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segunda-feira, 17 de junho de 2019
Floyd Cramer
Floyd Cramer (27 de outubro de 1933 em Shreveport, Louisiana - 31 de dezembro de 1997 em Nashville, Tennessee) foi um mestre de piano e um dos pais de um estilo de country conhecido como "Nashville sound", além de um dos inventores do rock. Sua maior contribuição ao mundo da música foi sem dúvidas o uso constante de "Appoggiaturas" (notas que usam um grau acima ou abaixo da principal, tirando um terço ou metade do valor desta), também chamadas em inglês de "slip notes". Seu trabalho como músico de estúdio foi reconhecido por diversos artistas de música popular, tendo gravado com artistas do rock e country dos anos 1950 como Eddy Arnold, Elvis Presley, Patsy Cline, Chet Atkins, Roy Orbison e Don Gibson, dentre vários outros. Entrou diversas vezes pro top 100 da Billboard, tanto solo como tocando com a Million Dollar Band e com os diversos artistas aos quais prestou seus serviços. Como cristão, ele vez por outra fazia músicas voltadas pra sua fé e também gravava canções tradicionais, além de também uma carreira secular, chegando a fazer a trilha sonora do seriado americano Dallas em 1980. Foi sua última grande obra. Em 1997 ele faleceu vítima de câncer de pulmão aos 64 anos de idade. Entrou nos Halls da fama do Country (2003), Rock (2003), Grammy (2004) e de Louisiana (2008).
Sounds of Sunday (1971)
01 - Medley:This World Is Not My Home, I'll Fly Away, Down In My Heart, Do Lord, Give The World A Smile
02 - Standing on the Promises
03 - Medley: What A Friend, Where Could I Go, It Is No Secret, Hide Me, Rock Of Ages, The Old-time Religion
04 - Medley: Precious Memories, In The Garden, Take My Hand Precious Lord, Softly And Tenderly, Lord, I'm Coming Home
05 - Oh Happy Day
06 - Where No One Stands Alone
07 - (There is a) Peace in the Valley
08 - How Great Thou Art
09 - Amazing Grace
10 - Amen
Discos instrumentais cristãos são sempre maravilhosos de ouvir. Só em ouvir discos como os de Floyd, Ralph Carmichael e os brasileiros Poly e Novas de Alegria são uma coisa de encher os ouvidos de alegria. Uma pegada entre o country e o gospel, "Sounds of Sunday" é o disco religioso mais famoso de Floyd. Nele ele toca clássicos de diversas épocas, como o Amazing Grace de John Newton, o "Oh Happy Day" de Edwin Hawkins, alguns medleys e canções que ficaram famosas na voz de Elvis Presley, como "Peace in the Valley" e "How Great Thou Art" ("Quão Grande És Tu" da Harpa e Cantor Cristão, de Stuart Hine). Ouvir esse disco sem ter uma calmaria é impossível. Para os fãs das raízes do rock, essa é uma pedida e tanto.
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Ver também:
Elvis Presley
Million Dollar Quartet
Sister Rosetta Tharpe
Diabo pai do rock? Eu acho que não hein! Pode perguntar à madrinha do rock, à avó do rock, à mãe do rock, àquela que "estava aqui antes de nós", Sister Rosetta Tharpe!
Rosetta Nubin (20/03/1915, Cotton Plant, Arkansas - 09/10/1973, Philadelphia, Pensylvania) posteriormente conhecida como Sister Rosetta Tharpe, foi a primeira cantora da história a fundir o gospel americano com estilos como blues e country, numa época em que precursores do estilo como Joshua White, Gary Davis, Blind Willie Johnson e Mahalia Jackson seguiam fazendo um som mais tradicional. Nos anos 1940 ela fez bastante sucesso, remetendo aos tempos de infância, quando começou com seus quatro anos na Igreja de Deus em Cristo com seu violão e sua mãe, Katie Bell Nubin, com o mandolin. Já nessa época ela era chamada de "Little Rosetta Nubin, a miraculosa cantora e violonista". Seguindo os passos de Memphis Minnie e outros percursores do rock, ela fazia um "proto-rock" fora de série e a princípio em oculto durante a década de 1920, mas seguiu em frente tocando inclusive em clubes da época, uma estratégia ousada, ainda mais para uma mulher cristã e negra - e casada com um pastor, Thomas Thorpe (o "Tharpe" de seu nome artístico foi um erro de grafia). Em 1944, após várias gravações incríveis como "Rock Me" e "God's Mighty Hand", ela, sendo uma das poucas autorizadas a gravar v-discs (um tipo de disco single da época) para as tropas do outro lado do Oceano Atlântico em meio à segunda grande guerra mundial, ela gravou a fortíssima "Stranger Things Happening Every Day", música essa com uma fusão com o boogie woogie. Essa virou a primeira canção de gospel da história a parar no Top 10 da Billboard, e por muitos é considerada o marco zero do rock no mundo (!). Posteriormente juntou-se a outra percursora, Marie Knight, que depois separaria da parceira para uma carreira mais pop secular.
Após anos de sucesso e polêmicas, já que a igreja muitas vezes se assustou com suas gravações, Sister Rosetta decidiu investir no blues nos anos 1950, o que a levou a cair significativamente sua popularidade. Voltando ao gospel, mas sem largar o blues, ela continuou a se apresentar até 1970, quando um derrame lhe fez perder uma das pernas, e pouco antes de mais uma gravação, em 1973, outro derrame calou sua voz nessa terra. Não duvido entretanto que ela, a primeira do mundo do rock, estará nos céus tocando sua guitarra "Stanger Things Happening Every Day" e "Beams of Heaven".
Sua influência alcançou diversos artistas, como Elvis Presley, B.B. King, Bob Dylan, Little Richard, Chuck Berry, Tina Turner, Isaac Hayes, Aretha Franklin, Jerry Lee Lewis, Sam Phillips (que chegou a fazer uma canção em homenagem a ela chamada "Sister Rosetta Goes Before Us") e vários outros gênios do rock e do soul. Em 2007 ela foi introduzida no Blues Hall of Fame e em 2017 foi reconhecida pelo Rock and Roll Hall of Fame como uma das precursoras do gênero - quiçá a primeira!
Complete Sister Rosetta Tharpe (1998)
01 - Down by the Riverside
02 - My Man and I
03 - Heaven is not my Home
04 - All Over the World
05 - The Lonesome Road
06 - Don't Take Everybody to Be Your Friend
07 - What a Friend We Have in Jesus
08 - Rock Me
09 - Jesus is Here to Stay
10 - God's Mighty Hand
11 - Strange Things Happening Every Day
12 - Trouble in Mind
13 - I Looked Down The Lane (And I Wondered)
14 - When They Ring The Golden Bell
15 - Beams of Heaven
16 - Precious Lord, Hold my Hand
17 - Ain't No Grave Hold My Body Down
18 - How Far from God
19 - Up Above My Head
20 - So High
21 - Crying in the Chapel
22 - Teach Me to Be Right
23 - Oh, When I Come To The End Of My Journey
24 - Two Little Fishes And Five Loaves Of Bread
25 - Amazing Grace
26 - Let The Lower Lights Be Burning
27 - What He Done for Me
28 - Saviour Don't Pass Me By
29 - There's a Fountain Fillled With Blood
30 - I Want a Tall Skinny Papa
31 - That's All
32 - Lay Down Your Soul
33 - Ain't No Room In Church For Liars
34 - Sit Down
35 - When I Move To The Sky
36 - Shout, Sister, Shout
37 - Jonah
38 - This Train
39 - Sin is to Blame
40 - Just A Closer Walk With Thee
Uma boa porção de todo seu talento musical, esse disco está repleto de ótimos números de blues, gospel, country, boogie e proto-soul e proto-rock. Diversas faixas aqui foram acompanhadas de coral (So High) e algumas da parceira Marie Knight (Up Above My Head). Algumas faixas como "Precious Lord..." são regravações - esta da rainha do gospel Mahalia Jackson -, outras, como Crying in the Chapel, viraram sucessos na voz de outros cantores - esta em especial na voz do Elvis Presley. Algumas canções também cantadas por ela, como Nobody's Fault but Mine do genial Blind Willie Johnson, acabaram de fora, mas vale a pena descolar essa coletânea, pois é um som muito bom, até pra você roqueiro mais moderninho que estranha o som clássico, para poder se inteirar do que foram as origens do punk, metal, metalcore ou seja o subgênero de rock que você curta. E pra os "trevosos" de plantão é uma ótima pedida pra saberem que rock é liberdade, servindo realmente para qualquer temática MESMO. Desde suas origens, diga-se de passagem! E pros religiosos de plantão também hein! Século XXI e vocês se comportando igual à igreja da Sister Rosetta e ficando assustadinhos não dá né!
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Ver posteriormente "Shout, Sister, Shout - A Tribute to Sister Rosetta Tharpe" (2003) na seção de tributos.
Ver também
Marie Knight
domingo, 16 de junho de 2019
Cultura Underground dentro das igrejas: certo ou errado?
Muito tem se discutido acerca da cultura underground que ganha cada vez mais espaço nas igrejas
evangélicas. Na internet encontra-se facilmente fóruns com o tema. Depois de ler várias opiniões sobre o assunto, percebi que fala-se muito e não se diz nada. O assunto não é visto como deveria, através também de um viés sociológico sobre o fenômeno das subculturas em nossa sociedade e sobre a postura da igreja em relação a isso. É explícita a completa falta de contextualização ao citar versículos bíblicos nesses debates e sente-se marcante presença das "ideias e frases prontas", aquelas que as pessoas usam, mas sem saber o sentido do que dizem. Apenas sabem quando usa-las, mas não têm ideia do que elas significam na verdade. Nas linhas que se seguem, vamos descrever de forma sucinta o que a bíblia diz sobre o estilo underground e algumas de suas peculiaridades, como o uso de piercing, brincos, tatuagem, etc, a fim de elucidar a questão e a mente daqueles que se encontram enganados em toda a sua sinceridade.
O cristianismo é um estilo de vida transcultural. Se a bíblia nos trouxesse em si alguma cultura, esta seria a cultura palestina do 1º século, que foi a época em que os escritores do Novo Testamento viveram. Mas desde esses tempos remotos, o mundo girou muitas vezes, culturas e impérios surgiram e desapareceram, mas a igreja permaneceu e aqui estamos. Considero uma absurda arrogância dizer que a nossa cultura ocidental é a cultura mais ortodoxa, deixando assim subentender que a própria igreja de Cristo e o resto do mundo por todos os séculos passados viveram em trevas e em pecado até agora em nossos dias. Se devemos discutir a questão pelo viés dos usos e costumes, devemos então admitir que todos são hereges, pois mesmo as igrejas mais tradicionais não cultuam a Deus como a igreja primitiva de Atos.
Uma grande deficiência da igreja moderna também ligada à questão é a interpretação incorreta das
escrituras. A igreja não tenta compreender os princípios dos mandamentos que lhe foram dados pelos
autores, mas tenta segui-los literalmente, como em uma religião qualquer. Devemos ter em mente que, quando Paulo, por exemplo, escreveu sua carta aos Coríntios, ele escreveu aos Coríntios, e não a mim.
Imagine só, que você hoje escreva uma carta para um amigo, contendo várias respostas à uma carta que seu amigo havia lhe enviado anteriormente. Agora imagine que, no ano 4010, alguém encontre essa carta e a leia (suponha que essa pessoa conheça a língua na qual você a escreveu, porque, provavelmente, ela já estará em desuso há muito tempo). O que você acha que essa pessoa, no ano 4010, vai entender? Provavelmente ela entenda alguma coisa. Mas ela vai entender realmente o que você quis dizer? Se essa pessoa quiser entender a mensagem real dessa carta, ela terá que pesquisar sobre a sua vida, a vida de seu amigo, o motivo que levou vocês a enviar cartas um ao outro, deduzir o conteúdo da carta que seu amigo lhe escreveu antes, etc. É exatamente assim que funciona com a bíblia também. Se leio a primeira carta aos Coríntios, eu entendo alguma coisa. Mas será que eu estou entendendo o que a igreja de Coríntio entendeu quando recebeu e leu a carta? Será que eu sei o que Paulo queria dizer? Por que Paulo lhes escreveu? Por que eles escreveram a Paulo antes? Como era o mundo há dois mil anos atrás? Como pensavam as pessoas há dois mil anos atrás? Destarte, compreendemos que devemos conhecer e aplicar os princípios que geraram os mandamentos, e não seguir os mandamentos em si simplesmente "porque estão escritos." Todo mandamento tem um princípio, e é isso que devemos compreender.
Devemos esclarecer que o movimento underground deve ser considerado um movimento de subcultura. O termo subcultura é utilizado sociologicamente para se referir a um grupo de pessoas cujo comportamento tem características que o separa da cultura maior (ou dominante) da sociedade na qual ele se desenvolve. Tais grupos são considerando subculturas e não culturas propriamente ditas porque são ligados à cultura maior (ou dominante) e apresentam traços dela. Cada cultura traz em si sua maneira de vestir, falar e pensar, e com as subculturas isso não é diferente. As chamadas "tribos urbanas" adotam visuais chocantes que fogem aos padrões da cultura maior ou dominante, têm seu próprio vocabulário e têm também e principalmente uma outra maneira de ver o mundo, que muitas vezes batem de frente ao pensamento corrente na cultura maior. Vamos aqui nos deter apenas no que diz respeito ao visual dessas tribos, causa de tanta controvérsia no meio evangélico.
O meio evangélico tradicional argumenta que devemos nos apartar do visual underground pois não
devemos nos contaminar com as coisas do mundo, mas que devemos ser diferentes, ser luz. É sempre
citado João 2:15, que diz: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o .
mundo, o amor do Pai não está nele." Veja bem: já parte-se do pressuposto que o visual das tribos
underground é "do mundo". Primeiro ponto: por quê é "do mundo"? Segundo ponto: o que é "mundo"? O primeiro ponto ninguém nunca soube me explicar. O segundo, explico nas linhas que se seguem. Estamos lendo uma carta que João escreveu para algumas igrejas residentes em lugares próximos uns dos outros; pequenas congregações da Ásia Menor, necessitadas de instrução e conselhos que as ajudassem a viver em plenitude o testemunho da sua fé em Jesus Cristo. Opa, espere aí: então a carta não é pra mim? Não, não é pra você. A carta era para algumas igrejas que existiram há quase dois mil anos atrás. Então, como explicado nos parágrafos anteriores, vamos tentar entender o que os destinatários originais da carta entenderam. João lhes disse que eles não deveriam amar o mundo e nem as coisas que há nele. O que então é o "mundo" e o que são "as coisas que há nele"? Não foi o mesmo João que escreveu no evangelho de João que "Deus amou o MUNDO de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna"? Espere aí: quer dizer que Deus amou o MUNDO, mas nós não podemos amá-lo? Mas não foi Deus quem criou o MUNDO em Gênesis? Então a bíblia diz que Deus criou o MUNDO e João diz que Deus o amou mas que nós não podemos amá-lo?Que confusão, hein?
Encontramos na bíblia palavras diferentes que foram traduzidas para o português como "MUNDO".
Existe na verdade o MUNDO que se refere à criação (como o que Deus criou em Gênesis), o MUNDO que se refere às pessoas em geral (como o de João 3: 16) e o MUNDO que João diz que não devemos amá-lo. Esse MUNDO, no grego, é COSMOS, e diz respeito a um SISTEMA organizado e liderado por Satanás, que inclui os que não aceitam a Jesus Cristo e se opõem à vontade de Deus. Esse é o MUNDO que não devemos amar. E o próprio João, no versículo seguinte, expõe o que são as "coisas que há no mundo": "porque tudo que há NO MUNDO, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede DO MUNDO". Logo, vê-se que João não estava tendo uma revelação de Deus para uma igreja preocupada com mesquinharias que surgiria num país que ainda seria descoberto quase 1.500 anos depois de sua morte. João não estava se referindo a nenhuma tribo underground nem da nossa época nem da dele.
Em relação ao uso de tatuagens, é usado o texto de Levítico 19:28: "Pelos mortos não ferireis a
vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor." Este versículo é ainda mais
problemático. Vamos supor que devemos segui-lo à risca, como está escrito. Se devemos seguir Levítico 19:28, devemos seguir também Levítico 19:27 (apenas um versículo antes) que diz: "Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba". Ou seja, todo homem na igreja deve ser barbudo com o cabelo quadrado. Se devemos seguir Levítico 19:28, vamos voltar agora dois versículos, e seguir também Levítico 19:26 que diz: "Não comereis coisa alguma com sangue, não agourareis, nem adivinhareis". Quem consegue comer carne que não tenha pelo menos um pouquinho de sangue? Então, todo homem crente dever ser barbudo, do cabelo quadrado e vegetariano. Não é isso que eu vejo naqueles que usam esse versículo para proibir tatuagem. Por que Levítico 19:28 deve ser observado e os versículos anteriores (e posteriores que não vou nem citar aqui) não? Depois, pegue sua bíblia e leia todo o capítulo 19 de Levítico. Por que extrair só um versículo? Simples: conveniência. Para provar o que se quer provar. Para sustentar um preconceito. Nos parágrafos acima vimos que não devemos seguir um mandamento de forma literal simplesmente porque "está escrito". Devemos, na verdade, entender o princípio que levou ao estabelecimento daquele mandamento. Então, por que foi ordenado aos israelitas em Levítico 19:28 que não ferissem a própria carne e que não fizessem marca alguma sobre ela? Esse mandamento se encontra repetido também em Deuteronômio 14:1: "Filhos sois do Senhor, vosso Deus; não vos dareis golpes, nem sobre a testa fareis calva por causa de algum morto". Esta proibição de fazer cortes e marcas sobre o corpo se destinava, na verdade, a evitar toda contaminação possível com um rito pagão cananeu de fazer incisões e marcas no próprio corpo em honra a Baal, o deus cananeu da fertilidade. Então, esse mandamento foi ordenado para evitar que o povo judeu se contaminasse com
qualquer rito pagão dos seus vizinhos cananeus. Vemos então que esse versículo também não serve de suporte a preconceitos e doutrinas. Se serve, então teremos problemas com os outros versículos do
mesmo capítulo de Levítico 19. É só escolher.
Em relação ao uso de brincos e piercings, a bíblia nos mostra que as mulheres israelitas usavam piercing. Em Isaías 3:21, lemos: "os sinetes e as jóias pendentes do nariz ...". Esse versículo reflete o costume da época de perfurar um lado da narina para colocar nela um brinco (comentário da Bíblia de Estudo Almeida). No contexto desse versículo, Deus está repreendendo as filhas de Sião, dizendo que irá retirar delas todos os seus adornos, "visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes ..." (Isaías 3:16). O problema, na verdade, não são os adornos, mas o caráter das filhas de Sião. Vemos então que o piercing era um costume das mulheres de Israel e que NUNCA foi repreendido pelo Senhor, pois nesse contexto o que é repreendido é o caráter das filhas de Sião. Se o próprio Deus não repreendeu esse costume, então quem o irá?
Alguns simplesmente acham que tudo isso não é certo nem errado, mas que deve ser evitado porque é
"escândalo". Não devemos "escandalizar" os irmãos. Mas o que é "escândalo"? Jesus disse que "é
impossível que não venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe
pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos." (Lucas 17: 1,2). A ideia dos partidários da doutrina do escândalo é que se eu uso um visual chocante, e alguém me vê e se "escandaliza", então, de acordo com o versículo, seria melhor que alguém amarrasse uma pedra de moinho no meu pescoço e me jogasse no mar. Será isso que Jesus quis dizer? Claro, óbvio que não. A palavra "escândalo" no grego é "skándalon" (de onde se derivou a palavra portuguesa escândalo) e significa tropeço ou armadilha, símbolo daquilo que incita ao pecado ou à perda da fé. Escândalo é todo ensino, palavra, obra ou omissão que incita o outro a pecar. Um visual underground não "escandaliza" ninguém, a não ser que uma pessoa comece a falar mal da outra pelo seu jeito diferente de vestir. Nesse caso, a questão não é o visual underground ou o visual "padrão do sistema", a questão é o caráter do maldizente.
O grande problema, na verdade, não está na bíblia. Está nas pessoas que têm dificuldade em aceitar o
diferente. Isso não acontece só na igreja. Isso é um problema comum a toda a sociedade e que se encontra presente na igreja, que tenta justificar essa sua posição em versículos descontextualizados, que nada têm a ver com o assunto. Em Apocalipse, João viu "grande multidão, que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos ..." (Apocalipse 7:9). Me indago sobre como será no céu o relacionamento dessas pessoas que têm dificuldade em aceitar o diferente com outras pessoas de culturas muito diferentes. Por exemplo, se temos em nossas igrejas brasileiras alguma apresentação de danças africanas em louvor a Deus, todos acham o máximo, pois é algo que não acontece sempre. É uma atração diferente. Todos dizem: "Que legal o jeito dos irmãozinhos africanos louvarem a Deus!". Mas dizem isso porque os "irmãozinhos africanos" vivem bem longe, lá na África, do outro lado do Atlântico. Queria ver se estivessem conosco todos os cultos louvando a Deus de seu modo barulhento e alegre. Com certeza seria necessário haver uma congregação só para eles, porque os mesmos que acharam "o máximo" aquela única apresentação de dança africana não iriam dividir com eles todos os cultos. Isso é corroborado pela exclusão das tribos underground das igrejas. A raiz do problema está no preconceito. Alguns argumentam que não têm preconceito porque tentam buscar pessoas de tribos underground para a igreja. Mas como não têm preconceito se quando essas pessoas entram na igreja, têm que cortar o cabelo, tirar os brincos, trocar as roupas, etc, ao invés de trocar apenas de coração? Seria isso conversão? Não é isso que vejo em minha comunidade, a Caverna de Adulão, que surgiu justamente dessa deficiência da igreja em aceitar o diferente. Quando a Caverna de Adulão surgiu, no início da década de 90, ela era apenas um ministério que trabalhava em conjunto com as igrejas, e não uma comunidade como é hoje. O objetivo era alcançar
jovens de subculturas diferentes, principalmente os "headbangers" (metaleiros), quando a capital mineira era considerada a capital nacional do Heavy Metal. Esse jovens que eram alcançados eram então encaminhados pela Caverna de Adulão a diversas igrejas, para ali serem tratados e crescer na fé. Mas não foi isso o que as igrejas fizeram. Esses jovens começaram a ser oprimidos dentro das igrejas e não eram compreendidos. Daí, ao perceber que muitos deles já estavam se extraviando, surgiu a necessidade de se reunir todos esses jovens e a Caverna de Adulão se constituiu então como comunidade.
Ser uma nova criatura não é ser 100% diferente do que se era antes de Jesus. Muitos dizem que ao se
converter, pessoas provenientes de tribos underground devem mudar o seu visual porque agora são
"novas criaturas em Cristo". Seguindo essa lógica de raciocínio, então as pessoas que não eram de alguma tribo underground deveriam então se tomar agora parte de alguma, porque agora é "nova criatura" também. Percebe-se que esse pensamento baseia-se no pressuposto de que tribos underground são "do mundo". Isso já foi explicado em parágrafos anteriores. Visual underground não é mais certo nem mais errado que o visual padrão do sistema imposto pela classe burguesa. Ambos são simplesmente amorais (N.R: Amoral é algo que não possui em si moral, diferente de IMORAL, que é algo de moral ruim, pervertida).
Conclui-se então que não existe base bíblica para proibir o visual das tribos underground nas igrejas.
Muito poderia ainda ter-se discorrido sobre o assunto, mas o exposto acima é suficiente para destruir os pilares principais das doutrinas humanas repressivas e preconceituosas de lideres e liderados (ou manipulados) que se preocupam demais com o material e externo e pouco com o transcendente e eterno.
Glauber Ataíde
Extraído de: http://dbcbrasil.blogspot.com que extraiu de: www.verbalizando.com.br
"O Senhor Não Vê Como Vê O Homem. O Homem Vê O Exterior, Porém O Senhor, Vê O Coração" (1 Samuel 16:7)
evangélicas. Na internet encontra-se facilmente fóruns com o tema. Depois de ler várias opiniões sobre o assunto, percebi que fala-se muito e não se diz nada. O assunto não é visto como deveria, através também de um viés sociológico sobre o fenômeno das subculturas em nossa sociedade e sobre a postura da igreja em relação a isso. É explícita a completa falta de contextualização ao citar versículos bíblicos nesses debates e sente-se marcante presença das "ideias e frases prontas", aquelas que as pessoas usam, mas sem saber o sentido do que dizem. Apenas sabem quando usa-las, mas não têm ideia do que elas significam na verdade. Nas linhas que se seguem, vamos descrever de forma sucinta o que a bíblia diz sobre o estilo underground e algumas de suas peculiaridades, como o uso de piercing, brincos, tatuagem, etc, a fim de elucidar a questão e a mente daqueles que se encontram enganados em toda a sua sinceridade.
O cristianismo é um estilo de vida transcultural. Se a bíblia nos trouxesse em si alguma cultura, esta seria a cultura palestina do 1º século, que foi a época em que os escritores do Novo Testamento viveram. Mas desde esses tempos remotos, o mundo girou muitas vezes, culturas e impérios surgiram e desapareceram, mas a igreja permaneceu e aqui estamos. Considero uma absurda arrogância dizer que a nossa cultura ocidental é a cultura mais ortodoxa, deixando assim subentender que a própria igreja de Cristo e o resto do mundo por todos os séculos passados viveram em trevas e em pecado até agora em nossos dias. Se devemos discutir a questão pelo viés dos usos e costumes, devemos então admitir que todos são hereges, pois mesmo as igrejas mais tradicionais não cultuam a Deus como a igreja primitiva de Atos.
Uma grande deficiência da igreja moderna também ligada à questão é a interpretação incorreta das
escrituras. A igreja não tenta compreender os princípios dos mandamentos que lhe foram dados pelos
autores, mas tenta segui-los literalmente, como em uma religião qualquer. Devemos ter em mente que, quando Paulo, por exemplo, escreveu sua carta aos Coríntios, ele escreveu aos Coríntios, e não a mim.
Imagine só, que você hoje escreva uma carta para um amigo, contendo várias respostas à uma carta que seu amigo havia lhe enviado anteriormente. Agora imagine que, no ano 4010, alguém encontre essa carta e a leia (suponha que essa pessoa conheça a língua na qual você a escreveu, porque, provavelmente, ela já estará em desuso há muito tempo). O que você acha que essa pessoa, no ano 4010, vai entender? Provavelmente ela entenda alguma coisa. Mas ela vai entender realmente o que você quis dizer? Se essa pessoa quiser entender a mensagem real dessa carta, ela terá que pesquisar sobre a sua vida, a vida de seu amigo, o motivo que levou vocês a enviar cartas um ao outro, deduzir o conteúdo da carta que seu amigo lhe escreveu antes, etc. É exatamente assim que funciona com a bíblia também. Se leio a primeira carta aos Coríntios, eu entendo alguma coisa. Mas será que eu estou entendendo o que a igreja de Coríntio entendeu quando recebeu e leu a carta? Será que eu sei o que Paulo queria dizer? Por que Paulo lhes escreveu? Por que eles escreveram a Paulo antes? Como era o mundo há dois mil anos atrás? Como pensavam as pessoas há dois mil anos atrás? Destarte, compreendemos que devemos conhecer e aplicar os princípios que geraram os mandamentos, e não seguir os mandamentos em si simplesmente "porque estão escritos." Todo mandamento tem um princípio, e é isso que devemos compreender.
Devemos esclarecer que o movimento underground deve ser considerado um movimento de subcultura. O termo subcultura é utilizado sociologicamente para se referir a um grupo de pessoas cujo comportamento tem características que o separa da cultura maior (ou dominante) da sociedade na qual ele se desenvolve. Tais grupos são considerando subculturas e não culturas propriamente ditas porque são ligados à cultura maior (ou dominante) e apresentam traços dela. Cada cultura traz em si sua maneira de vestir, falar e pensar, e com as subculturas isso não é diferente. As chamadas "tribos urbanas" adotam visuais chocantes que fogem aos padrões da cultura maior ou dominante, têm seu próprio vocabulário e têm também e principalmente uma outra maneira de ver o mundo, que muitas vezes batem de frente ao pensamento corrente na cultura maior. Vamos aqui nos deter apenas no que diz respeito ao visual dessas tribos, causa de tanta controvérsia no meio evangélico.
O meio evangélico tradicional argumenta que devemos nos apartar do visual underground pois não
devemos nos contaminar com as coisas do mundo, mas que devemos ser diferentes, ser luz. É sempre
citado João 2:15, que diz: "Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o .
mundo, o amor do Pai não está nele." Veja bem: já parte-se do pressuposto que o visual das tribos
underground é "do mundo". Primeiro ponto: por quê é "do mundo"? Segundo ponto: o que é "mundo"? O primeiro ponto ninguém nunca soube me explicar. O segundo, explico nas linhas que se seguem. Estamos lendo uma carta que João escreveu para algumas igrejas residentes em lugares próximos uns dos outros; pequenas congregações da Ásia Menor, necessitadas de instrução e conselhos que as ajudassem a viver em plenitude o testemunho da sua fé em Jesus Cristo. Opa, espere aí: então a carta não é pra mim? Não, não é pra você. A carta era para algumas igrejas que existiram há quase dois mil anos atrás. Então, como explicado nos parágrafos anteriores, vamos tentar entender o que os destinatários originais da carta entenderam. João lhes disse que eles não deveriam amar o mundo e nem as coisas que há nele. O que então é o "mundo" e o que são "as coisas que há nele"? Não foi o mesmo João que escreveu no evangelho de João que "Deus amou o MUNDO de tal maneira que deu seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna"? Espere aí: quer dizer que Deus amou o MUNDO, mas nós não podemos amá-lo? Mas não foi Deus quem criou o MUNDO em Gênesis? Então a bíblia diz que Deus criou o MUNDO e João diz que Deus o amou mas que nós não podemos amá-lo?Que confusão, hein?
Encontramos na bíblia palavras diferentes que foram traduzidas para o português como "MUNDO".
Existe na verdade o MUNDO que se refere à criação (como o que Deus criou em Gênesis), o MUNDO que se refere às pessoas em geral (como o de João 3: 16) e o MUNDO que João diz que não devemos amá-lo. Esse MUNDO, no grego, é COSMOS, e diz respeito a um SISTEMA organizado e liderado por Satanás, que inclui os que não aceitam a Jesus Cristo e se opõem à vontade de Deus. Esse é o MUNDO que não devemos amar. E o próprio João, no versículo seguinte, expõe o que são as "coisas que há no mundo": "porque tudo que há NO MUNDO, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede DO MUNDO". Logo, vê-se que João não estava tendo uma revelação de Deus para uma igreja preocupada com mesquinharias que surgiria num país que ainda seria descoberto quase 1.500 anos depois de sua morte. João não estava se referindo a nenhuma tribo underground nem da nossa época nem da dele.
Em relação ao uso de tatuagens, é usado o texto de Levítico 19:28: "Pelos mortos não ferireis a
vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós. Eu sou o Senhor." Este versículo é ainda mais
problemático. Vamos supor que devemos segui-lo à risca, como está escrito. Se devemos seguir Levítico 19:28, devemos seguir também Levítico 19:27 (apenas um versículo antes) que diz: "Não cortareis o cabelo em redondo, nem danificareis as extremidades da barba". Ou seja, todo homem na igreja deve ser barbudo com o cabelo quadrado. Se devemos seguir Levítico 19:28, vamos voltar agora dois versículos, e seguir também Levítico 19:26 que diz: "Não comereis coisa alguma com sangue, não agourareis, nem adivinhareis". Quem consegue comer carne que não tenha pelo menos um pouquinho de sangue? Então, todo homem crente dever ser barbudo, do cabelo quadrado e vegetariano. Não é isso que eu vejo naqueles que usam esse versículo para proibir tatuagem. Por que Levítico 19:28 deve ser observado e os versículos anteriores (e posteriores que não vou nem citar aqui) não? Depois, pegue sua bíblia e leia todo o capítulo 19 de Levítico. Por que extrair só um versículo? Simples: conveniência. Para provar o que se quer provar. Para sustentar um preconceito. Nos parágrafos acima vimos que não devemos seguir um mandamento de forma literal simplesmente porque "está escrito". Devemos, na verdade, entender o princípio que levou ao estabelecimento daquele mandamento. Então, por que foi ordenado aos israelitas em Levítico 19:28 que não ferissem a própria carne e que não fizessem marca alguma sobre ela? Esse mandamento se encontra repetido também em Deuteronômio 14:1: "Filhos sois do Senhor, vosso Deus; não vos dareis golpes, nem sobre a testa fareis calva por causa de algum morto". Esta proibição de fazer cortes e marcas sobre o corpo se destinava, na verdade, a evitar toda contaminação possível com um rito pagão cananeu de fazer incisões e marcas no próprio corpo em honra a Baal, o deus cananeu da fertilidade. Então, esse mandamento foi ordenado para evitar que o povo judeu se contaminasse com
qualquer rito pagão dos seus vizinhos cananeus. Vemos então que esse versículo também não serve de suporte a preconceitos e doutrinas. Se serve, então teremos problemas com os outros versículos do
mesmo capítulo de Levítico 19. É só escolher.
Em relação ao uso de brincos e piercings, a bíblia nos mostra que as mulheres israelitas usavam piercing. Em Isaías 3:21, lemos: "os sinetes e as jóias pendentes do nariz ...". Esse versículo reflete o costume da época de perfurar um lado da narina para colocar nela um brinco (comentário da Bíblia de Estudo Almeida). No contexto desse versículo, Deus está repreendendo as filhas de Sião, dizendo que irá retirar delas todos os seus adornos, "visto que são altivas as filhas de Sião e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes ..." (Isaías 3:16). O problema, na verdade, não são os adornos, mas o caráter das filhas de Sião. Vemos então que o piercing era um costume das mulheres de Israel e que NUNCA foi repreendido pelo Senhor, pois nesse contexto o que é repreendido é o caráter das filhas de Sião. Se o próprio Deus não repreendeu esse costume, então quem o irá?
Alguns simplesmente acham que tudo isso não é certo nem errado, mas que deve ser evitado porque é
"escândalo". Não devemos "escandalizar" os irmãos. Mas o que é "escândalo"? Jesus disse que "é
impossível que não venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe
pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos." (Lucas 17: 1,2). A ideia dos partidários da doutrina do escândalo é que se eu uso um visual chocante, e alguém me vê e se "escandaliza", então, de acordo com o versículo, seria melhor que alguém amarrasse uma pedra de moinho no meu pescoço e me jogasse no mar. Será isso que Jesus quis dizer? Claro, óbvio que não. A palavra "escândalo" no grego é "skándalon" (de onde se derivou a palavra portuguesa escândalo) e significa tropeço ou armadilha, símbolo daquilo que incita ao pecado ou à perda da fé. Escândalo é todo ensino, palavra, obra ou omissão que incita o outro a pecar. Um visual underground não "escandaliza" ninguém, a não ser que uma pessoa comece a falar mal da outra pelo seu jeito diferente de vestir. Nesse caso, a questão não é o visual underground ou o visual "padrão do sistema", a questão é o caráter do maldizente.
O grande problema, na verdade, não está na bíblia. Está nas pessoas que têm dificuldade em aceitar o
diferente. Isso não acontece só na igreja. Isso é um problema comum a toda a sociedade e que se encontra presente na igreja, que tenta justificar essa sua posição em versículos descontextualizados, que nada têm a ver com o assunto. Em Apocalipse, João viu "grande multidão, que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos ..." (Apocalipse 7:9). Me indago sobre como será no céu o relacionamento dessas pessoas que têm dificuldade em aceitar o diferente com outras pessoas de culturas muito diferentes. Por exemplo, se temos em nossas igrejas brasileiras alguma apresentação de danças africanas em louvor a Deus, todos acham o máximo, pois é algo que não acontece sempre. É uma atração diferente. Todos dizem: "Que legal o jeito dos irmãozinhos africanos louvarem a Deus!". Mas dizem isso porque os "irmãozinhos africanos" vivem bem longe, lá na África, do outro lado do Atlântico. Queria ver se estivessem conosco todos os cultos louvando a Deus de seu modo barulhento e alegre. Com certeza seria necessário haver uma congregação só para eles, porque os mesmos que acharam "o máximo" aquela única apresentação de dança africana não iriam dividir com eles todos os cultos. Isso é corroborado pela exclusão das tribos underground das igrejas. A raiz do problema está no preconceito. Alguns argumentam que não têm preconceito porque tentam buscar pessoas de tribos underground para a igreja. Mas como não têm preconceito se quando essas pessoas entram na igreja, têm que cortar o cabelo, tirar os brincos, trocar as roupas, etc, ao invés de trocar apenas de coração? Seria isso conversão? Não é isso que vejo em minha comunidade, a Caverna de Adulão, que surgiu justamente dessa deficiência da igreja em aceitar o diferente. Quando a Caverna de Adulão surgiu, no início da década de 90, ela era apenas um ministério que trabalhava em conjunto com as igrejas, e não uma comunidade como é hoje. O objetivo era alcançar
jovens de subculturas diferentes, principalmente os "headbangers" (metaleiros), quando a capital mineira era considerada a capital nacional do Heavy Metal. Esse jovens que eram alcançados eram então encaminhados pela Caverna de Adulão a diversas igrejas, para ali serem tratados e crescer na fé. Mas não foi isso o que as igrejas fizeram. Esses jovens começaram a ser oprimidos dentro das igrejas e não eram compreendidos. Daí, ao perceber que muitos deles já estavam se extraviando, surgiu a necessidade de se reunir todos esses jovens e a Caverna de Adulão se constituiu então como comunidade.
Ser uma nova criatura não é ser 100% diferente do que se era antes de Jesus. Muitos dizem que ao se
converter, pessoas provenientes de tribos underground devem mudar o seu visual porque agora são
"novas criaturas em Cristo". Seguindo essa lógica de raciocínio, então as pessoas que não eram de alguma tribo underground deveriam então se tomar agora parte de alguma, porque agora é "nova criatura" também. Percebe-se que esse pensamento baseia-se no pressuposto de que tribos underground são "do mundo". Isso já foi explicado em parágrafos anteriores. Visual underground não é mais certo nem mais errado que o visual padrão do sistema imposto pela classe burguesa. Ambos são simplesmente amorais (N.R: Amoral é algo que não possui em si moral, diferente de IMORAL, que é algo de moral ruim, pervertida).
Conclui-se então que não existe base bíblica para proibir o visual das tribos underground nas igrejas.
Muito poderia ainda ter-se discorrido sobre o assunto, mas o exposto acima é suficiente para destruir os pilares principais das doutrinas humanas repressivas e preconceituosas de lideres e liderados (ou manipulados) que se preocupam demais com o material e externo e pouco com o transcendente e eterno.
Glauber Ataíde
Extraído de: http://dbcbrasil.blogspot.com que extraiu de: www.verbalizando.com.br
"O Senhor Não Vê Como Vê O Homem. O Homem Vê O Exterior, Porém O Senhor, Vê O Coração" (1 Samuel 16:7)
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Vengeance Rising
Vengeance Rising foi uma banda de Los Angeles, Califórnia, surgida no mesmo ano que a Deliverance, 1985, com o nome "Sacrifice", posteriormente mudado para "Vengeance". Chegaram a lançar uma demo ainda com esse nome e o primeiro álbum, "Human Sacrifice", também saiu com esse nome, mas com a descoberta da existência de uma banda homônima, mudaram as pressas para Vengeance Rising (apesar que só nas prensagens posteriores do disco sairia já corrigido).
A banda foi liderada pelo então pastor Roger Martinez da Igreja Sanctuary, um cara que demonstrava opiniões fortes e brutais. Isso é notório em diversos documentários que ele participou, além de ter ajudado a produzir diversas bandas como Sacred Warrior e Mortification. Ainda assim, a vida dele serve de alerta a muitos de nós cristãos, pois que devido a diversos problemas com ex-membros do grupo e situações afins o cara simplesmente abandonou a fé e começou a até mesmo fazer ameaças (!) a antigos companheiros. Lamentável, situação que só nos faz orar pela vida dele, sem dúvidas.
Uma das coisas mais fortes acerca do Vengeance Rising é a brutalidade de seu estilo, um thrash metal meio death, com influências notáveis de bandas como Exodus, Venom (o V do logo da banda não deixa dúvidas), Kreator, Dark Angel e Morbid Saint. Os vocais do Martinez lembravam demais os do saudoso Paul Balloff do Exodus.
Vengeance (Demo, 1988)
01 - White Throne
02 - He is God
03 - Salvation
04 - Human Sacrifice
05 - Beheaded
Existem bandas que já começam brutais e assim continuam do começo ao fim da carreira. Vengeance Rising é dessas. Na época em que estavam tocando no Metal Mardi Gras (festival fantástico de 1987 na Califórnia promovido pela Igreja Sanctuary), eles gravavam essa belezinha. Apesar da qualidade abafada de som, é notória a agressão sonora aqui presente. Desde os riffs irados de White Throne (música que deu nome a uma zine americana cristã) aos gritos de desespero no final de Beheaded, essa demo arrepia!
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| Versão de 2010 da Intense Millenium |
01 - Human Sacrifice
02 - Burn
03 - Mulligan's Stew
04 - Receive Him
05 - I Love Hating Evil
06 - Fatal Delay
07 - White Throne
08 - Salvation
09 - From the Dead
10 - Ascension (instrumental)
11 - He is God
12 - Fill this Place with Blood
13 - Beheaded
(OBS: As versões de relançamento incluem: trechos do show de 1987 - Prodigal Son (Mulligan's Stew demo), Beheaded e Salvation -, uma interview e mais um CD extra com a demo e um show em Cornerstone de 1988)
Difícil mensurar a importância desse disco. Eleito o MELHOR DISCO de metal cristão pela Heaven's Metal Magazine na sua lista de 100 álbuns, Human Sacrifice até hoje impressiona pela qualidade e brutalidade. Até na capa (a original é a mão do pastor Bob Beeman da Sanctuary que representa a mão de Cristo), que inclusive - pasmem - foi censurada em lojas cristãs. Acharam "muito violenta" (mesmo sendo simplesmente a representação da crucificação do Senhor). Aliás esse é o tema que perpassa todo o disco, o sacrifício de Cristo, sua morte e ressurreição. É difícil escolher uma só música que dê pra dizer "a melhor", porque todas aqui são iradas, mesmo as quase grindcores "Receive Him", "Salvation" e "He is God" e a brilhante instrumental "Ascension". Aqui nesse disco a banda estava em sua formação perfeita: Roger Martinez vocais, Larry Farkas e Doug Thieme nas guitarras, Roger Dale Martin no baixo e Glen Mancaruso na bateria (além de uma ajuda do Glenn Rogers nas composições). Cada música aqui tem uma levada própria, um andamento especial, mas pra mim, depois de muito refletir, as duas mais iradas são "White Throne" com seu riff inicial fora de série, e "Mulligan's Stew", um thrash mais cadenciado, mas bem reto e brutal. Como era de se esperar, os crentelhos moralistas torceram o nariz pra esse disco, e chovem as críticas no site do Terry Watkins, inclusive dizendo que "Human Sacrifice" sugere realmente "sacrifícios humanos" no sentido literal (mas tem que ser retardado pra chegar a uma conclusão imbecil dessas!). Enfim, os cães ladram (mas não mordem) e a caravana passa!
Ultimatum regravou Burn em seu terceiro álbum (a brasileira Tribal Rites também mandou uma versão dessa), Azeta fez uma versão com letra e nome diferente de White Throne chamada "Resusitó", Desolate Death já coverizou "Salvation" e "Receive Him" em alguns lançamentos do grupo de grindcore one-man, Faithbomb coverizou "Receive Him", Sacrificium mandou uma versão de "White Throne" e Greg Minier chegou a fazer uma versão demo e brincalhona de "Mulligan's Stew". A banda carioca Hating Evil tem esse nome em homenagem clara à faixa "I Love Hating Evil" da VR.
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| Em 2018 a Roxx lançou essa raridade, um disco com a primeira mixagem de Human Sacrifice. Com uma ordem de faixas diferente, mas uma sonoridade visivelmente mais crua que o resultado final. |
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| Versão da Intense Millenium de 2010 |
01 - Warfare
02 - Can't Get Out
03 - Cut into Pieces
04 - Frontal Lobotomy
05 - Herod's Violent Death
06 - The Whipping Post
07 - Arise
08 - Space Truckin' (Deep Purple cover)
09 - Out of the Will
10 - The Wrath to Come
11 - Into the Abyss
12 - Among the Dead
13 - Interruption (instrumental)
(OBS: O relançamento inclui interviews e em versões limitadas o show "Return With a Vengeance" de 2004, já com o projeto Once Dead).
Ainda mais pesado que o antecessor, Once Dead (que, advinha, também teve a capa censurada por ser "muito sombria" kkkkkkkk) traz uma sonoridade mais suja e uma maior participação de todos os instrumentos (inclusive o baixo do Martin aqui faz estrago pacas em "Warfare"). Letras com temáticas ainda mais brutas, como "Frontal Lobotomy", "Cut into Pieces" e "Herod's Violent Death" deixaram alguns da turminha religiosa hipócrita com o cabelo em pé. Aqui não tem nenhum grindcore, mas em compensação o som é absurdo de rápido e bruto. Até o inusitado cover de "Space Truckin'" aqui funciona muito bem. "Into the Abyss" conta com um Larry Farkas fazendo uma intro usando um arco de violino (!). O vocal de Martinez aqui está ainda mais bruto, incluíndo aí uns guturais marotos em Frontal Lobotomy, a épica Whipping Post e Herod's Violent Death.
A nota triste desse álbum é que a tour dele foi bem atribulada, resultando em dívidas e na saída da formação quase inteira, que formariam a seguir a banda Die Happy (levando com eles inclusive uma faixa que entraria no terceiro álbum chamada "The Wailing", que viraria "Cage", o maior sucesso da Die Happy), deixando Martinez só para reenstruturar a banda como podia. Meio curioso que a faixa final, a divertida "Interruption", meio que prenuncia esse fim abrupto, com os membros vendo os instrumentos pifarem e não conseguindo ajeitar kkkkk
Curiosidade: A primeira tiragem contava com uma faixa chamada K.K.L.A., que nunca realmente saiu no disco - nem nessa prensagem -, provavelmente uma faixa que excluíram de última hora.
Covers: Step Cousin coverizou "Can't Get Out", bem como a Ultimatum no seu álbum de covers "Lex Metallis", Pantokrator mandou uma versão de "Cut Into Pieces" e Extol chegou a cantar em alguns shows a faixa "Warfare". Mas o cover mais curioso é da banda de brutal death metal secular Pustulated pra faixa "Cut into Pieces", uma versão bem bruta e curiosa. Confira AQUI!
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| It's the Vengeance Rising (It's the Thought that Counts) Ou No Budget Video (1991). Documentário louco da banda, as ideias do Roger eram muito loucas! |
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| Auto-censura da banda, sticker feito pra zombar as censuras anteriores kkkk |
01 - You Can't Stop It
02 - The Rising
03 - Before the Time
04 - The Sword
05 - He Don't Own Nothing
06 - Countless Corpses
07 - Thanatos
08 - You Will Bow
09 - Hyde Under Pleasure
10 - Raegoul
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| Versão do sticker da Intense Millenium de 2011. |
A difícil reformulação. Com uma banda toda de contratados (Derek Sean nas guitarras e o saudoso Chris Hyde na bateria), Roger Martinez (voz, baixo e guitarra) teve que seguir seu sonho como pôde. O resultado é um disco ainda bruto, na linha do que sempre tinham feito, porém com um sério probleminha: Várias faixas parecem que se repetem. You Can't Stop It por exemplo, o refrão tem o mesmo andamento de Countless Corpses. Sem dúvidas o maior destaque desse disco vai pra faixa Before the Time, a única da banda a ganhar um videoclipe oficial, um verdadeiro som apocalíptico. Raegoul é outra faixa irada aqui, com um som atmosférico. De resto é pura pauleira, zero influências de blues (diferente do que ocorria nos dois anteriores) e, como diria meu amigo Scott Waters, é quase um "grindcore deformado". No fim, a faixa que eu curto por motivos mais zueiros é "Hyde Under Pleasure", uma brincadeirinha de estúdio pra ver o quanto o Hyde consegue tocar mais rápido (muito zueira por sinal "Look man I'm not paying you $3.35 an hour for nothing! Faster!" kkkkkkkkkkk).
Curiosidade: A banda, já meio invocada com as censuras nas capas anteriores decidiram fazer uma zoeira e criaram um sticker zoando com a própria capa (anos mais tarde a Intense Millenium faria uma nova versão desse sticker). Aliás, vale nota: esse templo na capa é do Jim Jones, um falso profeta de uma seita insana que quando foi desbaratada, acabou levando todos seus seguidores e ele mesmo a praticarem suicídio coletivo. No Brasil o saudoso Chico Anysio chegou inclusive a parodiar esse falso profeta com o personagem Tim Tones.
Released Upon the Earth (1992)
01 - Help Me
02 - The Damnation of Judas and the Salvation of the Thief
03 - Released Upon the Earth
04 - Human Dark Potential
05 - Instruments of Death
06 - Lest You Be Judged
07 - Out of Bounds
08 - Bishop of Souls
09 - -tion
10 - You Will Be Hated
OBS: A versão remasterizada da Roxx de 2014 inclui interviews e mais um segundo CD com o show Burning The Hell Outta Denver de 12/03/1992
O mais brutal dos discos da Vengeance Rising, e infelizmente o último, Released Upon the Earth traz um som mais galgado no death/thrash que seus antecessores: até os vocais do Roger Martinez aqui aparecem mais guturais em boa parte das faixas. Com uma pá de músicos convidados (os back vocais de Gordon Martinez, David Fuentes, Jimmy Brown (Deliverance), David Vasquez, Victor Macias (Tourniquet), Steve Rowe (Mortification), Michael Kramer, David Portillo, a bateria de Johnny Vasquez, o baixo de Victor Macias - aqui chamado de "Manic" Joe Monsobr'nik - e as guitarras de Jimmy Brown - aqui chamado de Simon Dawg - e Jamie Mitchell (Scaterd Few)), o Vengeance produziu seu som mais arrancatoco de todos. Na linha das seculares Death e Possessed, as precursoras do death metal, e também lembrando bastante a banda Incubus/Opprobrium, fizeram esse bruto disco. Difícil dizer também qual música aqui é melhor, porque é muito cabuloso ouvir, pesadão mesmo, mas a que eu mais ouvi desse disco na vida foi "Bishop of Souls", curiosamente uma mais thrash que death, pela qualidade impressionante. Também vale pinçar aqui a atmosférica intro "Help Me" e a curiosa faixa "Tion", que nada mais é que o uso em diversos finais de versos de palavras que terminam com "Tion", como IMPUTATION, ADOPTATION, CONSECRATION (nome que inspiraria uma banda de thrash cristã no futuro), SUBSTITUTION, REDEMPTION, PROPITIATION, JUSTIFICATION, REGENERATION e SANCTIFICATION, o que seria o "ABC do cristão" de acordo com a música, cantada pelo Roger e pelo Steve Rowe.
Roger saiu em turnê com esse disco, inclusive com o George Ochoa (Recon, Deliverance, Mortification, Worldview) junto com ele, mas não demorou pra que ocorresse algumas coisas que acabaram levando Roger a perder a fé - infelizmente.
Anthology (1993)
01 - Warfare
02 - Before the Time
03 - Human Sacrifice
04 - You Will Be Hated
05 - Into the Abyss
06 - You Can't Stop It
07 - White Throne
08 - Can't Get Out
09 - Bishop of Souls
10 - Out of the Will
11 - Countless Corpses
12 - Mulligan's Stew
13 - Instruments of Death
Ótima compilação de músicas dos quatro discos, um bom início para quem ainda não conhece o som da banda.
Bootlegs:
- Live at Cornerstone (1988)
- Live at Cornerstone (1989)
- Live at New Union (1990)
- Show com a The Crucified (1990 acredito eu, só não me recordo o lugar)
Após se desviar do Evangelho, Roger começou a fazer ações bem tolas como ameaçar seus velhos companheiros e até mesmo recentemente fazer alguns vídeos sobre a igreja de satã, dentre outras coisas que saem da vontade do nosso Senhor. Oremos pela vida dele. Ele chegou a anunciar dois discos fakes chamados "Realms of Blasphemy" (2000) e "Smoke Those Motherf***ers" (2001), mas são discos que ninguém nunca viu serem lançados. Martinez mantém por puro orgulho vão o nome Vengeance Rising, chegando a proibir seus antigos companheiros a usar o nome da banda no retorno que fizeram a partir de 2004, o Once Dead, a verdadeira continuação da banda. Futuramente falarei dessa também.
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Vengeance Rising participou de algumas coletâneas, aposteriori falarei delas na seção destas.
Ver também:
Once Dead
Die Happy
Deliverance
Tourniquet
Avenger of Blood
Recon
Sacred Warrior
Mortification
Sircle of Silence
Holy Soldier
Biogenesis
Tortured Consciense
Neon Cross
Viking
D.O.G. (talvez)
Emerald
Holy Right
The Blamed
Worldview
Scaterd Few
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Deliverance (EUA)
Deliverance é uma banda de Los Angeles, Califórnia, fundada em 1985 por James "Jimmy" P. Brown III fazendo um som na linha speed/thrash metal, sendo uma das precursoras do gênero na música cristã e a primeira banda californiana cristã a seguir os passos do movimento Thrash da Bay Area numa época em que geral fazia um som mais hard/glam/melodic heavy na área. Não a toa a Big D é até hoje respeitada dentro da cena, apesar de diversas mudanças sonoras, algumas não bem vistas, ao longo da década de 1990 e anos 2000. Apesar de algumas paradas, a banda segue até hoje fazendo seu som e trazendo sua mensagem.
Greeting of Death (demo, 1985)
01 - Victory
02 - Greetings of Death
03 - No Time
04 - J.I.G. (Jesus Is God)
05 - Speckled Bird
06 - Awake
Já mostrando o poder de fogo da banda, a demo gravada e lançada ainda no ano de fundação da banda traz quatro números de speed/thrash bem agressivos, além de um som mais crossover (J.I.G.) e um curioso som mais country (Speckled Bird). O som deles aqui não deixa dúvidas da qualidade que eles já tinham nos primórdios. Não a toa dois anos depois participariam da coletânea California Metal e do festival Metal Mardi Gras.
Anos depois a demo foi relançada, mas falarei melhor desse relançamento abaixo - ouvi falar que vão inclusive relançar novamente hehe!
Deliverance (1989)
01 - Victory
02 - No Time
03 - Deliverance
04 - If You Will
05 - The Call
06 - No Love
07 - Blood of the Covenant
08 - Jehovah Jireh
09 - Temporary Insanity
10 - Awake
Sem dúvidas um dos melhores álbuns de estreia da história e um fantástico disco de speed metal, "Deliverance" traz uma banda fantástica aqui. Além de Jimmy (vocais e guitarras), aqui estão Brian Khairullah (o melhor baixista que passou pela banda até hoje), Glenn Rogers (um dos maiores guitarristas da cena californiana de metal) e o saudoso Chris Hyde nas baquetas. Faixas como Victory e No Time trazem um lado mais thrash, ao passo que a faixa título é mais melódica, quase um speed/power. Sem dúvidas um disco elementar pra história do metal cristão e do metal em geral.
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| Em 2008 a Retroactive relançou com essa capa irada e mais duas faixas bônus, "Attack" e "Space Called You", ambas presentes na coletânea California Metal |
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| Em 2017 a gravadora No Life til' Metal, do mestre Scott Waters (Ultimatum) relançou com essa capa, e as mesmas faixas do relançamento anterior. |
Curiosidade: Só um riff de Glenn Rogers manteve-se no disco. Jimmy regravou todos os outros devido saber que Glenn ia sair logo da banda, então refez alguns para ele mesmo saber como realizar - ou algo assim kkkkkkkkkkkk
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| Relançamento da Retroactive em 2008 |
01 - Supplication (intro)
02 - This Present Darkness
03 - Weapons of our Warfare
04 - Solitude
05 - Flesh and Blood
06 - Bought by Blood
07 - 23
08 - Slay the Wicked
09 - Greetings of Death
10 - If We Faith Not
11 - Rescue (bônus de relançamento)
Sai Glenn Rogers e entra o mito George Ochoa (Recon, Mortification) e esse acaba por se tornar O DISCO. Mais calcado no thrash metal que o anterior, "Weapons of our Warfare" conta com faixas rápidas e clássicas, como a faixa-título, que ganhou um videoclipe que vez por outra aparecia no Headbanger's Ball, clássico programa de metal da MTV americana. A temática "guerra espiritual" reina nesse disco, várias faixas mexem com o assunto de maneira genial. A própria intro é uma narração de 2 Coríntios 10.4-5:
"For the weapons of our warfare are not carnal
but mighty through God to the pulling down of strongholds
Casting down imaginations and every high thing
that exalteth itself against the knowledge of God
and bringing into captivity every thought
to the obedience of Christ"
Sem dúvidas esse é o melhor disco da banda, sem tirar nem por. Bem resolvido, com uma pegada que deixaria qualquer disco clássico do Metallica ou do Anthrax pau a pau.
O disco teve vários relançamentos (o mais tosquinho foi o da KMG, com o primeiro a tiracolo - eu tenho esse, mas é bem fraco -, mas o melhor, inclusive pela arte da capa refeita, sem dúvidas é o da Retroactive. Incluíram uma só faixa bônus, "Rescue", que aparecera anteriormente na coletânea "A Decade Of" e que realmente tinha sido gravada pra esse disco, mas excluída de última hora por ser mais melódica do que a proposta do disco (apesar do disco conter 23, uma faixa mais melódica). Ambas versões da capa são fantásticas, não a toa várias pessoas da cena que conheço possuem uma camiseta com a peita dessa capa.
Curiosidade: Pra quem ainda não manjou ou não entende inglês, 23 é o Salmos capítulo 23 numa versão speed metal genial!
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| Versão de 2011 da Intense Millenium e...er... eu acho sinceramente que não precisava... |
01 - Intro
02 - Prophet of Idiocy
03 - Pseudo Intellectual
04 - Chesseburger Make Du
05 - What a Joke
06 - Chipped Beef
07 - After Forever (Black Sabbath cover)
08 - It's the Beat
09 - A Product of Society
10 - Happy Star
11 - J.P.D.
12 - Pray
13 - Silent Night (sim, é aquela canção de natal, Noite Feliz!)
14 - J.I.G.
15 - Purgatory Sandwitch with Mustard
16 - Attack
17 - Strings of Sorrow (bônus de relançamento)
Com faixas pesadas e bem ranca toco, "WAJ" é sem dúvidas o disco mais porrada da banda, com o vocal do Jimmy bem mais grave e agressivo do que nunca. Os estreantes Mike Grato (baixo) e Kevin Lee (bateria) mandaram muito bem. Liricamente é um disco bem crítico e irônico (o título já antecipa) e seguindo os passos da banda The Who no disco "The Who Sell Out", eles colocaram algumas curiosas (e bizarras) faixas "jingles", como Chesseburger Make Du, Chipped Beef, It's the Beat, Happy Star, J.P.D. e Purgatory Sandwitch with Mustard, verdadeiras zombarias com o consumismo, com uma pegada remetendo ao crossover de D.R.I., S.O.D. e M.O.D. (a própria intro, zoando com o facto de "temos de gravar outro disco porque a gravadora pediu" deixa essa ideia ainda mais clara). Amei "Silent Night" em thrash metal, hahaah. O cover de "After Forever" (incluindo aí o riff de "Symptom of the Universe", também do Black Sabbath) foi uma escolha irada, em especial pela letra dessa música, que é um tapa na cara de muitos pseudocristãos, em especial os ultraconservadores hipócritas - curiosamente os mesmos que descem o sarrafo na banda e os acusam de endemoniados por fazer um cover do BS. Letras como "Prophet of Idiocy" e "It's the Beat" atacam inclusive esses mesmos falsos moralistas, enquanto Pseudo Intellectual atinge os ditos "sabichões", "filósofos" modernos e pós-modernos - pense numa faixa que continua atualíssima aliás! - e "Product of Society" é uma crítica sem dó à sociedade secular.
O veredicto final é que esse disco é um bom álbum, pesado e forte, mas acho que a proposta eu acho meio bagunçada. Claro que nem um pouco bagunçada quanto a CAPA DE RELANÇAMENTO, uma ideia de gerico de colocar o Chesseburger, as Chipped Beefs e um copo de refri. Sério, essa é uma das capas mais feias da história do rock cristão kkkkkkkkkkk realmente, "isso é uma piada?"
Curiosidade: A banda mineira The Joke? se inspirou nesse disco para criar esse nome pra banda (apesar de também terem se inspirado no Joker - o Coringa, pros leigos).
Stay of Execution (1992)
01 - Stay of Execution
02 - Windows of the Soul
03 - Words to the...
04 - From Once Was
05 - Self-Monger
06 - Horrendous Disc (Daniel Amos cover)
07 - Lord of Dreams
08 - Ramming Speed
09 - Entombed
10 - Weapons of our Warfare (remix)
Bônus relançamento:
11 - Flesh & Blood (re-recorded 25th anniversary)
12 - In-U (re-recorded 25th anniversary
13 - What a Joke! (re-recorded 2014 feat. George Ochoa)
Disputas entre Jimmy e George sobre os andamentos da banda levaram à saída amistosa do último e a banda seguiu seu caminho, através de uma transformação sonora. Mesmo com o retorno de Brian no baixo - Mike Grato também participou na composição das faixas - e a entrada do shredder Mike Phillips (futuro Fasedown e The Sacrified), a banda acabou por assumir uma sonoridade mais melódica e progressiva, fugindo um bocado do speed/thrash, ainda presentes (em especial na faixa Entombed e também em Lord of Dreams), mas podemos dizer que esse disco é o "Black Album" fundido com o "And Justice for All" (ambos do Metallica) da banda Deliverance. A produção de Terry Taylor (Daniel Amos) foi feita a dedo pelo Jimmy, e isso contribuiu também pra o acrescimo de elementos de new wave/synthpop no som da banda e em especial nos vocais do Jimmy, que aqui assume uma faceta mais próxima de um David Bowie - e também obviamente ajudou na escolha de "Horrendous Disc" como cover. Pra mim esse é um ótimo disco, mas sem dúvidas deve deixar muito fã da fase clássica mais pesada e veloz da banda com o pé atrás. Entretanto, faixas como a faixa título, Words to the, From Once Was e Ramming Speed são maravilhosas. O ponto mais fora de curva do disco é o remix de Weapons..., uma parada que definitivamente ninguém pediu... mas ok.
As faixas de relançamento foram de 2014 da Roxx, que aproveitou pra homenagear a banda ao fazer algumas regravações, uma delas com a presença do antigo guitarrista George Ochoa.
Intense Live Series Vol. 1 (1993)
01 - In Studio I
02 - Surrender (Stryper cover)
03 - No Love
04 - In Studio II
05 - This Present Darkness
06 - In Studio III
07 - Stay of Execution
08 - In Studio IV
09 - The Call
10 - In Studio V
11 - No Time
Em 1993 a Intense Records decidiu gravar uma série de EPs "ao vivo em estúdio" com bandas de seu cast (as escolhidas: Deliverance, Tourniquet, (Randy) Rose, Die Happy e Mortal). Sendo a primeira, Deliverance não decepcionou: é um fantástico EP "ao vivo", com a banda mostrando sua energia com tudo em alguns momentos de diversão (os "in studio") e um cover matador de "Surrender" do Stryper. As faixas autorais escolhidas não decepcionam, embora a prevalência do primeiro disco (três das cinco autorais vieram de lá). Em comparação com os outros 4 discos do projeto, esse é sem dúvidas o melhor de todos.
Learn (1993)
01 - Time
02 - 1990
03 - Learn
04 - Who Am I?
05 - Renew
06 - The Rain
07 - Reflection
08 - In the Will
09 - Desperate Cries
10 - Sanctuary (Daniel Amos cover)
Mudança radical na formação, entrada do ótimo Manny Morales no baixo. Learn é um disco por vezes subestimado na discografia da banda. Entretanto, e a despeito da sonoridade ainda mais progressiva e lenta, além da capa bem fraquinha e pouco atraente, o álbum tem uma pegada bem próxima do Queensrÿche do disco Empire (eu diria até do Promised Land, mas este aí só saiu um ano após Learn). Alguns elementos de rock gótico também aparecem, como no refrão da faixa 1990. Algumas faixas aqui fazem minha cabeça até hoje, como a faixa título e sua letra poética e fantástica sobre a nossa jornada na terra:
"Time after time, we make the same
Line after line, when will we learn"
Outra faixa que ficou muito boa sem dúvidas é o cover de Sanctuary, que ficou muito legal. Desperate Cries, Who Am I? e Reflection são outros bons momentos. No geral é um disco interessante, não é nada excepcional e chega a ser meio cansativo, mas não um sonífero, muito pelo contrário.
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| Versão de 2007 da Retroactive |
01 - Beltdown
02 - After I Fell
03 - River Disturbance
04 - Now & Them
05 - Speed of Light
06 - A Little Sleep (feat. 12th Tribe)
07 - Map
08 - You Still Smile
09 - Breathing Still
Bônus:
10 - I Through
11 - On the Fritz (Steve Taylor cover)
12 - Beltdown (Hyper Remix)
13 - A Word of Jimmy Brown
Bem amigos... agora chegamos naquele disco que a grande maioria renega. Sinceramente, não é pra menos. Esse é daqueles discos que você escuta a primeira faixa, pensa "eita, tá na linha do anterior, vai ser um bom disco", mas aí segue o disco e a empolgação morre. Beltdown sem dúvidas é a faixa do disco, a única que eu realmente curto. De resto é um disco confuso, diversos estilos, até rap/rock (A Little Sleep) tem aqui. Cada faixa um estilo e andamento diferentes, tornam esse o disco mais diferentão em todos os aspectos da banda. Não é um disco ruim, mas realmente é o momento mais fraco da banda. Curiosiamente ele recebeu um relançamento cuidadoso e com uma faixa inédita, além do cover de Steve Taylor lançado na coletânea tributo I Predict a Clone e uma versão industrial de Beltdown. A última faixa do relançamento é o Jimmy explicando o que ele planejava à época do disco. No fim, é sim o disco mais fraco da banda, mas nem por isso um disco ruim. Acho que pra média de discos de bandas que mudaram drasticamente de estilo pra um som mais "alternativo" esse é o melhor que já foi feito.
A Decade of... (Também chamado de "X") (1995)
01 - Victory
02 - No Time
03 - The Call
04 - This Presence Darkness
05 - Flesh and Blood
06 - Rescue
07 - After Forever
08 - Prophet of Idiocy
09 - Words to the...
10 - Ramming Speed
11 - Stay of Execution (live)
12 - Learn
13 - Desperate Cries
14 - Sanctuary
Primeiro disco do Deliverance que eu comprei e ouvi na vida, uma ótima introdução pra essa banda fantástica. Só com faixas dos discos lançados pela Intense Records, foi sem dúvidas uma das melhores coletâneas que já ouvi na vida. Embora sem letras das músicas, amei ver as notas de Jimmy sobre as faixas aqui pinçadas, e sinceramente não tiraria nenhuma aí (talvez só colocaria Weapons... por motivos óbvios, e um Entombed talvez). Grande coletânea mesmo, difícil achar algo tão bom assim.
Camelot in Smithereens (1995)
01 - Somber Theme (Where Are You?)
02 - Lindsey
03 - Not Too Good 4 Me
04 - Anymore
05 - Book Ends
06 - Beauty & the Beast (David Bowie cover)
07 - Make my Bed in Hell
08 - The Red Hoof
09 - In-U
Segundo disco da banda que ouvi (e um dos que possuo), sempre achei que esse disco era um disco conceitual (sério, o nome do disco me fez pensar isso kkkk), e curiosamente é o disco menos vendido da banda - muito triste isso quando se ouve esse álbum e percebe que está diante de um ótimo disco de metal melódico! Se em River Disturbance e Learn a subestimação é fácil de entender e até aceitar, aqui não, esse disco merecia muito mais. É difícil até definir quais as faixas que melhor se encaixaram na proposta, mas o fato é que, ainda que você diga "mas nem parece um disco do Deliverance", obviamente baseando-se nos três primeiros álbuns, esse é um discasso. O cover de Beauty & the Beast me fez inclusive procurar conhecer mais as músicas do David Bowie (à época só conhecia mesmo o clássico "Ziggy Stardust"). "In-U" é sem dúvidas a melhor faixa do disco e sendo a faixa que fechou a obra, foi uma despedida digna do grupo por anos, já que as vendas não tão vistosas desse disco fizeram a banda dar uma parada por um tempo.
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| Versão de 2007 da Retroactive |
01 - Narration
02 - Who Will Save the Children?
03 - Stand Up and Fight
04 - Narration 2
05 - No Time
06 - Narration 3
07 - Talk from the Stage
08 - Fortress
09 - Deliverance
10 - Narration 4
11 - Attack
12 - A Space Called You
13 - Narration 5
14 - Hold on Tightly
15 - J.I.G.
16 - Temporary Insanity
Como historiador eu amo esse disco. Várias faixas pouco conhecidas e que eles nunca reaproveitaram da sua fase entre 1985 e 1989, antes do álbum de estreia. Mas afora isso, a Magdallene/M8 erraram feio nessa coletânea. A qualidade de gravação é bem fraquinha e nem vale muito a pena. Sabe o mais curioso? Em 2007 a Retroactive relançou com outra capa e supostamente remasterizado... mas... enfim, não é um disco ruim, só que pra um fã não tão dedicado ou alguém que só quer ouvir um som de qualidade, passar longe desse é mandatório!
Greetings of Death, etc. (2001)
01 - Victory
02 - Greetings of Death
03 - No Time
04 - J.I.G.
05 - Speckled Bird
06 - Awake
07 - Attack
08 - A Space Called You
Instrumentais e demos de "Weapons..."
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| Versão de 2007 da Retroactive |
09 - Weapons of our Warfare
10 - This Present Darkness
11 - Greetings of Death
12 - Resume
13 - Slay the Wicked
14 - Solitude
15 - 23
16 - 1992 Jimmy Brown radio interview
No caminho inverso ao que realizaram no ano anterior, a M8 dessa vez acertou a mão! Capa irada, remasterização perfeita das faixas da demo original da banda, demos do "Weapons..." e mais duas versões alternativas das faixas usadas na coletânea California Metal. Tudo de bom, e mais um bocado, como uma entrevista do Jimmy da época em que estavam preparando "Stay of Execution", várias fotos iradas da banda, notas do próprio Jimmy, mano, esse sim é uma compilado de raridades imperdível. Até a capa a M8 acertou - apesar que o relançamento da Retroactive melhorou muito a qualidade, tirando um pouco o lado meio "cartunesco" da versão anterior.
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| Versão expandida de 2007 pela Retroactive, com demos. |
01 - The Limitless Light
02 - From the Beginning
03 - Assimilation
04 - The Circle
05 - Sell Your Soul
06 - The Search
07 - The Learned Man
08 - Between 2 Worlds
09 - Impressions
10 - Save me From...
OBS: A versão expandida de 2007 contém um segundo disco com 14 faixas demo e bônus.
Fãs de rock e metal industrial como eu, regozigem-se! "Assimilation" é um disco que o título diz a que veio: é necessário realmente assimilar o que estamos ouvindo de prima. A princípio você dirá "como assim o Deliverance virou industrial?" Mas logo os timbres de guitarra e o trabalho sonoro particular e inconfundível da banda se faz notar e sobrepoe-se aos efeitos sonoros e programações. A capa em si é um achado, eu amo essa arte de capa e a ideia da cruz de ferro da banda se arrebentando e dando lugar a uma mais detalhada e estilizada já mostra a que o disco vem. Acredito que fizeram um ótimo trabalho, me lembra bastante bandas como a secular Ministry e a cristã Generation, ambas de thrash com industrial. Sei que muitos fãs clássicos torcem o nariz pra esse disco, mas eu achei uma ótima ideia pra reativar a banda. Pena que no fim muita gente chiou e a banda entrou em mais um hiato.
Live at Cornerstone 2001 (2001)
01 - Intro
02 - Stay of Execution
03 - Introductions
04 - No Time
05 - Learn
06 - What a Joke
07 - Beltdown
08 - Psalm 23
09 - Weapons of our Warfare
10 - Thanks
11 - Victory
12 - Words to the...
Disco que faz parte do projeto "80's Retro Night" da M8, foi um fantástico show. Trazendo diversos momentos de discos diferentes da banda, desde o primeiro até o River Disturbance. Embora não siga bem a ideia de sons anos 1980, a escolha de músicas é fantástica, incluíndo verdadeiros sons míticos como "Stay of...", "Victory", "Weapons...", "What a Joke" e "Learn". Vale muito a ouvida!
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| Relançamento de 2019 pela Retroactive |
01 - Legum Servi Sumus ut Liberi Esse Possimus
02 - Cause & Effect
03 - Return to Form
04 - As Above - So Below
05 - Screaming
06 - Should We Cross Paths
07 - Contempt
08 - Thistles
09 - My Love
10 - Enlightened
"Somos escravos da lei de forma tal que somos livres"
Disco lindo e subestimado (mais um!), As Above - So Below segue a cartilha do "Camelot..." com sonoridade bem melódica e em partes meio gótica, remetendo ao Celtic Frost da fase gótica. Apesar disso, algumas faixas trazem o lado speed/thrash clássico da banda, como "Cause & Effect", "Return to Form" e a iradíssima "Should We Cross Paths", com um vocal bem rasgado do Jimmy em diversas partes. Recomendo muito. Recentemente inclusive o disco ganhou uma versão com nova capa (apesar de nenhum material novo). Vale a pena conferir!
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| Temporary Insanity (2010), disco tributo, e apesar de ser um tributo, a Big D mesma gravou alguns sons. Posteriormente comentarei acerca deste! |
Hear What I Say! (2013)
01 - Liber 111
02 - The Annals of Subterfuge
03 - Angst
04 - Hope Lies Beyond (Sombrance cover)
05 - Detox
06 - Nude
07 - Passing
08 - A Perfect Sky
09 - Where Eagles Dare (Iron Maiden cover)
10 - Entgiftung (Detox em Alemão)
OBS: A versão em LP de 2019 pela Retroactive tem outra ordem de faixas.
Depois de mais um tempo sem discos novos - e dessa vez a banda tinha parado a vera (!), Jimmy ressuscita mais uma vez o Big D, e com um disco irado, com influências de diversas épocas da banda. Montando um supergrupo com Mike Phillips nas guitarras, Manny Morales de volta no baixo e JAYSON SHERLOCK na bateria, esse disco tirou momentos incríveis da banda. Mano, você passeia em cada sonoridade desse disco e fica contaminado. Tem desde speeds irados, como "The Annals of Subterfuge", grooves como "Detox" (que é quase a faixa título, por citar o nome do álbum no refrão) e sons mais melódicos como o cover da Sombrance (banda de pós punk/gótico que até então eu nem conhecia - e que o Jimmy também fez parte). Outro cover irado é de "Where Eagles Dare" do Iron Maiden. Sem dúvidas um grande álbum que seria o de despedida da banda. Se assim o fosse, seria uma despedida digna, sem sombra de dúvidas. Achei louco também terem feito uma versão exclusiva pros fãs alemãos de "Detox", uma escolha bem curiosa, haja vista que dentro do metal o alemão é uma língua bem pouco usada.
Curiosidade: Originalmente o disco se chamaria "The Annals of Subterfuge", faixa que eles inclusive lançaram na coletânea "Thrashmargeddon" de 2013 pela Roxx (com diversas bandas de thrash cristãs) e inclusive já tinha capa:
Só não me perguntem o que levou eles a mudarem o nome e a capa, afinal até que ficaria massa.
The Subversive Kind (2018)
01 - Bring'em Down
02 - Concept of the Other
03 - Center of the All
04 - The Black Hand
05 - Epilogue
06 - Listen Closely
07 - The Subversive Kind
08 - The Fold
Lembram quando eu disse que o "Hear What I Say!" seria o último disco do Big D? Desconsidere imediatamente! Com uma nova superbanda na formação (o retorno magistral de Glenn Rogers nas guitarras, mais os mitos Jim Chaffin na bateria e Victor Macias no baixo), The Subversive Kind traz de volta pra todos nós enfim o que, tenho certeza, MUITOS FÃS clamavam desesperadamente a anos: um disco totalmente speed/thrash metal. Eu fiquei chocado quando ouvi esse disco a primeira vez ano passado, e digo, realmente é um disco daqueles! Numa época em que bandas antigas parecem lançar discos medíocres, medianos ou com relevância baixa - alguns inclusive BEM RUINS - a Big D realmente surpreendeu positivamente com um disco digno de ser chamado "disco do Deliverance". E ver que o Jimmy ainda tá mandando ver nos vocais é o que mais anima. Obrigado Big D, se persistirem em durar mais, não larguem essa linha, a linha onde vocês começaram, o puro e oitentista speed/thrash metal californiano, porque realmente isso é o que vocês fazem de melhor (não menosprezando os trampos progressivos, experimentais e até mesmo industriais, mas existem bandas que são melhores mesmo quando voltam a fazer aquilo que jamais deviam ter largado, e no caso deles como isso é verdade viu!).
Bootlegs: Metal Mardi Gras (1987): AQUI
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Deliverance participou de umas 9 coletâneas e mais 2 tributos (um deles pra eles mesmos kkkk), confiram posteriormente na seção de coletâneas algumas delas e também em breve na seção Tributos.
OBS: Não confundir com a Deliverance (Canadá), que é bem mais antiga e não tem nada a ver com o som speed/thrash, muito pelo contrário kkkk um dia falo deles também aqui!
Ver também:
Cauldron of Puke
Recon
Vengeance Rising
The Crucified
Fase Down
Betrayal
Tourniquet
Once Dead
Viking
Hero (USA)
Sircle of Silence
Neon Cross
Michael Phillips
Join the Dead
Holy Soldier
D.O.G. (talvez)
Worldview
Eternal Ryte
Mortification
Horde
Paramaecium
Revulsed
InExordium
Altera Enigma
Soundscape
Teramaze
Judgement (talvez)
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