sábado, 9 de fevereiro de 2019

Catedral



Catedral é uma banda de pop/rock brasileira formada em 1988 em Nilópolis, Rio de Janeiro. Foi uma das precursoras do movimento gospel do final dos anos 80 e anos 90 no Brasil, pelos irmãos Motta, Joaquim "Kim" (vocais/violão/guitarra) e José Cezar (guitarras), além dos amigos Guilherme Morgado (bateria) e Glauco Mozart (teclado). Durante as gravações do primeiro disco, "Você", o irmão mais novo, Júlio Cézar (baixo) entrou pras gravações e acabou integrado à banda, apesar de ainda ser menor de idade. Durante anos acabou tornando-se a maior banda de rock cristão do Brasil, embora sempre rompendo as barreiras do gospel, trazendo letras bem fora dos padrões do universo "gospel", com temáticas sobre romantismo, guerras, desigualdade e injustiça social, drogas, religiosidade cega e até mesmo patriotismo, com fantásticas letras sobre o Brasil e sobre sua cidade natal, Rio de Janeiro. Apesar de diversas polêmicas, como o caso da entrevista manipulada do finado site Usina do Som, a falsa entrevista com o Jô Soares, o posicionamento lírico da banda, processos contra a antiga gravadora, o temperamento por vezes instável do vocalista e líder Kim e também as insistentes comparações com a banda secular Legião Urbana (muito pelo vocal similar de Kim e do saudoso Renato Russo), a banda permanece fazendo um som fora de série até os dias de hoje.

Tragicamente José Cézar Motta faleceu no dia 22 de julho de 2003 aos 33 anos, um dia depois de um acidente automobilístico. Deixou uma esposa e dois filhos.


Você (1988)

01 - Mais do que um Sonho
02 - A Volta
03 - Glória e Louvor
04 - Viver em Paz
05 - Criação
06 - Você
07 - Bendize Ó Minh'Alma ao Senhor (com Beno César e Natan Brito)
08 - Chame a Deus
09 - Santa Ceia


O disco inicial da banda tem uma sonoridade bem mais louvor e adoração do que um rock mais direto. Ainda assim, canções como "Mais do que um Sonho", "A Volta" e "Você" revelam o talento dos cinco membros da banda, em especial os riffs e solos do saudoso Cézar Motta e as linhas de baixo de Júlio Cezar. O vocal de Kim nessa época era mais agudo, com um timbre mais leve, diferente do que viria anos após. É um disco fantástico de estreia, mas ainda distante do brilhantismo que viria anos após. Liricamente quase todas as músicas em geral eram mais de adoração ao Senhor, apesar da letra firme de "Santa Ceia" (que curiosamente não é da banda) trazer um ensino mais direto sobre a comunhão com Deus. "Criação" foi a primeira poesia genial da banda relacionada a criação do mundo, e junto com a faixa-título são as letras mais meditativas. "Você" é evangelística e bem inteligente. A participação dos membros à época da Banda & Voz Beno César e Natan Brito deu um ar muito fantástico à "Bendize Ó Minh'Alma ao Senhor". Infelizmente é um raro caso de música da banda que não tem unicamente a voz de Kim (Beno 15 anos depois faria outra dobradinha com Kim). "Chame a Deus" ganhou posteriormente uma versão solo do Kim, e algumas desse disco apareceram no projeto de Kim & Julio "Janelas da Catedral". A capa é uma foto meio "remendada" das ruínas da Mesopotâmia (só não sei qual dos povos da região - sou historiador, não adivinho kkkk).

O disco foi lançado originalmente em LP pela Pioneira Evangélica (gravadora capitaneada pelo baterista Guilherme), e tempos depois saiu num 2 em 1 juntamente com "Catedral III" em formato CD, por fim, reapareceria com algumas músicas dele, do "Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração" e do "Catedral III" num lançamento da Line Records chamado "O Melhor do Início".


Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração (1989)

01 - Fonte
02 - Voz do Coração
03 - Todos os Dias
04 - Nas Ruínas Algo Está de Pé
05 - Espírito Santo
06 - Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração
07 - Imensidão Azul
08 - Além do Nosso Olhar
09 - Just For You
10 - Mundo Vazio


Um dos primeiros discos que ouvi completo da banda, "AODSDC" (o título é um bocado grande, então vou resumir vez por outra kkkk), tem uma produção fantástica pra época. Mantém várias canções de louvor e adoração como "Voz do Coração", "Imensidão Azul" e "Espírito Santo", essa última vez por outra cantada na minha igreja Comunidade Extrema Unção (juntamente com "Chame a Deus"). Mas aqui já aparecem vários rocks mais firmes, como a pesada "Nas Ruínas Algo Está de Pé", "Fonte" e "Mundo Vazio". Letras com uma linguagem mais poética, como a inigualável "Todos os Dias", a faixa-titulo (com trechos de uma poesia de Robert Frost - "Stopping by Woods on a Snowy Evening" -  no início da música) e "Além do Nosso Olhar" dividem espaço com a primeira canção de crítica social da banda, "Mundo Vazio", com citações ao filme "Pixote - A Lei do Mais Fraco" de Hector Babenco, que mostra a vida cruel de crianças abandonadas na rua, tornando esse disco um fantástico álbum. "Just for You" foi o primeiro som em inglês da banda, com uma qualidade muito boa também.

"AODSDC" ganhou diversas versões pela Donai Records (gravadora onde esse disco saiu). A mais recente tem uma capa bem diferente, sem a foto da banda e com uma coloração mais cinza invés de esverdeada ou azulada como as anteriores. É a mais fácil provavelmente de se encontrar em sites de vendas.

Kim fez versões "solo" de "Todos os Dias" e "Espírito Santo" anos mais tarde.


Catedral III (1991)

01 - O Silêncio
02 - Perto de Mim
03 - Quando o Amor Bate no Peito
04 - Erupção
05 - Miragens Urbanas
06 - Ainda Não Vi o que Sempre Quis
07 - Em Busca do Elo Perdido
08 - Pedro Zé, Um Nordestino
09 - Drogas

Em pé: Glauco Mozart e Kim.
Sentados: Julio Cezar, Cezar e Guilherme



O primeiro disco realmente FORA DOS PADRÕES da banda. Cada canção tem uma estrutura poética própria, e a exceção de "Ainda Não Vi o que Sempre Quis" (uma versão interessante da canção "I Still Haven't Found What I Looking For" do U2), todas são de autoria da banda mesmo. "O Silêncio" traz uma mensagem baseada no ensino de Cristo sobre oração e também textos de Rubem Alves. "Erupção" fala da crueldade das guerras, fazendo uma menção a "Rosa de Hiroshima" de Vinícius de Moraes (já citada também por Secos & Molhados anos antes - na verdade musicada por estes). "Miragens Urbanas" é uma das peças poéticas mais impressionantes, parece um escrito de C.S. Lewis em vários momentos. "Perto de Mim" e principalmente "Quando o Amor Bate no Peito" foram as primeiras músicas com um cunho romântico feitas pela banda. "Drogas" é um fantástico protesto antidrogas, com um conselho nada pedante e bem direto sobre a situação de alguém entorpecido pelas drogas. "Em Busca do Elo Perdido" vai além de uma crítica aos valores humanos, traçando todo o quadro de perdição de um homem sem Deus. "Pedro Zé, Um Nordestino", é o "Faroeste Caboclo" da banda, só que o Pedro tem um destino bem melhor que o João de Santo Cristo de Renato Russo. A fusão de rock com música nordestina aqui casou bem, sendo um dos primeiros forrocks cristãos, juntamente com "Baião Eletrônico" da Banda Azul (já que "Baião", do Rebanhão, é realmente só um baião, não tem elementos de rock inseridos). A letra foi a primeira da banda a apresentar uma crítica ao instituicionalismo de diversas igrejas da época - e que, pelo que vejo, não mudou tanto assim.

A capa desse disco é uma das mais belas capas da história do rock mundial (sim, você leu bem). Uma arte surrealista que parece em alguns momentos a letra de "O Silêncio", com a oração saindo do fundo do mar (OBS: É só uma interpretação minha, tá? Perguntem um dia pros caras da banda qual a ideia dessa capa). Tristemente esse foi o último disco com o tecladista Glauco Mozart, que acrescentava em muitos momentos um preenchimento muito belo e melódico pras músicas da banda. Os motivos pelo que foi dito foram ideológicos (nem me peçam pra especular o que seria isso, apesar de há um tempo atrás eu ter visto uma entrevista com o mesmo. Se eu achar e ver alguma explicação dele sobre isso, quem sabe eu ponha aqui).

O disco foi relançado - como já dito na review do "Você", numa edição "Série Especial 2 em 1" em formato CD, além de uma versão reduzida pela Line Records com músicas dos outros dois discos anteriores, chamada somente "O Melhor do Início". Além disso, na própria época do primeiro lançamento ele ganhou uma versão em... PLAYBACK! Pois é! Também aparece na lista dos 100 maiores discos cristãos da década de 1990 em 44º lugar.

EDIT: Recentemente no canal de Julio Cezar ele explicou bem os motivos da saída do Glauco Mozart, confiram AQUI.


Ao Vivo no Canecão - 5 Anos (1992)

01 - Fonte
02 - O Silêncio
03 - Simplesmente
04 - Você
05 - Mais do que um Sonho
06 - Perto de Mim
07 - Pelas Ruas da Cidade
08 - Mundo Vazio
09 - Drogas
10 - Criação
11 - Solo de Baixo
12 - Solo de Guitarra

OBS: Na versão em LP o solo de guitarra fica no Lado A, após "Mais do que um Sonho".


Dando uma mostra do que o rock cristão estava conseguindo a partir daqueles anos, Catedral gravou seu disco (há versões do show em vídeo no Youtube, só procurar) numa das mais tradicionais casas de show de RJ, o Canecão, palco de shows de mestres da MPB. O show apresenta o talento e a energia da banda já naqueles primeiros anos. O virtuosismo também está presente, com os solos de Cézar e de Júlio. Uma outra particularidade desse disco é a presença de duas canções do próximo lançamento da banda, em versões mais primitivas. O andamento de "Simplesmente" está um tanto diferente, já "Pelas Ruas da Cidade" possuí uma versão do solo de guitarra bem diferente da versão que iria pro disco de estúdio e da que anos depois apareceria no show de 10 anos da banda.

A capa do disco foi visivelmente inspirada na do disco/VHS "A Show in Hands" da banda Rush. É uma curiosidade meio boba, mas eu ficava viajando como os caras tinham se representado nessa capa (kkkkk).

Curiosidade: Na faixa "Perto de Mim", logo no início, Kim faz uns "Iêeeee-ô" e a galera responde. Daí ele chama a galera pra cantar com ele e manda um "IEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEOOOOOOOOO" gigantesco. Imaginando a galera fazendo isso kkkkkkkkkkkkkkkk.



Está Consumado I e II (1993)


Disco I

01 - Carpe Diem (Aproveite o Dia)
02 - Pelas Ruas da Cidade
03 - Uma Tarde de Outono
04 - Roda Gigante
05 - O Sermão do Monte
06 - "Olhai as Aves do Céu"
07 - Cartas aos que Esperam
08 - Um Dia
09 - Paisagem (Opus em Ré Maior)

Disco II

10 - Simplesmente
11 - Todo Sentido de Ser
12 - Estórias que me Contaram
13 - Coração de Criança
14 - O Jardim e o Corpo
15 - Era uma Vez
16 - Pelo Som do Meu Coração
17 - Galhos Secos
18 - Don't Go Away


OBS: A versão da Line Records com 14 músicas não incluí "Carpe Diem", "Pelas Ruas da Cidade", "Um Dia" e "Galhos Secos".


Capa da versão de 2008
O primeiro (e acredito que ÚNICO) LP duplo da história da música cristã brasileira, "Está Consumado" traz uma avalanche poética e influências de pós-punk já na primeira faixa. Carpe Diem (Aproveite ou Colhe o Dia, em Latim), o lema dos poetas neoclássicos/arcadianos cai como uma luva com citações ao Evangelho de Lucas, Heráclito, textos hindus ("Há tantas auroras que não brilharam ainda" - citada por Nietzsche), o próprio Nietzsche em "A Gaia Ciência" e José Ângelo Galarga. A ideia da música é muito interessante, mostrando que existe igreja além das quatro paredes do templo humano (algo também abordado pela brilhante "O Jardim e o Corpo"). "Pelas Ruas da Cidade" é uma denúncia a diversos níveis de desigualdade e injustiça no mundo. As românticas desse disco (a curta "Pelo Som do Meu Coração" e a magnífica "Uma Tarde de Outono") dão um ar suave ao disco, juntamente com as baladas "Simplesmente" e "Um Dia" e as doces  e suaves "'Olhai as Aves do Céu'" e "Paisagem". O quase hardcore de "Cartas aos que Esperam" é uma baita crítica a alguns que já diziam que a banda era da "Nova Era" (fazer rock cristão no final dos anos 1980/início dos anos 1990 já era fácil levar esse tipo de acusação, imagine com letras como as do Catedral!). A narrativa de "Estórias que me Contaram" é tão bonita que me emociona, o testemunho de uma vida com Deus que sobrevive a todas circunstâncias na fé firmada n'Ele. A versão de "Galhos Secos" da banda Êxodus supera em muito outras versões como a de Domingos Costa ou a do Conjunto Som Maior, ao ponto de - pelo menos pra mim - por anos eu achar que era realmente da banda. Curiosamente, muitos anos depois eles fariam uma nova versão em single, aproveitando-se do sucesso de um cover "bizarro" de dois irmãos na internet que viraram meme e também a dupla "Para Nossa Alegria". "Era uma Vez" traz uma citação marota a música "Será" de Legião Urbana. O disco ficou em 24º numa lista de 100 melhores discos da música cristã brasileira, para mostrar a importância do mesmo, além de ter sido eleito posteriormente o 17º melhor disco da década de 1990.
 
A capa original parece um vitral de igreja, com uma cruz no meio, representando o local onde tudo foi consumado (ou seja, a salvação foi obtida para nós). Foi o último disco da banda lançado pela Pioneira Evangélica (com exceção de relançamentos em CD que teriam ao longo dos anos 1990). Anos mais tarde, em 2008, a Line Records relançou com menos músicas, e uma capa modificada, mas mantendo a ideia da cruz.


Contra Todo Mal (1994)

01 - Contra Todo Mal
02 - Ver Estrelas e Sorrir
03 - No Mais Íntimo Momento de Mim
04 - Quem me Dera
05 - Fingir
06 - The Cry of My Tears
07 - Rio de Janeiro a Dezembro
08 - É Tão Normal Ser Feliz
09 - Sempre Comigo
10 - Homens e Vozes
11 - Medo, Vida, Humano
12 - No Luar do Oriente


Ah, se o Catedral imaginasse que nessa gravadora (MK) eles viveriam seu apogeu, mas também seu momento mais conturbado... Esse disco foi um sucesso fenomenal já no seu lançamento, rendeu sua primeira turnê nacional (tocaram pela primeira vez aqui em Recife na turnê desse disco em 95). E não há muito o que contestar. A pegada influenciada pelo The Smiths aqui estava no mais alto pique, com a inclusão de influências de Van Halen, o que deu origem a duas das faixas mais emblemáticas da banda, a faixa-título (um enorme manifesto antiguerras e explorações sociais) e "Rio de Janeiro a Dezembro", um verdadeiro hino de amor e ao mesmo tempo de preocupação com a cidade natal da banda. Os solos de Cezar estão fantásticos, até mesmo na balada em inglês "The Cry of my Tears". "No Mais Íntimo Momento de Mim", "Homens e Vozes", "Medo, Vida, Humano" e a fortíssima "Fingir" garantem os momentos mais reflexivos e incisivos de críticas, em especial a última, um verdadeiro torpedo contra o falso moralismo e o "tudo tá errado" de muitos ditos cristãos e muitas congregações religiosas (principalmente àquela época); já "Ver Estrelas e Sorrir", "É Tão Normal Ser Feliz" e "Quem me Dera" trazem o momento mais romântico da banda. "Sempre Comigo" é a faixa mais adoração a Deus que a banda fez no disco, e tornar-se-ia a última canção de adoração da banda em muitos anos. "No Luar do Oriente" já traz um fechamento poético, de deixar qualquer um bobo ao ouvir. Na minha opinião esse é o melhor disco dessa fase da banda, o mais conciso, apesar de este não constar em listas de melhores discos cristãos da época.

Cyane fez um cover de Rio de Janeiro à Dezembro em seu álbum "Palavras" de 2012.


O Sentido (1995)

01 - Pai Nosso
02 - O Sentido
03 - Quando o Verão Chegar
04 - Tempo
05 - Onde Está Teu Coração?
06 - Mais Forte
07 - O Mundo está Perdido
08 - Na Casa do Lado
09 - Quatro Cores
10 - Amor Verdadeiro
11 - Cathedral Song
12 - I Will Love You

Exclusivo da versão CD:

13 - Playland
14 - Under God's Grace


Cezar, Kim, Julio e Guilherme, com o
sentido do "quebra-cabeças" da capa reordenadado

Um dos discos mais vendidos da banda (e um dos mais queridos também), "O Sentido" tem verdadeiros singles inesquecíveis, como as românticas "Quando o Verão Chegar" (tocava até na MTV - não videoclip, em alguns programas mesmo tocava a música) e "Amor Verdadeiro", a versão da música de Tanika Tikaram "Cathedral Song" (seria até estranho que o Catedral não cantasse essa música com o nome deles na frente haha - mas também rendeu mais uma acusação de imitação, já que o saudoso Renato Russo também já havia feito uma versão desta à época), a patriótica e bela "Quatro Cores" e a filosófica faixa-título. "Pai Nosso" é a melhor versão musicada da oração que Jesus nos ensinou que eu já ouvi na vida, e deu um ar majestoso pra iniciar o disco (toca vez por outra nos cultos de minha congregação, a Comunidade Extrema Unção do Recife). Além das duas românticas já citadas, há mais duas: a irritante (sim, irritante mesmo) "Mais Forte" - pra mim uma das piores músicas do Catedral -, e "I Will Love You", que tem um andamento que em alguns momentos parece muito "Every Breath You Take" de The Police. As faixas mais rocks são também as mais pensativas do disco. "Tempo" remete a Eclesiastes 3, um tema também visitado naquele mesmo ano pela banda Resgate no disco On The Rock, "Onde Está Teu Coração?" (e seus riffs e solo alucinante) traz uma mensagem evangelística sem entretanto colocar tão explicitamente o nome de Deus. "O Mundo Está Perdido" segue na contramão, mostrando justamente a necessidade de se chegar ao Senhor, pois a humanidade cada dia mais se destrói e destrói nosso mundo junto. "Na Cada do Lado" é a mais reflexiva de todas, ao mostrar a realidade cruel que por vezes ignoramos das pessoas passando fome e sem casa nem abrigo bem ao nosso lado.

Na versão CD dois momentos simplesmente geniais aparecem: um solo de Júlio Cezar chamado "PlayLand", mostrando suas monstruosas habilidades no baixo, e "Under God's Grace" com Cezar destilando na guitarra todo seu potencial. Essas faixas seriam o prelúdio de um projeto vindouro chamado "Cezar & Júlio" (Duo Project), anos mais tarde. A capa é a única do período MK da banda que é realmente criativa, com uma foto da banda em pedaços, o sentido todo "pirado" (essa ideia me fazia as vezes na juventude ficar tentando reordenar os pedaços mentalmente kkkkk - por sorte, na contracapa aparece a foto montadinha pra se ter uma ideia real como ficaria).

Curiosidade: A citação a "pra minha filha poder brincar" é devido ao nascimento recente de Karen Motta, filha do Kim, que também foi homenageada no disco solo dele daquele ano, "Coração Aberto". Numa versão posterior ele também homenagearia o seu filho vindouro.


Eterno (1996)

01 - Hoje
02 - Um Novo Tempo
03 - Terra de Ninguém
04 - Sobre Muitas Coisas
05 - Por que Você se Foi?
06 - Eterno
07 - Eu Quero Apenas Falar de Amor
08 - O Que Há!
09 - Meio Sem Querer
10 - Instrumental



Pop/rock na medida certa, esse disco é outro com uma quantidade significativa de hits, apesar de ter bem menos músicas que os três antecessores. O romantismo e a poesia estão presentes em "Hoje" (que também fala da necessidade de aproveitar o dia - lembram de "Carpe Diem"?), "Um Novo Tempo" (com sua letra que conclama renovação e união de todos nós - já chegou a ser usada no Teleton, programa do SBT para arrecadar fundos pra AACD, uma associação que cuida de deficientes físicos e mentais), "Sobre Muitas Coisas", "Eterno" (dedicada aos fãs, poética ao extremo essa canção), "Eu Quero Apenas Falar de Amor" (com um instrumental no final que lembra um bocado "29" de Legião Urbana) e "Meio Sem Querer". "Terra de Ninguém" é a música de protesto do disco, curiosamente a única, algo raro nos discos do Catedral dessa época, mas é uma baita faixa, com um instrumental bem brasileiro - cortesia da bateria de Guilherme e do baixo de Julio. "Por que Você Se Foi?" é uma canção de despedida a uma amiga deles, Keyber (de acordo com Julio Cezar, uma parente da primeira esposa de Kim). "O Que Há!" é uma faixa curiosa, mostrando um Kim bem introspectivo, me remetendo a canções feitas anos depois por outras bandas ("Não Quero Mais Acordar Assim" de Fruto Sagrado e "Não Vou Desistir" de Novo Som). O Instrumental no fim do disco (que curiosamente nunca teve nome) dá mais uma prova da qualidade dos músicos da banda. O encarte desse CD é um dos mais bem detalhados de todos, com até uns "quiz" que cada integrante respondeu sobre eles mesmos, sem dúvidas algo bem pop (e raro) dentro da música gospel naquela época, mostrando bem que o Catedral nunca quis se prender ao rótulo.




Curiosidade: Meio Sem Querer e Quando o Verão Chegar ganhariam versões especiais num disco promocional de ingresso raríssimo pra um show do Metropolitan naquele ano. Marina de Oliveira também participou desse show e também fez o seu disco promo lá.


10 Anos (1997)

Acústico

01 - Você
02 - Todos os Dias
03 - O Silêncio
04 - Perto de Mim
05 - Amor Verdadeiro
06 - O Sermão do Monte
07 - Simplesmente
08 - Cathedral Song
09 - Fonte
10 - Criação
11 - Um Novo Tempo
12 - É Tão Normal Ser Feliz
13 - Pedro Zé, Um Nordestino

Elétrico

01 - Contra Todo Mal
02 - Carpe Diem
03 - Quando o Verão Chegar
04 - Nas Ruínas Algo Está de Pé
05 - Pelas Ruas da Cidade
06 - No Meu País (em estúdio)
07 - Terceiro Mundo (em estúdio)
08 - Resplandece (em estúdio)
09 - Resplandece (instrumental)
Faixa Interativa com vídeos, fotos e textos da banda

VHS

01 - Você
02 - O Silêncio
03 - Perto de Mim
04 - Amor Verdadeiro
05 - Sermão do Monte
06 - Simplesmente
07 - Cathedral Song
08 - Fonte
09 - Um Novo Tempo
10 - É Tão Normal Ser Feliz
11 - Pedro Zé, Um Nordestino
12 - Contra Todo Mal
13 - Carpe Diem
14 - Quando o Verão Chegar
15 - Pelas Ruas da Cidade
Faixa escondida - Rio de Janeiro a Dezembro

Curiosamente o show de 10 anos da banda foi realizado faltando um ano pra isso, mas não muda a importância dessa data. 10 Anos foi por anos um dos maiores shows de rock cristão brasileiro em número de vendas e fãs. Show realizado na casa de shows do Imperator, uma das maiores de RJ, saiu na frente de todas as bandas de rock cristãs da época por possuir um longo momento acústico, com 13 faixas no CD1, só dedicadas a esse som com violões (não só do Cezar, mas também de um convidado, Marcelo Santos "Macarrão") e o sax de Zé Canuto e outros músicos que deram um ar de acústico bem simples, mas belíssimo. Esse disco acústico tem faixas de TODOS os sete discos de estúdio do Catedral lançados até então, dando um apanhado fantástico e alguns arranjos impressionantes para faixas como "Você" (que ganha uma intro de baixo lindíssima), "Fonte" (com uma irada intro do baixo de Julio e mais os arranjos dos metais), "O Silêncio" (com a entrada de violões que acabaria reaproveitada pela banda na versão do disco "Para Todo Mundo"), "O Sermão do Monte" (que ganhou mais velocidade e batidas, deixando a faixa ainda mais latina que a original), "É Tão Normal Ser Feliz" (que ganhou uma intro fora de série), "Cathedral Song" (essa na verdade ganhou um instrumental bem mais próximo da versão feita por Zélia Duncan pra essa música, "Catedral") e "Pedro Zé, Um Nordestino" (que ficou ainda mais nordestina do que a original!!!).

O CD2 tem bem menos músicas, mas também é bom demais de se ouvir. O momento ao vivo se resume a cinco execuções de faixas clássicas da banda, incluindo aí uma versão mais soturna de "Nas Ruínas..." e um solo ainda mais furioso em "Pelas Ruas da Cidade". Curiosamente não vi na versão em vídeo o Cezar usar em sua guitarra a lá Eddie Van Halen a técnica da furadeira com palheta (usada não só por Van Halen, mas também pelo guitarra e pelo baixista da banda de glam metal Mr. Big) como aparece na capa do disco, eu suponho que ele a tenha usado em "Nas Ruínas...", que foi excluída do VHS, ou em "Rio de Janeiro a Dezembro", exclusiva do VHS, mas que não vemos cenas do show. Três faixas novas, gravadas em estúdio, aparecem aqui. "No Meu País" e "Terceiro Mundo" seguem a tendência de faixas de protesto da banda, com letras fortes sobre a politicagem e o abandono social que muitos passam, além da rotina assassina que as pessoas têm todos os dias. Já "Resplandece" é uma curta faixa romântica que... bem... eu acho que nem precisava ter sido feita, muito menos pra fechar o disco, MUITO MENOS AINDA POR CIMA INCLUIR UM INSTRUMENTAL DELA LOGO A SEGUIR! QUEM CANTOU ESSA MÚSICA E ONDE???? Ok, vai que alguém aí curta, mas eu achei ela melosa demais, e a voz aguda ao extremo do Kim nessa música não ajudou em nada minha avaliação dela.

A faixa interativa (que infelizmente não é acessível em sistemas operacionais mais recentes - um problema que muitos discos antigos com esse tipo de opção sofrem hoje em dia) têm um material muito bom sobre a banda, algumas fotos, trechos de músicas dos três lançamentos deles pela MK, alguns vídeos, um deles com trechos de entrevistas da banda sobre eles mesmos e sua trajetória, videoclipe para "Contra Todo Mal", e alguns textos sobre eles. Enfim, um material considerável que vale a pena conferir - quem puder, claro. Há duas packages desse disco: uma o estojo é mais simples, com os encaixes de discos embutido, e a versão "caixa grande", com um divisor enorme preto. Essa última é a que eu possuo.

Curiosidade: Além dos gritos de "Uh Uh, É Catedral!", que já nessa época tinham virado mania, e um momento em que todos cantarolaram "AH, EU SOU DE CRISTO!" (referência também a um disco de mesmo nome da Banda & Voz), um bom ouvidor pode perceber algo que me falaram em algum site aí que eu não sei mais onde foi: no início de "Amor Verdadeiro" dá pra ouvir alguém gritar algo como "ASSASSINOS, VOCÊS NUM SABE LER!". E no início de "Quando o Verão Chegar" alguém aparentemente diz algo como "CEZAR TE AMO" (ou seria "CEZAR TE MATO"?). Muito bizarro MESMO KKKKKKKKKKKK!

Várias músicas chegaram a ser cantadas nesse show, mas não foram lançadas oficialmente, embora vez por outra fossem executados vídeos delas no programa Conexão Gospel.


En Español (1998)

01 - Terra de Nadie (Terra de Ninguém)
02 - Eterno
03 - Hoy (Hoje)
04 - Contra Todo El Mal (Contra Todo Mal)
05 - És Tan Normal Ser Feliz (É Tão Normal Ser Feliz)
06 - Un Nuevo Tiempo (Um Novo Tempo)
07 - In The Neighborhood (Na Casa do Lado)
08 - Time for Everything (Tempo)
09 - When the Summer Comes (Quando o Verão Chegar)



Disco mais difícil de achar da banda - mesmo naquela época em que estava a venda sem a proibição retardada da MK de distribuir discos da banda e de seus integrantes -, esse disco foi feito para o mercado latino, e conseguiu uma boa aceitação inclusive na Argentina. São 9 versões de músicas cantadas pela banda nos três últimos álbuns (todos da MK), sendo seis delas em espanhol e as últimas três em inglês (o que até torna meio contraditório o título, já que nem todas canções são em espanhol). As versões são muito boas, mas basicamente são as faixas como foram pro estúdio com mudanças bem sutis e a letra traduzida e adaptada para a outra língua. No entanto essas traduções foram feitas magistralmente, e vale a pena conferir.




A Revolução (1998)

01 - Somos Todos Iguais
02 - Quem Sabe
03 - A Revolução
04 - Os Filhos de Caim
05 - A Beleza Eterna
06 - Eu Tenho
07 - Teu Amor
08 - O Sonho
09 - Onde o Amor Reina
10 - Por te Conhecer
11 - Com Você


Disco mais revolucionário que a banda lançou pela MK (o nome não deixa negar), considero esse um dos precursores do chamado "Novo Movimento" - apesar de nem os membros do Novo Movimento se associarem ao Catedral e a própria banda não curte muito essa associação. Mas enfim, sem mais delongas, ao review, e esse disco traz canções regadas de pensamentos reflexivos sobre o amor cristão ("Somos Todos Iguais", "O Sonho", "Onde o Amor Reina", "Quem Sabe"), crítica social e ataques a imobilidade de muitas igrejas que se preocupam com grandes templos e não pessoas ("A Revolução" - que uma vez uma alma penada me disse que era plágio de "Perfeição" do Legião Urbana kkkkkkkkk galera força demais), e até uma indireta (será?) aos que criticavam a banda ("Os Filhos de Caim", que ganhou um videoclipe bem bobo - típico de boa parte dos clipes da MK nos anos 1990 - e uma citação da fábula da Raposa e as Uvas). O romantismo puro está presente em "A Beleza Eterna" (que meio que me remete também um pouco a Rubem Alves), "Eu Tenho" e "Por te Conhecer", e as músicas mais "adoração", mas sem uma linguagem "gospel" e ligação direta a Deus nesse disco são "Teu Amor" e "Com Você" (com o bem-vindo teclado de Mito [Novo Som], que ainda inclui no final um trecho de "Killing me Softly with His Song" que deixou a música ainda mais perfeita). Com essa linguagem revolucionária e qualidade sonora, figura entre os 100 maiores discos dos anos 1990 da música cristã, em 75º lugar (conferir a lista completa com outros dois discos da banda AQUI). Esse seria o último disco da banda pela MK e também o último deles diretamente associado à música gospel (apesar de que o disco seguinte ainda teria muitos fãs e até músicas com referências diretas à fé cristã e tenha inclusive tocado em rádios cristãs). Tal como todos os lançamentos da banda pela MK, esse sumiu das lojas após 2001 e o início de uma guerra judicial que acabou com a vitória da banda - apesar de manter os discos acessíveis somente via download ou via compra entre colecionadores ou sebos. Foi um dos primeiros que ouvi da banda e me impactou bastante pela linguagem inovadora, mas também me fez ficar com o pé atrás com eles por um bom tempo. Hoje em dia considero uma das obras primas da banda.




Para Todo Mundo (1999)
01 - Uma Canção de Amor pra Você
02 - Quando o Amor Acontece
03 - O Sonho Não Acabou
04 - Tão Legal
05 - Eu Quero Sol Nesse Jardim
06 - Para Todo Mundo
07 - Todos os Dias
08 - Tudo Vem de Você
09 - Me Diz
10 - Em Nome do Amor
11 - Poderes Desprezíveis
12 - O Silêncio



Single de Uma Canção de Amor pra Você
com as duas versões da música (elétrica e acústica)
+ clipe + entrevista
Contratados pela Continental/Warner, a banda decidiu dar sua guinada rumo ao mercado do pop/rock nacional de vez. Sem perder de vista sua fé em nenhum momento, o disco traz o romantismo em diversas faixas, como as duas primeiras (que ganharam videoclipes que chegaram ao Disk MTV e ao Top 20 Brasil da saudosa emissora MTV Brasil, e também no extinto "Interligado" da RedeTV! - sendo que "Uma Canção de Amor..." o videoclipe foi uma versão acústica da música que sairia apenas no álbum seguinte), e em diversas outras faixas do disco. Tirando "Tudo Vem de Você" e principalmente "Em Nome do Amor", as outras faixas românticas no meu entender foram bem construídas e sem melodrama excessivo. Zé Canuto forneceu os metais que deram brilho nas faixas "Tão Legal" e na regravação de "O Silêncio" - que tal qual "Todos os Dias", foram repaginadas aqui para mostrar que a banda não pretendia (pelo menos até então) romper completamente com seu passado "gospel". "Para Todo Mundo" (título apropriado pro disco e música) evocava o desejo da banda de mostrar sua mensagem realmente para TODOS - e um pouco de crítica social inclusa. A poética "Eu Quero Sol Nesse Jardim" virou hit instantâneo (os teclados de Mito ajudaram muito não só nessa, mas em todas as faixas do disco). "Poderes Desprezíveis" mantém a tradição de canções de protesto da banda - apesar que a romântica faixa de abertura do disco já traz um pouco dessa crítica social embutida. O disco teve aceitação inclusive entre os cristãos, algo que - infelizmente - iria mudar radicalmente devido aos acontecimentos conturbados de 2001. Já já chegaremos lá, calma ae.



O Melhor de Catedral (bootleg, 2000?)

01 - Pai Nosso
02 - Quando o Verão Chegar
03 - Amor Verdadeiro
04 - Cathedral Song
05 - Ver Estrelas e Sorrir
06 - É Tão Normal Ser Feliz
07 - Hoje
08 - Terra de Ninguém
09 - Eu Quero Apenas Falar de Amor
10 - Meio Sem Querer
11 - Uma Canção de Amor pra Você
12 - Para Todo Mundo
13 - Me Diz
14 - Galhos Secos
15 - Carpe Diem
16 - Sermão do Monte
17 - Perto de Mim
18 - Você
19 - Somos Todos Iguais
20 - Eu Tenho
21 - Por Te Conhecer
22 - Fonte


Até então o Catedral nunca tinha feito uma coletânea, até que algum, ou alguma, fã da banda decidiu fazer esse bootleg. Embora não-oficial, tornou-se comum em diversas "barraquinhas de CD pirata", ajudando àqueles que tinham dificuldade em encontrar discos da banda a conhecerem um bom apanhado da carreira deles. A escolha do repertório é até curiosa, diversas canções eu definitivamente não colocaria nessa coletânea aparecem, enquanto outras fantásticas como "Contra Todo Mal" e "Eu Quero Sol Nesse Jardim" estão ausentes. Ao menos tem pelo menos uma canção de cada disco, sem seguir ordem cronológica alguma. Por muitos anos esse disco foi uma rara fonte pra mim ouvir músicas dos discos que a MK recolheria (até que eu consegui cópias dos mesmos originais).


Mais do que eu Imaginei (2001)

01 - O Nosso Amor
02 - Balada de Uma Saudade
03 - Eu Amo Mais Você
04 - Helena de Tróia
05 - Mil Maneiras
06 - Meu Bem (Mandy)
07 - Sol de Primavera
08 - Não Vou te Esquecer
09 - Mais do que eu Imaginei (Is It Ok If I Call You Mine)
10 - Antes e Depois do Meio-dia
11 - Vidros e Diamantes
12 - Kiss Me
13 - Uma Canção de Amor pra Você (acústico)


2001 foi o ano em que a banda passou por mais problemas em sua carreira. Uma entrevista extremamente desastrada e manipulada pelo extinto site Usina do Som (sim, até o repórter irresponsável admitiu isso anos mais tarde) e um boato ridículo de que a banda aparecera no Programa do Jô negando a Cristo por três vezes, demissão do Kim da MK e recolhimento de toda a discografia deles lançada pela MK, processo contra a antiga gravadora, desaparecimento da banda de lojas e rádios cristãs, até mesmo um debate na rádio Melodia tentando esclarecer os fatos acabou malfadada e muitos veículos de comunicação cristãos começaram a zombar da banda e dizer que eles haviam mesmo abandonado a fé, entre outros. Muitos que realmente odiavam a postura da banda aproveitaram o momento oportuno para tentar desqualificar de vez a imagem deles, inclusive criando boatos horríveis sobre eles. Uma lástima.

A proposta de fazer um som que juntasse os dois mercados (cristão e secular) acabou naufragando, mas a banda seguiu em frente com um disco "secular". Puro romantismo, várias versões fantásticas para músicas como "Mandy" de Scott English, Bunny Walters e Barry Manilow, "Is It Ok If I Call You Mine" de Paul McCrane, "Kiss Me" de Sixpence None the Richer (banda americana que também rompeu as barreiras do que é "música cristã" nos EUA durante os anos 1990) e "Sol de Primavera" de Beto Guedes, além da versão acústica de "Uma Canção de Amor pra Você" tornam esse disco um sólido lançamento poético ao extremo. "Antes e Depois do Meio-Dia" tem o elemento mais crítico da banda do disco. Musicalmente o som faz uma fusão de pop/rock e baladas românticas com influências do pós-punk, como sempre foi a fórmula da banda, marca visível no maior sucesso do disco, "Eu Amo Mais Você". No encarte a banda cita Carlos Drummond de Andrade e liga visivelmente a fé deles em Deus ainda firme e forte, apesar das controvérsias. O disco foi o maior sucesso da banda no seus anos de Warner/Continental, rendeu dois ótimos videoclipes: "Eu Amo Mais Você" e "Mil Maneiras", esse com a atriz Maytê Piragybe, que ficaria famosa em novelas da Rede Record, e indicações a prêmios como o prêmio Multishow de Música Brasileira e o extinto Video Music Award Brazil (VMB) da MTV Brasil.



15º Andar (2002)

01 - Tchau
02 - Um Minuto
03 - Do Meu Querer
04 - Dúvidas em Mim
05 - O que Não se Pode Explicar aos Normais
06 - No Quintal da Nossa Casa
07 - 15º Andar
08 - O Meu Jeito de Amar
09 - Meu Sonho
10 - Sempre Apaixonado
11 - Aviso
12 - Ela e o Castelo


A produção de Carlos Trilha nesse disco foi a melhor coisa de todas - mas também rendeu mais um capítulo polêmico na já polêmica jornada da banda, haja vista que Carlos fora produtor dos últimos discos do Legião Urbana (sempre eles) e levou a umas declarações desaforadas do baterista da banda que Carlos produzira anteriormente, Marcelo Bonfá, além de devoluções também pouco amistosas do Kim (sempre ele kkkk).  Enfim, a banda continuava sua jornada, já incluindo uma música com visíveis ligações subliminares com a fé deles (O que Não se Pode Explicar aos Normais), mas geral são canções de amor fantásticas, sem nenhum sensualismo barato. "Tchau" surpreende por ser a primeira (e creio que única) canção da banda sobre separação, um caso raríssimo, mas que me lembrou bastante "Nosso Erro" e "Bateu Asas e Sumiu" de Fruto Sagrado, só que bem mais pop que essas.  "Dúvidas em Mim" tem um senso poético e ao mesmo tempo filosófico, com sua pegada AOR fantástica, mantendo o estilo Catedral de questionar. Foi o último lançamento em estúdio da banda pela Continental/Warner, e em 2003 eles assinariam com a Line Records. A saída foi estratégia da Warner (crise financeira) e não tem nada a ver com "não terem feito sucesso", pois a gravadora poucos anos depois lançaria uma coletânea da banda, logo nada desabonou a banda. No encarte o primeiro agradecimento é diretamente ao Senhor e Salvador. A banda nesse tempo chegou a participar de uma competição de futebol humorística chamada "Rockgol", onde viraram personagens na competição, mas sem perder o bom humor jamais. Uma piadinha um tanto quanto curiosa na competição de 2003 colocaram eles num time chamado "Cruz Torta" (kkkkkkkkkk), mas vale uma menção honrosa a um momento em que o Cézar mostra uma lata de bebida alcoólica e diz "não", como uma mensagem antidrogas bem interessante. Lamentavelmente foi o último disco com esse talentoso músico, que nos deixaria em 2003. Os videoclipes de Um Minuto (fazendo inclusive uma campanha para encontrar crianças desaparecidas) e Tchau tocaram bastante na MTV.

Curiosidade: Esse último clipe contém uma cena "controversa" nas fotos do casal que se separa ao longo do clipe: em uma delas, eles "dão dedo" um pro outro. Bem bizarro isso né hahaah



Acima do Nível do Mar - 15 Anos Acústico (2003)

01 - Cotidiano
02 - Hoje
03 - O Nosso Amor
04 - Quem Disse que o Amor Pode Acabar?
05 - Sabe Lá...
06 - O Sentido
07 - Sobre Muitas Coisas
08 - Chame a Deus (feat. Beno Cesar)
09 - Eu Quero Sol Nesse Jardim
10 - Eu Amo Mais Você
11 - Drogas
12 - A Tempestade e o Sol
13 - Rio de Janeiro a Dezembro
14 - Tchau

22 de julho de 2003, José Cezar Motta, o talentosíssimo irmão de Kim e Júlio, faleceria vítima de um acidente automobilístico ocorrido na véspera. Com material já gravado pro próximo disco de estúdio e contrato com a Line Records/Record Music, a banda acabou surpreendida com essa terrível notícia. Mas seguiram em frente, tornando o disco acústico comemorativo dos 15 anos da banda uma homenagem ao companheiro que partira, homenagem essa bem presente na inédita "A Tempestade e o Sol", uma bela canção relembrando o companheiro, e em "Rio de Janeiro a Dezembro" (que rompendo a característica comum de acústicos, continha um solo de guitarra do saudoso guitarrista).

As músicas rearranjadas não sofreram grandes modificações, a exceção de "Eu Quero Sol Nesse Jardim", que ganhou um andamento bem calmo, só Kim no vocal e violão, "Sobre Muitas Coisas", com uma pegada mais pop, e "Eu Amo Mais Você", que teve uma pegada bem mais suave que a versão original. A participação de Beno Cesar em "Chame a Deus" foi perfeita, relembrando quando o cantor fizera lá no primeiro disco da banda. Já as faixas novas, meu maior destaque vai pra Cotidiano, música que não consigo tirar da cabeça, o quarteto de cordas e os arranjos de Carlos Trilha fizeram um trabalho fantástico, afora claro, a mensagem da banda mostrando que "a fé que eu tenho em Deus me fez ver o que sou e NUNCA FUGIU DE MIM". Isso que é afirmação de fé. "Quem Disse que o Amor Pode Acabar?" foi o maior sucesso do disco, tendo ganho um clipe que fez muito sucesso na MTV entre 2003 e 2004. O show também saiu em DVD.

Curiosidade: Durante todo o show, uma cadeira é deixada vazia, uma clara representação da falta do Cezar no lugar.

Curiosidade minha: Ganhei esse disco no enterro de minha avó paterna, logo tem um valor muito sentimental pra mim =(


O Sonho Não Acabou - O Melhor do Catedral (2004)

01 - Eu Amo Mais Você
02 - Quando o Amor Acontece
03 - Uma Canção de Amor Pra Você (Acústico)
04 - Do Meu Querer
05 - Um Minuto
06 - O Nosso Amor
07 - Eu Quero Sol Nesse Jardim
08 - Tchau (versão exclusiva)
09 - Mil Maneiras
10 - Kiss Me
11 - Mais do que Imaginei
12 - Meu Bem
13 - Sol de Primavera
14 - O Sonho Não Acabou


Pegando carona no sucesso de sua ex-banda, a Warner tratou de lançar duas coletâneas, essa e a "Warner 30 Anos: Catedral" de 2006 (essa não citarei aqui porque acrescenta pouco à disco da banda, tal qual a "Seleção de Ouro" da Line Records lançada em 2013). Essa tem um elemento curioso: a presença de uma versão mais melódica de "Tchau". No mais, é um resumo dos três discos lançados pela Continental/Warner, mas extremamente mal distribuídos os sons ao meu ver, com quase todas as músicas do "Mais do que Imaginei", com apenas três de "Para Todo Mundo" e somente DUAS de "15º Andar" (já que "Tchau" aqui é uma versão exclusiva). No entanto, as escolhas foram acertadas, mas senti falta de canções dos outros álbuns. Na coletânea seguinte a Warner deu uma melhorada nisso, mas vale apenas a citação, quem quiser procurar fique a vontade.

Curiosidade minha: Por anos foi a forma que eu tinha de ouvir músicas dos discos da fase Warner, já que demorei anos para conseguir exemplares deles.




A Resposta de um Desejo (2004)

01 - A Poesia e Eu
02 - Nada Mudou
03 - O Sapo, O Escorpião e a Paixão
04 - Para um Novo Tempo Começar
05 - A Resposta de um 1 Desejo
06 - Pare
07 - Às Vezes
08 - Terra de Ninguém
09 - Here I Miss You Now
10 - Sem Saída
11 - Quem Disse que o Amor Pode Acabar
12 - Quatro Cores

Capa pintada pelo Cézar, dez das 12 faixas tocadas por ele na guitarra (as duas que restaram foram totalmente gravadas por Eduardo Lissi), duas regravações, sendo que em uma delas, a última faixa, a voz de Kim divide com uma segunda voz improvisada do Cézar. Não há mais o que dizer a não ser "nostalgia". Com a maior parte do instrumental gravado em 2003, era pra sair naquele ano, mas a banda, após a morte de Cézar, decidiu trabalhar na homenagem do acústico. Enfim, A Resposta de um Desejo, saindo pelo novo selo New Music (êfemera divisão da Line Records voltada pra artistas não-gospel), foi um belíssimo disco. Letras geniais, um pouco de MPB no meio na faixa Às Vezes, um pouco de música eletrônica em Here I Miss You Now, letra genial de "Para um Novo Tempo Começar" (que junto com o grande sucesso "A Poesia e Eu", ganhou videoclipe - o da última música com a participação da atriz Juliana Silveira). "O Sapo, O Escorpião e a Paixão" foi uma inclusão curiosa usando uma fábula russa famosíssima e associando à paixão.



Catedral Vídeo Clipes (2006)

01 - Uma Canção de Amor
02 - Quando o Amor Acontece
03 - Eu Amo Mais Você
04 - Mil Maneiras
05 - Tchau
06 - Um Minuto
07 - Quem Disse que o Amor Pode Acabar?
08 - Rio de Janeiro à Dezembro
09 - A Poesia e Eu
10 - Para um Novo Tempo Começar
+ Entrevista e comentários de produção dos clipes

Ótimo DVD da New Music, reunindo clipes gravados pela banda entre 1999 e 2005. Algo curioso entretanto é que eles comentam que "Uma Canção de Amor pra Você" foi o primeiro vídeo clipe real da banda, renegando videoclipes de "Quando o Verão Chegar" e "Os Filhos de Caim" (e eu até entendo, a produção (?) desses clipes era bem ruim, a MK tinha um senso bizarro pra clipes - a exceção dos clipes bem elaborados da Marina de Oliveira e - muito tempo depois - os de bandas de 2000 em diante, como Novo Som, Oficina G3, Fruto Sagrado e Brother Simion). Na entrevista eles citaram pouco sobre as polêmicas que haviam passado a não tanto tempo - provavelmente porque ainda era caso de justiça, e a banda só muito tempo depois conseguiria vencer na justiça seus difamadores Usina do Som e MK Music, e aí sim no Youtube lançariam um vídeo com toda a verdade sobre as acusações contra eles.



Atemporal (2006)

01 - Atemporal
02 - No Meu País
03 - Simplesmente
04 - Quem Sabe
05 - Terceiro Mundo
06 - Cidade
07 - Um Novo Tempo
08 - Somos Todos Iguais
09 - Teu Amor
10 - Eterno
11 - Em Outro País
12 - Quando o Verão Chegar
13 - Onde Está o Seu Coração?
14 - Chegou a Hora de Dizer a Verdade
15 - A Dois Passos do Paraíso (Blitz cover)

Meio antologia, meio disco de inéditas (apesar de que poucas faixas são inéditas: as ótimas "Atemporal", "Em Outro País", "Cidade" e "Chegou a Hora de Dizer a Verdade", essas três últimas com guitarras inéditas do Cézar Motta - é, material esse cara deixou!). Faixas dos discos da MK não mais comercializados como "O Sentido", "Eterno", "10 Anos" e "A Revolução", além de "Simplesmente" do disco "Está Consumado" ganham versões atualizadas, um pouco mais pops, mas ainda mantendo a sonoridade básica. As guitarras de Kim e Eduardo Lissi não chegam aos pés das de Cézar (o solo de "No Meu País" que o diga, quase todo solapado), mas o esforço vale a pena. "Terceiro Mundo" ganha uma atualização muito necessária na letra, com a citação do recente escândalo do mensalão (um dos piores escândalos políticos da história do Brasil, que estourou entre 2005/2006 no primeiro governo Lula). Já "Quando o Verão Chegar" ganhou a adição do filho de Kim juntamente com a já famosa Karen. Pra finalizar, a versão de "A Dois Passos do Paraíso" ficou muito legal - e ainda bem que removeram as narrações do Evandro Mesquita kkkkkkkk não iria dar muito certo... A faixa foi trilha sonora da novela "Prova de Amor" da Rede RecordTV.


20 Anos (2008)



Enquanto o Sol Brilhar
O Melhor do Início
The Elvis Music
Pedra Angular
M.I.M. (Maior Idade Musical)
Epílogo


No Mundo do Extremamente Permitido (2018)


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Catedral participou de algumas coletâneas da MK e Line Records, conferir em "Coletâneas".

Ver também:

Kim
Cezar & Júlio
Kim & Júlio
Catedral e Novo Som

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Escarlate (Pop Rock)

Banda de pop/rock de Rio de Janeiro, capitaneada por Eval Arantes (voz e guitarra). Não confundir com a homônima de death metal.



João 3:16 (2000)

01 - Fogo do Céu
02 - Somos o Amor
03 - Lágrimas
04 - Se Você Quiser
05 - Canção da Vida
06 - Gotas d'Água
07 - Guia meus Passos
08 - Rio de Paz
09 - Linda Montanha
10 - Uma Estrela
11 - Toda Adoração
12 - Somos o Amor (remix)


Gravado entre 1998 e 2000, esse disco tem uma pegada bem melódica, com momentos mais AOR como "Fogo do Céu", outras músicas mais pop como "Somos o Amor" e "Se Você Quiser" (essa com um andamento melódico maravilhoso). "Gotas d'Água" também é um baita destaque, além da balada fantástica "Lágrimas", que até hoje me emociona quando ouço. A faixa-bônus remix foi uma adição legal, na época esse tipo de inclusão de remixes estava na moda.

Esse foi um dos discos mais baratos que comprei (apenas míseros 2 reais, comprei numa loja daqui de Recife, junto com um exemplar de "O Filme" da banda Pontocom), e mal sabem os que venderam esse disco tão baratinho achando que era só uma banda de rock gospel fraquinha a belezura que estavam vendendo. Espertos são os que como eu aproveitaram essa promoção (risos)!

Curiosidade: O disco foi o único que eu conheço de rock cristão lançado pela Betel Music (na verdade o único disco desse selo que eu conheço, apesar de pela numeração ser o 17º lançamento do selo), e o supervisor dessa gravadora era ninguém mais ninguém menos que o saudoso ator Jece Valadão - que antes de se converter chegou a fazer muitos filmes de pornochanchada (ok, só os pais ou avós de quem lê essa review devem saber o que é isso kkkkkk), e seu último filme, já convertido, foi "Encarnações de Lúcifer" com José Mojica Marins (sim, o Zé do Caixão).


Quem Tem Ouvidos Ouça (2003)

Em breve

















Além do Natural (2014)

Em Breve

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Katsbarnea


Considerada o marco zero do movimento Gospel no Brasil, Katsbarnea surgiu em 1988, fundada na Igreja Renascer em Cristo. Os primeiros ensaios ocorriam num porão, na Rua Vergueiro, e a banda, que tinha entre seus primeiros membros Simion Johnny (futuro Brother Simion, voz, guitarras, violão e gaita - ocasionalmente teclado tbm), Paulinho Makuko (voz e percussão - posteriormente também guitarra), Tchu Salomão (baixo), Andre Mira (guitarra), Marcelo Gasperini (bateria), Maurício Domene (teclados), Sandra Simões e Claudia Bastos (back-vocais), logo participariam de festivais como o FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo), onde ganharam o festival de 1988 com a música "Extra", que se tornou um dos marcos da banda (inclusive o "Johnny" da música acabou servindo de inspiração pra mim mesmo como nome artístico). Mudanças de formação e de estilo, e até algumas paradas por algumas vezes não impediram a banda de seguir em frente até hoje, ainda que já não mais com o destaque dos primeiros anos, quando chegaram a ser a principal banda de rock cristão no Brasil.


O Som que Te Faz Girar (1989)

01 - Contato
02 - Congestionamento
03 - Grito de Katsbarnea
04 - Etéreo
05 - Brisa
06 - Extra
07 - Pacote Salvação
08 - Corredor 18
09 - Salve a Tua Paz
10 - Viagem da Oração



Lançado originalmente em K7 apenas, muitas vezes confundido com a fita demo que a banda usou pra se inscrever no FICO (mas definitivamente não é ela, ok?). Essa fita trazia os elementos básicos da sonoridade da banda nos primeiros anos, mais próximo da New Wave e do BRock anos 80, bem próximos do estilo de bandas como Blitz, Gang 90 e as Absurdetes e Arrigo Barnabé, com as back vocais femininas fazendo o preenchimento sonoro. Basicamente todas as músicas desse disco foram depois regravadas pela própria banda Katsbarnea, por Brother Simion e Paulinho Makuko, exceto o reggae "Pacote Salvação" (principalmente pela letra ser meio datada, só quem viveu a época dos anos 80 no Brasil vão manjar essas informações sobre planos econômicos, moedas e também a fome que pegou nosso país pelo desastroso Plano Cruzado). "Extra" também foi regravada por Código C muitos anos depois, e até pelo Apóstolo Estevam Hernandes com sua banda Inesquecível. Cheguei a tirar cover dessa música com a F.P.A. e até no meu canal de covers, mostrando meu amor pela música. Estilisticamente o som da banda nesse disco era bem variado, com folk, funk, hard rock, new wave, reggae, surf rock e até um MPB em "Brisa". E se "Extra" virou marca registrada na voz do Brother Simion (a época assinando ainda sem o "Brother" antes), contando um pouco de seu testemunho, "Corredor 18" foi a assinatura de testemunho de Paulinho Makuko, que cantou essa e "Brisa".

Curiosidade: As letras de boa parte das canções foram feitas pelo Estevam Hernandes (à época apenas Pastor Estevam), uma situação que seria comum ao longo dos anos e da carreira da banda e também da carreira solo de Brother, além de ocasionalmente em outros projetos.

"O som que te faz girar" só foi lançado novamente em 2000 na coleção "Série Ouro" da Gospel Records, ainda que originalmente a fita tenha tido lançamento independente, o que tornou essa fita o lançamento número 0 da gravadora - o primeiro disco da mesma sairia no mesmo ano de 1989: "Princípio" do Rebanhão.


Katsbarnea (também chamado "Extra-Extra" ou "Extra", ou "Extra Extra/Revolução", 1990)

01 - Extra-Extra
02 - Sepulcro Caiado
03 - Grito de Katsbarnea
04 - Apocalipse "Now"
05 - Viagem da Oração
06 - Consumo
07 - Fumaça Arisca
08 - Corredor 18
09 - Ver o Sol
10 - Revolução

Lançado em LP pela New Voice (foi o primeiro lançamento da gravadora - e possivelmente o último, já que nunca mais ouvi falar de nenhum outro, além de que o visual da label do LP é idêntico aos lançados pela Gospel Records na época, o que me faz pensar numa gravadora alternativa, como seria depois a Todo Som? Um dia investigo isso a fundo), esse disco trazia clássicos épicos, como as regravadas "Extra-Extra", "Grito de Katsbarnea", "Viagem da Oração" e "Corredor 18", além das novas "Apocalipse 'Now'" (além de uma homenagem ao filme de mesmo nome, é possivelmente uma cutucada em "Apocalipse Não" da banda Blitz), "Sepulcro Caiado" (hardão muito legal de ouvir), "Consumo", "Fumaça Arisca", "Revolução" (música que acabou virando outro hino da banda e que tornar-se-ia um lema pro conjunto) e o blues "Ver o Sol", cantado por um Paulinho Makuko numa entonação que nunca mais se repetiria (nem mesmo quando ele regravou essa canção em sua carreira solo anos depois). As letras persistem não só numa linguagem jovem evangelística, mas também um alerta contra as drogas. Foi o último disco da formação "New Wave" da banda, e a saída de integrantes e mudança de sonoridade nunca foi bem explicada (Sandra Simões chegou a dar uma entrevista anos atrás a respeito, mas nunca esclareceu bem os fatos que levaram a direção da igreja mudar completamente a banda).

Apocalipse Now ganhou versão da banda Resgate, além de também ter ganho uma versão com letra modificada e título novo (Apocalipse somente) pelo Paulinho Makuko (que inclusive regravou depois no próprio Kats).

Curiosidade: Teoricamente nem precisaria de colocar isso nas curiosidades, mas é no mínimo estranho isso, que a Gospel Records relançou o disco por duas vezes (são relançamentos tão raros quanto a versão original da New Voice a um bom tempo já), mas com DUAS MÚSICAS A MENOS, ambas cantadas pelo Paulinho Makuko. Nunca cheguei a perguntar pro Brother ou pro Paulinho as motivações dessa exclusão, mas enfim, se procurar bem em alguns sites de download têm a versão completa.

Curiosidade 2: Já vi em sites de download um suposto bootleg da banda gravado nesse ano de 1990, mas são links fakes - a gravação é do Acústico de 2000 apenas. Mas no Youtube dá pra encontrar shows dessa fase da banda.


Cristo ou Barrabás (1993)

01 - Terra
02 - Parede Branqueada
03 - Shine on Your Face
04 - Congestionamento
05 - Ondas Agitadas
06 - Cristo ou Barrabás
07 - Amor
08 - Remédio Prá Dormir
09 - Meio-Fio
10 - Expressão de Amor


Primeira mudança radical na banda, não só de integrantes (com a entrada do mítico baixista Jader Junqueira "Jadão", que posteriormente viraria membro da Filhos do Homem), mas também de estilo. Musicalmente a banda ficou bem mais pesada, tendo perdido o som new wave, pegando mais influências do hard rock ("Congestionamento", "Cristo ou Barrabás"), heavy metal ("Parede Branqueada" deixa isso claro) e punk ("Meio-Fio"), mas sem perder por completo a essência clássica, podemos ver isso no reggae de "Amor" ou no surf rock de "Ondas Agitadas". A mais experimental das faixas é "Remédio Pra Dormir", um verdadeiro som com um pouco de progressivismo. "Terra" é um hino ecológico nos mesmos moldes de "Criação" de Rebanhão, "Criação" de Catedral e "S.O.S. Terra" do Brother Simion, entre outras canções do gênero. "Parede Branqueada" é a faixa mais heavy metal da história da banda, cortesia da bateria de Fuka Gomes, que junto com Luiz Fernando (LuFe) dividia as baquetas nesse play - ambos músicos de estúdio somente. Aliás isso nos leva à curiosidade do disco... mas antes um comentário sobre a capa: genial, meio que trazendo o contexto da atualidade pro título do disco, "Cristo ou Barrabás", uma das melhores músicas do Kats até hoje.

Curiosidade: Embora conste na ficha técnica como membro da banda já nesse disco - e somente nessa época -, o guitarrista Carlos Nascimento, o "Tomati" (sim, AQUELE Tomati do Jô Soares!) não gravou guitarras no disco. Essa honra ficou com o contratado Maurício Caruso. Mas Tomati chegou a tocar com a banda até por volta de 1993 - além de também ter tocado na banda cristã de curta vida Subsolo (ou Sub Solo Trio) -, quando se afastou da cena gospel e cristã pra sempre - infelizmente.


Armagedom (1995)

01 - Invasão
02 - Alegria
03 - Gênesis
04 - Armagedom
05 - Pra Onde Você Vai, Brother?
06 - 30 Segundos (Intervalo)
07 - Do Céu
08 - Crack (Atos 4:11)
09 - Palavras Simples
10 - Fariseu
11 - Get Out of Babylon
12 - Ele Virá


Por anos o disco mais vendido da banda, e um dos discos de rock cristão mais vendido da década de 1990, considerado por muitos o melhor da época (inclusive pela capa fenomenal), é também o disco mais experimental da banda. Não que isso seja ruim, pelo contrário. A entrada de Déio Tambasco nas guitarras trouxe um impulso irado pra banda, bem como o baterista Flavio Benez (posteriormente do Código C). As pesadas "Invasão", "Armagedom" e "Crack" trazem uma pegada que vai do metal progressivo ao punk/hardcore, em contraste com as baladas "Palavras Simples" e "Gênesis", essa última possivelmente a faixa mais famosa da banda (até minha mãe ama essa música). O reggae tá por aqui também (ainda), com "Pra Onde Você Vai, Brother?" e "Alegria", além do ska de "Do Céu". O blues em inglês (com participação da saudosa Jimena (Rhimena) Abécia, ex-Troad) é um momento que infelizmente poucos recordam desse discaço. Pro lado experimental, "Ele Virá" parece mais uma vinheta, com um teclado (cortesia de Giovanni Bon) absurdamente fantástico, "Fariseu", com a participação de Duca Tambasco (irmão do Déio e baixista do Oficina G3 já na época) fazendo vocais eruditos (!), é uma faixa praticamente inclassificável sobre o estilo. O intervalo é a parada mais louca que uma banda de rock cristão já fez até hoje, em que os músicos simplesmente trocaram de instrumentos e fizeram um verdadeiro noisecore. Tristemente, esse foi o último disco com Brother Simion nos vocais, gerando uma divisão entre os fãs que só curtem essa fase até a saída dele, e os que curtem o Kats até hoje.

Gênesis ganhou versão de Faty e também apareceu no Renascer Praise IV (1997). Já "Crack" ganhou uma versão alucinante crossover por meio da banda pernambucana Proffetos HC.

Curiosidade boba: Esse é o único lugar em que o Gênesis e o Armagedom se separam por uma faixa só, já que uma música vem logo depois da outra.


10 Anos (1998)

01 - Extra-Extra
02 - Alegria
03 - Terra
04 - Viagem da Oração
05 - Armagedom
06 - Corredor 18
07 - Cristo ou Barrabás
08 - Grito de Katsbarnea
09 - Gênesis
10 - Amor
11 - Invasão
12 - Revolução
13 - Congestionamento
14 - Do Céu
15 - Apocalipse Now
16 - Ondas

À época o Kats estava em pausa após a saída do Brother Simion. A escolha das músicas pra coletânea foi feita por Paulinho Makuko, que à época trabalhava na parte artística da Gospel Records, e foi uma escolha brilhante. Curiosamente, nenhuma faixa do disco "O Som que Te Faz Girar" apareceu nessa coletânea, provavelmente por motivos de que a gravadora já estava preparando os relançamentos da Série Ouro naquela época, e o primeiro disco do Kats estava já nos planos - como inclusive foi feito de fato. Mas as faixas dos outros discos selecionadas foram felizes. Foi meu primeiro disco do Katsbarnea, e também meu primeiro contato com a banda, logo é sem dúvidas um clássico eterno pra mim.

Acústico (A Revolução Está de Volta) (2000)

01 - Extra
02 - Grito de Katsbarnea
03 - Congestionamento
04 - Consumo
05 - Cristo ou Barrabás
06 - Amor
07 - Ondas Agitadas
08 - Palavra Apóstolo Estevam Hernandes
09 - Apocalipse
10 - Terra
11 - Meio-Fio
12 - Corredor 18
13 - Viagem da Oração
14 - Revolução

Depois de alguns anos fora do Katsbarnea, e dois anos depois do hiato da banda, Paulinho Makuko ressuscita o conjunto, com o retorno também de Marcelo Gasperini, que junto com Jadão e Déio, mais o percussionista Ari Bahia, trazem um acústico com características muito operísticas, graças a uma verdadeira orquestra sinfônica que acompanhou esse show, tornando esse o acústico cristão com o maior número de músicos. Um verdadeiro festival sonoro, com um repaginamento genial das músicas (algumas dessas versões até hoje são executadas assim pela banda - não acústicas, é verdade, mas com os mesmos arranjos, como é o caso de "Congestionamento"). "Consumo" foi a primeira música de trabalho do disco, que foi bem melhorada perto do quase southern/surf rock da versão original com Brother. "Ondas Agitadas" ficou num clima havaiano soberbo. "Amor" abandonou o reggae simples, virando um samba reggae/axé daqueles. "Corredor 18" ganhou sua versão mais insana de todas, "Viagem da Oração", sua versão definitiva. "Revolução" ganhou ares de Raul Seixas, e a repaginada "Apocalipse" (inclusive no nome e na letra) ganhou a versão mais famosa da música até hoje. Sem dúvidas um clássico inesquecível, mesmo para os que não são muito fãs da fase Makukiana da banda. Da fase do modismo de disco acústico, esse é possivelmente um dos melhores de todos os tempos.

Curiosidade: Saiu também em VHS, porém foi o único dos quatro acústicos ao vivo lançados pela Gospel Records (juntamente com os de Oficina G3, Resgate e DJ Alpiste) que nunca foi relançado em DVD, o que torna o registro em vídeo em formato físico desse show algo bastante raro.


Profecia (2002)

01 - Grito de Alerta
02 - Invasão
03 - Orgulho
04 - Sepulcro Caiado
05 - Parede Branqueada
06 - Fumaça Arisca
07 - Remédio pra Dormir
08 - Gênesis (Assim Sou Eu)
09 - Profecia
10 - Voz do Oriente


Reaproveitando músicas e a sonoridade semierudita, esse disco não contém nenhuma música realmente inédita, exceto pela execução, com mudanças na sonoridade de várias canções. "Parede Branqueada" ficou mais direta, bem como "Sepulcro Caiado" (com seu enorme solo de guitarra). A percussão no final de "Fumaça Arisca" é um festival absurdo de bater cabeça valendo. "Invasão" ganhou uma roupagem mais "radiofônica", diferente da versão original com mais de oito minutos, bem como "Gênesis", que também ficou bem menor. As maiores críticas desse disco pra muitos foi o reaproveitamento de faixas da carreira solo de Brother (Grito de Alerta, Orgulho, Voz do Oriente e a faixa-título), pois pareceu praticamente uma extensão indevida na carreira do ex-vocalista (curiosamente nenhuma música solo de Paulinho Makuko recebera o mesmo tratamento na banda - a exceção muitos anos depois de "Jeremias"). No mais, a sonoridade, inclusive dessas faixas, foi muito boa. A capa e toda a arte do disco, com o clima meio HQ/Gibi, foi uma ótima pedida, deixando o disco fantástico na apresentação visual.



A Tinta de Deus (2007)

01 - Primavera
02 - A Tinta de Deus
03 - Caminho
04 - Bom Encontro
05 - Perto de Deus
06 - Seu Doutô
07 - Uma Certeza
08 - Game Over
09 - O Verbo
10 - O Amor Sempre Ganha


O melhor disco da fase Paulinho Makuko nos vocais, marca o fim de 13 anos sem lançar um disco de inéditas. O som do disco, com algumas influências do britpop e do hard rock, foi um renascimento e tanto pra banda. Dá gosto de ouvir um disco só com músicas novas, e que belas músicas. "Perto de Deus" chegou a ganhar videoclipe na época, virou hit de rádios evangélicas e até rendeu uma visita da banda no programa Show da Fé de R.R. Soares. Esse é o primeiro disco da banda sem nenhuma composição do Brother Simion, tendo só composições do Paulinho Makuko, à exceção de "Uma Certeza", composta pelo Apóstolo Estevam Hernandes, e "Game Over", de Claudia Bastos Makuko, esposa do Paulinho e ex-back vocal da banda. Foi elencado como 47º melhor disco de uma lista de 100 discos do site Super Gospel, tamanha a qualidade do disco. Infelizmente esse foi o último grande disco da banda, que depois não lançaria mais materiais com tanta qualidade. A produção de Dudu Borges (ex-Patmus e Resgate) ajudou muito nesse quesito.

O disco teve dois lançamentos. O original pela Gospel Records foi um dos últimos discos lançados pela gravadora antes de sua extinção. Depois passou a ser lançado em nome do próprio Paulinho com a ajuda de uma rede de supermercados de SP.


Ao Vivo (2009)

01 - Cristo ou Barrabás
02 - Revolução
03 - A Tinta de Deus
04 - Primavera
05 - Fumaça Arisca
06 - Parede Branqueada
07 - Perto de Deus
08 - O Verbo
09 - Gênesis
10 - Caminho
11 - Seu Doutô
12 - Corredor 18
13 - Congestionamento
14 - Meio fio
15 - Extra
16 - Invasão
17 - Game Over (nos créditos finais)

Show ao vivo gravado em Salvador a 12 de junho de 2008 pra comemorar 20 anos de banda. As músicas são de todos os discos da banda até então. A gravação do show é bem legal, com toda a energia do Paulinho ao vivo. A montagem da capa com as fotos de Paulinho, Déio e Marcelo crianças deu um ar ainda mais legal de nostalgia.

Curiosidade: Ainda bem que em nenhum momento aparece Paulinho com sua famosa síndrome de Tim Maia mandando corrigir todos os equipamentos de som (kkkkkkk). Já ouvi uma entrevista que ele faz isso muito em busca de sempre oferecer o melhor pra Deus, mas em alguns momentos chega a ser chato (digo isso porque presenciei ao vivo esse ato do vocalista kkkkk).


Eis que Estou à Porta e Bato (2013)





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Katsbarnea apareceu em diversas coletâneas da Renascer, confiram na seção de coletâneas.

Fizeram uma participação especial em dois discos do Renascer Praise: O 4, com a faixa "Gênesis", e o 9, com a exclusiva "Nada é Igual", cantada em conjunto com Faty.

Relacionados:

Brother Simion
Paulinho Makuko
Déio Tambasco
Oficina G3
Código C
Filhos do Homem


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Livre Arbítrio


Banda brasiliense de rock cristão, uma das primeiras da cena da cidade, surgida em 1989 com o nome "Salvo Conduto" (homenagem à música de Rodrigo Bueno), na efervescência do Rock Brasil e pegando carona no Movimento Gospel, a banda de André Fernandes traz influências do rock progressivo, pop rock, hard rock e heavy metal, sem nunca perder a essência de sua mensagem. Sua primeira aparição no SOS da Vida, em 1992, é um dos melhores momentos ao vivo da banda até hoje. André chegou a sair da banda por um tempo em meados dos anos 2000, mas logo voltaria e até hoje a banda segue fazendo shows e recentemente lançando um novo EP.




Corsário do Rei (1991)

01 - Ser Feliz
02 - Viagem
03 - Corsário
04 - Bom Motivo
05 - Se Você Acreditar
06 - Somos Convidados (feat. Nelson Bomilcar)
07 - Navegante
08 - Correndo Sem Parar
09 - Caminhos
10 - Erros Próprios


Hard rock na medida certa, com baladas belíssimas como "Se Você Acreditar", pop/rocks como "Viagem" e "Somos Convidados" (regravação de Vencedores por Cristo e letra do Nelson Bomilcar - que inclusive dá uma palhinha nessa), e músicas bem mais rock'n'roll, como "Ser Feliz", "Caminhos", "Navegante", "Correndo sem Parar" e a faixa-título, a imortal "Corsário", que virou um hino da banda, já tendo aparecido em coletâneas e também sido regravada numa versão instrumental fantástica por Quico Fagundes anos mais tarde. Disco fantástico, com uma capa muito bem feita e uma produção estupenda, representando bem o início do chamado movimento Gospel. Isso pra uma produção independente, em 1991, é uma coisa fantástica. No mesmo ano a Gospel Records relançaria o álbum de maneira nacional, levando a banda bem mais além de Brasília e abrindo as portas para outras de lá, como Raízes, Akza, Kadesh (futura Virtud) e Metal Nobre, entre outras. A faixa "Caminhos" tem um solo de guitarra ripado de "Rising Force" de Yngwie J. Malmsteen, mostrando as influências metálicas da banda (informação dada pelo meu brother Thiago Cruz, procurem e confiram!).

Curiosidade: O game "Hero Praise" (versão cristã de Guitar Hero) inclui uma versão de "Corsário", confira aqui.



Liberdade de Expressão (1994/1996)

01 - És Minha Rocha
02 - Pillatus
03 - Cavaleiro dos Céus
04 - À Porta
05 - Orai Sem Cessar
06 - Liberte-se
07 - Só Com Amor
08 - Qualquer Consolo
09 - Único Motivo
10 - Peregrinos

VERSÃO EM CD

11 - Somos Convidados
12 - Corsário
13 - Caminhos
14 - Pout Pourri (Caminhos/És Minha Rocha/Corsário)


Versão original em LP
Seguindo os passos do álbum anterior, "Liberdade de Expressão", com sua capa e contra capa belíssimas, traz a mesma sonoridade, com canções novas, como "Pillatus", "Qualquer Consolo" e "Liberte-se", a balada "Orai sem Cessar", o pop de "Só com Amor" e "Único Motivo", além de versões fantásticas para "És Minha Rocha" (autor desconhecido), "À Porta" (de Rodrigo Bueno), "Cavaleiro dos Céus" (de Guilherme Kerr Neto) e "Peregrinos" (versão em português pra "Not of This World" da banda Petra). Ouvir esse disco em qualquer época é empolgante demais.

Em 1996 a Gospel Records, no trabalho de relançar seus LPs para o formato CD, alguns que até então não tinham tido essa honra, "Liberdade de Expressão" foi escolhido, e André "Geléia" Fernandes, aproveitando a reformulação que a banda havia passado, com mudança de grande parte dos integrantes, decidiu fazer novas versões de 3 clássicos da banda, mais um pout-pourri fantástico.


Curiosidade: Um dos membros da banda na época chamava-se... Rogério Águas. Rogério Águas, Roger Waters (Pink Floyd), sacou? hahahaha


Acústico (2000)

01 - Cavaleiro do Céu
02 - Somos Convidados
03 - Se Você Acreditar
04 - Liberte-se
05 - Peregrinos
06 - Só o Amor de Jesus
07 - Corsário do Rei
08 - Dá um Tempo
09 - À Porta
10 - Orai Sem Cessar
11 - Carros e Cavaleiros
12 - Razão


Seguindo a tendência da época de discos acústicos, Livre Arbítrio lança o seu, sendo que totalmente em estúdio. A sonoridade das músicas rearranjadas é praticamente a mesma das versões originais, exceto claro pela ausência de instrumentos elétricos. É um acústico subestimado, merece muito mais destaque. As canções novas e a versão pra "Carros e Cavaleiros" de Marcos Góes ficaram fantásticas também.


Volta (2005)

01 - Mais Fácil
02 - Novo Caminho
03 - Se Eu Crer
04 - Volta
05 - Coração Igual ao Teu
06 - Talvez
07 - Sentimentos Perdidos
08 - Portas e Saídas
09 - Mais que Palavras
10 - Terceiro Dia

Único disco com o vocalista André Gibran (Black Drummer Band).




Em breve

Nunca Só (200?)

Em breve


Escolhas/Esperança (EP) (201?)

Em breve







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"Corsário" aparece (na sua versão original) na coletânea "Copan - Um Novo Coração" (1995), conferir mais na seção "Compilações".

Ver também:

Black Drummer Band

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Pedra Angular










Banda de hard rock de São Paulo - SP. Participaram de dois concursos musicais, um com "Vitória do Amor", promovido pela Renascer em Cristo (II Festival de Bandas da Imprensa Gospel FM, e a banda participou da coletânea desse festival graças ter chegado à final em 1992) e no FESTVALDA, da 89 FM, com a canção "Pródigo", onde também chegou à final, dando entrevistas pra MTV e pro Tom Brasil. Tanta qualidade foi facilmente explicada com esse disco de produção fenomenal, infelizmente o único da banda.



Alta Voltagem (1997)

01 - Andai Nele
02 - Kenosis
03 - Correta Ambição
04 - Pra Sempre
05 - Ansiedade Não
06 - Pródigo
07 - Mundo Cruel
08 - Vitória do Amor
09 - Reflexo
10 - Resistir ou se Entregar?
11 - Não Esquece
12 - Correta Ambição (remix)


Produzido nos Estados Unidos (!), a qualidade de produção desse disco é absurda. Hard rock limpo, poucas vezes um disco de banda brasileira dos anos 1990 cristã conseguia um resultado tão fenomenal. Tirando as faixas "Pra Sempre" e "Reflexo", que são baladas bem suaves, todo o resto é o mais puro e admirável hard rock na linha de bandas como Bride e Whitecross (inclusive eles chegaram a abrir pra esta última banda na última turnê deles pelo Brasil nos anos de 1990). Talvez o fato de ser um disco independente pode ter feito poucas pessoas terem contato com esse trabalho no Brasil inteiro, mas eu recomendo demais que procurem em MP3 ou, se possível, original mesmo (embora seja bem raro esse último método).




sábado, 29 de dezembro de 2018

RM6







RM6 (Romanos 6) é uma banda de Pop/Rock cristã de Osasco/SP. Surgida em 1988 pelos pastores Marcelo Monteiro e Paulo Alexandre, nos primórdios do movimento gospel, demorou por volta de dez anos para enfim lançar seu primeiro álbum, que fez um sucesso impressionante à época. Continuam na atividade até hoje, lançando vez por outra um novo disco.


Proteção (1997)

01 - Quem é o Teu Deus?
02 - The Way
03 - Se Deus é Por Nós
04 - Proteção
05 - Tempo de Liberdade
06 - Cavalos
07 - Filho Pródigo
08 - Rei da Glória
09 - Tua Presença
10 - Valeu
11 - Além das Estrelas


Disco de maior sucesso da banda (e uma das capas mais belas da história do rock cristão), Proteção possui simplesmente os dois maiores singles da banda: a faixa-título e "Tempo de Liberdade". Nas rádios como a Manchete Gospel FM essas duas rolariam entre as mais pedidas até 2000 e continuariam sendo fortes pedidas muitos anos depois. Mas além dessas, as três primeiras faixas, "Cavalos" e "Rei da Glória" traçam uma sonoridade bem AOR, com as vozes sendo divididas entre Marcelo e Paulo, esse último a voz principal dos dois maiores sucessos da banda.

Uma coisa curiosa das letras são a facilidade de dar adjetivos ao Senhor. "Quem é Teu Deus?" tem uma resposta enorme sobre quem Ele é (e muito forte e linda a resposta), bem como The Way, Proteção e todo o refrão de Tempo de Liberdade é uma sequência de demonstrações das qualidades inequívocas que só nosso Deus possui. Aleluia!

Não Há Impossíveis (2002)

01 - Não Há Impossíveis
02 - Eu Creio
03 - Livre
04 - Amigo
05 - Amor de Deus
06 - Bom Pastor
07 - Vinde a Mim
08 - O Poder da Oração
09 - Rei da Glória
10 - Água Viva



Formação mais enxuta, esse disco é mais técnico, mas ainda bem pop/rock. A faixa-título, a balada doce "O Poder da Oração" (predileta da minha mãe) e "Água Viva" foram os maiores sucessos, mas sem dúvidas o disco inteiro traz um pop/AOR muito bom de se ouvir, bem construído e contagiante. "Rei da Glória" ganhou uma versão mais black music, ficou muito boa. "Amigo" e "Vinde a Mim" são outros ótimos destaques.


RM6:3 (2007)

01 - O Sol
02 - Teu Nome
03 - Nada é Maior
04 - Em Ti
05 - Esperança (Brother Simion cover)
06 - Deus é Amor
07 - 23
08 - Segue-me
09 - Que Amor é Esse?
10 - Fogo


Ainda mais pop, flertando inclusive com a tendência sonora da trupe do "Worship Rock" dos anos 2000, o terceiro álbum da banda mostra ainda a maturidade cada vez mais sólida do grupo. O vocal de Paulo Alexandre aqui é prevalecente, assumindo em definitivo o posto de vocalista principal do grupo. Alternando entre canções pop como "Nada é Maior" e baladas como "Teu Nome" e letras totalmente voltadas pro louvor ao Senhor declaradamente, ainda mantém o lado rock ali perto nas guitarras, como dá pra vê nos arranjos de "Em Ti", de "Fogo" e de "23". O cover pop da clássica "Esperança" ficou fantástico (o vocal de Paulo em um certo momento me enganou e eu achei que o próprio Brother tava presente). A produção de Dudu Borges (ex-Patmus e Resgate) mais uma vez abrilhanta o projeto.

Curiosidade: O disco não foi lançado pela Gospel Records e sim totalmente independente (isso explica a parca distribuição do material, que nunca inclusive vi a venda aqui em Pernambuco), salvo engano devido uns problemas que Paulo e Marcelo (que na época eram bispos da Renascer em Cristo) passavam com a direção da igreja. Apesar do relativo sumiço da banda no resto do país, eles permaneceram com uma base forte no sudeste, o que garantiu sua manutenção até os dias de hoje.



RM6 ao Vivo (2015)
Em breve












Ao Vivo no Estúdio Show Livre (2017)

Em breve






Louvor, Arte & Cia


Louvor, Arte e Cia é um grupo pouco famoso (infelizmente) de rock cristão Brasileiro. Pouco infelizmente mesmo, afinal o projeto foi um dos mais divertidos que já passou na música cristã, bem antes dos Mamonas Assassinas ou de um análogo cristão destes, Nazaritos, o Louvor, Art & Cia já trazia canções e aparições divertidíssimas. Ainda tem em seu currículo terem sido os vencedores do Primeiro Concurso da Imprensa Gospel FM de novas bandas, em 1991 (participando da coletânea com a música "Criação"), participações no SOS da Vida Gospel Festival e ser uma das quatro bandas cristãs que chegou a aparecer no Jô Soares (!) - as outras foram Complexo J, Cia de Jesus e o vocalista da Antidemon, pastor Batista (esperava a aparição do nome Catedral aqui na lista? Parafraseando o pessoal do grupo de humor Choque de Cultura, "ACHOU ERRADO!"), entre outros feitos que valem a pena. Apesar de fora da mídia, o grupo de certo modo continua em atividade esporadicamente. Tenho contato com Décio Figueiredo e Zé Roberto Moreno, dois poetas pouco valorizados da nossa cultura cristã, e que merecem ser citados sem dúvidas.

Curiosidade: Na apresentação do Jô Soares em 1991, o tecladista futuramente tornar-se-ia um dos que tocariam a música "Vem Dançar Com Tudo", abertura da novela "Avenida Brasil" de 2012, uma das novelas mais famosas do mundo inteiro, feita pela Rede Globo. Sim, é aquela música do "Oioioi!"


Criação (1994)

01 - Tempo
02 - Milagres
03 - Overdose
04 - Quando Você
05 - Razão
06 - Cine Calvário
07 - Tá Amarrado!
08 - Criação
09 - Indignação
10 - Meditação

Divertido ao extremo, é um disco fantástico. Já falei um pouco dele em outro blog meu (Clássicos do Rock Cristão, onde você também pode baixar o álbum), além de também ter sido objeto de análise do extinto site "O Propagador". "Tempo" e "Criação" têm uma pegada bem anos 1980, aquele rock feito no Brasil na época, "Indignação" é meio heavy rock, embora mais lenta, é a mais pesada do disco. As baladas "Razão" e "Meditação" são belíssimas. "Overdose" tem uma pegada meio funk americano. Os destaques de curiosidade vão pras faixas restantes: "Quando Você" tem uma sonoridade próxima ao som de bandas da Jovem Guarda, mais notoriamente The Fevers e Renato & Seus Blue Caps, "Cine Calvário" emula o estilo pop easy listening de Frank Sinatra, pra combinar com a temática "hollywoodiana". Já "Milagres" e "Tá Amarrado!" são as mais engraçadas do disco. A primeira me remete à canção "Para Dançar" do Rebanhão/Janires, em sua primeira fita K7 (alguns versos são iguais ou similares, inclusive na ordem, sobre as habilidades de Jesus e dos discípulos sem precisar de meios humanos). Já "Tá Amarrado!" (expressão pentecostal que se popularizou com uma música do Marcos Antônio) é uma crítica às superstições, de maneira muito divertida e engraçada.

Curiosidade: Em 1996 a Gospel Records relançou o disco com data de 1996 em CD, com fotos diferentes da banda e uma arte de contracapa totalmente diferente (com uma foto da banda), tornando essa versão bem rara ante a versão mais comum em LP.

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Confira mais da banda na seção de Compilações, no disco "I Festival de Música Gospel da Imprensa Gospel FM".