terça-feira, 7 de maio de 2019

Brother Simion


O que Janires representou pro rock cristão nacional nos anos 1980, Simion representou pros anos 1990. Nascido em São Paulo, esse homem de Deus entretanto teve uma trajetória atribulada na juventude, com uma família disfuncional (perdeu a mãe com um ano e o pai sumiu na vida, sendo criado por um avô), logo saiu do Brasil depois de uma jornada de drogas por SP e RJ. Com uma mochila, uma gaita e um violão apenas e sem saber praticamente nada de inglês, chegou a passar fome na Itália, e piorou mais ainda ao chegar em Amsterdã, na Holanda, a terra das drogas fáceis. Quase morreu de overdose por diversas vezes, e acabou voltando ao Brasil. Um dia ele recebeu um convite do então pastor Estevam Hernandes a participar de um culto na recém surgida Igreja Renascer em Cristo, e ele, meio desconfiado, ainda assim foi e lá acabou sendo tocado pelo Senhor, e assim converteu-se ao Senhor. Ele conta essa história no encarte do seu primeiro disco solo, bem como em diversas músicas dele (Extra, Johnny, Jeff e Por que você continua me olhando stereo?), além do seu disco Testemunho dos anos 2000 e sua biografia "Johnny Não Morreu".

Em 1989 ele começou a banda Katsbarnea, mas ainda em 1992 começou sua carreira-solo em paralelo com a banda, carreira que ele mantém até hoje, viajando mundo afora com sua esposa Ciça e filhos.

Curiosidade: Brother chegou a ter uma grife de óculos escuros aqui no Brasil por anos, uma marca dele em diversas de suas aparições. Também teve grife de roupas e até um pub "gospel".

Brother (1992)

01 - Contato
02 - Grito de Alerta
03 - Brota
04 - Alfa e Ômega
05 - Cura da Terra
06 - Doce Mistério
07 - Justiça do Céu
08 - Salve a Tua Paz
09 - Retrovisor
10 - Together


Ainda assinando apenas com seu nome Simion, o disco "Brother" acabou nomeando o cantor, que desde então passou a ser conhecido assim "Brother Simion". Inclusive em tiragens posteriores o disco passou a ser nomeado "Brother Simion" (auto-intitulado). Alguns erroneamente chamam de "Contato" esse disco por conta da regravação desse som do Kats (que aliás não foi o único - Salve a Tua Paz e Retrovisor, também da K7 "O Som que te Faz Girar", aparecem aqui) ou do videoclipe que essa música recebeu - muito bom por sinal pr'aquela época. Brother, juntamente com o produtor Rick Bonadio, fez um disco bem na linha folk rock, um pouco de rock psicodélico e hard rock em "Grito de Alerta" e "Retrovisor". Grito de Alerta depois ganharia versões do Renascer Praise (cantada pelo próprio Brother em companhia da Soraya Morais no disco III do grupo de louvor) e do Katsbarnea (no álbum Profecia). Já "Alfa e Ômega" seria regravada por Marcelo Aguiar em seu segundo álbum cristão, "Coração de Adorador" de 2004. A parceria de composição Estevam Hernandes/Simion se daria em 9 das 10 faixas (a exceção é Together, totalmente composta pelo Simion). "Justiça do Céu" é dedicada a todos os pixotes do país, uma referência ao filme "Pixote, a Lei do Mais Fraco" de 1980 de Hector Babenco (também citado pelo Catedral na faixa Mundo Vazio do disco "Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração"), com uma letra crítica e áspera aos governantes (uma crítica aliás notoriamente dada ao então presidente Fernando Collor, o "caçador de marajás" que se tornou o maior deles ironicamente e naquela época estava passando por um processo de impeachment). "Cura da Terra" segue nessa linha de crítica social consistente, além de um clamor de esperança pela intervenção divina para curar nosso país. Esse tipo de letra sem dúvidas faz falta no meio gospel atual infelizmente, onde vemos que essas músicas parecem cada dia mais um retrato da atualidade e não apenas de décadas atrás...

Foi escolhido pela Supergospel com a ajuda de diversos críticos (eu incluso) o 41º maior disco da música cristã brasileira.


Esperança (1994)

01 - Jeff
02 - Father of Love
03 - Voz do Oriente
04 - Esperança
05 - Sopra Espírito
06 - Louvai
07 - Orgulho
08 - Estrela
09 - Jabuticaba
10 - Touch


Disco que fez a carreira solo do Simion deslanchar, graças à fantástica faixa-título, uma das mais tocadas da carreira dele, que ganhou um fantástico videoclipe rodado todo em Israel, mostrando vários lugares que Jesus passou em vida, além da situação - infelizmente ainda atual - de judeus e palestinos andando armados, inclusive mulheres e crianças, com armas de grosso calibre até.

Musicalmente o disco é bem pop, com elementos de diversos estilos, como psicodelismo, reggae, música latina e muito rock. "Jeff" é uma das músicas em que ele conta seu testemunho, sem dizer que é ele mesmo curiosamente. Sopra Espírito, primeira parceria dele com a Sônia Hernandes, um ano depois seria regravada pelo Renascer Praise no seu volume dois, versão que ficou mais conhecida que a original. "Jaboticaba" inaugura uma tendência de músicas bem humoradas do Brother, além de sua demonstração de bom gosto por frutas (kkkkkkkkkkkk). Voz do Oriente e Orgulho depois seriam regravadas pelo Katsbarnea. "Estrela" foi a primeira canção romântica do Brother, ainda meio distante da "Sinfonia de Amor" do disco seguinte.


A Promessa (1996)

01 - A Promessa
02 - Sinfonia de Amor em Ré Maior
03 - Adorar
04 - El Senhor és Mi Pastor
05 - Por que você continua me olhando stéreo?
06 - Highway to Heaven
07 - Música dos Céus
08 - Fonte Eterna
09 - Marcha por Jesus
10 - Samba prá Ti
11 - Holy Land (Jerusalem)
12 - Preso di Speranza, Bambino
13 - Viva Jesus que Plantou o Mamão no Jardim do Éden
14 - Pastor de Israel
15 - Orvalho da Manhã (instrumental)
16 - Infinity Love
17 - E no Final...

Disco mais experimental da carreira do Brother (e também o mais longo = 17 faixas em 72 minutos e 33 segundos!). É um verdadeiro passeio por estilos, com casos curiosos como uma marchinha (Marcha por Jesus, em homenagem à Marcha para Jesus, movimento surgido na Inglaterra e trazido ao Brasil em grande parte pela igreja Renascer em Cristo - e naquela época ainda muito relevante para a fé, sem politicagem nem culto à personalidade...), um samba (Samba prá Ti), música em espanhol, música em italiano (!), três faixas em inglês: a belíssima "Highway to Heaven", o reggae Holy Land (que tem como complementos de trinca de reggae a faixa título do disco e a divertida "Viva Jesus que plantou o mamão...", coverizada pouco depois pela banda Patmus) e a psicodélica Infinity Love (curtinha, mas bem envolvente com seus reverbs), um instrumental de gaita (Orvalho da Manhã) e uma finalização à capela. Tanta informação num só disco pode deixar o disco um tanto confuso, mas eu curto bastante essa parada anticomercial. Várias faixas de adoração belíssimas, como Adorar, Highway to Heaven, Fonte Eterna, Música dos Céus (uma das melhores) e Pastor de Israel. "Por que você continua me olhando stéreo?" é uma faixa contando de maneira muito insana o testemunho de vida do Brother, ao passo que "Sinfonia de Amor em Ré Maior", embora composta em 1996 junto com "Poeta" do Renascer Praise (essa última só sairia em 1999), na verdade surgiu de uma poesia feita pelo Estevam Hernandes pra sua esposa Sônia, como revelado no livro "Vivendo de bem com a vida" da bispa Sônia, no prefácio feito pelo próprio Estevam. É sem dúvidas uma faixa lindíssima, que sairia na coletânea "Gospel Love" da Gospel Records em 2002.

Curiosidade: No final da faixa Samba prá Ti Brother diz um "Shalom, Jerusalém", e logo a seguir começa a faixa Holy Land (Jerusalem). Coincidência? ACHO QUE NÃO! hahaahahah

Asas (1998)

01 - Liberdade
02 - S.O.S. Terra
03 - Hey Brother
04 - Asas
05 - Tempestade
06 - Etéreo
07 - Paraíso
08 - Canguru Águia
09 - Reggae Street
10 - I Hope You See the Light


Em 1999 estava eu entrando na igreja Renascer com minha mãe. Ouvíamos bastante uma certa rádio chamada na época de Manchete Gospel FM 94.3 (atual Nova Brasil), e posteriormente viraria a Gospel FM (mas a muito tempo ela aparece de maneira bem esparsa por aqui em Pernambuco). Bem, o fato é que esse disco era um dos que mais tocavam na época, e foi um dos responsáveis por eu curtir rock até os dias de hoje - talvez o grande culpado haahah. Não é pra menos. Esse disco, produzido pelo grande Amauri Fontenele e com a ajuda do Paulo Anhaia (que também contribuiu muito nos instrumentos - bem como Jadão do Kats nos baixos), é uma maravilha única. Folk rock com elementos de música eletrônica em algumas faixas (como a verdadeiramente techno "Tempestade") já traziam os caminhos que seriam explorados no disco seguinte. A faixa título foi um sucesso arrebatador, tocando em diversas rádios do Brasil, chegando a ser regravada por Marcelo Aguiar anos depois numa versão bem country para o disco "Coração de Adorador". "Etéreo" é uma regravação do Kats que ficou menos surf rock e mais ambiente e folk. S.O.S. Terra, Tempestade e Paraíso contém críticas muito boas sobre os rumos da sociedade e também um alerta sobre a destruição acelerada da natureza por nossa culpa. Canguru Águia é um frevo (!) e provavelmente a última faixa mais engraçadinha do Brother. Um dos primeiros hard rock que eu botava bem alto pra ouvir era "I Hope You See the Light" LIGHTTTTTTTTTT BABYYYYYYYYYYY!!! Realmente o disco de maior sucesso do Brother, merecidamente.


Na Virada do Milênio (2000)

01 - Na Virada do Milênio (prelúdio)
02 - Onde Encontrar?
03 - É Preciso Mais
04 - A Marca
05 - Sede
06 - Choque de Poder
07 - Uai! Why?
08 - 01001011
09 - Help
10 - Profecia
11 - Caos
12 - .
13 - Restauração


Simion, o David Bowie do rock cristão nacional - inclusive por mudar a própria aparência ao assumir cabelos loiros (kkkk). Seguindo a tendência da época, que inclusive o citado Bowie também seguiu com seu disco de 1997 Earthling, Brother Simion decidiu lançar um material ousado, de maneira semi independente (na verdade foi distribuído pela efêmera MID Produções em diversas bancas de revistas com um pôster e revista com fotos e entrevista (um material hoje raro e que eu queria muito descolar um dia) esse disco com diversos elementos de techno e música eletrônica, industrial e similares. Voltado para o mercado secular, mas sem perder as letras passando a mensagem de Deus, esse é sem dúvidas o disco mais "fora da curva" do Brother, e o mais experimental de maneira acertada (em comparação com a salada de "A Promessa") - obrigado Amaury Fontenele pela bela produção. O uso de efeitos bizarros em faixas como "Na Virada do Milênio", "01001011" e a faixa 12 sem título são exemplos desse experimentalismo bem únicos. O folk eletrônico de "Onde Encontrar?" (com participação do cantor PG - ex-Corsário e à época ainda no Oficina G3) é perfeito. A superbanda montada pelo Brother nesse disco (Fernando Catatau da banda Cidadão Instigado na guitarra, Denis Mendes, ex-Camisa de Vênus e atual Glória na bateria e sua esposa Ciça Wurfel nos back vocais e teclado) dá uma força muito maior pro resultado do disco ser tão fenomenal. "É preciso Mais" e "Uai! Why?" me remetem às faixas inspiradas nas poesias concretistas da banda secular Titãs (em especial as feitas pelo genial Arnaldo Antunes). O maior sucesso do disco entretanto foi uma balada bem próxima do que o Brother sempre fazia: Sede. Essa faixa, que ele já trabalhava com ela desde 1999, quando saiu do Kats, fez muito sucesso nas rádios. "Profecia" é outra faixa de grande sucesso, e curiosamente foi coverizada e virou faixa titulo do disco "rock sinfônico" do Kats de 2001, algo bem curioso mesmo por a faixa já ser de depois do Brother sair do Kats. Whatever, ambas versões ficaram legais - mas a versão meio techno do Brother é muito melhor.

Brother na época em que divulgava esse disco chegou a receber uma crítica de uma pessoa não identificada por ele numa matéria da CCM Brasil e ele respondeu pro crítico em questão "você não entende essa música porque ela não foi feita pra você!" Ponto pra ele hahaah

Curiosidade: A faixa "Restauração" que encerra o disco tem alguns versos que lembram a faixa homônima da banda Resgate do disco Praise, lançado no mesmo ano. Como ambas faixas tiveram a participação nas letras do Estevam Hernandes, provavelmente ele reciclou ideias de uma canção na outra - resta saber quem chegou primeiro haahah

Redenção (2001)

01 - Redenção
02 - No Altar
03 - Mistério de Deus
04 - Qualquer Lugar
05 - Eclesiastes
06 - Eternidade
07 - Louvado seja Deus
08 - O Dom da Vida
09 - Presente
10 - Como o Homem Imagina, Assim Ele é
11 - É de Deus
12 - É de Manhã

Apresentado pela MK Music pela banda Oficina G3, o genial Brother Simion lança seu sexto CD, um disco bem mais pop rock que todos outros lançados anteriormente por ele. Teve uma grande aceitação popular, levando Brother a tocar pra públicos muito maiores do que costumeiramente (chegou até a tocar aqui em Pernambuco - sua primeira vinda aqui acabou que o show não rolou em 1993/4). Cheio de baladas, o disco indicou um pouco do que a MK costuma fazer com muitos artistas, ao direcionar a carreira deles numa linha mais comercial. Brother sem dúvidas caiu nessa linha, e no seu caso deu muito certo. Dois clipes foram feitos de músicas do CD: Eclesiastes , gravado em Chicago, EUA; e Redenção, gravado em SP e em Tóquio. Já as fotos do disco foram tiradas nas ilhas de Santorini e Paros na Grécia. Essa fase do cantor pelo mundo foi os primórdios de sua transformação de artista em músico-missionário. Músicas como Eternidade mostram sua forma clássica de cantar e em alguns momentos na verdade parecer estar declamando a frase, dando efeitos geniais. "O Dom da Vida" é um apelo ao evangelismo das tribos urbanas, algo muito massa, mostrando que apesar da pegada mais suave do disco, o compromisso continua o mesmo. Já "Presente" é mais uma homenagem à sua esposa Ciça, belíssima canção por sinal, que apareceu em coletânea "Amo Você" da MK Music. Redenção ganhou uma versão remix no álbum "Os Arrebatados Remix Vol. 1" de 2003. "É de Manhã" começa de um jeito bem divertido e interessante, com Brother explicando como compôs essa canção suave e genial (ainda com um finalzinho a lá Beatles fazendo inserções de comemoração kkkk).



A Volta de Johnny (2002)

01 - Johnny
02 - É o Amor
03 - Último Andar
04 - Vitória
05 - Esquemas
06 - Arrebatamento
07 - Príncipe da Paz
08 - Quem?
09 - Satisfação
10 - Eu Nasci prá Ser Feliz
11 - Let's Praise the Lord
12 - Pequenino de Deus


A carreira do Brother na MK foi bem curta, só dois discos (similar ao que ocorreria com o Fruto Sagrado - só que sem as tretas kkkkkkk). Mas rendeu bons frutos. A Volta de Johnny traz de cara a continuação de "Extra" do Katsbarnea, mostrando que o Johnny não morreu e tornou-se cristão. O clipe, rodado a 35 mm (raríssimo em produções cristãs), bombou muito no programa Conexão Gospel e outros programas de videoclipes cristãos. Mas afora essa faixa mais pesada e "Esquemas", o disco é bem próximo do álbum anterior. Eu mesmo curto basicamente só Johnny e É o Amor (essa última saiu no disco "Amo Você vol.8"). Vitória é uma rara faixa meio reggae que remete o passado da carreira do BS. O coral no final de "Arrebatamento" parece um vislumbre do paraíso. "Pequenino de Deus" é uma homenagem do Brother ao seu primeiro filho, Dylan, que nascera naquele ano de 2002. Apesar do som mais variado em comparação ao pop do disco anterior, também vendeu muito bem esse álbum, ainda assim Brother acabou saíndo da gravadora, para poder montar sua produtora independente, onde teria mais liberdade de sons...


Eclipse (2004)

01 - Prelúdio
02 - Semi-deus
03 - 10 "Real"
04 - O Despertar dos Loucos
05 - Hotel Paradiso
06 - Memorandum
07 - Hey Amigo
08 - All Right
09 - Onde Deus me Levar
10 - Noite de Johnny
11 - Perdoar
12 - Eclipse


Esse disco realmente arrepiou. 40º maior disco dos 100 melhores dos anos 2000, Eclipse foi mais um momento de "chacoalhada" do Brother Simion. Inspirado no nu metal, com a participação de Anselmo (ex-Patmus e Judas o Outro) fazendo os vocais mais guturais, o som de Brother ficou bem moderno pra época, mas bem executado. Não a toa, é o disco mais pesado de toda a carreira dele. A capa com o Dylan e seu óculos 3D deve deixar muita gente confusa do conteúdo do disco, mas posso te dizer, se você é fã de um rock pesado e umas letras mais pensativas, esse é o disco. Semi-deus, como antecipado pelo prelúdio, é uma música dedicada aos falsos pastores e exploradores da fé. Influências do Korn e do Slipknot são fáceis de notar em faixas como 10 "Real" e O Despertar dos Loucos, além da pesadíssima Memorandum. 10 "Real" também mostra as realidades das ruas, inspirada por viagens que Brother fez pelo Brasil e pelo mundo na turnê do disco anterior (inclusive aqui em PE). Algumas faixas como "Hotel Paradiso", "Hey Amigo", "Onde Deus me Levar" e "Noite de Johnny" resgatam elementos mais pop do Brother, mas sem tirar os elementos de nu metal. "Perdoar" é uma faixa bem experimental, já Eclipse fechou o disco com um som instrumental muito legal.

Curiosidade: "Noite de Johnny" era um evento que o BS chegou a organizar por um tempo.


Testemunho (2005)

01 - Como tudo começou...
02 - Traficante
03 - Rio de Janeiro
04 - Amsterdã
05 - De Volta ao Brasil
06 - Camelô
07 - A Viagem
08 - A Vitória
09 - Hotel Paradiso (acústico)
10 - 10 "Real" (acústico)
11 - Ei, Amigo (acústico)
12 - Onde Deus me Levar (orquestral)


Um disco testemunho muito bom, dando um resumo básico do que foi a conversão do Brother. Embora não mostre alguns detalhes, como referências à Renascer, elenca várias situações que o Brother passou na vida antes de Cristo até por fim se converter e estar até hoje fazendo a obra de Deus. O disco finaliza com quatro versões alternativas de faixas do disco Eclipse. Vale a pena pra mostrar às pessoas como o submundo das drogas é perverso e cruel.


Gênesis for New Generation (2007)

01 - Extra
02 - Do Céu
03 - Asas
04 - Esperança
05 - Pra Onde Você Vai Brother?
06 - Invasão
07 - Gênesis
08 - Contato
09 - Sede
10 - Revolução


Versão de relançamento digital
pela Radar Records em 2016,
nomeada somente como "Gênesis"
Gerações novas, trabalho clássico repaginado. A proposta desse disco, resgatando canções da fase Kats e da própria carreira solo, só que com mudanças geniais no som, adotando a pegada do New Prog (estilo musical que funde rock alternativo com rock progressivo). Uma das faixas que ganhou a melhor repaginada foi "Gênesis", que ficou ainda muito suave, mas bem mais rock que as versões que o Kats fez com o Brother e com o Paulinho Makuko, a versão do Renascer Praise ou a da Faty. Do Kats percebe-se a prevalência de músicas do álbum "Armageddom" (Invasão, Do Céu, Gênesis e Pra Onde Você Vai Brother?), o melhor disco do Kats pra mim e pro próprio Brother. Além dessas, a clássica Extra, Revolução e Contato tiveram também uma repaginada aqui. Talvez a menos modificada foi "Sede", mas o som deu uma leve acalmada aqui. No geral creio ter sido uma boa escolha de faixas, mas espero até um dia um "Alegria for New Generation", com faixas como Alegria, A Promessa, Grito de Alerta, Sepulcro Caiado e Remédio prá Dormir, por exemplo.

Na capa, uma foto do Brother segurando, acredito eu, o Dylan bem novinho, uma representação da "nova geração" a porvir.

Beautiful (2012)

01 - Beautiful

Single que serviria como prévia de um trabalho futuro do Brother, mais na linha alternativa. A letra em inglês possui uma referência à canção "I Hope You See the Light" nos versos "Since Jesus Came into My Life / I Look Mad but I'm Just Fine!" Apesar de possuir diversos elementos geniais (incluíndo aí a inseparável gaita do Brother), esse single ficou simplesmente por si só, pois que ele não reapareceu no disco seguinte do Brother, vários anos depois. Pelo que se sabe, o disco em que essa música ia ser incluída, produzido por Lucas Nogueira, acabou cancelado e nunca foi realmente explicada as razões.


Legado (2016)

01 - Legado
02 - Jumping in the Air
03 - Uma Voz do Céu
04 - The Way to Your Heart
05 - Everlasting King
06 - Legado (remix)
07 - Legado (Brasil remix)




Anos distante da mídia e mais envolvido em missões, nada disso foi suficiente pra eliminar a criatividade do "Johnny". 30 canções que viraram 5 gravadas, graças à insistência do guitarrista Netinho (Patmus), com uma pegada muito introspectiva. O tempo longe do Brasil, morando na Alemanha e fazendo missões por lá, poderia meio que atrapalhar a sonoridade do disco, mas bem longe disso. Numa de suas raras vindas pra cá (em 2011 chegou a gravar um disco com seu velho parceiro Estevam Hernandes - o álbum Inesquecível, um dos discos da minha discografia que eu realmente menos curto -, e em 2012 chegou a gravar um disco, mas o lançamento foi cancelado sem mais nem menos). Por fim, em 2016 veio esse trabalho, todo produzido pelo Brother com simplicidade, sem alarde, praticamente só divulgado quando finalizado. Curiosamente o disco foi publicado no dia 04/07 nas mídias digitais, mas o cantor mesmo só divulgou a 18/07, causando um impacto na mídia especializada, que rapidamente correu para conhecer esse trabalho inédito após 12 anos sem nenhum trabalho completo realmente inédito. Em questão de sonoridade, traz uma fusão de estilos que o cantor fez em sua vida, como o rock alternativo, new prog, pop rock, tudo numa pegada mais introspectiva, o que tornou esse disco um dos mais suaves de sua carreira. As duas últimas faixas são remixes da faixa-título, mantendo as influências de techno - a segunda com umas influências de Bossa Eletrônica incluídas, lembrando um pouco discos da Bebel Gilberto. Bem, se só foram 5 faixas de TRINTA que ele tinha em mãos... tenta imaginar o que pode vir por aí? Aguardemos!

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Ver também:

Katsbarnea
Patmus
Judas o Outro
Estevam Hernandes (Banda Inesquecível)

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Virgin Black



Virgin Black é uma banda australiana da cidade de Adelaide que funde influências de doom, symphonic e gothic metal, além de gothic rock, death metal e trance em algumas músicas deles. Atualmente é formada somente por dois membros fixos: o lendário vocalista, tecladista e piano Rowan London (ex-Discarnated) e a guitarrista e violoncelista Samantha Escarbe (atualmente conhecida como Sesca Scaarba). Estiveram em atividade entre 1995 e 2009 e recentemente, após anos de espera de muitos fãs da banda pelo seu disco que finalizaria a série Requiem, em 2018 eles voltaram à ativa.

Uma curiosidade sobre a banda é que, embora cristãos, diversas vezes eles declararam relutar o rótulo de banda de "christian metal" ou "white metal", além de fazerem letras bastante curiosas e complexas, por vezes aparentemente controversas como "Museum of Iscariot" e "God in Dust" e professarem um grande descontentamento com a igreja institucional. Apesar de não coadunar de muitas das ideias da banda, eu até os entendo e de fato compreendo a frieza e intransigência de boa parte da chamada igreja institucional.


Virgin Black demo (1996)

01 - Veil of Tears
02 - Black Corsage
03 - Mother of Cripples
04 - Anthem






Mesclando um clima soturno, de tristeza, e ao mesmo tempo serenidade, a demo autointitulada da banda traz uma beleza sem igual. Três das quatro faixas seguem uma linha mais balada - suave e gótica (apesar dos momentos pesados de Mother of Cripples). Já Black Corsage é a que segue uma linha mais doom metal pura, uma das poucas faixas da banda a seguir essa linha de maneira mais firme. Os vocais operísticos de Rowan alternam de passagens eruditas bem próximas à voz de baixo a momentos de lirismo tenor quase contratenor, mostrando uma extensão vocal impressionante. As letras trazem uma criatividade impressionante para relatar os conceitos de tristeza e dramas interiores, mas sempre remetendo à fé no Criador, como é notório em "Mother of Cripples" ("Ancião de dias, Criador da vida, do útero me formaste, minha vil existência enxerga o teu amor"). "Anthem" é um dos maiores e mais belos hinos sobre o ciclo da vida humana em comparação ao nosso Senhor Jesus, que também passou por toda essa dança "no eterno ciclo de nascer, viver e morrer, mas TU VIVES NOVAMENTE!"

Veil of Tears, Mother of Cripples e Anthem apareceram também na coletânea Australian Metal Compilation IV - Falling of Deaf Ears do mesmo ano pela Rowe Productions (ver na seção de coletâneas).


Trance EP (1998)

01 - Opera of Trance
02 - A Saint is Weeping
03 - Whispers of Dead Sisters








Inserindo elementos de trance music, esse EP é quase um avantgarde metal de tão ousado, apesar de curto. Goticismo forte, letras bem poéticas e sem perder a inspiração bíblica. Na primeira faixa já mandam a realidade dos que servem a Deus como Jesus assim falara a séculos atrás ("Viveremos de verdade quando morrermos (pra nós mesmos) e morreremos quando bebermos do (sangue do) Sacerdote Supremo"). A complexa "Whispers of Dead Sisters" é uma das faixas mais impressionantes da história do metal, e com certeza não é pra fãs casuais do gênero, com sua fusão de elementos diversos, até mesmo uns vocais computadorizados em diversos momentos.

Sombre Romantic (2001)

01 - Opera de Romanci: I. Stare
02 - Opera de Romanci: II. Embrace
03 - Walk Without Limbs
04 - Of Your Beauty
05 - Drink the Midnight Hymn
06 - Museum of Iscariot
07 - Lamenting Kiss
08 - Weep For Me
09 - I Sleep with Emperor
10 - A Poet's Tears of Porcelain

Polêmico até nas fotos de encarte, com todos os membros desnudos - não explicitamente, mas desnudos sim!
Tudo que a banda já tinha demonstrado na demo e no EP aqui é elevado até a última potência. O disco já começa com duas partes de uma opera em latim feita pela banda. Após isso é só uma viagem de ida sem volta em um passeio de estilos e fusões de estilos. Você começa com a techno-gothic Walk Without Limbs, vai pra balada sinfônica Of Your Beauty e depois pra quase black metal Drink the Midnight Hymn e se sente completamente hipnotizado pela criatividade, ousadia e capacidade da banda em tão pouco tempo de disco - isso porque ainda vem mais pela frente!

Sem dúvidas a faixa mais genial - e por vezes polêmica pra muitos - é "Museum of Iscariot". Cantada na pessoa do Judas Iscariotes, traz um possível relato desesperado do traidor ao perceber o quanto sua atitude foi maligna e perversa, além de sua certeza de uma morte cruel (como ele realmente passou ao se enforcar e seu corpo quebrar o galho da árvore, causando seu despedaçar contra pedras abaixo). Enfim, é difícil dimensionar por completo o impacto que Sombre Romantic trouxe pra cena do metal e rock gótico mundial, tornando a banda respeitada não só no meio cristão como também no secular.

Elegant... and Dying (2003)

01 - Adorned in Ashes
02 - Velvet Tongue
03 - And the Kiss of God's Mouth Part I
04 - And the Kiss of God's Mouth Part II
05 - Renaissance
06 - The Everlasting
07 - Cult of Crucifixion
08 - Beloved
09 - Our Wings are Burning



Quase um disco conceitual (com músicas que continuam na seguinte), "Elegant... and Dying" traz uma sonoridade mais direta, com elementos mais doom, gothic e symphonic, sem elementos de techno/trance ou outros estilos. O teclado aqui reina de maneira absoluta. Músicas de tamanho médio convivem com enormes canções, como a gigantesca "The Everlasting" e seus quase 20 minutos. A sequência "And the Kiss of God's Mouth" partes I e II são verdadeiros hinos de qualidade intangível. Renaissance, a quase "faixa-título" do álbum, começa de uma forma bem suave, depois segue com riffs da Samantha muito fortes e envolventes. As orquestrações da faixa, com elementos de coral no fundo enquanto Roman faz seu vocal conferem um clima tétrico, quase medieval, para a faixa. A faixa mais famosa do disco é a última, "Our Wings are Burning", possuidora de um videoclipe irado, provavelmente a música mais famosa da banda até hoje. "The Everlasting" com sua longa extensão possuí elementos de death/black metal, em especial no refrão, tornando-a realmente a mais progressiva faixa da banda até hoje.


Requiem - Mezzo Forte (2007)

01 - Requiem, Kyrie
02 - In Death
03 - Midnight's Hymn
04 - ...and I Suffering
05 - Domine
06 - Lacrimosa (I am Blind with Weeping)
07 - Rest Eternal




Um certo review que li desse disco tinha por título "Quando Mozart se une ao metal". Um resumo simples e perfeito para definir a parte I da obra Requiem. Cada uma das partes iria ter um enfoque básico. Essa seria a mais média, com os elementos de doom metal e symphonic se fundindo de maneira espetacular. Os vocais líricos de Susan Johnson (que também participaria dos outros discos da VB e de um do Ted Kirkpatrick) já na faixa de abertura capitanearam toda a climática do disco, em união com os já famosos vocais de tenor do Rowan (que, como sabemos, sempre consegue ir além, ingressando inclusive em alguns guturais ocasionais, como na faixa "Domine"). Trazendo uma orquestra INTEIRA e mais um coral de várias vozes, é um dos discos mais VERDADEIRAMENTE SINFÔNICOS da história do metal sinfônico. Não a toa este disco está entre os mais amados e respeitados dentro do metal mundial.

OBS: A sequência real de audição deve ser: Pianissimo, Mezzo Forte e Fortissimo. Por questões de lançamento e de review fiz a audição por ordem de lançamento (haja vista que o Pianissimo foi o último a sair), mas vale a pena ouvir exatamente na ordem sugerida pela banda.


Requiem - Fortissimo (2008)

01 - The Fragile Breath
02 - In Winter's Ash
03 - Silent
04 - God in Dust
05 - Lacrimosa (Gather Me)
06 - Darkness
07 - Forever




Antes de mais nada: se você nunca ouviu esse disco, mas está habituado ao som da Virgin Black, não se assuste: Esse disco não é NADA PARECIDO com nenhum outro da banda. Embora a sonoridade doom metal com symphonic esteja presente, elementos de death metal aqui abundam bastante. Rowan London aqui resgata sua era como vocalista da banda de death metal Discarnated com louvor. Basicamente aqui pegaram o Mezzo Forte e o elevaram a uma potência muito mais pesada. Menos instrumentos de orquestra, mais doom/death, faz jus ao termo "Fortissimo". Entretanto a voz de Susan Johnson e os arranjos operísticos ainda estão lá. Na minha opinião esse é um dos discos mais inovadores da história da música de todos os tempos.

Uma das melhores faixas do disco é a polêmica "God in Dust". Polêmica só no título mesmo, pois a letra mostra a realidade do ser humano: "Seguro a mão de Deus no pó, eu estou no pó, mas mesmo lá eu O encontrei". Poético e sublime demais. A capa também rendeu uma certa polêmica, por ilustrar uma mulher de rosto pintado crucificada (muitos acreditaram erradamente ser uma zombaria a Cristo, mas a verdade é que: todos nós devemos tomar nossas cruzes e segui-lo, segui-lo até onde? ATÉ AO CALVÁRIO!).


Requiem - Pianissimo (2018)

01 - Requiem Aeternum
02 - Dies Irae (Dia da Ira)
03 - Until Death
04 - Kyrie Eleison (Senhor, Filho de Deus)
05 - Libera Eis Domine (Ele é o Senhor da Graça)
06 - Lacrimosa (I Tread Alone)
07 - Pie Jesu (Piedoso Jesus)
08 - Remembrance




Finalmente, depois de dez anos de silêncio completo, a parte final (ou inicial, segundo a ordem que a própria banda sugeria) da trilogia Requiem sai para todos nós. Nesse tempo todo se esperava que o disco sairia ainda em 2009, daí a banda deu uma pausa nesse ano e começou a longa espera (tal qual até hoje há uma espera pelo legítimo Legend III.II da Saviour Machine e não a versão lançada pela gravadora sem autorização da banda). Falas desencontradas, até mesmo algumas respostas meio desaforadas ou o completo silêncio tornaram as esperanças de que um dia esse disco realmente saísse cada dia menores.

Mas aí veio uma esperança, quando a banda criou sua conta no Instagram no início de 2018 e começou a postar algumas informações interessantes, fotos atuais de London e Escarbe (que agora se identificava pelo codinome Sesca Scaarba), e assim as esperanças foram ressurgindo até que enfim em 30 de novembro de 2018 a banda lançou de maneira independente o disco, via Bandcamp e também em uma tiragem física limitada.

O disco era realmente algo esperado por muitos de nós de acordo com a ideia que a trilogia representava. Elementos fortes de música clássica e sinfônica, com traços do metal gótico. Ok, era esperado essa sonoridade? Sim. Mas o melhor é que, diferente de uma certa banda secular que eu até admiro muito e que demorou mais de uma década pra lançar um disco completamente incoerente e ruim (Guns N' Roses e "Chinese Democracy", respectivamente), Requiem - Pianissimo cumpre seu papel magnífico, sendo possivelmente uma obra clássica digna de, caso Jesus não volte daqui a três séculos, ser tão relembrada quanto clássicos de Mozart, Vivaldi, Beethoven, Chopin, Bach, Wagner, Handel e outros mestres da música clássica. Essa fusão de goticismo com música clássica é de longe a melhor jamais executada na história. De fato, "Requiem" e seus três volumes são uma obra impressionante, vale demais a pena se deliciar nela por completo.

O futuro? Bem, finalmente libertos da cobrança pela obrea Requiem completa, o que se espera é que novidades impressionantes possam vir através dessa dupla. Anseio muito pelos próximos capítulos, e que sejam cada dia mais belos como a banda sempre vem executando <3



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Os 50 Melhores Discos de Metal e Punk Cristão Brasileiro

Essa lista é MINHA OPINIÃO. Aqui estão as que eu considero entre as maiores do metal, punk, hardcore, metalcore e hard rock.

Os critérios de seleção foram: Importância para a cena, novidades trazidas pelo disco, qualidade de gravação, criatividade lírica, qualidade musical e veracidade na fé. Os dez primeiros discos receberão um maior destaque, os outros também terão um texto mais simples sobre sua importância.

Edit: Algumas correções foram feitas com a colaboração do mano Márllon Matos. Valeu!


1 - Stauros - O Sentido da Vida (1997)

O primeiro disco mais bem produzido do metal cristão, com uma qualidade técnica impressionante, de power/progressive metal. Os vocais de Celso de Freyn o tornaram um dos maiores cantores de metal cristão brasileiro - talvez o maior até hoje. O trabalho dos irmãos Lucindo (Alessandro e Renatinho) nas guitarras é outra maravilha impressionante. Um dos poucos trabalhos de metal cristão a sair por uma gravadora major do mundo gospel, a Gospel Records, acabou ficando bastante famoso e bem distribuído no país inteiro. Sou louco pra um dia descolar uma cópia física deste.


2 - Calvário - IXOYE (1993)

Primeira banda cristã de metal a lançar um trampo em LP no Brasil, apesar de muitos considerarem que a qualidade técnica da banda, ou os vocais de Sandro Demaria não são tão acurados, é inegável a importância suprema desse disco pra cena, além de suas letras fantásticas e o clima doom/gótico que ele traz em diversas faixas. Lançado originalmente pela Aqualung Discos, teve uma recepção muito positiva inclusive nos meios seculares da época, mostrando que a banda realmente é inegavelmente uma influência a ser levada à sério sempre.


3 - Vários - O Refúgio do Rock (1994)

Primeira coletânea brasileira de metal e punk cristão, foi a porta pra apresentação de clássicas bandas como Antidemon (death/grind), Devilcrusher (death metal), Necromanicider (doom/death), Kletos (hard'n'heavy), The Joke? (na época thrash metal) e Justa Advertência (punk/HC), além de bandas menos famosas, mas que marcaram sua presença na cena, como Theosophy (hardcore/thrashcore), Kolapso (death/black metal), Kipper (power metal) e Juízo Final (futura Intruder, death metal). Sendo uma coletânea feita pelo saudoso projeto Refúgio do Rock (atual Projeto 242 do pastor Sandro Baggio), é importantíssima para mostrar como a cena era nos seus primórdios.

4 - Rosa de Saron - Diante da Cruz (1994)

Primeira banda de metal católica a lançar um disco NO MUNDO, Rosa de Saron (quando ainda era uma banda de metal) fazia um heavy metal muito na linha do Iron Maiden e do Black Sabbath, com os vocais de Tchelão (futuro The Flanders). Não há muito o que dizer a não ser que esse disco é um clássico eterno da banda, e que faz falta essa fase deles sem dúvidas.


5 - Antidemon - Demonocidio (1999)

Antidemon é com certeza a banda mais famosa do metal cristão brasileiro - e com todas as honras e méritos, já que o trabalho de Batista e cia ao longo dos anos em nome do Evangelho é algo simplesmente impossível de medir unicamente com palavras, seja com a Antidemon, nos tempos de CMF, Comunidade Zadoque ou Crash Church. Ok, as letras do gênero "morte ao diabo" podem hoje em dia parecerem muito datadas, mas além de influenciarem muito o gênero, é sem dúvidas um disco inesquecível, de valor inestimável pra cena cristã de metal hoje e sempre. E tem mais: Não só tem letra assim né, basta ver clássicos como Suicídio, Droga, Causas Alcoólicas e Mundo Cão pra ver que não é só Guerra ao Inferno no disco. Tá, a maioria esmagadora é aheueahuaeh diga-se pelo hino eterno Massacre, onipresente em qualquer show da banda até hoje

6 - Trino - Oposição (2003)

Da capa ao conteúdo, Oposição é um dos trabalhos mais impressionantes do thrash metal nacional, com muitos elementos de death metal, mas muito mais do hardcore, fazendo esse um dos discos mais caceteiros da banda. Conheci a banda nesse disco, na época que tinha acabado de sair. E que paulada! Trino se tornou a mais épica banda da cena daqui na minha opinião, e como faz falta ouvir a bateria do Fábio Kiefer e o vocal/guitarra do Tom Chagas, além do baixo de Fernando Martins. As letras desse disco complementam a atitude de protesto da banda, sem perder o foco na única real saída: Jesus Cristo.


7 - Justa Advertência - Mateus - V - 30 (1995)

Primeira banda de punk/hardcore cristã a lançar um disco (disco demo, mas disco né) no Brasil, Justa Advertência trazia uma sonoridade pesada e letras corajosas. Um verdadeiro petardo sonoro, além de uma capa assustadora, baseada no versículo título do disco ("Se tua mão te faz pecar, arranca-a e lança-a fora!"). Não, a banda não tava entendendo isso de maneira literal nem incentivando mutilação, ok? hahaeuheuhae. Falando de problemas sociais, falsos cristãos, consumismo e até mesmo do coelhinho da páscoa (de maneira zombeteira, claro), Justa Advertência abriu os caminhos para outras bandas que viriam a seguir.

8 - Divine Symphony - The History (2008)

Possuidor de uma das capas que mais deixaram uns crentes ignorantes com a pulga atrás da orelha (na verdade é só uma representação do apóstolo Pedro crucificado segundo a tradição de cabeça pra baixo), The History é um disco conceitual baseado na série de livros "Uma História Ilustrada do Cristianismo" de Justo L. Gonzaléz, com cada música nomeada de acordo com um dos volumes e a temática de cada faixa baseada no volume em questão. Com uma sonoridade symphonic black metal de primeira qualidade, incluindo muitos elementos de música erudita nos vocais, esse disco é considerado por muitos um dos maiores clássicos de todos os tempos do metal cristão nacional, um disco possivelmente inigualável.
 
9 - Amos - Gothic Soul (1999)

A melhor banda gótica cristã brasileira, Amos em Gothic Soul mostrou bem a que vinha, e com sua sonoridade épica a banda trouxe um elemento tão genial e assim a banda sul-mato-grossense deu início ao som christian gothic metal no Brasil (apesar que a banda Ex-Hortation já havia feito uma demo no gênero dois anos antes, não teve o mesmo alcance em definitivo que esse fantástico álbum atingiria e levaria a Amos muito mais a frente com seu som de heavy metal com diversas passagens e vocais góticos.

10 - Dynasty - Motus Perpetuus (2004)

Os mineiros da Dynasty (ou Dynasty of Metal) sem dúvidas são os maiores do gênero heavy/power metal no Brasil. E Motus Perpetuus é sua obra-prima. Tão prima que até recebeu um plágio bem descarado de uma certa banda de axé ae (sério kkkkk um dia falo mais sobre esse assunto). Bem, musicalmente a banda não deixa por menos ao mesclar elementos do power metal americano como Warrior e Fates Warning com o power metal germânico, em especial os primeiros trabalhos da Helloween, além da brasileira - e quase onipresente - Angra.

11 - Eterna - Terra Nova (2005) - Único disco dessa lista que foi escolhido pela Roadie Crew como um dos 50 discos essenciais do metal BR. Power/Prog de primeira qualidade.
12 - Devil Crusher - Anomalia (1995) - Uma das primeiras bandas a aparecer no cenário do metal cristão, sua demo traz um death metal bruto e sem firulas.
13 - Ruptura - Cala a Boca Já Morreu! (1998) - Uma das primeiras de punk cristão, foi o primeiro disco do gênero a atingir muito o público fã do gênero.
14 - Vários - Metal Mission Brazilian Compilation (2001) - Coletânea épica da saudosa revista Metal Mission (que ainda existe - originalmente como loja virtual de rock cristão e atualmente como página de notícias), diversas bandas clássicas apareceram aqui.
15 - Reborn - Blood of Innocents (1999) - Primeiro grande disco de thrash metal cristão brasileiro. Uma produção difícil de se vê em discos contemporâneos a este.
16 - Implement - Bleeding Alone (2019) - Uma das melhores produções do metal contemporâneo, os pernambucanos da Implement trouxeram experiência e qualidade sonora nesse petardo death metal.
17 - Soul Factor - Ressurgence of Chaos (2012) - Thrash/Groove Metal de deixar qualquer fã bobo. Daniel Martins a cada novo disco só melhora de qualidade.
18 - Angel's Fire - O Conto (2018) - Power/Symphonic Metal pernambucano com uma produção surpreendente. Uma revelação de primeira qualidade para a cena.
19 - Rosa de Saron - Angústia Suprema (1997) - Segundo e último disco de metal da banda, com uma qualidade de produção superior, e uma bela versão pra uma música do Tourniquet.
20 - Azorrague - Die With Us (2011) - Death metal paranaense feito por músicos experientes e trazendo uma qualidade impressionante.
21 - Disaffection - Begin the Revolution (2010) - Um dos mais famosos trabalhos de thrash metal cristão BR, a banda goiana deixou nesse trabalho um som bem ao nível da Bay Area.
22 - Offertorium - The UnBlack Metal for Light (1997) - Primeira banda de "un"black metal a lançar um trabalho no Brasil. Sua musicalidade surpreende com passagens bem raw black metal.
23 - Berith - Symphony of Suffering (2003) - death/black metal conceitual sobre as dores e males da humanidade e do mundo sem Deus. Continuação direta do clássico Devil Crusher, também inovou por trazer menos influências do "white metal", sendo uma das primeiras da cena a se desvincilhar do rótulo e das letras evangelísticas.
24 - Necromanicider - Revelations of Third Millenium (2001) - doom/death metal sombrio e performático, Necromanicide(r) marcou época e faz falta na cena.
25 - Rodox - Estreito (2002) - Não era realmente uma banda "gospel", mas o projeto de Rodolfo Abrantes pós-Raimundos fazia uma mescla de hardcore com nu metal e letras muito fortes até hoje.
26 - Destra - Joe's Rhapsody (2004) - Um dos mais complexos álbuns de metal cristão nacional, esse trabalho conceitual da Destra impressiona até hoje;
27 - Trombada - Circo Bestial (2010) - Hardcore "fumaçando fúria", a continuação da banda The Joke? trazia letras de protesto bem incisivas nesse discaço.
28 - Legacy of Kain - I.N.V.E.R.S.O. (2017) - Brutalidade e letras corajosas, o projeto thrash/groove paranaense marca demais pela qualidade e fantástica produção.
29 - Puritan - Nesse Chiqueiro Ninguém Vai pro Céu (2014) - Metalcore? Não, não, isso é FAVELA METAL! O projeto capixaba traz letras certeiras e ácidas para crente ficar bem chocado mesmo com nossa hipocrisia diária!
30 - Saint Spirit - Vanitas Vanitatum (2011) - A banda de Belford Roxo - RJ sempre traz letras fortes e sonoridade certeira, mas esse trampo é sem dúvidas um dos mais cabulosos já feitos na história.
31 - Stauros/Völlig Heilig/Lighthammer - Southern Extremities (2001) - Coletânea da Rowe Productions, ajudou a divulgar a cena brasileira no exterior.
32 - Völlig Heilig/Belica - Power of God (1998) - Primeira demo cristã a contar com uma produção profissional.
33 - Krig - Narcisistic Mechanicism (2010) - death metal progressivo muito técnico e complexo, traz uma das formações mais iradas da cena (Daniel Corpse, Isaque e July Soares, além de Vinícius Soares).
34 - Stauros - Seaquake (2001) - Um dos primeiros discos cristãos gravados totalmente em inglês, com uma sonoridade progressiva e técnica demais.
35 - Martíria - Atos 1:8 (1994) - Uma das primeironas de hard rock nacional, influenciou várias da cena.
36 - Crush Hell Machine - Cegos e Paranóicos (2010) - Crust/HC cearense forte e certeiro, CxHxMx (posteriormente só CRUSH e atualmente CrustCaos) é atualmente a maior formação do HC nacional.
37 - Cerimonial Sacred - Our War is Only Against Hell (2005) - Maravilhoso disco de symphonic black metal. Os irmãos Abisai e Melanchton criaram uma atmosfera fora de série nesse trabalho.
38 - Death Poems - Pseudoprophetae (2000) - Black, death e gothic metal convivem nesse trabalho inesquecível que foi provavelmente o primeiro disco full de uma banda de "un"black nacional.
39 - Antidemon - Apocalipsenow (2012) - Produção impecável e distribuição pela Rowe Productions tornaram esse disco do Antidemon o mais famoso mundialmente.
40 - Shining Star - Reset (2008) - O saudoso projeto de Fábio Rocha nesse disco teve a participação do mestre Ricardo Parronchi (que também cantou na Destra). Embora tenha tido membros mais famosos nos discos anteriores, como os cantores Nando Fernandes e Lance King, além dos irmãos Busic no primeiro disco, Reset é o único dos três que a banda realmente funciona como banda e não só como projeto do guitarrista.
41 - CrossrocK - Come on Baby (2014) - Até hoje a única banda cristã 100% Glam Rock/Metal a gravar um disco no Brasil, além de possuir o mestre Rane nos vocais, um dos maiores vocalistas de todos os tempos.
42 - Skymetal - Sepultura (2002) - Brutalidade e death metal usando a receita básica de Minas Gerais. Melhor que isso só complementar com o também de 2002 Apocalipse.
43 - Desertor - Cadeira de Rodas (2006) - Crossover Thrash sujo e com letras fora de série advindos do Paraná.
44 - Sunroad - Carved in Time (2013) - Fundindo glam metal com progressivo, sem dúvidas uma das mais criativas bandas de todos os tempos.
45 - Juízo Final - Ficha Limpa (2000) - Juízo Final tem dois méritos dentro da música cristã: Terem introduzido o rap ao lançar o primeiro disco totalmente do estilo em 1994, e o new metal/rapcore com esse disco épico.
46 - Átrios - Vitrine Viva (1994) - Hard rock direto e certeiro de uma das primeiras da cena a mandar ver no som.
47 - Ressurreição - Guerra sem Fim (2003) - Punk/hardcore libertário, sem firulas e com letras com diversas temáticas, sempre enfatizando a solução final que é Jesus.
48 - Metal Nobre - Revelação (1999) - Apesar de menos pesado que o primeiro álbum, "Revelação" foi a porta de entrada da banda brasiliense capitaneada pelo JT para atingir as rádios gospel.
49 - Sangue Inocente - Convicção (2008) - "Convicção (Dignidade, Respeiro e Honra)" é um verdadeiro caldeirão de sons, indo do thrash metal ao hardcore/crossover numa velocidade alucinante.
50 - Seven Angels - The Faceless Man (2005) - Primeiro projeto de Karim Serri (atual Legacy of Kain) a fazer sucesso, com seu power/symphonic profissional e épico.

Menções honrosas:

Ex-Hortation - Freedom (1999)
Retrieve - Convicções (2016)
Metal Nobre - III (2001)
Afterdeath - Blood (1997)
Devotam - Para Sempre Guerreiro da Luz (2006)
The Joke? - The Death of the Brittle Biscuit (1995)
Implement - Decaptated (2002)
Stauros - Adrift (2002)
Eterna - Papyrus (1999)
Eterna - Shema Israel (1997)
Soterion/Against Death - Excidium Satanas (2005)
Mediadhor - Caminho do Arrependimento (2016)
Improviso Divino - Hantavirus (2016)
Living Fire - O Eterno Agora (2016)
Clemency - Divine Legions of War (2004)
Doomsday Hymm - Mene Tequel Ufarsim (2016)
Saint Spirit - Mea Culpa (2015)
Getsêmani - I Love Your Lord (2000)
Templo de Fogo - Guerreiros (1998)
Oficina G3 - Indiferença (1996)
Oficina G3 - Além do que os Olhos Podem Ver (2005)
Foco Nocivo - Olhos para Não Ver (2004)
Prelúdio X - Triunfo de Vida (2018)
Empty Grave - Inside the Man There is a Space With Has the Size of God (2000)
Imperial - Autointitulado (2008)
Docnargath - Misantropia (2005)
Trino - 666 Corporation (2006)
Krig - Target: Human, Mission: Destroy (2009)
Skin Culture - Murdernation (2014)
Perpetual Legacy - A New Symphony to Him (2015)
Trino - Evora (2009)
HxBx12 - História Sem Fim (2003)
Militantes - Destrua o Controle (2010)
Pedra de Esquina - Ficarão de Fora (1987)
Alta Cúpula - Chega de Falar (2003)
.Com - O Filme (2002)
Hawthorn - Dark Tales (2013)
Resistência HC - Demo (200?)
Escarna - Mortified (2007)
Perpetual Faith - The Price of My Head (2013)
Kennereth - Eyes of Fire (1998)
Hating Evil - Rotten Inside (2014)
Massaker - First Attack (2009)
Inpinfess - Ethernal Diahrrea (2014)
Desolate Death - Circus Maximus (2018)
Desinfernality - Logos Perene (2017)

E aí, quais que vocês sugerem que faltaram pra vocês? Comentem abaixo!

Afterdeath








Afterdeath foi uma banda de death/thrash metal de Vitória, Espírito Santo, uma das primeiras de metal cristão do Estado. Surgiu em 1992 e encerrou a carreira ainda no final dos anos 1990. Alecio Marques, ex-baixista da banda, depois entrou na conterrânea Trino. Ainda em 1992 participaram de uma coletânea chamada Noise Core - Death is Just the End pela Tarkus Records, com a música "Final Judgement", faixa bastante rara atualmente para se achar. Entre 27 e 28 de maio de 1995 (dia do meu aniversário de 7 anos)  eles fizeram um show que ficou gravado e enfim saiu no Youtube em 2010, onde é possível ver toda a força da banda ao vivo.


Blood (1997)

01 - Antropofagy
02 - Blood
03 - Credo
04 - Fake Friend
05 - Fetus Mortus
06 - Malevolent Factory
07 - Rhuanda
08 - Tamburello
09 - The Crucified



Os irmãos Hayashi (William, voz e baixo e David nas guitarras), junto a Genilson Kobe na bateria e Ricardo Soares nas guitarras, fizeram uma demo impressionante. Muita gente até fica chocada quando se percebe que é apenas um demo-cd e não um disco de estúdio bem produzido, porque é uma demo muito bem produzida. A voz de William traz consigo as influências mistas do death e do thrash metal, que é visivelmente influenciado por bandas como Death, Sepultura, Mortification e Vengeance Rising, dentre outras. Liricamente a banda vai além da temática cristã, ao abordar temas como aborto (Fetus Mortus), a fome e a guerra civil em Ruanda (Rhuanda) e uma homenagem ao maior piloto da F1 brasileiro, Ayrton Senna (Tamburello). A faixa "Credo" tornou-se um hino incrível. Sendo a única faixa em português, ainda impressiona pela qualidade. Composta pelo ex-baixista Alécio Marques, este levou a faixa para a sua banda seguinte, Trino, que popularizaria a canção ainda mais (posteriormente outra versão foi feita pela banda baiana Dynamus).

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Ver também

Trino

Antestor









Uma das primeiras bandas de black metal cristão (UnBlack Metal) e uma das primeiras a popularizar dentro da música cristã o uso de corpse paints, a norueguesa Antestor começou a carreira com o nome Crush Evil entre 1989 e 1993, e nesse período faziam um som mais death metal com uma pegada por vezes puxada pro doom metal. Em 1993 mudaram o nome para Antestor (do latim "testemunho" ou "chamado à testemunhar") e chegaram a enfrentar críticas severas da cena de metal escandinava, dentre elas ameaças de morte por parte de músicos como Euronymous (Mayhem, já falecido), Varg Vikernes (Burzum, ex-Mayhem - que já preso por matar o anteriormente citado e tempos depois condenado por incitar terrorismo na França) e Faust (ex-Emperor e mais uma pá de bandas, já foi preso por matar um homossexual) - e isso porque a banda até então só fazia doom/death metal e não o "un"black metal (só no ano seguinte algumas bandas como Horde, Vomoth, Offertorium, Kolapso e Apostasy iriam começar a se aventurar nesse som). Por anos a banda seguiu fazendo um som mais doom/death, que se refletiu na demo Despair e no álbum Martirium. Só no lançamento do disco "The Return of Black Death" de 1998 eles assumiriam o som mais black metal, com características próprias de atmospheric, folk, death, gothic e doom metal, que fariam a banda nomear seu estilo como "atmospheric sorrow metal" (sorrow significa "tristeza", o que reflete no som mais melódico da banda). Lançado pela Cacophonus Records, gravadora mais famosa por lançar bandas de black metal seculares, o disco teve uma péssima vendagem e distribuição, muito por conta da fé da banda. Posteriormente lançariam um de seus maiores clássicos: "The Forsaken", com a participação curiosa de Jan Axel Blomberg, o Hellhammer da banda Mayhem (parece que o jogo virou não é mesmo?)

Seguindo respeitada na cena cristã, mas bastante criticada e perseguida na cena secular (caso que a banda viu com muita força em sua turnê pelo Brasil - um dos poucos países em que o imbecil ódio pela cena de metal cristão permanece forte), Antestor segue lançando ótimos trabalhos, como o mais recente, Omen.

Demonstração clara de como a mentalidade brasileira é atrasada até no metal:
Enquanto na Europa, EUA e vários países mais avançados no heavy metal mundial
a rixa de metal "não-cristão" e "cristão" é coisa do passado, no Brasil pessoas ainda fazem
movimentos estúpidos e imbecis como esse. Só mais um tipo de prova de que esse país nunca
vai pra frente. Nem no submundo do heavy metal...
Depois reclamam que brasileiro em geral só gosta de "música ruim", também pudera,
com atitudes infantis, fascistas e separatistas como as da turma "tr00zona from hell", quem vai se interessar
por um clube da Xuxa pintado de ursos pandas como a trupe do "True Brazilian Metal"?




Crust Evil - The Defeat of Satan demo (1991)

01 - The Defeat of Satan
02 - New Life
03 - Jesus Saves
04 - Knus Ondskapen








Bem mais death metal do que outros lançamentos já com o nome Antestor, essa K7 causa assombro talvez pelo tamanho das faixas (tirando a instrumental final, todas com mais de sete minutos!) e letras de qualidade impressionante. Um dos primeiros trabalhos do gênero voltado para o cristianismo, as letras batem de frente com a batalha contra o mal, a derrota a satã (como o nome da demo e da faixa de abertura já sugerem). A faixa "Jesus Saves" é minha predileta, mas todas as três faixas cantadas são recomendadíssimas. A demo encerra com um instrumental meio industrial que na realidade contribui com o clima soturno da demo e de tudo que a banda faria posteriormente.

Curiosidade: Knus Ondskapen vem do norueguês e significa "esmagar o mal", o mesmo significado do nome da banda à época (Crush Evil).


Despair (1993)

01 - Preludium
02 - Demonic Seduction
03 - Message from Hell
04 - Lost Generation
05 - Human
06 - Jesus, Jesus Ver Du Hjå Meg

O clima doom metal infesta esse disco já na intro, e segue por toda a demo. As letras seguem falando sobre as obras do diabo e do inferno contra a humanidade e nossa geração, realmente mostrando nosso clima de desespero quanto a saídas nessa vida nossa. Mas por fim, a faixa final em norueguês, "Jesus, Jesus Ver Du Hjå Meg" (Jesus, Jesus, sê tu por nós) nos traz a saída para esse ciclo vicioso de desespero, numa canção fúnebre, mas muito bela e verdadeira, pois aos servos de Deus a morte é a libertação de nossas vidas para a vida eterna:

Jesus, Jesus, vem sê por mim
Jesus, Jesus,
vem sê por mim
Guarde uma morada para mim

Nenhum conflito me ocorrerá
Deixe Satanás para trás e sigo
Sem dor, você me dá suporte
É à sua casa eu vou


Jesus, glória em ordem e graça

Como eu em minha vida na terra
Olhe, falando com você
Vendo todas as feridas que eu fiz, pensei

Gostas do seu coração violado
Drenar o meu coração adoentado

Tudo de teu coração vem para meu coração

Obrigado, então eu posso cantar
Livre e salvo a minha última canção
Jesus, Jesus, vem sê por mim
Guarde uma morada, sê tu por mim
Não tires meu descanso no último gongo


Capa da versão em CD da
Endtime Productions (2000)
Martirium (1997/2000)

01 - Spiritual Disease
02 - Materialistic Lie
03 - Depressed
04 - Seaching
05 - Immost Fear
06 - Under the Sun
07 - Thoughts
08 - Martyrium
09 - Mercy Lord


Versão K7 Promo da
Morphine Records de 1997
Doom/Death Metal de qualidade suprema, não muito distante do primeiro disco do Cathedral ou Paramaecium, dentre outras do gênero. Entretanto já é possível ver umas influências do que o gênero mais famoso da Escandinávia na época (a segunda onda do black metal) vinha produzindo, como é possível ouvir em vocais e no instrumental de "Materialistic Lie". Os vocais de Martyr (Kjetil Molnes) já traziam uma variação fora de série. "Depressed" com seu teclado de abertura já traz um clima mais soturno, mais "sorrow", como a banda já à essa época definia seu som - que se segue bem nessa faixa, com viradas geniais de bateria de Armoth (Svein Sander) e os vocais de Martyr variando do gutural pro gótico-operístico e pro mais rasgado do black metal. O trabalho de guitarra de Pilgrim (Erling Jørgensen) e Vemod (Lars Stokstad, único membro ainda ativo na banda depois de "The Forsaken") e do baixo de Gard (Vegard Undal) abrilhantam a obra, deixando ela muito suave e deliciosa de se ouvir. Não duvido que bandas como Ashen Mortality e a brasileira Docnargath tenham se inspirado nesse trabalho. Três faixas desse disco (Mercy Lord, Thoughts e Immost Fear) foram selecionadas para a coletânea Northern Lights da Rowe Productions, ainda em fase demo de produção em 1996. O disco saiu originalmente de maneira não-oficial em 1997 numa K7 promo, só realmente saindo de maneira oficial muitos anos depois em 2000, já pela Endtime, com uma belíssima arte de capa, mas curiosamente devido a esse atraso saiu depois do segundo lançamento full da banda, o próximo álbum a ser analisado aqui...

OBS: Os vocais femininos de Tora são uma obra de arte à parte, dando um ar majestoso, principalmente no final de Mercy Lord.


Kongsblod (1997/2018)

01 - Vinterferden (viagem no inverno)
02 - A Sovereign Fortress
03 - Svartedauens gjenkomst (o retorno da peste/morte negra)
04 - Sorg (tristeza)
05 - The Brigde of Death
06 - Gamlelandet (nação antiga)
07 - Kilden - lik en endelös elv (A fonte - igual a um rio infinito)
08 - Kongsblod (sangue real)
09 - Battlefield
10 - Ancient Prophecy
11 - Ildnatten (fogo noturno)

Versão demo do disco seguinte, "The Return of Black Death". Lançado de maneira independente em 1997, é basicamente o mesmo disco, só que com uma qualidade obviamente menos produzida. Por muito tempo ficou esquecido até que em 2018 a gravadora Nordic Mission trouxe o disco de volta com um relançamento em CD e em Vinil Duplo, com a capa e a logo da banda melhorados, inclusive a imagem dos dois vikings.

Curiosidade: Em muitos sites erroneamente dizem que essa demo, junto a "Despair", saíram na coletânea "The Defeat of Satan", um equívoco absurdo, haja vista que a coletânea já pelo nome deveria denunciar qual demo era a companheira de Despair - a demo gravada em 1991 como Crush Evil ainda e com o mesmo nome da coletânea, duuuuuuuuh!


The Return of Black Death (1998)


01 - Vinterferden (viagem no inverno)
02 - A Sovereign Fortress
03 - Svartedauens gjenkomst (o retorno da peste/morte negra)
04 - Sorg (tristeza)
05 - The Brigde of Death
06 - Gamlelandet (nação antiga)
07 - Kilden - lik en endelös elv (A fonte - igual a um rio infinito)
08 - Kongsblod (sangue real)
09 - Battlefield
10 - Ancient Prophecy
11 - Ildnatten (fogo noturno)

Lançado pela secular Cacophonus Records, famosa por lançar bandas como Cradle of Filth, Sigh, Dimmu Borgir e diversas outras bandas de black metal secular da Escandinávia, sem dúvidas foi um passo corajoso - porém em falso - da banda, já que que no fim das contas o disco foi terrivelmente mal divulgado e até mesmo rejeitado pela própria gravadora. Chega a ser triste que até hoje não teve um relançamento (apesar de sua demo, Kongsblod, ter conseguido esse feito).

Bem, saíndo da polêmica e indo para a música: O disco já começa nos jogando direto pros ambientes frios e gélidos do inverno norueguês, numa adição dos elementos de música atmosférica, já na instrumental de abertura, Vinterferden. A seguir, um show de black metal comandado por Martyr, Vemod (aqui tocando também teclados), Gard e Armoth, numa ambientação realmente fora de série, até então não experimentada dessa forma dentro do gênero (aqui no Brasil a banda Death Poems foi a que fez algo mais próximo disso em seu disco Pseudoprophetae). Elementos de doom, gothic, folk, death e black metal, além de atmospheric, são tudo inseridos nesse discaço. Não há como passar despercebido por esse disco, ele tem tantos elementos que é difícil escolher uma só faixa marcante. "Sorg" eu considero a que melhor pode definir a proposta do álbum, com seu ar soturno, realmente "atmospheric sorrow metal". Foi o último disco com Martyr e Armoth na banda, e posteriormente a banda passaria por uma reformulação bem genial.

Curiosidade minha: Eu achei por um tempo que a "Ancient Prophecy" daqui era um cover da canção de mesmo nome da Mortification no álbum "Scrolls of the Megilloth" (bobinho kkkk).


The Defeat of Satan (2003)

01 - Preludium

02 - Demonic Seduction
03 - Message from Hell
04 - Lost Generation
05 - Human
06 - Jesus, Jesus Ver Du Hjå Meg
07 - The Defeat of Satan
08 - New Life
09 - Jesus Saves
10 - Knus Ondskapen


Belíssimo trabalho da Momentum Scandinavian, reúne as demos "Despair" de 1993 e "The Defeat of Satan" de 1991 respectivamente, para fãs do Antestor que não conheciam o som da banda nos primórdios, mais doom death do que black metal. Vale muito a pena ter esse material original, para os que em geral só possuem material em MP3. Quase comprei esse um dia - mas o carinha que tinha o material na época pra vender acabou não conseguindo descolar um exemplar pra mim =(

Curiosidade: Esse disco teve uma tiragem limitada a 999 cópias.


Capa com uma pintura da igreja de
madeira de Borgund, versão pré-release
só vendida no NordicFest de 2004.
Curiosamente forma uma capa só com
a do disco "The Forsaken".
Det tapte liv (2004)
Versão mais comumente vendida,
numa caixa preta para conter também
o disco "The Forsaken".
Limitada a 1000 cópias.

01 - Rites of Death
02 - Grief
03 - Last Season
04 - Med hevede sverd (com espadas levantadas)
05 - Det tapte liv (a vida perdida)










Pequena amostra das mudanças sonoras da banda, a inclusão de mais teclados e uma pegada mais symphonic black metal (bem na linha de bandas como Dimmu Borgir, Vaakevandring, Divine Symphony e Cerimonal Sacred - essas últimas inspiradas com certeza no som que o Antestor estava produzindo nessa época). Vrede (Ronny Hansen) nos vocais e Sygmoon (Morten Sigmund Magerø, ex-Vaakevandring) trouxeram uma sonoridade muito mais sólida pra banda. Os vocais de Vrede têm variações impressionantes, o que contribui pra beleza sonora do EP. A participação mais do que especial de Hellhammer (Jan Axel Blomberg), baterista das seculares Mayhem e Arcturus e várias outras, deu uma qualidade fora de série, mas também contribuiu pra mostrar que a suposta incompatibilidade e impossibilidade de diálogo entre as cenas secular e cristã de black metal não existia. Ok, também deu uma certa polêmica pro batera na época, mas ele soube levar de boa isso. Curioso que fãs doentes de Mayhem e outras bandas seculares que pregavam - e em diversos casos, praticavam - incendiar igrejas e matar cristãos, ignoram tanto esse diálogo entre cenas.


The Forsaken (2005)

01 - Rites of Death
02 - Old Times Cruelty
03 - Via Dolorosa
04 - Raade (reino)
05 - The Crown I Carry
06 - Betrayed
07 - Vale of Tears
08 - The Return
09 - As I Die
10 - Mitt hjerte (meu coração)


Versão limitada distribuída no
Nordic Fest 2004
Um dos maiores clássicos do black metal mundial (não só cristão - pode ter certeza), The Forsaken mostra com todas as letras o que o EP anterior apenas esboçara. Black metal de primeira qualidade, com muitas passagens de teclado (o que deu um ar meio sinfônico pro som da banda), juntamente à participação de Ann-Mari Edvardsen, cantora lírica da banda de metal gótico secular The 3rd and the Mortal, e, claro, Hellhammer na bateria. Embora não tenha tocado realmente junto com a banda (o produtor do disco, Børge Finstad, preferiu trabalhar com cada músico separadamente), nem tenha tocado ao vivo realmente com a banda, ele deixou claro em uma entrevista pro site russo Metal Library em 2007 que seu maior interesse era música, e que aquilo era um belo "f***-se" pro tr00ísmo que queria ditar regras pra ele, e que se ele quisesse repetiria a experiência quantas vezes ele achasse que deveria. Ponto pra ele e para o metal cristão!

Liricamente a banda deu um passo adiante, ao não focar somente em Cristianismo, tristeza ou guerra a satã, mas com letras bem curiosas como "Betrayed", que fala de suicídio e incerteza de salvação, e "As I Die", uma letra mais próxima do gênero doom e gothic metal, falando de anseio pela morte (remetendo a Paulo em Filipenses 1: 20-23). "Rites of Death", provavelmente uma das canções mais famosas - senão a mais famosa - de Antestor, reaparece aqui com uma intro lírica cantada pela Edvardsen. "Via Dolorosa" é outra faixa que ficou muito famosa da banda, e relata de maneira muito forte o caminho de Cristo do tribunal de Pilatos até o Calvário.

Vale o destaque pra uma espécie de carta que aparece no encarte do álbum:

Vemod Over Det Tapte Liv (Tristeza sobre a vida perdida)
Et Liv Som Aldri Ble Levd (Uma vida que nunca foi vivida)

Jeg Vet Lite Av Glede (Eu conheço pouco sobre a alegria)
Men Mye Av Vrede (Mas bastante sobre a ira)

Vik Fra Meg (Afaste-se de mim!)
Satan




Omen (2012)

01 - Treacherous Domain
02 - Unchained
03 - In Solitude
04 - The Kinding
05 - Remmants
06 - All Towers Must Fall
07 - Torn Apart
08 - Tilflukt (refúgio)
09 - Benighted
10 - Mørkets grøde (A escuridão da escuridão)



Depois de três anos parados entre 2007 e 2010, a maior das bandas de black metal cristã está de volta! Com uma line-up enorme (sete membros - apesar de na foto oficial aparecerem apenas seis), Omen traz uma produção absurdamente majestosa. As gravações ocorreram na casa de Ronny Hansen (sim, eles abandonaram os codinomes e as corpse paints e sangue falso desse período em diante) e o resultado impressiona. Um puro black metal, sem muitos elementos sinfônicos, atmosféricos ou de "sorrow" deixaram esse disco o mais "raiz" da banda. Mas isso não significa falta de variação e canções "cópias" umas das outras. "Unchained" (que ganhou um videoclipe oficial) tem uma velocidade irada e sonoridade bem variativa, "In Solitude" traz um som meio folk no encerramento, ao passo que "All Towers Must Fall" traz o som mais doom que a banda nunca removeu de sua influência. "The Kinding" é a que mais se aproxima do álbum anterior, com uma atmosfera meio sinfônica. "Mørkets grøde" é uma faixa em norueguês como a um bom tempo a banda não cantava. Tilflukt é um belo instrumental remetendo a trechos de "Marche Funebre" de Frédéric Chopin (Piano Sonata No. 2 in B♭ minor, Op. 35), mais um na lista dos instrumentais bem construídos pela banda ao longo dos anos.

A turnê de divulgação começou no Brasil em janeiro de 2013 e, bem, foi bem acidentada. O show de Belém nem ocorreu por alguns problemas de produção - mesmo assim, há relatos de alguns vândalos "from hell" que atacaram igrejas jogando fezes nas portas delas -, e todos os outros que ocorreram tiveram pequenos protestos aqui e ali, mas o mais marcante (negativamente, claro) foi o de Belo Horizonte. A terra de bandas "tr00s" como Sepultura, Sarcófago, Holocausto, Chakal, Mutilator e Sextrash não viu com bons olhos a aparição da Antestor por lá e fizeram o maior de todos os protestos contra as bandas Antestor e a brasileira Krig (que abriu para a banda). Até a polícia teve de ser chamada para conter alguns engraçadinhos que até armados (pasmem!) apareceram por lá. É vergonhoso e estúpido esse ódio tolo, que embora possa até encontrar algumas motivações do passado (como algumas campanhas até de igrejas underground daqui que por um tempo promoveram uma guerra inútil contra o metal secular também e a visão político-ideológica-religiosa que leva muitos a acharem que o metal cristão é só uma arma para atrair incautos pros impérios religiosos de falsos profetas), ainda assim são demonstrações retrógradas que em diversas partes do mundo não fazem mais o menor sentido. Ainda assim, a banda considerou a turnê um sucesso, e esperamos sinceramente que um dia eles voltem pra cá e QUEM SABE a mentalidade imbecil e pseudo-libertária (mas na realidade fascista) dos "from hell" um dia acabe.

Curiosidade: A arte de capa foi feita pelo polonês Zdzisław Beksiński (1929 - 2005), pintor surrealista que também fundia estilos como barroco e gótico, criando uma técnica distópica. Essa pintura de um ser deformado tocando trombeta remete ao título do disco (Presságio ou Premonição em inglês), indicando o mal que se abate sobre a humanidade e que este é o prelúdio de uma condenação eterna aos que não saírem desse ciclo vicioso.

E o futuro? Numa entrevista pra revista virtual italiana White Metal (só não sei bem o ano, acredito que 2013) a banda planejava um EP logo, mas até o momento nada de novo. Resta-nos aguardar por novidades que logo virão a seu termo na vontade e dispensação divina!

Bootlegs:

- Live at BobFest (2004)
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A banda participou de algumas coletâneas ao longo dos anos. Conferir na seção de coletâneas.


Ver também:

Vaakevandring
Grave Declaration
Vardøger
Morgenroede
Arvinger
Schaliach
Extol
Fleshkiller
Frosthardr