braços de Moisés.") foi provavelmente a primeira vez que os verbos "rock" e "roll" apareceram juntos numa rádio, num contexto claramente cristão (obrigado ao irmão Luís Fernando Vulcanis pela contribuição).

Ao longo das décadas, vários artistas cristãos foram forjando o que tornar-se-ia o estilo chamado rock: Joshua White (ou Pinewood Tom), Mahalia Jackson, Blind Willie Johnson (criador de várias canções, entre elas "Nobody's Fault But Mine", regravada por muitos - inclusive pelo Led Zeppelin), Gary Davies, Washington Phillips, Arizona Dranes, Johnny Blakey, The Blue Chips, Charles Beck, entre outros artistas que trouxeram através de sua música desafios pras igrejas cristãs à época, além de renovação musical, elementos que num momento não muito distante levariam ao nascimento do ritmo chamado rock.



ROCK CRISTÃO


Muitos lembram de primeira mão o "Pai do Rock Cristão" Larry Norman como um dos precursores, outros citariam Mind Garage, Elvis Presley (!) ou B.B. King. Tsc tsc tsc...

A origem do rock cristão basicamente seria quase a ORIGEM DO PRÓPRIO ROCK. Uma das primeiras vozes a tocar um som que aposteriori seria considerado rock foi a cantora negra de música gospel Sister Rosetta Tharpe (20/03/1915 - 09/10/1973). Esposa do pastor Thomas Thorpe, da Igreja de Deus em Cristo, essa cantora natural de Arkansas foi a primeira a fundir o gospel com ritmos como blues, jazz e country, o que levou nesse cadinho a definir as bases do rock. Seu auge de popularidade foi entre os anos 30 e 40, chegando a sair em turnês pelos EUA e nos anos 1960 pelo Reino Unido com vários cantores como Muddy Waters e Gary Davis (esse último um dos primeiros blueseiros cristãos).


Sua música "Strange Things Happening Every Day", gravada em 1944, é considerada por muitos o primeiro rock gravado na história, chegando à época a parar no Top 10 da Billboard, a lista de músicas mais ouvidas em rádios estadunidenses.

Em 2007 ela foi introduzida ao Hall da Fama do Blues, e dez anos depois, ao Hall da Fama do Rock'n Roll, devido sua importância e pioneirismo, que influenciou diversos artistas, como Elvis Presley, Johnny Cash, Little Richard (todos esses com álbuns cristãos também na carreira), Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Chuck Berry e boa parte da velha guarda do rock, sendo também uma das pioneiras no uso da distorção em guitarras elétricas!


Entretanto a igreja conservadora americana quando o rock surgiu como movimento na década de 1950 tratou de demonizá-lo, ignorando as origens eclesiásticas do mesmo (muito devido também ao facto dele ter surgido como canção negra, o que num país em que o racismo é tamanho como os EUA, contribuiu pra sua demonização direta), e também ignorando muitos artistas que nasceram na igreja, como os já citados Elvis, Lewis, Perkins, Cash, Richard, King, entre outros (alguns desses inclusive mantendo sua fé e fazendo ótimos álbuns com letras cristãs, como o fantástico "How Great Thou Art" de Elvis, de 1967). Ainda assim corajosos com o grupo A Man Dies, The Sound Generation, The Crusaders, Mind Garage e The Sons of Thunder intentaram fazer um som de rock com letras cristãs ao longo da década de 1960.


E em meio a esses precursores surgiu o chamado Movimento de Jesus no final dos anos 60, em que vários artistas surgiram para levar um som jovial para as novas gerações, que à época estavam cada vez mais indo para o flower power, movimento hippie, como uma reação ao conservadorismo cego que imperava na sociedade ocidental e que destoava da verdadeira imagem do Cristianismo como Cristo e os apóstolos e pais da igreja ensinaram nos primórdios.

O Movimento de Jesus foi o momento que a Jesus Music surgiu com mais força, revelando diversos talentos de rock cristão, como as bandas Agape, Joshua, 2 Chapter of Acts, Love Song, A Band Called David, Fish Co., Petra, Last Call of Shiloh, Sweet Comfort Band, Gospelfolk, Godsquad, entre outras, além de cantores como Nancy Honeytree, John Michael Talbot, Dallas Holm, Malcolm and Alwin, Graham Kendrick, Keith Green, Amy Grant, Mark Heard, Bruce Cockburn, Charlie Peacock, Mylon LeFevre, Randy Stonehill, Darrell Mansfield, Randy Matthews, Sandy Patty, Russ Taff, Talbot Brothers, Wilson McKinley, Edwin Hawkins, Andrae Crouch, e claro, LARRY NORMAN (08/04/1947 - 24/02/2008), o mais prolífico de todos, que em toda sua carreira lançou mais de 50 discos, inclusive o considerado marco zero do rock cristão oficialmente falando, "Upon this Rock", de 1969, além da fantástica trilogia "Only Visiting this Planet", "So Long Ago the Garden" e "In Another Land", que marcaram com letras geniais como "Why Should the Devil Have All the Good Music?", "Righteous Rocker", "Why Don't You Look Into Jesus?", "Fly Fly Fly", "U.F.O.", "I Wish We'd All Be Ready" e "The Rock That Doesn't Roll", entre outras. Controverso, genial, precursor, chegou a ser citado como influência até por membros do movimento punk.



HARD ROCK



As origens do Hard cristão remetem ao movimento de Jesus. De lá surgiram grande parte das primeiras bandas do subgênero. A mais antiga provavelmente é a banda Out of Darkness, que no final dos anos 60 já fazia um som na linha de Jimi Hendrix, um acid/hard rock fantástico. Infelizmente lançou somente dois álbuns, "Out of Darkness" de 1970, e "The Celebration Club Sessions" de 1972.

Além dessa, podemos citar várias precursoras, como Azitis, Fraction, The Excursiones, Servant, Jerusalem (da Suécia), All Saved Freak Band, Agape, Vatten, Daniel Band, Petra (apesar de esta ter começado num som mais southern rock em seus três primeiros álbuns, acabou por aderir ao hard rock sem volta a partir de 1979 com o álbum "Never Say Die"), e claro, a mais afamada, Resurrection Band (ou REZ).

A REZ Band começou no início dos anos 70 e viviam realmente como hippies, fazendo turnês num trailer no qual eles viajavam pelos EUA, e faziam no início da carreira um som bem a lá Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, sendo portanto também precursores do heavy metal cristão. Ao longo de sua existência (1973-1998) lançaram diversos discos e passaram por várias fases: hard clássico e folk rock (1973-1983), new wave (1984-1986), hard blues (1987-1994) e experimentalismo (1995-1998), cruzando diversas sonoridades e com letras não só de cunho evangelístico e louvor a Deus, mas também de protesto e consciência social, e trazendo clássicos como "Awaiting Your Reply" (título do primeiro LP, que em 2001 ficou em 91º lugar na lista dos 100 maiores discos da música cristã contemporânea da revista CCM americana), "Broken Promises", "Shadows" (sobre suicídio), "Mommy Don't Love Daddy Anymore" (sobre divórcio e traumas dos filhos - situação vivida pelo vocalista e líder da banda Glenn Kaiser), "Afrikaans" (primeira música da história a denunciar o sistema sul-africano de Apartheid, muito antes da canção "Biko" de Peter Gabriel), "White Noise", "Silence Screams" (sobre politicagem), "80.000 Underground" (sobre escravidão), "Military Man" (contra o militarismo e as guerras), "Colours" (sobre racismo), "Paint a Picture", entre muitas outras fantásticas canções deles.

A muitos anos a banda acabou, mas continuam mantendo viva sua congregação, a Jesus People USA, bem aos moldes das comunidades alternativas que surgiram com o Movimento de Jesus, além do festival Cornerstone, que ocorre todos os anos nos EUA, e o vocalista Glenn Kaiser seguiu carreira solo de blues com a Glenn Kaiser Band.





Semana que vem venho passar mais alguns subgêneros: Punk e Heavy Metal, aguardem!