sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Radicalismo tr00 e outras babaquices colonialistas brasileiras


Ah, Brasil. Somos colonizados culturalmente pra sempre. Brasil e países da América Latina estão entre os lugares onde os ditos "headbangers", "metaleiros", "metalheads", ou seja lá o termo que você usa e bate no peito pra se dizer como tal, são, em sua grande maioria, os mais estúpidos, exclusivistas, "caga-regras" e metidos a radicais. Grande parte são adultos barbados mal crescidos que se iludem com o visual e querem o tempo todo pagar de "pertencentes ao movimento", se recusando a admitir sua relação com quaisquer elementos "estranhos" à ceninha. Apregoam a superioridade do metal, xingando outros estilos, até mesmo os de natureza popular como samba, MPB, pagode, sertanejo e axé (ok, sei que a mídia em alguns casos exagera na exposição dada a esses últimos e muitas vezes promovendo em excesso os piores elementos nesses meios, mas isso não dá direito a ninguém desfazer de estilos e seus fãs). Vários gostam de pagar de defensores do underground, xingando as bandas "mainstream" (mas escondidinhos "pagam pau" às últimas, gastando até o último centavo da poupança pra ver elas, mas nem de casa saem pra ver as locais). Pagam de grandes fãs do metal extremo, mas não conhecem nem três músicas direito das bandas que compram as camisas pra pagar de malvadões. E, claro, boa parte tem que pagar de "inimigos dos cristãos", em especial nos tempos atuais, em que enfiaram uma motivação nova, considerar os "white metals" e todos cristãos como os promotores de toda politicagem conservadora de direita retrógrada e mimimis similares que no fundo no fundo só revelam o lado bobo dessas pessoas.

Em meus anos de underground tive contato com muita gente, inclusive ditas de black metal. Algumas me respeitam e dão espaço pras minhas crenças, sabem que não é porque sou cristão que vou tentar enfiar a Bíblia goela abaixo deles ou os mandar pro inferno por em diversos momentos soltar declarações anticristãs e blasfêmicas. Eles ouvem o que acredito e cabe a Deus, conhecedor dos corações e destinos, os julgarem. Mas o fato de ao menos darem atenção, darem espaço, não censurarem, não sair apagando ou bloqueando por eu ser cristão já é algo positivo. Entenda, e sei que toda vez que confesso isso sempre há o risco de tretas, mas eu não tenho frescura nenhuma em ouvir música secular. Tava ouvindo até a pouco Venom, Metallica e agora nesse exato instante tô ouvindo Dire Straits (eclético demais eu sei kkkk) - e no meio disso tudo, tava ouvindo Chrystyne, banda declaradamente cristã. Nem sei o que ouvirei depois - até porque tenho uma coleção enorme de discos, de vários estilos e crenças aqui. Tenho camisetas de bandas cristãs e seculares. Tenho material de shows de bandas cristãs e seculares também - inclusive um acervo enorme de flyers, releases, cartões e uma pá de outras coisas de bandas de black metal de várias partes do Brasil. Se isso é um defeito meu? Não considero - tenho outros, como beber de vez em quando, soltar as vezes uns palavrões, ter desejos de lascívia, ser um tanto grosso e estúpido, precipitado, por vezes desisto fácil das coisas quando dão errado, teimoso, falo alto demais (e falo demais também kkkk), dentre outros problemas, alguns menos sérios, outros seriíssimos. Não vou expor nenhum deles com orgulho (como alguns ditos músicos cristãos andam fazendo por aí afora), mas também passo longe da hipocrisia estúpida de apontar o dedo pra esses ou tentar apagar minhas "cagadas" homéricas. Ainda assim, tento ser conciliatório, respeitar todas as opiniões, contrárias ou não. Infelizmente o bagulho é difícil nesse nosso mundinho de extremos estúpidos, grande parte deles por puro espírito de vira-lata que essa nação parece ter até o dia que o meteoro cair e explodir tudo (risos) ou Jesus voltar antes.

Quando eu escrevo esse texto, soube que meu brother Edy republicou no seu blog Cristianismo & Underground um post referente a treta do termo White Metal. Por muito tempo eu odiei muito esse termo, principalmente por ver nele a origem já preconceituosa e separatismo velado existente desde que a Metal Blade deu a liberdade pra tacharem Slayer de Black Metal e Trouble de White Metal, além de que realmente em geral na boca dos "antis" o termo tem conotação pejorativa total. Hoje em dia eu meio que ignoro essa questão toda, só acho ainda uma demonstração de atraso cultural e colonialismo retardado da cena nacional continuar a hostilizar a cena cristã. Em diversos países afora bandas cristãs tocam sem problemas em festivais seculares, são admiradas pela cena e são ouvidas por todos. Não é difícil ver elogios a bandas como Stryper, P.O.D., Paramaecium, As I Lay Dying, Mortification, Narnia, Impellitteri, dentre outras, por parte da cena especializada do metal no exterior. Sites como o Encyclopaedia Metallum e Spirit of Metal dão espaço a essas bandas sem problemas, raros são os momentos de agressões gratuitas por parte de quem não curte a fé cristã nesses locais. Numa oposição completa, já vi uma pá de casos de notícias no Whiplash referentes à bandas cristãs ou participação delas em eventos seculares com um festival de comentários imbecis de puro ódio gratuito e as mesmas ladainhas, o mesmo blábláblá de "metal é liberdade, cristianismo é prisão, morte ao white metal, mimimi". Curioso é alguns ataques imbuídos de reducionismos históricos e conversa fiada, como "cristianismo é a causa de todos os males da sociedade ocidental" (ignorando por exemplo que sem o cristianismo talvez até hoje jogar crianças no lixão seria algo normal pra mães que rejeitam as mesmas, penas de tortura e morte sem provas continuariam sendo coisa normal, escravidão continuaria sendo um ato normal, bem como a existência dos direitos humanos seria coisa só de sonhadores, dentre diversos avanços sociais que só existem a quase dois séculos graças ao Homem de Nazaré e seus seguidores!). Verdade que houve maus exemplos às tulhas na fé cristã, pessoas que usaram e abusaram (e muitos ainda usam e abusam) da Palavra Santa pra justificar as maiores atrocidades, mas tentar usar tais casos pra anular as inumeráveis e muito mais marcantes conquistas é quase a mesma coisa que - como alguns ignorantes fazem por aí afora - dizer que o cristianismo é um nazismo religioso (ou dizer que Hitler era cristão - sendo que não só seus atos contradiziam o que ele dizia, e como sabemos se declarar algo não significa ser [você pode até dizer que é um rei, mas isso não te fará de fato um rei], como tentou inserir elementos estranhos à fé cristã e tentou regulamentar a igreja alemã, algo típico de um usurpador barato e blasfêmico. Com isso, chamar Hitler de cristão é uma atitude típica de quem quer só causar polêmica barata e desqualificação de culpa por associação mais fraca da história). Toda generalização - a exceção dessa de toda generalização - é burra.

Mas é lamentável ver que muitos elementos da cena continuam com um cérebro de uma ameba paralítica. Na internet já sofri ameaças de alguns, já fui xingado por outros, já me baniram de um grupo de Facebook por eu ser um "lixo White". Já apagaram um post meu num grupo que anteriormente aceitava sem problemas todo e qualquer conteúdo, pra depois dizer que "posts de white metal estão proibidos terminantemente aqui" - e eu logo a seguir me retirei educadamente daquele recinto, só lamentando o atraso mental e cultural dos pares meus ali constando. Uma ex-amiga que costumava elogiar até meus posts no Facebook de músicas gospel (nem de rock era, era pop gospel mesmo) um dia em público soltou um impropério ante um convite meu a ir pra uma edição do Underblood Fest (evento da Comunidade Extrema Unção do Recife) "não me chame pra esse tipo de lixo!". Mais recentemente fui banido de um grupo de Whatsapp (esse vou dar "nome ao boi": o "Headbanger's Force", dito pelo chefinho dele como "o maior grupo de metal do Brasil", grupo esse que administrei por mais de cinco anos, ajudei a organizar, a reerguer quando o grupo foi roubado por duas pessoas, enfim, ajudei em diversos aspectos, ainda assim fui banido e esfaqueado por um Brutos, beijado por um Judas qualquer, que Deus tenha misericórdia dele) por supostamente estar... bem, a história do ban é complicada: primeiro disseram que fui banido por dar opiniões que ninguém pediu (sendo que eu no momento estava numa discussão com a própria galera do grupo) e que eu era intolerante e portanto não se poderia tolerar os intolerantes (o uso mais estúpido do "paradoxo da intolerância" de Karl Popper, que gemeria de desespero ouvindo o áudio estapafúrdio que o carinha me mandou dando isso como justificativa). Pouco depois outro adm de lá disse que eu andava mandando muita coisa sobre rock cristão (inclusive posts desse blog aqui que você está lendo) e segundo ele isso estaria incomodando o pessoal do black metal, que se sentia "ofendido" e baboseiras similares a essa. Depois vim saber que o mesmo relatou por aí afora que eu tava mandando mensagens tentando evangelizar a turma (de fato por um bom tempo eu fiz isso, mas lia e acreditava quem queria, não havia e nunca houve proibição a manifestação de crenças por lá - havia sim era uma regra impedindo agressão a quaisquer crenças ou descrenças, coisa que alguns lá dentro, inclusive o chefinho de lá, não costumavam respeitar) e que até vírus eu estava mandando (daqui a pouco vai aparecer alegação de que eu mandei imagem de gente morta, que eu mandei vídeo pornográfico, nudes, que eu surtei no grupo e xinguei a mãe do adm, etc etc etc - gente mentirosa, falsa, fingida, hipócrita e traíra só tente a aumentar mais e mais as mentiras contra quem querem agredir). Eu lamento muito sabe, porque não é só mais uma porta que se fecha aparentemente por puro preconceito e radicalismo babaca de criancinha mimadinha, pra agradar um bando de palhaço que as vezes nem a bunda levantam da cadeira pra ir pra show e ficam só feito um bando de sanguessugas pedindo no grupo MP3 de bandas de maneira completamente ilegal invés de investir um pouco na própria cena falida deles comprando material e tudo o mais. Cara, se você ver o que tenho eu de coleção em todos os níveis, vai ver que eu faço inveja facinho a quaisquer desses palermas chorões que não sabem nem a diferença de Mayhem pra Burzum. E não, não tô dizendo isso pra pagar de "rei do metal", de "Johnnÿ Underground" ou seja lá o que, é apenas pra mostrar que eu, um "white metal", um renegado, ajudo muito mais a cena que me renega do que muitos dos que dizem defendê-la com unhas e dentes, segundo eles, de gente como eu.

A verdade é que o povo brasileiro é um eterno "povo cordial". Não no sentido que os analfabetos pensam que essa expressão cunhada por Ribeiro Couto e popularizada por Sérgio Buarque de Holanda queira dizer, e sim a verdade, que é um povo movido em excesso pelo "cardio", pelo sentimentalismo barato, pela impulsividade, pela falsa polidez, pelo preconceito velado que redunda em atitudes de cunho descarado de estupidez. Somos uma "geração coca-cola" que continua regida por ideais do passado, ideais que as vezes nenhum outro lugar do mundo os tem, mas nos apegamos a eles como verdade imutável, não por de fato serem verdade, mas porque ser confrontados com a possibilidade de isso ser engodo ou exagero é algo que preferimos fingir que não, preferimos deixar a polidez fingida ser a verdade. O brasileiro em geral se dói fácil com quem pensa diferente dele. Em diversos aspectos isso é verdade. Tem horas que quando exponho meu pensamento pra alguns eu me derreto de medo ao ver no outro uma expressão quase psicopata de quem deseja me matar por eu pensar diferente dele. O "crime" de pensar diferente causa pena de morte. Se não morte literal, morte social. E é isso que os retrógrados dessa ceninha tola são, com suas cartinhas anuais de "morte ao white", suas ameaças tolas à bandas seculares que "se atrevem" a tocar com bandas cristãs ou a produtores que convidam cristãos pra tocarem em seus eventos (soube de uns que anos atrás atacaram o lendário João da Blackout, um dos produtores e donos de loja de material de rock e metal mais respeitados de Pernambuco e do Nordeste, uma lenda viva e amigo pessoal meu; simplesmente por ele ter ajudado um evento com participação de bandas cristãs e vender material de bandas assim). Sei o quanto minhas opiniões aqui expostas parecem intolerantes, mas eu sinto muito, não é intolerância, é a VERDADE. E se há intolerância aqui, agora sim é relacionada ao conceito de Karl Popper, é a esses intolerantes estrupícios que continuam como vírus maldito matando, sufocando e destruindo o metal brasileiro. São idiotas como esses que só atrasam mais e mais a cena, que fazem que ela seja sempre abjeta e desprezada pela grande mídia, que se nem precisam de motivo pra meter o pau em nós, imagina dando motivo? <ironia>Parabéns a todos vocês! Graças a vocês o metal brasileiro só fará sucesso lá fora e olhe lá, porque aqui dentro vai ser sempre um movimento de resistência, resistência essa infelizmente infectada por uma virose chamada tr00ísmo que faz tal resistência dia após dia definhar até o estado terminal que se encontra hoje!</ironia>.

É isso, desabafei demais e com certeza vão me xingar pra cacique aqui, mas "tô me lixando". Quem gostou gostou, quem não gostou que vá procurar o caminhão de onde caiu e continue em sua imbecilidade abjeta até morrer na "merda" que está! E desculpem àqueles que não estão acostumados a um post tão pesado (não no estilo musical e sim no conteúdo mesmo kkkk) aqui no blog, mas é isso. Soli Deo Glori.

ATUALIZAÇÃO 22/03/2020: A quase um mês atrás um antigo fã declarado do meu projeto solo Desolate Death simplesmente me atacou do nada por eu discordar da opinião preconceituosa e vazia dele sobre o metal cristão. Mais uma pra minha coleção, eba! kkkkk

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Steve Taylor (e Chagall Guevara, Perfect Coil...)




Roland Stephen Taylor (09/12/1957, Brawley, California) é um verdadeiro ícone dentro do cristianismo. Cantor, compositor, produtor musical, dono de gravadora (Squint Records), ator, diretor de cinema e muito mais. Sua influência no mundo cristão pode ser visto nele ter por exemplo revelado artistas como Sixpence None the Richer, Chevelle e Burlap to Cashmere, escrito músicas para artistas como o Newsboys, feito filmes como o icônico "A Segunda Chance", dentre outros. Porém ele mesmo agiu bem como cantor, em especial na década de 1980, com um estilo alternativo/new wave/post-punk fantástico, e letras extremamente polêmicas e reflexivas que desafiavam muito a galera cristã. Nos anos 1990 ele liderou o Chagall Guevara (união curiosa de nomes), um grupo para tentar atingir o público mainstream e que não foi muito longe, apesar das boas ideias. No final da década de 2010 ele voltou ao mundo da música com a banda The Perfect Foil.


I Want to Be a Clone! (EP, 1983)

01 - Steeplechase
02 - I Want to Be a Clone
03 - Whatever Happened to Sin?
04 - Written Guarantee
05 - Bad Rap (Who You Tryinʼ To Kid, Kid?)
06 -
Whatcha Gonna Do When Your Numberʼs Up?






Produção fantástica e já começando a polêmica sem dó nem piedade, com letras batendo de frente com o materialismo, a "teologia" da prosperidade, o egoísmo e a "clonagem visual doutrinária" (o famoso "uniforme de crente" que muita igreja ainda se passa pra fazer e obrigar os irmãos a seguirem). Apesar de pequeno, é um disco fortíssimo já de cara, vale muito a ouvida. Musicalmente tem tudo que a new wave poderia oferecer naqueles tempos: músicas com muito teclado, um reggae maroto em Written Guarantee (e o sax de Dave Thrush mandando ver) e um rap maroto em "Bad Rap".

Meltdown (1984)

01 - Meltdown (at Madame Tussard's)
02 - We Don't Need No Colour Code
03 - Am I Sync?
04 - Meat the Press
05 - Over my Dead Body
06 - Sin for a Season
07 -
Guilty by Association08 - Hero
09 - Jeanny
10 - Baby Doe

OBS: Algumas versões posteriores vem com uma leve diferença na tracklist, com a inclusão do EP Meltdown Remixes.

A metralhadora da música cristã está aqui com novos alvos! "We Don't Need no Colour Code" denunciando organizações ditas cristãs dos EUA que praticavam descaradamente preconceito racial, em especial a Universidade Bob Jones (usando influências musicais do precursor do rock Bo Diddley). O trocadilho do título com o maior museu de cera do mundo, o Madame Tussards, nos EUA, com as pessoas que vivem como "manequins ambulantes", e a necessidade de derreter essa cera, essa capa de falsidade que muitas vezes impomos em nós. "Am I Sync?" e seus vocais de Speak & Spell (brinquedo mais famoso no Texas, EUA, onde surgiu, onde ele diz algumas palavras e a criança precisa digitar corretamente) como um trocadilho com pessoas que vivem como se tivessem num videogame; Guilty by Association trazendo a crítica pros tele-evangelistas que faziam fortunas explorando o nome de Cristo (algo que vemos até hoje por aqui, não?); Over my Dead Body é um alerta aos muitos casos de exploração de pessoas e de direitos humanos que ocorrem mundo afora. A mais complicada música nesse meio foi Baby Doe, sobre o tratamento dado a crianças que nasciam com severos problemas de saúde e alguns apregoavam que poderiam até ser evitados não fosse a negligência de muitos médicos (gerou inclusive uma lei para proteger essas crianças nos EUA), mas ao direcionar a sua crítica a advogados que eram comprados e da sociedade negligente, o Steve confessaria mais tarde que ele também tinha sua porção de culpa e que criticar apenas nesse caso específico não levava a nada.

Musicalmente segue os passos do antecessor de perto, sem grandes evoluções, exceto por Am I Sync?, um som altamente criativo e genial, com uma pegada mais eletrônica. De resto, new wave pura e direta ao ponto.


Meltdown Remixes (EP, 1984)
Três versões diferentes da faixa "Meltdown"
(uma extendida remix, uma instrumental e uma editada)


On the Fritz (1985)

01 - This Disco (Used to Be a Cute Cathedral)
02 - On the Fritz
03 - It's a Personal Thing
04 - To Forgive
05 - You've Been Bought
06 - You Don't Owe Me Nothing
07 - I Manipulate
08 - Lifeboat
09 - Drive, He Said
10 - I Just Wanna Know


Como um cara que não parava nunca, Steve seguia com sua "metralhadora" e sua mira bem afiada. "This Disco" falando de igrejas que estavam sendo abandonadas pra virarem danceterias e boates (nessa música indo diretamente pra Episcopal Church of the Holy Communion, que em 1983 tinha sido vendida pra virar a discoteca Limelight). Curiosamente essa é uma das muitas músicas criticadas tolamente pelo site "Dial-the-Truth Ministries", que curiosamente deveria é ver que essa música tá do lado deles, tá do NOSSO LADO! Incrivelmente, esse fenômeno de transformação de igrejas históricas em boates continua ocorrendo até hoje, e cada vez mais cruel essa situação (até nas HQs de Superman uma vez um arco de histórias dele mostrava uma igreja que virara uma boate comandada pela demônia Blaze - tá, é ficção, mas em parte é a realidade também!). "To Forgive" cita um caso bem famoso nos anos 1980, ocorrido em 13 de maio de 1981 na Catedral de São Pedro, no Vaticano, quando o então Papa João Paulo II sofreu um atentado pelas mãos do turco Mehmet Ali Agca. Ao que sabemos, o Papa foi posteriormente à prisão onde Mehmet se encontrava e após uma conversa velada, o perdoou pelo crime (inclusive quando João Paulo II faleceu muitos anos depois, Mehmet chegou a expressar seu pesar, mostrando-se de fato arrependido pelo seu crime horrendo). Musicalmente o disco funde influências da new wave, AOR e até uma pegada meio latina em "You Don't Owe...". I Manupulate contou ainda com uma Linn Drum 9000, uma bateria programada tocada pelo próprio Steve Taylor.

Steve Taylor & Sheila Walsh - Trans-atlantic Remixes (1985)
Single compartilhado entre dois representantes da new wave cristã



Steve Taylor & Some Band - Limelight (ao vivo, 1986)

01 - This Disco (Used to be a Cute Cathedral)
02 - I Want to Be a Clone
03 - You Don't Owe Me Nothing
04 - On the Fritz
05 - We Don't Need No Colour Code
06 - Whatever Happened to Sin?
07 - Meltdown at the Madame Tussards
08 - Not Gonna Fall Away (feat. Sheila Walsh)



Apesar do nome sugerir ter sido gravado no Limelight (o que seria uma ironia irada do universo kkkk), na verdade foi gravado no Greenbelt Festival 1985 na Inglaterra. Não é difícil achar no Youtube o filme dessa apresentação. Uma mostra da genialidade (e piração também kkkk) do Steve. "Some Band" que é curioso ("Alguma Banda"), não faço muita ideia de quem sejam, mas acredito ser a formação que gravou com ele o disco On The Fritz naquele ano. O dueto com Sheila Walsh ficou show.


I Predict 1990 (1987)

01 - I Blew Up the Clinic Real Good
02 - What is the Measure of Your Sucess?
03 - Since I Gave Up Hope I Feel A Lot Better
04 - Babylon
05 - Jim Morrison's Grave
06 - Svengali
07 - Jung and the Restless
08 - Innocence Lost
09 - A Principled Man

10 - Harder to Believe Than Not To


Hora da TRETA! A começar pela capa fantástica, feita pela esposa de Steve (Debi), inspirada em uma pintura modernista francesa, mas que umas "carinhas de anjo" enxergaram ser uma "carta de tarô" e que Steve estaria fazendo uma "saudação satânica", que tinha imagens com mensagens subliminares na capa, blá blá blá só bobagem. Pior que o disco acabou proibido de ser vendido em muitas lojas ditas cristãs nos EUA devido acusações de "grandes pregadores" aí afora. Paciência né. O título do disco também causou essa impressão pra uns babacas, que associaram logo ao tarô e adivinhação (mas na verdade era uma paródia com um programa de um tele-evangelista - vejam só kkkk - chamado Lester Sumrall chamado "I Predict 1986"). Mais uma treta no disco: a música "I Blew Up...", uma crítica a uns grupos "pró-vida anti-aborto" americanos que diziam estar fazendo a vontade de Deus ao EXPLODIR CLÍNICAS DE ABORTO E MATAR MÉDICOS QUE ABORTAVAM CRIANÇAS, acabou por aumentar as críticas ao artista. Você imaginaria hoje em dia um cantor cristão ter de ir de loja em loja explicar o conteúdo do seu disco pra talvez ser vendido lá? Pois bem, Steve fez isso! A parte australiana da turnê do disco foi toda cancelada por conta de toda essa polêmica. Tsc tsc tsc... a ignorância... como diria a Trino "a religião se torna ópio quando nega a informação".

Musicalmente esse é o disco mais eletrônico da carreira do Steve, com uma sonoridade bem marcada por teclados e baterias programadas. Svengali é a que leva isso mais a sério, ainda inserindo elementos de música africana no meio. Em algumas faixas, como o finalzinho de "Jim Morrison..." e a intro de "Harder to Believe..." ele usou uns trechos de peças musicais clássicas (Claude Debussy e Sergei Rachmaninoff respectivamente).

The Lost Demos (1988, não sei a natureza desse lançamento)

01 - I Want to Be a Clone
02 - Written Guarantee
03 - Steeplechase
04 - Hero
05 - Sin for a Season
06 - Bad Rap
07 - Whatcha Gonna Do When Your Numberʼs Up?
08 - Guilt by Association
09 - Bouquet
10 - Whatever Happened to Sin?
11 - Jenny
12 - Lead Me


Demos de músicas usadas em discos do Steve, com duas inéditas até então, Bouquet e Lead Me. Nada muito excepcional aqui, mas um material bom para colecionadores de raridades.


The Best We Could Find (+ 3 That Never Escaped) (coletânea, 1988)
Resumo perfeito da carreira de Steve até então. Conta com as inéditas Bouquet, Under the Blood e Down Under


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Devido às críticas pesadas e oposição ao seu trabalho na cena cristã, Steve, desiludido, montou a banda Chagall Guevara, se lançando na carreira secular, só voltando aos discos cristãos um bocadinho de tempo depois.





Chagall Guevara Demo (demotape, 1989)

01 - Murder in the Big House
02 - Tale O' the Twister
03 - Escher' World


Chagall Guevara foi formada por Taylor, com os guitarras Dave Perkins e Lynn Nichols (o último ex-guitarrista da Phil Keaggy Band), o baterista Mike Mead e o baixista Tim Chandler (Daniel Amos), esse último seria substituído por Rick Cua, que ainda chegou a gravar, mas foi substituído em definitivo por Wade James. O nome é uma referência ao revolucionário Che Guevara e ao pintor Marc Chagall, num trocadilho com "Arte Revolucionária". Apesar de geral da banda ter carreiras cristãs, a banda em si não era um projeto cristão e sim visava atingir o mercado secular mesmo. Essa demo trouxe a gravação "Tale O' the Twister", gravada com Rick Cua ainda, foi parar na trilha sonora do filme comédia "Um Som Diferente" (Pump Up the Volume) de 1990 com Christian Slater e uma trilha sonora insana com as seculares Pixies, Bad Brains, Soundgarden, Sonic Youth e várias outras).




Chagall Guevara (1991)

01 - Murder in the Big House
02 - Escher's World
03 - Play God
04 - Monkey Grinder
05 - Can't You Feel the Chains?
06 - Violent Blue
07 - Love is a Dead Language
08 - Take me Back to the Love Canal
09 - Still Know the Number by Hear
10 - Candy Guru
11 - I Need Somebody
12 - Tale O' the Twister
13 - The Rub of Love
14 - If It All Comes True

Alternative Rock e Post-Punk de primeira qualidade. Letras interessantíssimas. Infelizmente não obteve o sucesso almeijado. Chegaram a emplacar um clipe na MTV Americana pra Violent Blue, mas acabou não passando muito disso. O funk de "Play God" é a melhor coisa desse disco, juntamente com a música falando do trabalho insano do artista holandês M. C. Escher.

Não sendo um grande sucesso, apesar disso conseguiram tocar em alguns eventos (inclusive cristãos, como o Greenbelt de 1991) e na coletânea-tributo Strong Hand of Love (1994) em homenagem ao recém-falecido músico cristão Mark Heard.

Haviam planos de um disco ao vivo, gravado num show, mas nunca rolou, como é possível ver nesse cartaz:



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Squint (1993)

01 - The Lament of Desmond R.G. Underwood-Friederick IV
02 - Bannerman
03 - Smug
04 - Jesus is for Losers
05 - The Finish Line
06 - The Moshing Floor
07 - Easy Listening
08 - Curses
09 - Sock Heaven
10 - Cash Cow (A Rock Opera in Three Small Acts)

Depois de um tempo dedicado ao Chagall Guevara e relativamente distante da cena cristã, Steve Taylor estava de volta, mas sem perder seu velho estilo. AOR, New Wave e rock alternativo (esse último bem mais presente aqui, muito porque os dois anteriores estavam meio "fora de moda" nos anos 1990), e letras bem pensadas, como a fantástica "Jesus is for Losers" e "Sock Heaven" (essa última tornou-se o nome do site responsável por manter a obra do artista). Squint ("estrabismo" em inglês) também se tornaria o nome da gravadora que Steve organizaria nos anos 1990, pouco depois desse disco. Coerente, vale a pena ser ouvido e curtido por todos. Não a toa ainda em seu lançamento o disco chegou a ser o 17º disco mais vendido na Billboard Contemporary Christian Music. Sem dúvidas a mais insana música de Steve é "Cash Cow", um rock opera bem pequeno, mas diferente de tudo que Steve já tinha feito antes.


Lament... (promo, 1993)
Contém alguns materiais curiosos, inclusive comentários sobre as músicas do disco Squint.
(e sim, eu amei a capa do Pernalonga kkkkkkkk)


Now the Truth Can Be Told (1994)
Coletânea com os maiores sucessos de Steve, mais três sucessos da Chagall Guevara
e mais uma canção de natal e duas demos que "eu esqueci de apagar", segundo Steve kkkk

Três VHS foram lançadas pelo artista com alguns clipes, comentários, etc.

Em 1994 foi lançado "I Predict a Clone: A Steve Taylor Tribute", com vários artistas coverizando o genial Steve Taylor. Um dia entrarei em detalhes na seção Tributos.


Liver (1995)

01 - Jim Morrison's Grave
02 - The Lament of...
03 - I Want to Be a Clone
04 - Escher's World
05 - On The Fritz
06 - Bannerman
07 - Hero
08 - Jesus is for Losers
09 - The Finish Line
10 - Violent Blue


Álbum de despedida de Steve por anos a fio. Pra quem duvida da energia de um cantor solo de new wave ao vivo, saca esse disco. A versão de "I Want to Be a Clone" aqui é absurdamente rápida, quase um punk de verdade, bem na linha das canções mais rápidas do Elvis Costello como "Radio Radio". Legal que ele incluiu nesse show músicas como Escher's World e Violent Blue, da sua fase com o Chagall Guevara.

Houve vários shows bootleg, dá pra conhecer alguns no site do Taylor. Alguns Torrents também podem ser baixados lá, não só do Steve, como da Mortal, de sua fase original Mortal Wish e também da Fold Zandura.


Loose Ends (Compilação, nunca oficialmente lançado, 2000)

01 ao 08 - Disco Limelight completo
09 - Nero (1985)
10 - Not Gonna Fall Away (remix) (1985)
11 - Winter Wonderland (1988)
12 - Svengali (remix) (1989)
13 - The Moshing Floor (live) (1994)
14 - Shortstop (2000)
15 - Chagall Guevara - Tale O' The Twister (1990)
16 - Chagall Guevara - Still Know Your Number By Heart (1992)
17 - Chagall Guevara - Treasure of the Broken Land (1994)

Raridades e canções nunca lançadas de Steve, como "Nero" e "Treasure of the Broken Land".

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Steve Taylor & Perfect Foil - Goliath (2014)

01 - Only a Ride
02 - Double Negative
03 - Goliath
04 - Moonshot
05 - Rubberneck
06 - The Sympathy
07 - Standing in Line
08 - In Layers
09 - Happy Go Lazy
10 - A Life Preserved
11 - Comedian




O David Byrne da música cristã está de volta! Depois de anos nos bastidores da música com composições e produções, além de cuidar da carreira de ator e diretor (incluíndo aí o filme "Down Under the Big Top" de 1996 sobre a banda Newsboys), Steve volta e com uma banda! E sim, trazendo um alternative rock com pegadas do post-punk e new wave que o tornaram famoso. O som aqui está muito irado mesmo, clima anos 1980 em plena década de 2010.  A formação da banda mostra o poder de fogo deles, com Peter Furler (Newsboys, Peter Furler Band) na bateria, Jimmy Abegg (Vector, Rich Mullins & A Ragamuffin' Band, Charlie Peacock) na guitarra e John Mark Painter (da dupla-casal Fleming & John) no baixo, além do próprio Steve nos vocais principais e no piano de uma mão só. Ainda conta com participações, como a da Fleming McWilliams (esposa de John Painter) cantando na faixa-título. Difícil não balançar com o som desse disco, um retorno digno.

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Some Other Band? Sim, Steve Taylor & Danielson Foil



Steve Taylor & Danielson Foil - Wow to the Deadness (EP, 2016)

01 - Wow to the Deadness
02 - Wait Up Downstep
03 - The Dust Patrol
04 - Nonchalant
05 - A Muse
06 - Drats



O supergrupo ganhou um novo integrante: Daniel Smith da banda Danielson. Oficialmente é uma contribuição única, mas já gerou até disco ao vivo (!). O som segue o que já vinha sendo feito na versão original do grupo, com letras criativas ao extremo e muito rock alternativo.




Wow to the Liveness (2016)
Disco ao vivo com sucessos do Goliath e do Wow to the Deadness
Gravado ao vivo em Gibbstown, New Jersey







sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Jesus Skins





Skinheads cristãos? Porque isso não só é possível como também é ignorância pensar diferente...

Antes de mais nada: precisamos falar sobre skinheads. Eu tenho entre meus projetos aqui no blog uma área especial sobre subculturas, mas enquanto isso não fica pronto, acho interessante falar desse assunto, haja vista que vez por outra vejo a ignorância promovida pela mídia imbecil ser mais forte que a pesquisa neutra e descompromissada. O movimento skinhead original surgiu no Reino Unido no final dos anos 1960 com jovens da classe operária. Herdeiros dos mods (outra subcultura de lá que hoje pouco se fala mais que inspirou bandas como The Who, Small Faces, The Yardbyrds, The Jam e Ira!) e dos rude boys da Jamaica (pois é, da JAMAICA), esses últimos por conta de imigrantes jamaicanos, e com isso pegaram muito da cultura negra jamaicana. Usavam já suspensórios, botas e as cabeças raspadas (daí skinhead). Embora desde os primórdios já tinham alguns antiasiáticos no meio dessa subcultura e também alguns praticassem o hooliganismo (os precursores das gangues organizadas travestidas de "torcidas organizadas" em estádios de futebol), a maioria era pacifista e mesmo entre os antiasiáticos havia um repúdio total contra os neonazistas (que já existiam à época) e os que praticavam atos racistas contra negros. Só no início da década de 1980 passou a rolar divisões mais severas entre os skins, aparecendo grupos como os trojans (os que tentam se assemelhar aos "raízes" do movimento, inclusive só curtindo ska, reggae e two tones, raramente streetpunk/oi!), sueds (que pareciam um elo perdido dos mods com os skins), redskins ou R.A.S.H.s (ligados ao comunismo e/ou ao anarquismo), F.A.S.H.s (100% anarquistas), S.H.A.R.P.s (os "mais de boa", que não têm envolvimento com visões políticas, mas combatem os de vertente nazista) e os tão odiados boneheads (infiltrados pelo partido de extrema-direita National Front, esses realmente seguem os princípios do neonazismo, e são esses que acabam muitas vezes mais afamados pela mídia, que ignoram todo o resto - que sempre foram a maioria no movimento - pra inflar os atos desses imbecis). Infelizmente é fato no Brasil que os Carecas (do ABC e do Subúrbio, bem como os Carecas do Brasil) se inspiraram demasiadamente na cosmo-visão fascista do Integralismo de Plínio Salgado - e alguns notoriamente nazistas mesmo - e agem de maneira violenta contra os "setores podres da sociedade" (e aí inclua comunistas, gays, anarcopunks e anarquistas em geral, e em alguns casos, contra nordestinos). Porém é sabido que existem S.H.A.R.P.s e outras vertentes do movimento skin no Brasil, e inflar apenas a tropa da sandice é o tipo de coisa que faz a mídia pra desqualificar a todos e também causar divisões, tudo por Ibope e pra tornar a sociedade uma eterna tapada e idiotizada.

Ok, acho que falei já o suficiente sobre o tema, vamos a essa banda que desafiou tudo e todos: Jesus Skins. Nascida em Hamburgo, Alemanha, em 1997, sim, são skins da vertente S.H.A.R.P. que conheceram-se no final dos anos 1980 na igreja. Usam como pseudônimos Mathäus, Markus, Lukas e Johannes (inspirados nos escritores dos quatro Evangelhos). Tudo começou quando Mathäus viajou pra Londres em 1991 e teve contato com a cena skin de lá, trouxe essa ideia pros seus amigos e assim surgiu a primeira banda de punk oi! cristã da história (embora a 100% Proof tenha feito uns Oi! nos anos 1980), e a primeira banda cristã a se identificar com a cena skin. Infelizmente a banda saiu de cena em 2012, mas deixaram seu legado e exemplo. Esperamos que mais bandas apareçam com essa ideia, mas coloquem ideologias políticas na porta de fora, por favor! Mais importa Jesus do que bobalhices políticas que são soluções humanas que no fim não dão em lugar nenhum, só criam palermas idólatras (e se ainda assim quiserem manter, que se faça com respeito, não agredindo gratuitamente os que pensam diferente).

Nota: Esse post nasceu de um comentário ignorante de um certo irmão num grupo de Whatsapp, que mesmo após falarmos das origens verdadeiras dos Skins e do fato de os nazis ao redor do mundo serem minoria, ainda ficou pavoneado e achando que projetos como o Jesus Skins são "impossíveis"... tsc tsc tsc.


Seven Boots From Heaven (demotape, 1998)


Outras duas demos foram lançadas posteriormente: Gospel Oi (1998) e Im Auftrag des Herr’n (1999).


8 Fäuste für ein Halleluja (single, 2001)

01 - Die Besten Froinde
02 - 13 Froinde
03 - Oi! Oi! Amen
04 - 77 Heißt Grüß Gott
05 -
Hart, Aber Gerecht
06 - 3 Könige





Streetpunk/Oi! com língua e sotaque alemão, e muito bom uma banda com essa pegada. Suas letras enfatizam o poder de Cristo e sua obra de salvação, além de mostrar que é possível ser skin e cristão, sem nenhum tipo de elogio ao nazismo ou fascimo. O hino "Oi! Oi! Amen" já mostra isso sem medo.



Unser Kreuz Braucht Keine Haken (2002)

01 - Intro
02 - Skinheads in Der Kirche
03 - Wollt Ihr Etwa Ärger?
04 - 3 Könige
05 -
Bewegungstroi
06 - Alle Werte
07 -
77 Heißt Grüss Gott
08 -
Wir Sind Wieder Da
09 -
Saufen Beim Fußball
10 -
Kirchenasyl
11 -
Ich Tue Meine Pflicht
12 -
Heilsarmee
13 -
Nur Die Besten Freunde
14 -
Outro / Nelsen Mutz




Punk raiz, Punk Oi!, Street Punk e tudo mais num disco "paródia", com versões de clássicos do punk alemão com letras voltadas pra fé cristã. Mathäus por vezes soa como um John Lydon (Johnny Rotten, das seculares Sex Pistols e Public Image Ltd) com sotaque alemão, por vezes faz um vocal mais grave. A faixa 2 (Skinheads na Igreja) mostra o anseio básico do projeto, mostrar o Evangelho para essa tribo e levar todos a terem um encontro com Deus, independente da tribo que façam parte. As letras trazem mensagens sobre o Evangelho, de forma bem crua, além de atingir a cena, como na faixa " Saufen Beim Fußball", criticando os atos dos hooligans.

Neuer Wein aus Alten Schläuchen (EP, 2002)

01 - A.C.A.B.
02 - Kirche Ja
03 -
Glaubensbekenntnis 04 - Jesus Christus
05 - Religion
06 - Ein Moralisches Lied
07 -
Für Immer Christ
08 -
77 Heißt Grüß Gott



Infelizmente o último disco da banda. Segue com a mesma sonoridade pauleira, Oi!/Streetpunk sem perder de vista em nenhum momento letras sobre a fé cristã como essência magistral da banda. "Jesus Christus" é a mais diferentona aqui, com um som mais acústico e até uma gaita. Originalmente saiu num EP duplo, com duas músicas pra cada lado. Naquele ano ele também sairia num curioso split CD e disco Picture com a banda americana de punk Oi! judaica Jewdriver (uma banda que parodiava a nazista Skrewdriver e suas letras nazistas transformadas em músicas com temática judaica) e seu disco de estreia "Hail the Jew Dawn".

Curiosidade: A faixa "Für Immer Christ" é uma versão/paródia da música "Forever Young" da banda de synth-pop secular alemã Alphaville.
Let the Bombs Fall (split, 2007)
Com as bandas Eight Balls, Small Town Riot e The Detectors
Não tenho infos sobre esse trampo.

Ver mais sobre a banda (em alemão) aqui!


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Improviso Divino






Uma das mais diversificadas bandas que já passaram pela cena pernambucana, Improviso Divino, ou I.D., foi uma fantástica banda de Pernambuco, Brasil. Formada em meados da década de 2010 por Pedro Rodox (vocais, ex-Envoy), contou com diversos músicos ao longo de suas formações, como Leandro Matheu's (guitarra, ex-Empire HC), Oseas Silva (guitarra, atualmente na Godside), André Ramos (baixo), Davidson Coffee (guitarra, ex-If Tomorrow), Jamesson Henrique (bateria), Wander Portela (baixo), Maurício José (guitarra) e Lucas Kêra (bateria, Tempo Final e ex-F.M.I.). A sonoridade deles fundia elementos do hardcore, metalcore, nu metal e até mesmo influências de música clássica (!). Infelizmente encerraram suas atividades em janeiro de 2020, mas deixaram sua marca como uma banda missionária, que tocava em diversos estados do Brasil sempre bem recebida, além de ajudar na organização de eventos como o festival Against the Hell.

Curiosidade: A banda vez por outra acabava levando o nome deles muito à sério, várias vezes improvisaram mesmo em apresentações quando um ou outro integrante por algum motivo não ia, mas nunca arregaram um show sequer!


Viver Jesus (EP, 2015)

01 - Grato
02 - Go$pel
03 - Vem!
04 - Revolução no Espírito
05 - Viver Jesus (feat. Jéssica Santos e Paula Monique)
06 - Perto de Ti (feat. Alex Tem)





Inovadora, essa é a palavra que fica quando ouvimos essa EP. Cada faixa tem uma levada própria, com os mais diversos elementos sonoros, como vocais limpos unidos com alguns guturais muito bem encaixados, a faixa título com uma letra mostrando a verdade do Evangelho (a capa de Clivson - ex-F.M.I. - foca também essa ideia), um violino (de Paula Monique) muito bem executado, e várias intervenções de Pedro Rodox narrando em algumas músicas mensagens baseadas diretamente na Bíblia. A mais pesada aqui, a incrível "Perto de Ti", fecha o disco com chave de ouro. Outro tesouro inegável é "Go$pel", uma bem sacada crítica aos rapinadores que aparecem no meio do "mercado gospel".


Hantavírus (2018)

01 - Eu Te Invoco (intro)
02 - À Tua Espera
03 - Caminhos
04 - Seu Próprio Filho
05 - Reflexão
06 - Hantavírus
07 - Consolo
08 - Ele Existe (feat. Rafaela e Juninho da Retrieve)
09 - Bambus no Inverno
10 - Não se Vá! (feat. Felipe da Godside)
11 - Resgate (feat. Paula Monique)
12 - Te Adorar

Hantavirose, uma doença bem cabulosa, transmitida principalmente por roedores, causada pelo vírus RNA chamado Hantavirus. A doença também é chamada de Síndrome Cardiopulmonar Virótica ou Síndrome da Angústia Respiratória (SARA). Usando essa doença como uma parábola para a "doença do pecado" que sufoca a alma do ser humano, Improviso Divino construiu um álbum genialíssimo. Letras enfocadas na busca pela vontade de Deus acima de tudo, em detrimento dos caminhos errados desse mundo, sobre o sacrifício de Cristo e a realidade do Senhor. Sem dúvidas as mais curtidas por mim são a faixa-título e a "Bambus no Inverno" (fazendo alegoria ao fato dos bambus resistirem quando todas outras plantas sofrem no clima frio do inverno com o nosso compromisso de nos mantermos firmes nesse mundo frio e cruel). Mas outras faixas como o rapcore de "Seu Próprio Filho" e o metalcore insano de "Ele Existe" (em que a banda se uniu com outra incrível banda que curiosamente também nos deixou em janeiro de 2020, a Retrieve). A ideia de narrações nas músicas (inclusive uma música inteira - Reflexão - sendo uma pregação, servindo como abertura da faixa Hantavírus) mantém-se um ponto forte da banda também aqui.

Curiosidade: No videoclipe de Hantavírus, sabe aquele cabra que aparece todo pirado, insano, como o personagem dominado pelo vírus do pecado? É um dos meus queridos cunhados, Carlos Dantas. Pois é, tenho um cunhado famoso kkkkkkkkkkkk


Soli Deo Gloria (Single, 2020)
Despedida digna de nota, sendo a única gravação com a última formação da banda.
Participação de Ewlly Oliveira nos vocais e violino.
A produção e a letra fantástica comprovam que definitivamente é um fim que eu não queria que viesse.
Mas enfim, Soli Deo Gloria!
Fantástica arte de Ivan Ribeiro (Implement) e lyric video de Thiago Souza (ex-Salário do Pecado, Envoy, Legacy e Pacto de Sangue)





terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

P.O.D.


Marcos, Traa, Sonny e Wuv

Post dedicado aos brothers da saudosa página P.O.D. Brasil - Panelas on Fire no Orkut.

P.O.D., sigla para "Payable on Death" (um contrato mortuário ou herança - pagável com a morte -, representação da morte de Cristo que pagou nossas dívidas com Deus), é sem dúvidas a mais famosa e amada banda de nu metal no cenário cristão, muito embora a própria banda jamais se classificou como uma banda do "mercado cristão". Um dos inventores do gênero junto com as seculares Korn, Deftones e Sepultura, surgiram em 1992 em San Diego, California, estando em atividade até hoje. Uma curiosidade é que a banda é extremamente bem aceita por cristãos de todas as vertentes, embora sejam de formação latina e católica e - dizem alguns - rastafari. Começou com os amigos Marcos Curiel (guitarra e glokenspiel) e Wuv Bernardo (bateria). Logo Wuv chamaria seu primo Sonny Sandoval (vocal) que passava por uma fase complicada de sua vida pra banda, que foi completada com o "sequestro" de Traa Daniels (baixo) (ele, segundo palavras de Wuv "era pra ser um empréstimo da banda do tio, dele, mas a gente acabou roubando o cara pra gente - risos") - nos primeiros dois anos o baixista se chamava Gabe Portillo e ele quem tocou na demo. Uma característica do som da banda é a fusão de hardcore, thrash metal, rap, reggae, funk e outros elementos que tornaram-se a base do que seria chamado de "aggrometal, aggrocore, mallcore, new metal, fusion metal, nu metal, nü metal", escolha o nome que quiser kkkkkkkkkkk.

Devido essa postura mais "aberta", eles conseguiram espaços pra levar sua mensagem em diversos locais, sendo figurinha fácil na MTV (inclusive a saudosa MTV Brasil original - não essa fake atual) e em festivais os mais diversos, até mesmo o templo do nu metal mundial, o Ozzfest da família Osbourne; mas sem deixar de tocar em festivais e shows cristãos, como o Cornerstone, e lá nos primórdios da banda, em 1993, abriram pro Mortification! (obrigado Márllon Matos pela info).

OBS: Triquetra, apesar da origem celta mística, no Cristianismo, este símbolo passou a representar a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) pela igreja cristã céltica. Também podendo aparecer representado por três peixes entrelaçados. Logo, é estupidez ir na onda desses legalistas que ficam caçando demônio em qualquer símbolo, ignorando que os símbolos podem mudar de significado ao longo dos anos e civilizações.


Demo (K7, 1993)

01 - Theme Song / Dedication
02 - Give Me An Awnser
03 - The Author and the Destroyer
04 - Tears of Blood

OBS: Algumas versões têm uma setlist diferente, vide nesse link.




A primeira faixa é só uma dedicatória (não consegui manjar bem pra quem), mas da segunda em diante cada uma traz consigo um elemento específico da música da banda que seria desenvolvida ao longo dos anos. Um bom começo de história.


Capa original
(Prefiro a alternativa kkkk)
Snuff the Punk (1994)

01 - Coming Back
02 - Let the Music Do the Talking
03 - Draw the Line (House of Suffering cover)
04 - Who is Right?
05 - Get in Straight
06 - Run
07 - Snuff the Punk
08 - Can You Feel It?
09 - Three in the Power of One
10 - Every Knee
11 - Who's in this House/Murder (Outro)

OBS: Algumas versões de relançamento incluem faixas ao vivo como bônus

Clássico é pouco pra definir esse disco. No mesmo ano que o Korn lançava seu debut autointitulado e o Deftones lançava o Adrenaline, seu álbum de estreia, o P.O.D. assacava essa porrada na orelha. Três álbuns definidores de rumos na história da música. Letras muito mais voltadas pra fé cristã, porém já com uma visão mais ácida em alguns momentos, como é o caso de "Who is Right?", que mexia num tema bem complicado até hoje nos EUA, o racismo. Já "Murder" (chamada as vezes de "Abortion is Murder") bate na tecla da prática maldita do aborto. A capa da versão com o anjo com cabeça de fogo é uma das minhas prediletas do mundo do rock, um dia ainda faço uma camisa com essa capa ou compro uma se ver por aí.

OBS: Só uma coisa eu num curto muito nesse disco e que rola em outros da banda, ficar em algumas músicas repetindo o nome da banda kkkkk


Brown (1996)

01 - Intro
02 - Know Me
03 - Selah
04 - Visions
05 - Brown
06 - One Day
07 - Punks Rock
08 - Breathe Babylon
09 - Funk Jam
10 - Preach
11 - Reggae Jam
12 - Full Color
13 - Seeking the Wise
14 - Live and Die
15 - Outro


A intro bem rapper já introduz bem no clima que vem a seguir. Puro rapcore/nu metal com os vocais de Sonny mais rasgados ainda do que no primeiro disco. Esse disco simplesmente comanda! Scratches misturados com o puro hardcore, em especial na faixa título. Vale demais a ouvida, sem dúvidas. Esse disco tem um quê de experimental também, a banda nele tem três faixas cada uma bem dedicadas a uma das muitas vertentes sonoras que inspiram eles, como Punks Rock (obviamente o punk e o hardcore), Funk Jam (o funk americano e o rap) e Reggae Jam (o reggae e o ska). Também uma faixa começando meio estilo "improviso" como Full Color acrescenta mais no cadinho experimental aqui presente. Realmente um disco bem louco.


Live at Tomfest (1997)

01 - Intro / One Day
02 - Draw the Line
03 - Selah
04 - Know Me
05 - Punk-Reggae Jam
06 - Breathe Babylon
07 - Preach
08 - Full Color
09 - Murder
OBS: Na maioria das versões Full Color e Murder aparecem numa faixa só.

Disco gravado na turnê do Brown (isso explica ter mais músicas desse disco que do Snuff the Punk). Aqui é bem visível a energia que a banda já tinha, mesmo ainda estando meio no "underground" nesse tempo. Ainda assim conseguiram atrair a atenção da gravadora secular Atlantic Records, e assim assinariam com eles, saindo da cristã Rescue Records (que até o surgimento da P.O.D. era mais voltada pro rap/hip-hop). O mais irado nessa live é a fusão das jams "Punks Rock" e "Reggae Jam". Ficou muito irado mesmo!


The Warriors (EP, 1999)

01 - Intro
02 - Southtown
03 - Breathe Babylon
04 - Rosa Linda (instrumental)
05 - Draw the Line
06 - Full Color
07 - Sabbath




Com uma intro bem latina, esse EP é uma porta de entrada pro terceiro álbum completo de estúdio da banda (inclusive com a faixa Southtown aí no meio numa versão mais primitiva). Duas faixas são totalmente exclusivas dessa EP, "Sabbath" e a latina "Rosa Linda", muito boas. O resto são versões novas de clássicos dos dois primeiros discos, aliás ficaram animais, ainda mais bem produzidas (Draw the Line que o diga!).


The Fundamental Elements of Southtown (1999)

01 - Greetings
02 - Hollywood (feat. Lisa Papineau)
03 - Southtown
04 - Checkin' Levels
05 - Rock The Party (Off The Hook)
06 - Lie Down
07 - Set Your Eyes to Zion
08 - Lo Siento (instrumental)
09 - Bullet the Blue Sky (U2 cover)
(feat. Lisa Papineau)
10 - Psalm 150
11 - Image
12 - Shouts
13 - Tribal
14 - Freestyle
15 - Follow Me
16 - Outkast / Tambura (faixa oculta instrumental)

OBS: A versão japonesa inclui como bônus a faixa "School of Hard Knocks" da trilha sonora do filme "Little Nicky - Um Diabo Diferente", e a versão europeia inclui "Whatever it Takes" da trilha sonora do filme "Um Domingo Qualquer".

Nova fase em uma nova gravadora. A partir daqui a banda assume de vez o já nomeado e popularizado Nu Metal (que explodiria de vez a partir do início dos anos 2000). Esse disco seria o que catapultaria de vez a banda pro sucesso, ultrapassando um milhão de cópias vendidas e chegando a 51º lugar na Billboard americana em abril de 2000. Atingir a Billboard é um feito e tanto pra uma banda formada por cristãos, sem dúvidas. Três singles saíram desse disco, sendo que Southtown e Rock the Party foram os mais bem sucedidos (o outro foi Outkast). Minhas prediletas desse disco entretanto são a pesadíssima Lie Down e o reggae fantástico "Set Your Eyes to Zion". Afora o incrível cover pra Bullet the Blue Sky (anos mais tarde a secular Sepultura também faria sua versão).

Algo que entretanto chamou a atenção foi a polêmica sobre a capa do disco. Isso tornou esse disco o primeiro da banda a ser banido de lojas voltadas pro público cristão, pois enxergaram supostamente elementos muito "hindus" (em especial pela posição de meditação em lótus do personagem principal da capa), porém uma vista adequada na capa é notório os elementos cristãos ali presentes (o Espírito Santo em forma de pomba inserindo na mente do cara a triquetra, representação da Trindade) em oposição aos valores externos que tentam nos apontar por nossa fé (o indivíduo com o cigarro na mão). Pra mim é uma das melhores capas da música cristã, pra tristeza dos legalistas de plantão e dos "psicóticos conspiracionistas" por aí afora. Seria só a primeira polêmica da banda com suas capas, tsc tsc... pobres legalistas.

Versão da capa censurada que saiu posteriormente em lojas cristãs.



Limited Edition Bonus (CD ou EP?, 1999)
Vinha com algumas cópias do The Fundamental Elements of Southtown


Satellite (2001)

01 - Set it Off
02 - Alive
03 - Boom
04 - Youth of the Nation
05 - Celestial (instrumental)
06 - Satellite
07 - Ridiculous (feat. Eek-A-Mouse)
08 - The Messenjah
09 - Guitarras de Amor (instrumental)
10 - Anything Right (feat. Christian do Blindside)
11 - Ghetto
12 - Masterpiece Conspiracy
13 - Without Jah, Nothing (feat. H.R.)
14 - Thinking About Forever
15 - Portrait

OBS: Nos relançamentos várias faixas bônus apareceram, como Critic, Murder One, Whatever It Takes, School of Hard Knocks, remixes e até um DVD Limited Edition com uma apresentação da banda na turnê do disco.

O disco que estourou de vez a banda no mercado. Clipes de Alive, Youth of the Nation, Boom e Satellite eram figurinhas fáceis na MTV, indicações ao Grammy de 2002 e 2003 (até a faixa Portrait, que nem foi lançada como single, foi indicada como "Best Metal Performance"). Sem dúvidas o mais lembrado disco da banda (atualmente esse e o "Snuff the Punk" são os únicos que tenho original até hoje), o primeiro que eu tive contato na vida (lembro até hoje da entrevista deles na Revista Gospel 5 de junho de 2002 - que eu inclusive ainda possuo - e o impacto que essa entrevista teve pra mim já naquele tempo). Satellite pegou uma época muito boa no cenário do nü metal, quando bandas como Slipknot, Linkin Park e System of a Down estouravam no mundo. P.O.D. tornou-se o template natural de várias bandas cristãs da cena como 38th Parallel, East West, Pillar, Red, Thousand Foot Krutch e Blindside (essa última inclusive deu o ar da graça aqui através do vocalista Christian Lindskog na faixa Anything Right). Além dele, H.R. da banda secular e referência no hardcore e rastapunk Bad Brains, faz uma participação em "Without Jah, Nothing" (aliás, essa faixa e participação, somada a "The MessenJah" foram causas do início das acusações do P.O.D. fazer parte do rastafarismo), e o criador do "Singjay" (subgênero do reggae) Eek-A-Mouse na faixa "Ridiculous". Essas foram boas indicações que a banda queria mostrar que era sem dúvidas uma banda com diversas facetas, e conseguiram bem isso. "Alive" tornou-se a música mais coverizada da banda até hoje, até a saudosa Rodox fez sua versão. O disco ainda contou com violino e violoncelo, coral infantil (em Youth of the Nation) e três milhões de cópias só nos EUA, afora as mais de sete milhões ao redor do mundo. Só na estreia já começou em 6º lugar da Billboard de cara com 133 mil vendidas só no lançamento, ficando por 5 semanas consecutivas no top 10 dos mais vendidos. Terminou como o 117º disco mais vendido de 2001 e o 26º mais vendido dos EUA, além de 137º mais vendido da década de 2000! Alguma dúvida sobre o poder de fogo desse disco? A não ser, claro, que você seja desses radicais que não curtem "pula pula". Curiosamente foi o disco de despedida de Marcos (as circunstâncias dessa saída até hoje são obscuras, ambas partes alegaram à época motivações divergentes), que ficaria fora da banda por vários anos, sendo substituído por Jason Truby (Living Sacrifice, The Unknown, Phil Keaggy & Glass Harp, dentre outras).

OBS: Satellite e Fundamental chegaram a sair juntos num 2 in 1 em 2008.

Curiosidade mórbida: o lançamento original do disco foi 11/09/2001. Se alguém lembra o que rolou nessa data, sabe que tinha tudo pra dar errado esse lançamento, mas incrivelmente não deu!



Capa da Limited Extended Version (2002)

Still Payin' Dues (DVD)
Clipes, bastidores, etc.

Wuv, Traa, Sonny e Jason Truby



Sleeping Awake (single, 2003)
Ganhou um baita videoclipe e como o nome diz, fez parte da trilha sonora do filme Matrix Reloaded


Payable on Death (2003)

01 - Wildfire
02 - Will You?
03 - Change the World
04 - Execute the Sounds
05 - Find My Way
06 - Revolution (feat. Phil Keaggy nas guitarras)
07 - The Reasons
08 - Freedom Fighters
09 - Waiting on Today
10 - I and Identify
11 - Asthma
12 - Eternal (instrumental feat. Phil Keaggy)
13 - Sleeping Awake (bônus)
14 - Space (the Phatheads remix) - disponível pra download na faixa-bônus pra PC.


Muito mais apegado ao lado reggae da banda e se desapegando um pouco do estilo nu metal, Payable on Death recebeu muitas críticas mistas na época, apesar de ser um ótimo disco. Com letras mais reflexivas, incluíndo as singles/clipes "Change the World" e "Will You" (essa última o clipe até hoje me deixa bem chocado com a ideia genial por trás). A participação do mito Phil Keaggy (Glass Harp, A Band Called David) sem dúvidas é uma ótima surpresa, esse que é um dos maiores guitarristas da história. A polêmica da capa acabou fazendo esse disco também sumir de lojas cristãs, o que é uma pena, apesar de ser uma representação bem "loucona" da virgem Maria. Nada estranho a se julgar pela origem católica da banda, mas muito cristão conservador americano se pavoneou com essa capa (bem como ocorreu anos antes com a do The Fundamental Elements of Southtown e voltaria a ocorrer na coletânea The SoCal Sessions). A despeito das críticas pela musicalidade ter dado uma "aliviada" na pegada mais nu metal (mas não totalmente, só conferir "Asthma" e a própria "Will You"), é impossível ter esse disco como um disco ruim, na verdade é uma aula de como fundir rock e reggae de maneira genial.

OBS: Foi lançado com faixa-bônus virtual com vídeos sobre a banda, e material especial pra quem tem Playstation 2 (calma, não é um "joguinho" com a banda não, tá kkkk).


Payable on Death Album Sampler (EP, 2003)
Apenas versões sampleadas de faixas do Payable on Death

The Warriors, Vol 2 (EP, 2005)


01 - If it Wasn't For You
02 - Teachers (Palm Springs demo)
03 - Ya Mama (Palm Springs demo)
04 - Why Wait?
05 - Eyes of a Stranger (Payola$ cover)
06 - Boom (Live at Cornerstone)
07 - Wildfire (Live at Cornerstone)



Segundo da série The Warriors, contém versões demo do próximo disco (Testify), mais um cover de uma banda canadense de new wave (que eu admito só ter conhecido graças à P.O.D. kkkk) e parte da primeira apresentação deles no Cornerstone Festival. Minha predileta aí é a faixa de abertura, sem dúvidas um clássico eterno. Um bom portão de entrada pro disco seguinte sem dúvidas.



Testify (2006)

01 - Roots in Stereo (feat. Matisyahu)
02 - Lights Out
03 - If I Could See Me Now
04 - Goodbye for Now (feat. Kate Hudson)
05 - Sounds Like War
06 - On the Grind (feat. Sick Jacken e Boo-Yaa T.R.I.B.E.)
07 - This Time
08 - Mistakes & Glories
09 - Let You Down
10 - Teachers
11 - Strength of my Life (feat. Matisyahu)
12 - Say Hello
13 - Mark My Words (feat. Sick Jacken)

Depois de três discos de uma parceria bem sucedida com o produtor Howard Benson, a banda decide seguir seus caminhos com um novo parceiro, Glen Ballard. Um disco simples e ao mesmo tempo um retorno a um som mais próximo do "Satellite", apesar de parcerias como o reggaeiro judeu Matisyahu e com certeza a parceria mais curiosa de todas, no single de maior sucesso da banda, "Goodbye for Now" (sobre o arrebatamento da igreja) com a ainda cristã Kate Hudson (que todos acabariam conhecendo melhor como a controversa artista pop secular Kate Perry). Ela inclusive aparece no clipe da música. Sem dúvidas aqui temos o trampo mais elaborado de Truby nas guitarras. Chega até a ser curioso que seria o último disco com ele (pouco depois o velho companheiro da banda Marcos Curiel voltaria pra banda). "Goodbye for Now" foi o maior sucesso do disco, marcando o retorno em definitivo dos vocais mais rappeados, mas vale também destacar o reggae rock fantástico da faixa de abertura e a forte "Lights Out".

Curiosidade: Uma banda daqui de Pernambuco (do bairro de Afogados no Recife) chegou a se chamar de "Mistakes & Glories", obviamente inspirados nessa faixa desse disco. Já a banda Testify da Bahia (que o nome é obviamente referência a esse disco) fez um cover de Strength of my Life chamada "Sarça Ardente" no álbum "Olhe pra Mim de Olhos Fechados" (inclusive a banda chegou a receber um incentivo do Sonny Sandoval em 2010).


Greatest Hits: The Atlantic Years (compilação, 2006)
Contém faixas dos quatro discos e EP da banda pela Atlantic Records (marcando a despedida da banda dessa gravadora),
além de duas faixas inéditas (Going in Blind e Here We Go)
e duas faixas de trilhas sonoras: "Sleeping Awake" de Matrix Reloaded
e "Truly Amazing" do disco "The Passion of Christ: The Songs" de 2004, inspirado no filme de Mel Gibson.
Ainda incluia como bônus todo o primeiro EP The Warriors.
Going in Blind também saiu como single e videoclipe.



When Angels & Serpents Dance (2008)

01 - Addicted
02 - Shine With Me
03 - Condescending
04 - It Can't Rain Every Day
05 - Kalifor-Eye-A (feat. Mike Muir do Suicidal Tendencies)
06 - I'll Be Ready (feat. Cedella e Sharon Marley)
07 - The End of the World
08 - This Ain't Ordinary Love Song
09 - God Forbid (feat. Page Hamilton da Helmet)
10 - Roman Empire
11 - When Angels and Serpents Dance
12 - Tell Me Why
13 - Rise Against

Confesso que meu interesse por P.O.D. começou a declinar sensivelmente nessa época. Mesmo reouvindo hoje em dia, esse disco tem poucos momentos que realmente me atraem, como a faixa de abertura, a faixa-título e a genial música mista Kalifor-Eye-A. O reggae "I'll Be Ready" também me atrai um bocado (a participação das irmãs Marley deram um up na faixa bem legal), bem como a bem trabalhada "God Forbid" e do experimentalismo de Roman Empire (IMPERIO ROMANO IMPERIO ROMANO). De resto é um disco bem "mais do mesmo" do P.O.D., não me chamou a atenção à época, continua não chamando hoje em dia, mais de dez anos depois. A capa eu soube que também causou certa dúvida de alguns cristãos naquele tempo (novidade nenhuma aqui kkkk), mas das "polêmicas" essa é a menos. O mais marcante desse disco a vera é o retorno de Marcos nas guitarras.

OBS: Addicted e Condescending apareceram em trilhas de jogos de videogame da época, um do WWE e outro da NASCAR.




Murdered Love (2012)

01 - Eyez (feat. Jamey Jasta do Hatebreed)
02 - Murdered Love (feat. Sick Jacken do Psycho Realm)
03 - Higher
04 - Lost in Forever
05 - West Coast Rock Steady (feat. Sen Dog do Cypress Hill)
06 - Beautiful
07 - Babylon the Murderer
08 - On Fire
09 - Bad Boy
10 - Panic & Run
11 - I Am
12 - Find a Way (bônus)

Depois de quatro anos sem novos discos, Murdered Love mostra-se um disco bem mais consistente e irado que seu antecessor. Nu metal de primeira qualidade e ótimas parcerias com artistas seculares, com letras bem criativas. A capa (mais uma na coleção de capas "polêmicas") representa a tradicional imagem de Pietá com Maria segurando Cristo nos braços após ser tirado da cruz, só que numa versão pós-apocaliptica, como uma crítica à sociedade atual e sua corrida armamentista e nuclear. Aqui sim um disco à altura do P.O.D. como conhecemos. Vale muito a ouvida. Tive a alegria inclusive de ver os caras aqui em Recife na turnê desse disco, realmente eles arrepiam!


SoCal Sessions (2014)

01 - Panic & Run
02 - Will You
03 - Youth of the Nation
04 - No Ordinary Love Song
05 - Strength of my Life
06 - Alive
07 - Higher
08 - It Can't Rain Everyday
09 - Lost in Forever
10 - I'll Be Ready
11 - Beautiful
12 - Set Your Eyes to Zion

Normalmente não destaco coletâneas, com todas músicas advindo de outros discos, PORÉM as outras aqui foram totalmente regravadas em formato acústico, o que já torna SoCal Sessions diferente de qualquer coletânea, é praticamente um disco de releituras. Já começa pela versão acústica de Will You, e segue com novas versões fantásticas de clássicos da banda. Aqui aparecem faixas desde "Fundamental" até o "Murdered Love", uma ótima viagem musical no universo da banda.

Segundo Sonny, eles sempre fizeram nos shows versões acústicas de seus sons em jams, então decidiram enfim, após 22 anos, gravar algumas dessas releituras. Foi uma ótima decisão, sem dúvidas, esse disco é realmente um acústico de respeito, e uma bela homenagem aos fãs, em especial aos que participaram da campanha de crownfunding desse disco.

Entretanto sem dúvidas uma coisa que chamou muito a atenção desse disco foi a coragem definitiva da banda de deixar mais do que claro suas origens e crenças católicas na capa. Não quero entrar na polêmica usando minha cosmo-visão protestante de mundo e já "descer o malho" nas imagens de escultura aqui presentes, até porque como a banda deixou claro não é um incentivo a seu ninguém venerar tais imagens. Se eu gostei da capa? Não, não gostei. Mas deixar de curtir a banda por isso é uma mancada sem tamanho. Desvalorizar o som irado desse disco por essa questão é "julgar o livro pela capa".

Curiosidade: Pros leigos, SoCal é uma abreviatura pra South California, relativo à origem da banda, no sul da Califórnia.



The Awakening (2015)

01 - Am I Awake
02 - This Goes Out to You
03 - Rise of NWO
04 - Criminal Conversations (feat. Maria Brink do In This Moment)
05 - Somebody's Trying to Kill Me
06 - Get Down
07 - Speed Demon
08 - Want it All
09 - Revolución (feat. Lou Koller do Sick of it All)
10 - The Awakening

Se havia algo que eu nunca esperaria ouvir do P.O.D. é um disco conceitual. Pois bem, eles surpreenderam muito aqui. Uma sequência insana de estilos, passagens e produção genial de Howard Benson (que também contribuiu com os teclados). A história gira em torno de um personagem que ao longo do disco vai "acordando" e se dando conta de que é o culpado e responsável por seus próprios erros e passos em falso (história da minha vida...). As participações aqui, inclusive da vocalista da épica banda de metalcore secular In This Moment, Maria Brink, foi um dos momentos mais legais, mas a single "This Goes Out to You" sozinha já garantiria a qualidade incrível desse disco. Os arranjos em geral aqui ficaram show de bola, com destaque pros riffs insanos de Somebody's Trying to Kill Me. É um disco obrigatório a ser ouvido. Em geral amo discos conceituais, e esse faz sem dúvida parte desse amor.


Circles (2018)

01 - Rockin' with the Best
02 - Always Southern California
03 - Circles
04 - Panic Attack
05 - On the Radio
06 - Fly Away
07 - Listening for the Silence
08 - Dreaming
09 - Domino
10 - Soundboy Killa
11 - Home

"Um novo começo pro P.O.D. ou um belo final?" Essa frase enigmática de Sonny Sandoval define todas as sensações em ouvir Circles. Um disco fantástico, com um clima que por vezes parece de despedida, por vezes parece um novo alvorecer (inclusive a capa acaba meio que sugerindo isso, a ideia de um novo ciclo surgindo na história da P.O.D.). A produção das faixas está muito boa, muitas trazendo a fusão de sonoridades clássica da banda, como elementos de funk, rap, hardcore, eletrônica, groove, reggae, etc, mas em algumas faixas Sonny emite os vocais mais brutais de sua carreira, como em "Rockin'..." e em "Panic Attack", beirando ao gutural! O reggae mais raiz é bem representado em Fly Away (embora Always Southern California e Listening for the Silence também sejam infestadas do ritmo jamaicano até o tutano), em alguns momentos dessa faixa o vocal de Sonny parece até que tou ouvindo Mark Mohr (vocalista da Christafari). Agrabilíssimo de se ouvir, traz o selo de qualidade básico da banda no seu DNA.

E a resposta pra pergunta no início da análise desse disco? Só o tempo dirá. No momento eu fico à espera de um novo lançamento da banda. Pagando pra ver. Nem que seja pagando só com a morte...