terça-feira, 23 de maio de 2023

Letras: Resurrection Band / REZ


Uma coisa a se dizer das letras da Rez Band é que elas não são para quaisquer cristãos... Não pelo menos a turminha que está acostumada a só ouvir gospelzinho de show do gênero, não mesmo viu... Se preparem porque orgulhosamente venho falar mais uma vez dessa banda que já fiz review por aqui mesmo, mas está na hora de destrinchar os significados das letras da REZ BAND!

Obviamente não vou elencar todas, mas várias das mais relevantes da banda sem dúvidas!

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2000: A essa altura faltava coisa de uma década e meia pro ano 2000. Previsões apocalípticas e futuristas afins. E onde cada um se enxergava quando esse tempo chegasse, caso chegasse?
80,000 Underground: Relato sobre a infame continuidade da prática mais vil da humanidade: a escravidão, e o silêncio forçado que submetem os pobres escravizados;
Across These Fields (e Reprise): A parte 1 representa a vida de alguém que se considera livre distante de Deus. A reprise já representa a liberdade real, com a consciência do Senhor em nós mesmos;
Afrikaans: Anos antes de Peter Gabriel apresentar ao mundo a música-denúncia Biko, Rez Band já fazia sua denúncia sobre os horrores do apartheid na África do Sul. Enquanto tantos "pastores famosinhos" aí afora até hoje até dão justificativas abomináveis sobre os horrores desse tempo que até hoje deixaram marcas na nação sul-africana, existem verdadeiros servos de Deus que mostram que nada, absolutamente NADA justifica essas aberrações;
Alienated: Nosso Senhor foi "alienado" desse mundo que nunca compreendeu Sua mensagem. Será que começaremos um dia a entendê-la?
Altar of Pain: O "altar da dor" é a mídia e sua obsessão desde a muito na juventude e em os conduzir para influências cada dia mais perversas e psicóticas;
Amazing: "Quando a vida me coloca para baixo", o amor maravilhoso de Deus sempre nos levanta!
American Dream: Uma das minhas prediletas, questionando as "grandes" conquistas do Sonho Americano "Espias de Watergate... saudações às famílias em seus televisores nas salas: suicídio, genocídio, aborto, desenhos animados, terrorismo, violência, refugiados famintos, consciência cauterizada, recesso da realidade, tiranos nucleares, planos computadorizados, tornando toda humanidade refém!"
Ananias and Sapphira: Você pode mentir para todos, mas nunca conseguirá enganar a Deus;
Area 312: Um "dia comum" na vida de jovens secundaristas e sua "sabedoria de juventude" (ou seja, nenhuma né!);
Armageddon Appetite: O ser humano em suas ambições, guerras, armamentos nucleares, tudo isso mostra o desejo humano pela autodestruição;
Attention: Acima de onde nossos olhos e telescópios mais potentes possam detectar está o Todo-Poderoso, atento a tudo e todos aqui embaixo;
Autograph: Embora ofereçam muitos autógrafos falsos de artistas por aí afora, e também o do próprio Cristo (a mensagem Dele), essa música fala acerca do autêntico autógrafo, a Palavra do Senhor, no coração de todos que buscam a ele, "assinado pelo Seu sangue";
Awaiting Your Reply: Podemos descansar confiantes aguardando a resposta do Senhor, Ele sempre nos ouve e no tempo certo nos responderá;
Babylon: Praticamente uma continuação de American Dream, mostrando mais uma vez a falsa religiosidade e as consequências das escolhas pervertidas da sociedade consumista norte-americana e sua ambição imperialista;
Beggar in the Alleyway: "Quando deixastes de fazer a um desses pequeninos, deixastes de fazer a mim!" A música faz uma comparação de Cristo como um daqueles mendigos que muitas vezes fazemos literalmente nenhum caso no meio da rua;
Bennie & Sue: Uma história de um casal de jovens vivendo "altas aventuras" pecaminosas com consequências trágicas;
Broken Promises: Das canções mais "gospel" da banda, essa é a minha preferida, provavelmente a melhor deles nesse aspecto, seguida de perto por Paint a Picture e The Struggle. As vezes nós até podemos tolamente acreditar que Ele não vai cumprir suas promessas, quando na verdade se há alguém que sempre quebra suas promessas, esse alguém vemos toda vez que contemplamos o espelho ou nosso reflexo "promessas quebradas, quebradas por mim, nunca por Você!"
Can't Get You Outta My Mind: Por mais que as circunstâncias tentem, nada pode tirar o Senhor de nossa mente;
Child of Blues: Música que sempre me faz lembrar dumas canções da banda secular Creedence, falando do relato de alguém que veio da mais pura pobreza, filho da tristeza e de uma mãe solteira sofredora e batalhadora que sempre inspira confiança pro filho, ainda que com toda discriminação da sociedade que enfrentam;
City Streets: A busca por "saídas" para o vazio infinito em nossos corações em drogas, e a incapacidade delas conseguirem preencher esse vazio;
Colours: Não importa as cores do nosso coração nem do nosso exterior, Ele quer ser o Senhor de todas nossas cores e até de nossas sombras, dos dias claros aos obscuros Ele estará presente;
Comatose: Canção que relata o ciclo vicioso do mundo da prostituição e das drogas;
Concert for a Queen: Inspirado em Cantares (onde mais poderia ser né?), uma belíssima canção para uma rainha (nesse caso específico, uma canção do Glenn pra Wendi) que vira, na união dos dois, uma canção para o Rei dos reis, pois o amor verdadeiro entre um casal é um concerto para o próprio criador do amor;
Crimes: Um chamado àqueles arruaceiros e tantos que se metem na criminalidade para abandonarem esse desejo autodestrutivo de suas mentes, não importando as motivações que levaram cada um a essa escolha desastrada;
Dead to the World: O relato real e pesado de sobreviventes do mundo das drogas e suas transformações. Clichê? Talvez, mas há clichês que valem muito;
Death Machine: A tal "máquina da morte" aqui da música é a indústria armamentista e sua sede de sangue, poder e dinheiro para os que dela desfrutam, e as consequências para os que são vítimas desse mesmo maquinário mortífero;
Defective Youth: A velha guerra de gerações, e a rebeldia sem sentido dos tantos filhos pródigos que se acham donos do saber, mesmo normalmente não sabendo de porcaria nenhuma!
Elevator Musik: Materialismo e superficialidade que atinge inclusive a tal "indústria fonográfica". Pois é, se lá nos Isteitis dos anos 1980 a REZ já denunciava essa porqueira, imagina aqui no nosso Brasil varonil e suas manias musicais, tanto no secular quanto na música cristã "de elevador" que transformam de fato o coração de zero pessoas para o bem, apenas a velha alienação;
Empty Hearts: Relato real - e perturbador - de um caso de violência doméstica ocorrido próximo ao apartamento do casal de vocalistas Glenn e Wendi Kaiser, e o velho "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher" questionado nessa canção;
Every Time It Rains: Sempre que chove, a esperança n'Aquele que chorou e morreu por nós deve ser relembrada;
Fiend or Foul: Pela boca do diabo em pessoa (ou quase né, é só uma representação pô, só os malucos fundamentalistas devem implicar com essa) mostrando todos seus "maravilhosos" feitos com a humanidade, como a corrupção praticada por políticos, grandes corporações e instituições capitalistas e até religiosas, o aborto e outras terríveis práticas "normalizadas" por nossa imunda sociedade;
First Degree Apart: Fala acerca dos julgamentos temerários feitos por moralistas de todos tipos contra tantos de nós. Quer dizer... será que não somos também alguns desses juízes?
Gameroom: Será que nossa vida é igual a um arcade de videogame? E ser o rei dos videogames nos dá liberdade ou alienação?
Golden Road: Há um lugar muito melhor que as belezas aparentes e temporais que a humanidade criou nesse mundo, o melhor lugar de todos!
Heart's Desire: A maldição da cruz que deu-nos salvação, é tudo o que nosso coração deve desejar;
Hidden Man: Referência à nossa guerra interior contra nosso velho homem, o tal "homem oculto" dentro de nós;
Hotfootin': Uma divertida homenagem aos pregadores sérios da palavra de Deus, em especial aqueles pregadores de rua que você já deve ter visto por aí - e as vezes até zombado deles...
I Need Your Love: A maior constatação da humanidade: somos desesperados pelo amor de Deus;
If You Love Grows Cold: "O amor de quase todos esfriará". Será que é o nosso caso?
In My Room: Música que relata a realidade de tantos lares, com confusões e desentendimentos entre os familiares;
In Your Arms: Dueto romântico de primeira qualidade da banda. 
Irish Garden: Antes de U2 mandar sua famosíssima Sunday Bloddy Sunday relatando os terrores da guerra civil irlandesa, Irish Garden já relatava o caos desse conflito religioso e político que até hoje afeta a Irlanda do Norte e a República da Irlanda;
Land of Stolen Breath: Como encontrar paz num mundo cheio de pobreza, fome, desigualdade, numa terra do "fôlego roubado"?
Light/Light: Enquanto as sombras do medo tentam sufocar nossos sonhos, peçamos à Luz do Mundo que nos dê a direção e força para seguir em frente;
Lincoln's Train: A comparação ao presidente Abraham Lincoln é bem vinda aqui, ao falar dos traumas e consequências da escravidão do povo norte-americano, em especial para os negros;
Little Jeannie: Relato fortíssimo sobre o vício no crack;
Love Comes Down: Nunca nos sintamos só: o amor está vindo lá dos céus para nós;
Lovespeak: A música que me fez amar essa banda. O amor fala de diversas formas, basta a gente aprender a ouvir sua voz que nos livra do laço do passarinheiro e das garras do inferno. Há esperança, pois o amor de Deus não olha pros nossos tempos passados;
Lovin' You/Can't Stop Loving You: Não importa o que aconteça, não consigo nunca parar de amar a Deus;
Mannequin's Dream: Metáfora para pessoas que vivem suas vidas como manequins, ou seja, inertes ante tudo ao seu redor;
Midnight Son: Mesmo na mais profunda escuridão, a resplandecente Estrela da Manhã, o Filho da Meia-Noite estará lá para iluminar nossas vidas;
Military Man: Uma das minhas mais amadas deles, sonho com o dia que poderei coverizar essa. Basicamente é a voz dos amantes da vida militarista, da "ordem" que ela traz consigo, mas o fim trágico e solitário que muitos dos militares quando efetivamente vão a uma guerra descobrem seus terrores e o quanto elas não valem nada a pena, não importa quem esteja "certo" ou seja o "mocinho" nela;
Mirror: Quando o ser humano encara a si mesmo e percebe que suas escolhas e maus caminhos não o levam a nenhum lugar além da autodestruição num ciclo infindo;
Mommy Don't Love Daddy Anymore: Partindo de um testemunho pessoal do próprio Glenn, fala de uma família se desfazendo, e a sensação de quem fica no meio do fogo cruzado de uma separação;
N.Y.C.: Vislumbres das belezas e problemas daquela caótica Nova Iorque do final dos anos 1970/início dos anos 1980 (a música saiu no álbum Colours de 1980, contemporânea ao caos que a cidade enfrentava à época com a criminalidade crescente da "Cozinha do Inferno");
Nervous World: Nosso mundo é completamente maluco. Depende de nós mudar isso;
Numbers: O relato (real!) de um sobrevivente da Guerra do Vietnã e dos horrores dessa guerra e de todas guerras transformados em canção "nós somos todos apenas números";
Paint a Picture: Um delicado hino em louvor ao Senhor, e um pedido para que ele, o Pintor do Mundo, possa mudar a pintura de nossas vidas solitárias. Uma das melhores músicas mais "gospel" da banda;
Parting Glance: Partindo do fato do disco Lament (1995) que essa música dá início ser um disco conceitual, essa pequena canção evidencia a dúvida presente em cada ser humano sem Deus;
Players: "Só uma vez, seus pais não precisam saber, se você me ama de verdade..." o velho convite para o prazer sexual fora do relacionamento matrimonial, a mesma velha chantagem emocional, as mesmas consequências trágicas: DSTs, AIDS, gravidez não-planejada, abandono familiar, abortos, traumas mentais, violência...
Quite Enough: Ele é mais que suficiente para nós!
Rain Dance: Quando tudo parece seco e vazio em nós, quando nossa sede parece insuportável, Ele sempre manda Sua chuva de amor que nos dá vida abundante;
Rainbow's End: Tal como o arco-íris é um sinal da fidelidade de Deus e de Sua proteção após o dilúvio estabelecido a Noé e todos seus descendentes, tenhamos certeza que Ele será nossa Arca nas tempestades de nossa vida; 
Reach of Love: Só em Cristo encontramos o amor real nesse mundo de tantos falsos amores e de tanta frieza;
Reluctance: Será que você realmente ama? Ou será só sua relutância de perceber que seu coração é mais duro que uma pedra de diamante?
Richest One: "Se eu conseguisse uma moeda por cada cidade que andei, por cada música que cantei... por cada dor que senti dentro de mim, eu seria o homem mais rico do mundo!" E agora a maior riqueza conquistamos: o Evangelho!
Right of Time: Não, o amor de Deus não se atrasa. Ele sempre está no tempo certo, sempre, para nos encontrar!
Rooster Crow: Pequena intro (posteriormente expandida na banda seguinte do Glenn, Glenn Kaiser Band) inspirada na negação tríplice de São Pedro antes do galo cantar. E nós, o que sentiremos após ouvirmos o galo cantar?
S.O.S.: A certeza do socorro bem presente em tempos de angústia;
Shadows: Uma dramatização cruel do que leva tantos jovens à pior das escolhas: o suicídio;
Silence Screams: A MINHA CANÇÃO PREDILETA DA BANDA! Nunca escondi isso né? Bem, fala de diversos "gritos de silêncio" enquanto tantas vozes de idiotas, manequins, lunáticos, charlatões e palhaços se fazem mais fortes. Pela capa do álbum homônimo (1986) esses tais aí são os membros da política e aproveitadores afins;
So In Love with You: Não importa onde eu estiver, como eu estiver, quando for, em algum lugar desse mundo eu direi: EU ESTOU APAIXONADO POR TI JESUS!
Someone Sleeps: A tragédia das vítimas de guerras nessa balada bem dolorida;
Souls for Hire: Nossa mente têm várias "saídas e soluções" tal qual um "mágico com um coelho nas mãos, diversas ideias em seu comando", mas será que alguma delas te livrará do comprometimento da alma com o pecado ardente dentro de nós?
Stark/Spare: Só em Cristo há realmente solução para todas as mazelas da nossa realidade. Câncer, pobreza, desigualdade, só Ele pode acabar com toda essa desgraça;
Summerthrown: Lírica e sonoramente similar a músicas da King's X (tá, o Ty Tabor tá nesse disco, isso ajuda a explicar né kkkk) mostra o carinha do álbum Lament tentando encontrar na luz do sol o alento para sua vida, para lhe esquentar do frio em sua alma;
Surprised: O personagem do álbum Lament quando se dá conta de todo tempo perdido e a surpresa por encontrar em Cristo a solução real que ele tanto procurava e finalmente ele pode ver;
Tears in the Rain: As ilusões, armadilhas, mentiras e outras tantas insanidades no mundo da fama e do showbizz;
The Chair: Música que fala do drama dos cadeirantes, suas dificuldades e preconceito que sofrem;
The Crossing: Há situações que parecem perdidas, mas podemos atravessar tudo com o poder do Senhor conosco;
The House is on Fire: A "casa pegando fogo" são os pulmões de um fumante - não importa se é nicotina, maconha, crack, até seu belo cachimbo da paz, o sufocar é terrível! 
The Main Event: A história teve tantos grandiosos eventos para os homens. Mas o maior de todos foi numa cruz vulgar;
The Struggle: Das músicas com lírica mais cristã da banda, essa tá no meu top 3, mostrando a luta diária do nosso viver, de arrancar nosso resto de odre velho por odres novos, pois sem o Senhor "eu não consigo nem me encarar!"
Three Seconds: Racismo, um "caso isolado" a cada três segundos...
Waitin' of Sundown: Diria Gordon Gekko: "a ambição, por falta de uma palavra melhor, é boa!" Boa para quem? "A ganância é mãe do pecado e o pecado é o pai da morte!"
Waves: Nas maiores ondas dessa vida, Ele está no nosso barco sempre para nos proteger;
Where Roses Grow: Uma das prediletas de todos fãs da banda, esse blues incrível convida o ouvinte a ouvir a voz de Deus e correr "onde as rosas crescem";
White Lies: "Ah, é só uma mentirinha, não dá em nada...", em especial aquelas que tentam esconder anos e anos e séculos de opressão branca sobre o povo negro. Sim, uma senhora lapada na cara do racismo estrutural;
White Noise: É, eu sei, normalmente as pessoas que conhecem essa música costumam gostar muito dela pelo riff animalesco no início dela, cortesia de Stu Heiss, mas a letra é tão animal quanto, ao falar das contradições de gerações e de como para muitos - inclusive os políticos - a Verdade é só "ruído branco";
You Got Me Rockin': O Evangelho de Deus nos faz "rock and roll" (balançar todo nosso viver e virar 180º graus!);
Zuid Afrikan: Anos após Afrikaans, essa música segue a mesma lógica, para falar agora de maneira mais ampla sobre o neocolonialismo africano e as consequências trágicas que até hoje são visíveis lá.

 
Dedico esse post a duas pessoas que foram importantíssimas para mim, por me apresentarem essa bandaça, o pastor Sandro Baggio (Refúgio do Rock/Projeto 242) e o Steve Rowe (Mortification).

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Catarina Von Bora


Antes de mais nada, uma aulinha de história. Você sabe quem foi Catarina Von Bora? 

Se pá cê nem sabe quem é Martinho Lutero, o esposo dela, né? Imagina ela então. 

"Oras João, o Lutero é o cara da Reforma!"

Tá, mas tem uma grande chance de você nem ter lido as 95 Teses dele, muito menos outros livros dele, para entender bem  a importância dele para a igreja cristã como um todo. Pois é... Se brincar, católicos sabem melhor quem ele é do que protestantes - ainda que o que saibam seja "aquele padreco bêbado que dividiu a Igreja!", sem nem saberem que ele nem queria dividir a Igreja, nada disso, só que a falta de diálogo levou a essa situação.

Ah sim, Lutero gostava de tomar umas cervejinhas. NÃO SABIA DESSA NÉ! Pois é, e a mestra cervejeira dele foi uma jovem que um dia fora uma freira, mas que viraria a Primeira-dama da Reforma, Katharina von Bora Luther, nascida em 29 de janeiro de 1499 e falecida em 20 de dezembro de 1552. Sua história de como fugiu com suas companheiras de um convento para Wittenberg e posterior casamento com Lutero depois de alguns pretendentes que deram errado é de certo inspiradora, o próprio Lutero se mostrava um marido feliz e orgulhoso dela como esposa e mãe. 


Tão inspiradora história que levou o baterista paraibano Daniel Alves formar a banda de mesmo nome, junto com o guitarrista Caio Raoni e a vocalista Maria Liz, com essa formação chegaram a gravar e lançar um EP no dia 31 de outubro de 2020, o 503º da Reforma Protestante, juntamente com o lançamento da banda pernambucana Hipona.

Posteriormente a banda mudaria de formação para a atual, com o também paraibano guitarrista Matheus Farias e a cantora e tecladista pernambucana Karis Liszt, e também junto ao Coletivo Candiero (que um dia com certeza falaremos aqui no blog com mais detalhes) segue fazendo trabalhos fantásticos na linha do pop rock e música nordestina.

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Catarina Von Bora EP (2020)

01 - Janeiro, 1499
02 - Margarida, A Moça do Palácio
03 - Marcolina, A Moça da Praia
04 - Samaritana, A Moça do Poço

O disco começa com uma ambiência incrível (eu que toco - ou finjo que toco - teclado) abobalhei-me ouvindo a intro que é uma homenagem óbvia (pra quem conhece a Catarina Von Bora do Lutero, claro kkkk) ao mês e ano de nascimento da musa inspiradora da banda e que lhe emprestou o nome.

Daí "do nada" um riff fantástico anuncia "Margarida" anunciando enquanto acende seu candeeiro que existe um Rei maior que os reis dessa Terra (em especial o rei "eu") e que salvação não advém de obras e sim só e somente só através da fé. Esse jeito poético da lírica da banda é de deixar qualquer um chocado, pois é tão incrível quanto o que Marcos Almeida e Fábio Sampaio fazem (o primeiro na carreira solo e antes no Palavrantiga e o segundo na Tanlan). 

E esse deslumbramento com o sotaque forte de Maria segue em "Marcolina" e seu ritmo tão suave, ao mesmo tempo marcante, e com uma letra que traz o encantamento de encontrar Deus na criação, no sol num dia de praia, e a esperança que todo cristão deve de ter de que o Noivo virá para nos buscar para o matrimônio celestial.

Por fim, "Samaritana" traz um exemplo diretamente da Bíblia, de João 4, da mulher de Sicar, a samaritana que foi buscar água no poço e acabou conhecendo uma água mais profunda, a do Messias, quando Jesus lhe revelou quem ela era e quem Ele era, tal como Cristo revela quem somos para nós mesmos e por fim se revela para mostrar n'Ele a solução para o nosso eu tão vazio quanto um poço seco. E quando ele nos enche das águas vivas que nunca mais nos deixam com sede, mas que jorram de nós para a vida eterna, é hora de espalhar essa mesma água para todos ao nosso redor. E como essa samaritana entendeu isso bem! Que entendamos também!



Canção pra me Lembrar (single, 2021)

Canção feita em parceria com João Manô, bem mais pop/balada que as canções do EP, com uma letra que faz questão de fazer igual Paulo Cesar dizia em "Situações" do Grupo Logos (que eu já falei aqui no blog, procurem aí!), lembrar daquilo que as vezes nosso eu tenta esquecer: "Nem olhos viram nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no entendimento humano o que Deus tem preparado para os que o amam." (I Coríntios 2.9)



Acústico Catarina (EP, 2021)

01 - Marcolina, a Moça da Praia
02 - Samaritana, a Moça do Poço
03 - Margarida, a Moça do Palácio
04 - Maltrapilho

Zero bateria, só voz e violão, esse EP é fantástico, com rearranjos de canções lançadas previamente no EP de estreia da banda, além da canção "Maltrapilho", do Northon Pinheiro, que inclusive faz uma baita participação nas duas últimas canções. "Samaritana" ganha uma dinâmica bem melhor aqui, com o diálogo de Daniel e Maria. "Maltrapilho" ficou também muito boa nessa versão, até melhor que a original (desculpa aí Northon kkkk).

Esse EP foi lançado aos poucos como singles, até que por fim foi totalmente lançado pela banda. E vale demais a ouvida, demais mesmo!



Visita (pra fazer nossa canção) (single, 25/12/2021)

Belíssima canção natalina que tal como uniu três mulheres (além da Maria, Ana Heloysa e Juliana Tavares participam dessa) para fazer essa canção, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago (provavelmente Tiago o Menor) e Joana se juntaram para visitar o que seria só uma visita ao túmulo do Cristo, e acabaram por ver o Cristo ressurreto antes de todos, como um cântico do retorno Dele à vida. A esperança do novo amanhecer apareceu para elas três. E "para todos nós... para todos nós..."

Os arranjos dessa canção são bem fora de série, o que torna ela dissonante a diversas canções natalinas que geralmente ouvimos por aí. A prometida paz raiou para todos nós, e é hora de cantar essa canção em louvor a Ele!

EDIT: O noob aqui não se ligou que a música na verdade falava de Maria, mãe de Jesus, Isabel e Ana, as três primeiras pra quem Jesus se revelou. Foi mal, eu sou besta demais as vezes nas minhas análises kkkkkkkkkk


Domingo do Senhor (single, 3/7/2022)

Nova formação, a mesma qualidade sonora e lírica. O vocal de Karis se mostra mais melódico, mas ainda bem marcante e caiu como uma luva na banda. E mais uma vez, uma letra que traz uma reflexão do dia do Senhor, o dia em que Cristo, que antes tinha dado pra morte um novo fim na sexta-feira que nos atravessou, no domingo a esperança retornou no seu amanheceu. Não é de forma alguma uma veneração ao dia da semana (nem um chamado a guardar ele, porque não temos mais dias a guardar - TODOS DIAS são de Deus atualmente, não há mais sábados, pois todos os dias são sábados agora!), mas sim, é uma reflexão sobre a importância de buscarmos a Cristo em comunidade (Igreja somos nós - mas não nós no "bloco do eu sozinho" de Los Hermanos e sim "NÓS REUNIDOS EM NOME DO SENHOR JESUS!") todos juntos sempre em todos domingos. E seria tão incrível se, tal como na Igreja Primitiva, sempre fosse com uma ceia, uma Eucaristia, pois aí sim nos domingos relembrariamos d'Ele, de Seu sacrifício, Sua ressurreição e Sua iminente volta. Santo é o domingo do Senhor!

A capa é uma obra de arte! Já falei até pra Karis para fazerem camiseta dessa capa hahaha é maravilhosa demais!

OBS: O disco "Colcha de Retalhos", bem como outros feats com a galera do Candiero, aparecerão no momento certo aqui no blog, por ora vou destrinchar aos poucos essa galera fabulosa por aqui.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Judeu Marginal


"A última grande novidade do rock cristão".

Eu costumo dizer isso toda vez que escuto o som da Judeu Marginal.

Banda de Rio de Janeiro, terra de bandas que fugiam e muito do padrão do que o gospel paulista fazia, como o romantismo do Novo Som, a criatividade lírica absurda da Comunidade S8 e do Rebanhão, a lírica contestadora de Complexo J e Fruto Sagrado e um misto dos dois em Catedral, e puxando mais pro lado Fruto Sagrado da jogada, Letícia Moraes, Verine e EJ começaram a fazer seu som num dia 13 de julho de 2021 (ironicamente, no dia "mundial" do rock - tão "mundial" que só no Brasil se comemora essa data como dia do rock kkkkkk) e o plano original era, talvez, durar somente um ano a banda.

Ainda bem que certos planos nunca dão certo kkkkkkk

E a banda segue em frente até hoje, com um som hard rock moderno, com elementos do rock alternativo bem presentes também, mas principalmente com letras absurdamente fora de série.

Instagram: @judeumarginal

Facebook: Judeu Marginal


OUÇA ENQUANTO LÊ: SPOTIFY | DEEZER | YOUTUBE MUSIC | Podcast Apenas Música

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A Lista (single, 2022)

O single que me fez virar fã eterno da banda. E lamentar que eles são de tão longe de Olinda kkkkkk (apesar do Verine ser de família pernambucana, então né kkkk).

O single "A Lista" foi basicamente entrar com os dois pés na cena. Não é todo dia que alguém toca na ferida do "amor ao próximo... mas só ao próximo que me seja próximo...", numa época de tanta gente da (in)cultura do cancelamento imbecil, cretina e babaca, da guerrinha dos lacradores e dos mitadores, do puxassaquismo à politicagem, dos que lucram com essa babaquice toda, dos que fazem só para não ficarem "mal na fita", e dos que só amam quando lhes convém, o que lhes convém, pro que lhes convém, é provavelmente o maior tapa na cara que ouvi em anos dentro da música cristã. Lembra muito "Ponte (Etc e Tal)" do Janires pré-Rebanhão e canções como "O Novo Mandamento" e "O Que Na Verdade Somos" do Fruto Sagrado, bem como "Onde Está Seu Coração?" do Catedral, um questionamento vivo e que vale a pena dar replay infinito nessa música tão real e tão cruelmente próxima de todos nós "santos". 

"Faça uma lista de grandes amigosQuem você mais via há dez anos atrásQuantos você ainda vê todo diaQuantos você já não encontra mais"

Sabe aquela lista dos que você "não aguenta mais" nem quer ver nem pintado de ouro? Então... pegue essa "lista negra", jogue no fogo, pois todos é sua OBRIGAÇÃO amar, goste ou não, AME, do mesmo modo que Jesus foi capaz de amar e perdoar até os que o xingavam e cuspiam e agrediam e o crucificaram!

Ninguém falou que era fácil. Mas o fardo continua leve. Não parece? Mas é sim!

O Messias (single, 2022)

Quem você acha que é Jesus? Tem quem veja ele como um gênio da lâmpada que realiza todos nossos sonhos e vontades a nosso bel-prazer. Um guarda-costas infalível que nunca deixará a gente se ferir, machucar com nada. O Exterminador do Futuro massacrando tudo e todos que fazem injustiça (em especial "injustiça" contra nós...). 

Não nessa ordem ou com os termos acima, mas provável que aos judeus, só em analisarmos o Novo Testamento, eles tinham uma expectativa, um hype forte de um Messias superpoderoso, um rei com cetro de ferro que iria mandar os romanos de volta pra Roma desinfectarem da Judeia. Alguns nem pensavam tanto daquele jeito, só que ele viesse para manter o status quo deles (fariseus e saduceus), outros, como os zelotes, provavelmente esperavam um radical anarcoterrorista, comunista ultrarradical, se pá até um Mussolini ou Hitler mesmo, no extremo oposto da moeda, mas ainda assim um "libertador-ditador" ao mesmo tempo

E nem preciso de dizer que O Messias ter como um berço real uma manjedoura, ter como nascedouro real uma estrebaria, ter como consagração de ouro apenas um par de rolinhas (sacrifício dado por pobres), ter como capital real uma "favela" como Nazaré era considerada à época (e - pra piorar - sua cidade real o recebendo mal ao extremo), ter como comitiva um monte de pescadores iletrados, um ex-ladrão capitalista selvagem, um ex-anarcoterrorista zelote e um único e reles judeu com certas posses e conhecimento - mas que era um ladrão e traíra de mão e boca cheia, e lábios bem quentes como o inferno! - e que seu trono real foi uma cruz sobre um morro em forma de caveira, definitivamente não era esse o cumprimento da hype deles. 

E, talvez, nem da nossa. Comemoramos a páscoa (só que mais preocupados em manter tradição de comer peixe e bredo e tomar vinho e não comer carne nem fazer serviço pesado, além de comer ovo de chocolate e se vestir de coelhinho...), celebramos mensamente a ceia (quando deveria ser todo culto, mas né, se eu fosse mostrar a sequência monstruosa de incoerências da igreja institucional como um todo no Brasil e no mundo em comparação com a simplicidade da igreja original iria ser "mandado pro inferno rapidinho") sem entender o sacrifício de Cristo e que isso é o fundamento de nossa fé, foi assim que, como disse Paulo em Filipenses 2, Jesus adquiriu O Nome sobre todo nome, não foi nascendo de uma virgem sem contato masculino, não foi ensinando mestres desde a pré-adolescência, não foi ressuscitando mortos, curando doentes, expulsando demônios, discursando e ensinando grandes verdades e ensinamentos por vezes totalmente ignorados por nós cristãos - sério! Vide a primeira música -, expondo as mentiras do diabo e dos "sacerdotes do Senhor" hipócritas nem desafiando os preconceitos e dogmas humanos das tradições estúpidas de sua época, mas acima de tudo, quando Ele morreu naquela cruz, Ele venceu tudo!

Quem quer ir após Ele, negar-se a si mesmo, tomar a cada dia sua cruz e segui-Lo?



Amor Surreal (single, 2022)


A mais "gospel" talvez dos três singles de 2022 da banda, Amor Surreal também é a mais na linha sonora do rock alternativo, mas ainda mantendo uma lírica de arrepiar, pois continua sendo um baita desafio à lógica do que hoje chamamos de "amor". 

Numa época de tanta gente adepta do "o amor venceu", mas que ao primeiro sinal de contradição aos seus ideais, por mais as vezes imbecis e desgraçados que sejam, o amor é jogado fora na hora, numa época de tantos "amores" que acabam na hora que o dinheiro acaba, numa época de, voltando a "A Lista" de Oswaldo Montenegro, "quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar?" de amores fluidos, amores interesseiros, amores que só duram junto com a duração da paixão, do desejo tórrido e sexual, amores que duram até a primeira briga, a primeira discussão, a primeira decepção...

Ainda existe o Ágape!

Ainda existe aquele amor, como diria eu num poema meu, o amor Ágape, aquele "que não teme a nada, nem a morte, nem a vida... o amor que joga fora todo medo". O amor de Deus, como descrito em I Coríntios 13, é o amor supremo, o amor que não tem medo, que não segue o que é injusto, mas que ama e vive na Verdade. O amor que sobrevive a todas guerras, que crê num amanhã melhor, que espera pela volta do Rei e que suporta todas batalhas, não é exclusividade mais de Deus, Ele derramou sobre nós para que sejamos nós portadores desse amor. "Não devais nada a ninguém além do amor!"

Esse amor surreal!

sábado, 18 de março de 2023

O Nascimento da Jesus Music - David Di Sabatino


OBS: Leia esse texto ouvindo ESTA PLAYLIST!


Uma das influências mais poderosas sobre a contracultura dos anos 1960 foi o desenvolvimento da música rock and roll. A música rock era um meio experiencial encapsulando tanto a exuberância zelosa quanto a insatisfação coletiva dos jovens com uma batida de fundo que impulsionava os ouvintes à ação. Melhor ainda, na mente dos adolescentes opositores, o rock enlouquecia os pais.

Tomados no contexto dos espirituais anos sessenta, os músicos de rock tornaram-se muito mais do que ícones de rebelião. Os trovadores tocadores de guitarra tornaram-se profetas e sacerdotes para uma geração de seguidores que os “adoravam” em massa nos altares dos festivais. Ao examinar atentamente as letras das músicas, muitos fãs adoradores estavam convencidos de que esses avatares musicais haviam desenterrado as respostas para os mistérios da vida em seus álbuns.

Existem muitas evidências revelando essa aliança pouco ortodoxa entre música rock e espiritualidade. O promotor de Charles Manson, Vincent Bugliosi, retratou o acusado como alguém que persuadia seus seguidores com uma combinação de textos bíblicos e letras de músicas de que o Armagedom estava se aproximando. Bugliosi sustentou que Manson identificou os Beatles como os quatro anjos (cavaleiros) do capítulo 9 do Apocalipse, que ele acreditava estarem obrigando-o a instigar o “Helter Skelter” (uma guerra racial entre negros e brancos). O surgimento desse gnosticismo musical na década de 1960 (o estudo minucioso das letras das músicas em busca de um conhecimento secreto) continua sendo um sinistro lembrete da influência penetrante que a música exerce sobre os jovens. Para os filhos dos espirituais anos sessenta, nada era mais singularmente importante do que seu vício musical.

A potência cultural da música rock não passou despercebida pelo crescente número de cristãos urbanos. A síntese da música rock e do cristianismo parecia uma consequência natural de suas conversões espirituais. Se o Jefferson Airplane (uma das bandas mais proeminentes dos anos 60 de San Francisco) podia cantar abertamente sobre drogas em seu hino "White Rabbit" ("Uma pílula te deixa mais “alto” - chapado -, e uma pílula te deixa “menor” - dopado, anestesiado" – apostos do tradutor), então um cristão hippie poderia cantar sobre o que era mais importante para eles, ou seja, Jesus Cristo. O desenvolvimento da música rock de Jesus provou ser um meio viável para expressões únicas de fé.

Várias formas de música gospel contemporânea surgiram ao longo da década de 1960, antes do advento do que ficou conhecido como "música de Jesus". No rescaldo do Concílio Vaticano II, interpretações da missa em forma de rock e folk foram realizadas e gravadas (vide The Electric Prunes e seu disco “Mass in F Minor” e o Mind Garage com o Electric Luturgy que apareceria em seu disco “Again!” - nota do tradutor). A juventude cristã na Inglaterra respondeu à cena adolescente britânica com uma série de álbuns de "batida gospel" (Gospel Beats) que antecedem desenvolvimentos semelhantes na América do Norte. Nos Estados Unidos, o primeiro álbum de rock cristão contemporâneo foi lançado em 1966 por uma banda que se autodenominava The Crusaders. Intitulado “Make a Joyful Noise With Drums and Guitars”, a contracapa do LP afirma que o grupo "escolheu o Big Beat como meio de expressar sua fé religiosa... a expressão musical mais contemporânea: The Beat." (1) Em 1968, a Zondervan Company lançou Till the Whole World Knows, de uma banda de rock de Maryland chamada Sons of Thunder (embora tivessem membros femininos). Em 1969, três outros álbuns de rock cristão foram lançados; Lo and Behold de Ron e Bill Moore, Cold Cathedral de John Fischer e o marco de Larry Norman, Upon This Rock. Em 1970, havia álbuns de rock abertamente religiosos o suficiente para a revista Rolling Stone perguntar: "com todos os álbuns de rock de Jesus por aí hoje em dia, o que uma mãe deveria fazer agora?" (2)

É impossível estabelecer um único pioneiro da Jesus Music. Embora apenas três álbuns tenham sido lançados em 1969, muitos já apresentavam suas próprias versões de rock gospel em grupos de jovens da igreja e cafés bem antes que alguém percebesse que um "movimento" estava ocorrendo. Paul Clark, Fred Caban (e Agape), Larry Norman, Randy Stonehill, Phil Keaggy, Mike Johnson (de The Exkursions), Andrae Crouch, Nancy Henigbaum (Honeytree), Danny Lee (& The Children of Truth), Latter Rain, Last Call of Shiloh, Mark Heard, Danny Taylor, Pat Terry, Harvest Flight, Liberation Suite, Out of Darkness, Azitis, Stonewood Cross, Jubal, Vindication, Hope of Glory, Hope, Overland Stage, Joshua, Newbury Park, Rainbow Promise, Malcolm & Alwyn, Crimson Bridge, Earthen Vessel, Wilson McKinley, Quo Vadis, The e-Band, Dust, The Sheep, Andrae Crouch, Barry McGuire, Resurrection Band, Danny Taylor, Tom Rozof, The Hallelujah Joy Band, Bridge, Psalm 150, Dove, Millennium, The All Saved Freak Band, The Glorious Liberty, Randy Matthews, John Fischer, The Sons of Thunder, Ron Moore e Ron Salsbury (e o JC Power Outlet) e vários artistas musicais do selo Maranatha! (Love Song, Good News, The Way, Deborah Kerner, Ernie Rettino, Aslan, Mustard Seed Faith, Phoenix Sonshine, The Road Home, Children of the Day, Selah, Erick Nelson, Joy, Country Faith, Karen Lafferty e Blessed Hope) e outros merecem destaque como criadores do gênero que se distinguiu apenas pelo conteúdo lírico. Ao longo da duração do avivamento, Jesus Music raramente se desviaria da reiteração de um único tema; a experiência de Deus através de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Esses artistas marcam a primeira onda de músicos de Jesus que se estendeu de 1969 a 1974. (3)

A Jesus Music provocou polêmica desde o início. Os fiéis tradicionais não faziam distinção entre o roqueiro cristão de cabelos compridos Larry Norman ou o ícone da guitarra Jimi Hendrix. A igreja estabelecida permaneceu convencida de que qualquer coisa nascida da “rebelião” só geraria mais rebelião. Os hippies, exaltando as virtudes de Jesus ao ritmo frenético da "música mundana", nada mais eram do que “concessões espirituais”. Os músicos de Jesus responderam oferecendo defesas para seus esforços criativos, muitos deles argumentando que as origens da música rock evoluíram de um fluxo complexo de influências que incluíam fortes tendências espirituais. Os sentimentos desses músicos cristãos hippies ecoaram os pensamentos do reformador do século XVI, Martinho Lutero, quando ele se perguntou "por que o diabo deveria ter todas as melhores músicas?" (“Why Should the Devil Have All the Good Music?”, título da mais famosa canção do “pai do rock cristão” Larry Norman e um dos principais hinos do movimento – nota do tradutor). Apesar dessa forte oposição contra o uso da cultura contemporânea, os menestréis cristãos continuaram a traçar seu próprio curso, tentando neutralizar os temas destrutivos inerentes a grande parte da música rock mainstream.

Esse período incipiente foi marcado por uma série de características. O evangelismo estava em primeiro lugar na mente do músico de Jesus, já que não havia infraestrutura comercial para apoiar seus esforços. Na época, a maioria dos artistas considerava a produção e gravação de álbuns musicais uma preocupação secundária, eclipsada pela primazia da intimidade pessoal desenvolvida com um público ao vivo. Além disso, à luz da crença de que a Segunda Vinda era iminente, a gravação de um álbum parecia um desvio estranho das preocupações de evangelismo. A maioria dos pioneiros fala dessa era como uma época de espontaneidade desanuviada pelo materialismo que se seguiu quando a Jesus Music fez uma transição desajeitada para uma indústria competitiva.

As gravações da Jesus Music tornaram-se predominantes quando grupos e artistas perceberam que um álbum poderia servir a um propósito duplo, tanto como uma ferramenta de evangelismo quanto como uma mercadoria para arrecadar fundos muito necessários. Durante essa fase incipiente, a distribuição do produto permaneceu rudimentar, geralmente centrada na autopromoção e em turnês intermináveis. As empresas de pedidos por correspondência surgiram para lidar com o punhado de esforços de baixo orçamento e (na maioria das vezes) mal registrados. Com o tempo, no entanto, vários desenvolvimentos institucionais surgiram em torno da cena incipiente, à medida que ela se expandia e ia além do estágio embrionário. Cafés e casas noturnas surgiram em todo o continente como locais para apresentações de músicos cristãos. Em resposta aos festivais de música mainstream, como os eventos Monterey Pop e Woodstock, vários promotores começaram a realizar festivais semelhantes de Jesus Music.


A institucionalização veio rapidamente à medida que a infraestrutura informal se desenvolveu em uma rede crescente de empreendimentos comerciais formados em torno de uma coleção de músicos independentes. A indústria da música cristã contemporânea (CCM) floresceu em 1975 com o estabelecimento de várias grandes gravadoras cujo único objetivo era promover e distribuir álbuns de rock cristão. A Myrrh Records, originalmente formada em 1971 para promover as gravações de Randy Matthews, reverteu seu pessimismo original sobre o futuro da música rock de Jesus e contratou vários outros artistas para reforçar sua formação. Como a subsidiária de "música contemporânea" da Word Records, Myrrh contratou Nancy Honeytree, The 2nd Chapter of Acts, a dupla folk britânica Malcolm & Alwyn, Pat Terry Group e outros para sua gravadora enquanto assinava acordos de distribuição para álbuns de Larry Norman, Randy Stonehill , Love Song, Phil Keaggy, Lamb e Paul Clark. Outras gravadoras que iniciaram as operações nessa época foram Greentree (uma divisão da Benson), Chrism (uma divisão da Tempo) e Sparrow Records, quando o ex-executivo da Myrrh, Billy Ray Hearn, decidiu lançar álbuns por conta própria. (4)

Tal sucesso comercial fomentou a diversificação não apenas estilisticamente - indo além das primeiras influências country, folk e rock para incluir heavy metal, ska, punk, thrash e até reggae - mas também liricamente, à medida que os artistas começaram a se aprofundar em outras questões além de suas experiências de salvação. No início da década de 1980, a indústria de CCM podia olhar para trás e ver um crescimento expansivo em distribuição, participação de mercado, exposição nacional e internacional e até mesmo aceitação da maioria dos círculos cristãos conservadores.

(1) Allan Bloom, The Closing of the American Mind (New York: Simon & Schuster, 1987), 68.
(2) Rolling Stone, 9 December 1971, 21.
(3) See 0112-0113 (original page from One-Way).
(4) Paul Baker, Contemporary Christian Music: Where It Came From, What It Is, Where It's Going (Westchester, IL: Crossway Books, 1985), 103-4.

Used with permission from the author from:
The Jesus People Movement: An Annotated Bibliography and General Resource
Religious Studies, Bibliographies and Indexes in, No. 49 (ISSN: 0742-6836) Greenwood Press. Westport, Conn. 1999. 280 pages. by David Di Sabatino

Fonte original: One-Way.org




sábado, 6 de novembro de 2021

Grupo Logos

Grupo Logos é um projeto musical feito pelo pastor Paulo Cezar da Silva e sua saudosa esposa Nilma em 1981, após o fim do Grupo Elo, grupo formado por eles e pelo casal Jayro Trench Gonçalves (Jayrinho) e Hélia, que faleceram tragicamente num acidente automobilístico a 14 de abril daquele ano. O Grupo Logos deu sequência ao trabalho do Grupo Elo, porém com uma linguagem mais brasileira, elementos não só do pop rock e do louvor e adoração, mas também de MPB. Em pouco tempo o grupo tornou-se um dos mais populares e amados grupos musicais cristãos do Brasil, e suas músicas em todas épocas se tornaram comuns em cantos congregacionais pelo país afora. Canções como "Situações", "Expressão de Louvor", "Rosa", "Autor da Minha Fé" (essa resgatada do Grupo Elo), "Portas Abertas", "Não Temas" e diversas outras foram regravadas por diversos artistas e são inesquecíveis e amadas por cristãos de todas as gerações. O grupo é parte integrante da Missão Evangélica Logos (MEL), e Logos vem de João 1.1, e significa do grego "verbo", "palavra viva", referente a Jesus Cristo.

Desde 2015 o grupo deixou de ser uma banda e passou a ser somente o duo Paulo Cézar e Nilma. Infelizmente em 19 de maio de 2020 a esposa de Paulo Cézar, Nilma Soares, faleceu após uma longa batalha contra o câncer.

Acompanhe a review ouvindo AQUI.

COMENTÁRIO: As capas originais dos discos costumam representar em sua maioria paisagens incríveis da natureza, mostrando a beleza da criação divina. Uma escolha estética fabulosa.

Caminhos (1982)

01 - Caminhos
02 - Salmo 127
03 - Mundo Vão
04 - Vai Contar
05 - In Memoriam
06 - A Graça de Cristo
07 - Não Estejais Ansiosos
08 - Glória a Ti Senhor
09 - Fala-me Senhor
10 - Você Pode Estar Sorrindo
11 - Caminhos (reprise)

"Caminhos", eleito pelo site Supergospel com colaboração de diversos historiadores e fãs de música cristã (eu incluído) 14º melhor disco cristão brasileiro dos anos 1980 em 2019, é um disco de transição, com elementos de jazz rock, country e soft rock bem na linha do Grupo ELO, porém já com elementos de bossa nova e MPB, como dá pra conferir já de cara em Salmo 127. As letras são bastante influenciadas diretamente em passagens bíblicas, mas também em experiências pessoais, como é o caso da faixa título e "Mundo Vão". "In Memoriam" foi escrita em homenagem ao casal Jayrinho e Hélia, amigos de Paulo Cézar e companheiros do Grupo ELO, grupo antecessor do Grupo Logos. "Não Estejais Ansiosos" foi regravada no ano seguinte pelo grupo Vencedores por Cristo com o nome "Lancemos Sobre Deus" no álbum Tudo ou Nada.

CANÇÕES INDISPENSÁVEIS: Caminhos, Vai Contar, Salmo 127, Não Estejais Ansiosos, Você Pode Estar Sorrindo.

OBS: Esse disco, bem como diversos outros da banda ao longo dos anos, seriam relançados em CD como "Logos Collection" e capa reformulada com distribuição da gravadora Line Records em meados dos anos 1990, além de um novo relançamento de toda discografia em plataformas digitais com arte de capa refeita. Essa observação é válida para diversos discos da banda ao longo dos anos.

Um Novo Dia (1983)

01 - Um Novo Dia
02 - A Paz
03 - Não Temas
04 - Volte
05 - Restaurador Fiel
06 - O Mesmo Deus
07 - Razão Pra Viver
08 - Se Jesus Comigo Estiver
09 - Que Bom Será
10 - Quero Cantar
11 - Um Novo Dia (reprise)

Soft rock e MPB em união perfeita. Canções como a faixa título, Paz e Restaurador Fiel viraram clássico que até hoje podem ser encontrados em algumas igrejas como parte do cancioneiro. O disco foi eleito em 2019 pelo Supergospel o 76º melhor disco dos anos 1980, merecidamente, com uma qualidade inquestionável. A faixa "Não Temas" foi regravada no início dos anos 1990 por Rod Mayer e Mingo em seu disco "Momentos Incríveis" com o nome "Meu Servo" (apesar do título, a letra teve uma leve modificação, com o refrão ficando "meu filho" invés de "meu servo". Se Jesus Comigo Estiver foi a primeira faixa infantil do grupo, que futuramente influenciaria o disco "Minhas Mãozinhas".

CANÇÕES INDISPENSÁVEIS: Não Temas, Um Novo Dia, Restaurador Fiel, Que Bom Será, A Paz

Situações (1984)

01 - Situações 
02 - Frente a Frente
03 - Pra Que Servimos Nós?
04 - Que Diferença Faz
05 - Nossas Vidas
06 - Igual a um Menino
07 - Vida que Vale a Pena
08 - Agrada-te do Senhor
09 - Ele me Ama/Vinde a Mim
10 - O Fim da Espera


Pra muitos o melhor disco do grupo, com uma variedade musical incrível, com elementos de soft/jazz rock, country, pop e MPB. Boa parte de suas canções são lembradas até hoje e fazem parte do cancioneiro cristão. A faixa-título é provavelmente a canção-assinatura da banda, já tendo sido regravada por diversos artistas, entre os quais Kim e Marcos Antônio. "Pra que Servimos Nós?" é a primeira música mais reflexiva da banda, mostrando uma bela admoestação e alerta a todos nós para não sermos cristãos conformados e relapsos com o caos ao nosso redor e o sofrimento do próximo em todos os âmbitos (carnal e espiritual). "Nossas Vidas" foi a primeira canção romântica do Grupo Logos, cantada de maneira linda por Paulo e Nilma. 

Essa qualidade toda levou o disco a ser eleito em 2015 o sétimo melhor disco da música cristã brasileira, além de 11º melhor disco da década de 1980 em 2019, ambas listas do site Supergospel e que eu ajudei a elencar em ambos casos.

CANÇÕES INDISPENSÁVEIS: Difícil elencar uma, o disco é perfeito, mas Situações, Pra que Servimos Nós, Frente a Frente e Agrada-te do Senhor estão entre as mais tocadas do disco.


Mão no Arado (1985)

01 - Mão no Arado
02 - Consagrai-vos
03 - Plena Luz
04 - Senhor, Tu És o Meu Viver
05 - Vem Cantar
06 - Livro Aberto
07 - Conquista a Vitória
08 - Espinho
09 - Pra Teu Louvor
10 - Vem Cantar


Dono de uma das capas mais belas da história da música cristã e da música em si (e infelizmente estragada em releituras desse disco), Mão no Arado é um dos meus discos prediletos da banda Logos. Não só pela antológica faixa título, regravada a exaustão por diversos artistas, entre eles Carlinhos Félix, e sua letra conscientizadora da missão cristã de evangelismo sem jamais poder desistir desse encargo, mas pela beleza incrível desse disco em fundir tão bem elementos do pop rock, country e da MPB, o que é observável em faixas com Plena Luz, Conquista a Vitória e a clássica eterna Espinho, inspirada no espinho da carne do apóstolo Paulo citado em II Coríntios 12. O disco foi mais um dos contemplados na lista de melhores álbuns dos anos 1980 do site Supergospel, ocupando a 56ª posição na lista, e teve a participação de músicos de diversos grupos musicais importantes na música cristã contemporânea brasileira, como o Grupo Semente, Vencedores por Cristo, Água Viva (MILAD), Jovens da Verdade, entre outros.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Além das citadas acima, Consagrai-vos e Livro Aberto valem muito a ouvida.

Minhas Mãozinhas (1986)

01 - O Trenzinho
02 - Depois do Inverno
03 - Equilíbrio
04 - O Amigo Melhor
05 - Dorme em Paz
06 - Honrar
07 - Grande Deus
08 - Unidade
09 - Canção de Amor
10 - Minhas Mãozinhas


Blues, pop, jazz rock e MPB com sonoridade e temáticas voltadas para o público infantil. Em meio a tantos grupos infantis cristãos como Turma do Printy, Turma do Barulho, Aline Barros, Cristina Mel, Crianças Diante do Trono, Marilene Vieira, Mara Maravilha e outros, nenhum pra mim conseguiu se equiparar ao trabalho feito nesse disco pelo Grupo Logos. Inclusive pela participação de várias crianças cantando junto com o grupo.

A faixa-título posteriormente foi regravada por Alex Gonzaga (Novo Som).

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: O Trenzinho, O Amigo Melhor, Equilíbrio, Minhas Mãozinhas.


Portas Abertas (1987)

01 - Portas Abertas
02 - Sonhadores
03 - Redenção
04 - Barquinho
05 - Ruas de Cristal
06 - Meu Senhor
07 - Quem Vencer
08 - Hino de Adoração
09 - Velho
10 - Se Não Fosse o Senhor
11 - Para o Louvor de Deus

Um clássico, em especial pela faixa-título, amada por cristãos de diversas épocas. Foi eleito 18º melhor disco cristão brasileiro e o 25º da década de 1980 pelo Supergospel, mantendo o Grupo Logos com quase todos seus discos da década na lista dos anos 1980, mas mostrando o quão épico esse disco é, também constando entre os maiores de todos os tempos.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Todas, mas as quatro primeiras são impossíveis de se passar por elas sem ouvir.


Uma Nova Canção (1988)

01 - Uma Nova Canção
02 - Teu Perdão
03 - Vivo Cada Dia
04 - Agradecer a Deus
05 - Meu Amparo
06 - Parece um Sonho
07 - Sou Feliz
08 - Senhor, Para Onde Vou?
09 - Ponto de Partida
10 - Toma a Direção
11 - Uma Nova Canção (reprise)

Um ótimo disco de soft rock e MPB, mas que infelizmente não teve o mesmo sucesso de seus antecessores. Uma pena, já que "Uma Nova Canção" é uma bela canção.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Uma Nova Canção, Ponto de Partida


Expressão de Louvor (1989)

01 - Expressão de Louvor
02 - Senhor, Tu Estás Comigo
03 - Sim, Eu Sou Feliz
04 - Existe um Lugar
05 - Rosa
06 - Por Amor de Mim
07 - Se Confessarmos
08 - Deus Será Louvado

Fechando a década de 1980 com o 27º melhor disco cristão dessa década no Brasil, Expressão de Louvor só tem um problema: é um disco curto, com apenas oito músicas contra a média de dez dos discos anteriores (descontando as reprises que eles costumam ter). Porque de resto é um disco fantástico, e aqui o lado MPB é bem forte, além de letras fabulosas como sempre é de praxe da banda.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Todo o álbum, mas principalmente Expressão de Louvor, Rosa e Deus Será Louvado.


Grandes Momentos (coletânea, 1990)
Mais uma coletânea da coleção Grandes Momentos da gravadora Continental
que também lançou discos dessa coleção do Ozeias de Paula, Marina de Oliveira,
Álvaro Tito e Rebanhão.
Posteriormente relançado pela Line Records com o título "Melhores Momentos". 




Novo Chão (1991)

01 - Novo Chão
02 - Vinde a Mim
03 - Começar de Novo
04 - Coroado
05 - José de Arimatéia
06 - Que Mais Quero
07 - Venha a Cristo
08 - Não Há Outro
09 - Ressuscitou

Se há algo do Grupo Logos que é fácil chegar a uma conclusão é que é um grupo musical que é constante em sua proposta. Tanto lírica como instrumental, sempre trazendo novos elementos aqui e ali nesse último âmbito, como é possível ver na faixa "Começar de Novo", com toques de rock progressivo, ou de pop nos teclados de "Coroado". Infelizmente, tal qual "Uma Nova Canção", esse disco não teve a devida atenção àquela época.

FAIXAS INESQUECÍVEIS: Novo Chão, José de Arimatéia, Coroado, Começar de Novo, Que Mais Quero.


Onze Anos (coletânea, 1992)
Disco de estreia do Grupo Logos na Line Records
Contém músicas menos conhecidas do grupo, e outras
até conhecidas, mas não tão valorizadas até então, como Rosa e Espinho



Autor da Minha Fé (1993)
Capa original
01 - Cortando o Céu
02 - Perfeita Paz
03 - Semente e Fruto
04 - Mudança
05 - Eu Te Louvarei
06 - Digno de Louvor
07 - Obreiro Aprovado
08 - Coerência
09 - Pra Fazer Diferença
10 - Genuíno Amor
11 - Autor da Minha Fé


Primeiro disco de estúdio da banda pela Line Records, letras incríveis, uma delas a incrível "Mudança", atual crítica contra a politicagem insensível e despreocupada com o povo brasileiro. "Autor da Minha Fé", embora seja originalmente do Grupo Elo, acabou por ganhar sua versão definitiva aqui, de tal forma que dificilmente alguém lembre que a música não é do Grupo Logos.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Autor da Minha Fé, Cortando o Céu, Mudança, Coerência, na real esse disco inteiro é uma obra prima.


Logos Collection (1995, 12 discos)
Todos os discos da banda foram relançados esse ano, em LP e em especial em CD
Praticamente todas as versões em CD que se encontra dos discos dos anos 80
e início dos 90 são dessa coleção, sempre com a capa original em miniatura
e nesse formato especial.
Algumas versões de relançamento vinham sem o logo da Line Records, ainda que mantendo o código de lançamento (ver mais em Catálogo de Discos Cristãos)
O disco em destaque é o Melhores Momentos, que é o mesmo "Grandes Momentos" renomeado.


Conteúdo (1996)

01 - Pode Ir
02 - Iguais
03 - O Evangelho
04 - Conteúdo
05 - Servos
06 - Meu Resgatador
07 - Deus Está Presente
08 - Meu Povo
09 - Chamado
10 - Compromisso
11 - Mais que Vencedores

Nos anos 1990 o Grupo Logos foi bem menos prolífico em lançamentos do que nos anos 1980. Em compensação a maturação musical e lírica nesse disco chegaram ao auge. Não a toa foi elencado como 21º melhor disco da década de 1990 pelo Supergospel em 2018. Liricamente inclusive eles passaram a traçar temas bastante atuais em sua época - e incrivelmente atuais até hoje, pro pior dos motivos. "Iguais", relatando a tola divisão de igrejas, "O Evangelho" falando das diversas formas de doutrinas fracas e sem solidez dentro do que se prega em boa parte do que se diz cristianismo, e "Conteúdo", sobre a necessidade de equilíbrio de falar de fato sobre tudo que nosso mundo se passa, sem jamais deixar de apontar de alguma forma a única resposta e saída que está na "Viva Palavra" da Bíblia e não nas nossas ideologias, teologias ou achismos - uma crítica velada ao crescente movimento gospel com o qual o grupo convivia nesse período. Um disco indispensável para todos cristãos refletirem suas próprias vivências no Evangelho e na vida.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: O disco todo, mas em especial as cinco primeiras faixas, verdadeiros hinos diretos ao ponto.


Marcas (2001)

01 - Marcas de Valor
02 - Nada
03 - Minha Oração
04 - Tuas Águas
05 - Quero Voltar
06 - Ele Pode
07 - Eu o Louvarei
08 - Coração
09 - Céu Azul
10 - Homem Natural
11 - Quem Será?
12 - Marcas
13 - Cúmplices Eternos

Seguindo a mesma ideia de seu antecessor, Marcas enfatiza já na faixa de abertura uma letra reflexiva acerca dos heróis da fé e mártires ao longo da história que abandonaram tudo e seguiram ao Cristo. A ideia é retomada de maneira mais intimista na faixa-título do disco, já na penúltima faixa.

Musicalmente esse é o álbum mais "suave" do grupo até então, com só faixas mais suaves, ainda assim mantendo uma qualidade instrumental fantástica. Um tanto pop, um tanto MPB, esse disco, mesmo sendo o primeiro da banda novamente lançado independente - com uma ajuda de distribuição do selo VPC, que iria ajudar a promover outros trabalhos do grupo -, fez um sucesso significativo dentro do mercado.

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Marcas de Valor, Quero Voltar, Marcas, Ele Pode, Eu o Louvarei, Coração

Tributo Ao Vivo (20 Anos ou 22 Anos, depende da mídia kkkk - CD, VHS e DVD) (2002)

CD 1: 01 - Deus Será Louvado/Expressão de Louvor
02 - Caminhos
03 - Ponto de Partida (faixa bônus no DVD)
04 - A Paz
05 - Portas Abertas
06 - Medley I (Rosa/Agrada-te/Salmo 127/Espinho/Um Novo Dia)
07 - Marcas de Valor (nomeada Marcas nessa versão)
08 - Meu Povo
09 - Não Estejais Ansiosos
10 - Situações
11 - Que Mais Quero

CD2: 01 - Conquista a Vitória
02 - Não Temas
03 - Medley II (Foi Assim/Frente a Frente/O Fim da Espera/Senhor, Para Onde Vou?/A Graça de Cristo/Pra Teu Louvor/Quero Cantar)
04 - Não Há Outro
05 - O Evangelho (faixa bônus no DVD)
06 - Mão No Arado
07 - Por Amor de Mim
08 - Medley III (Iguais/Consagrai-vos/Que Bom Será!) (faixa bônus no DVD)
09 - Autor da Minha Fé

Maravilhoso show ao vivo, com diversos sucessos do grupo ao longo dos anos, além de alguns medleys. Inclui músicas de todos os discos do grupo, exceto "Minhas Mãozinhas", o que torna esse um dos mais incríveis registros ao vivo da carreira de um grupo musical cristão brasileiro. 


Pescador (2006)

01 - Pescador
02 - Jardins
03 - No Seu Amor
04 - Distantes Próximos
05 - Tome a Cruz
06 - Distantes de Deus
07 - A Grande Chance
08 - Eu Preciso Saber
09 - A Olhos Nus
10 - Adorador

Grupo Logos é um grupo que pode facilmente levar-nos a redundância, com a capacidade musical simples, soft rock, pop, MPB e jazzística do grupo, assomado com a lírica direta e ao mesmo tempo poética. A faixa-título deixa isso claro, sem medo de falar uma verdade pouco lembrada atualmente de que o chamado autêntico de Cristo passa longe de ser as facilidades prometidas pelo falso evangelho da prosperidade e da teonomia, não importa a variação triunfalista falsificada que se apresente, tudo isso é pura fantasia. E se trazem um evangelho pobre desses, não é de se espantar que se tornam reféns de um farisaísmo, que cobra dos que não são cristãos santidade e moralismo, mas são relativistas com seus próprios males. 

E o grupo segue o disco com belas canções, como "Distantes Próximos" e seus arranjos percussivos fabulosos, ou Jardins, fazendo comparação do Jardim do Éden com o Getsêmani, o primeiro onde falhamos e o segundo onde Ele, o Cristo, renunciou em definitivo a si mesmo e se entregou por nós, como lição para nossas vidas. Com essas influências, garantiu mais um disco do grupo numa lista de melhores, dessa vez da década de 2000, em 27º lugar

CANÇÕES INESQUECÍVEIS: Pescador, A Olhos Nus, Adorador, Distantes Próximos, Jardins


Ao Vivo no Theatro da Paz (CD e DVD, 2007)


Linha do Tempo (Acústico) (2013)

01 - Mão no Arado
02 - Espinho
03 - Portas Abertas
04 - Novo Chão
05 - Expressão de Louvor
06 - Rosa
07 - Situações
08 - Tuas Águas
09 - Pai
10 - O Grande Deus
11 - Obreiro Aprovado
12 - Autor da Minha Fé

Diversos clássicos do grupo em formato acústico. Ótimas repaginações, um disco indispensável para amantes de uma sonoridade mais simplista e desplugada. Infelizmente foi o último lançamento do grupo como banda, e desde 2015 não houve mais nenhum lançamento, apenas apresentações do duo Paulo Cézar e Nilma.